Gente Boa da Minha Aldeia – O Garrafão de Cinquenta Cêntimos

Maio 20, 2018 - Leave a Response

Era um garrafão o que a senhora de casaco rubro e baço procurava.

“- Um garrafão de água dos de cinquenta cêntimos” – dizia, enquanto a sua vista cansada não o encontrava.

Mas…

Lá estava ele aconchegadinho a um cantinho com mais alguns dos seus rechonchudos irmãos ao lado, quase à saída do minimercado!

No momento em que a senhora de baço casaco rubro, outrora uma grande modista, vislumbrava o garrafão de cinquenta cêntimos, uma solta camisola azulada, escondendo torneadas linhas femininas, alegremente a cumprimentava!

E…

Pensando melhor, a senhora que instantes antes se regozijava com o encontro que lhe avivara a memória sobre um casaco rubro vivo que confecionara com medidas de infanta, lamentava-se por não poder com o garrafão, e principalmente pelo facto de o seu pobre marido, um antigo pescador com nome de imperador, estar doente e não poder contar com ele para coisa nenhuma, pois só lhe pregava sustos como sucedera numa madrugada em que não o sentiu na cama e acabara por descobri-lo, de calças de pijama e camiseta, junto à montra da loja da esquina…

Insistente e simpática, a solta camisola azulada apressou-se a pegar no garrafão e a fazer a entrega ao domicílio na companhia da destinatária, caminhando ao ritmo do seu passinho na irregular calçada de uma antiga rua designada “vila”(…), quiçá um condomínio fechado de outros tempos, de casinhas baixinhas com graciosas e típicas barrinhas, com tanques às portas e vasos e vasinhos com muitas florinhas e estendais colados aos das vizinhas!…

Responsabilizar e Culpabilizar

Maio 15, 2018 - Leave a Response

Quem ama, ensina!

Quem ensina, responsabiliza!

Quem responsabiliza, não culpabiliza!

Levantar-se!

Maio 15, 2018 - Leave a Response

Na queda, a rapidez a levantar-se do chão, ou a sobrepor-se à emoção, depende da natureza do terreno, da altura e da predisposição e determinação para dizer: “Não!”

O Enganador de Si Próprio

Maio 15, 2018 - Leave a Response

Não se glorifique ou ufane quem acredita ter enganado o outro, gabando-se de que lhe diz / dissera o que gostaria de ouvir, pois não só está a revelar-se desleal, fugindo à verdade, como pretensioso, enganando-se, o pobre enganoso!

Sorriso do Dia – Manjar dos Deuses

Maio 15, 2018 - Leave a Response

O manjar dos deuses para uma boca cerrada esvoaçando numa vida desencantada é a sinfonia dos sentidos, sussurrando sílabas repassadas de poesia na cristalina luz da alegria, encontrando um doce olhar de açucena que lhe sorria com pétalas de meio-dia!

A Senhora dos Correios

Maio 15, 2018 - Leave a Response

Uma senhora de estatura média, com a cabeça enfeitada por um soltos caracóis já grisalhos, atravessava a sala grande, de pavimento cimento, tom nada recomendado para o contexto, dizem, onde o burburinho nos leva a cogitar que, “calhando”, os ” doentes” aqui presentes não padecem, mas previnem a doença, prática que muitos, no seu douto saber, defendem!

 Os óculos pareciam manter a linha de umas armações já conhecidas algures, apoiava-se a uma canadiana, mas foi o seu perfil e a marcha que me chamaram a atenção: era a senhora dos correios, que costumava estar ao lado da colega com nome de rainha de Portugal e com os olhos verdes mais belos que já vi, palpitando sobre um doce sorriso.

E…

Entre zunzuns de: “Gente rica que não sabia governar as terras e vendeu aos pobres”, e outros que: “Não tinha bom focinho”, a senhora dos correios passava segura e indiferente como quem acaba de atender alguém, pronta para quem está a seguir!

“- Olha! A Mulher das Farturas!”

Maio 15, 2018 - Leave a Response

“- Olha a mulher das farturas!” – gritou com alegria a senhora de meia idade um cuja cabeça já despontavam flocos de neve, espreitando para as calças de ganga.

“- Sou eu, pois!” – retorquiu a serena senhora sentada na sala, enquanto aguardava s sua chamada para a demorada consulta.

“- Conheço-a há muitos anos! E tem três netos! Em cada “fêra” aparecia uma delas grávida! ” – prosseguia a admiradora da senhora das farturas.

“- É verdade! E já passaram dezasseis anos! Os (…) já têm dezasseis anos . – respondeu expedita a babada avó! 

“- Nunca compro farturas a mais ninguém! Tem tudo tão limpinho! E as batinhas todas branquinhas! Uma semana antes da “fêra”, era cá uma limpeza, que até parecia que iam estragar os alumínios todos! Um asseio digno de ser visto! “- descrevia a interlocutora.

“- Obrigada! Sempre ensinei a todos os meus como se fazia tudo! Quando um dia me for embora, só quero que continuem esta obra e, acima de tudo, que tratem bem toda a gente! Já temos tudo montado para a feira da primavera na terra onde trabalhei pela primeira vez. Aquela gente recebeu-me tão bem, mas tão bem, que os trago a todos no meu coração, e isto serviu-me de lição para a vida toda, e dos meus! – acrescentou a senhora das farturas eufórica, elogiando, sem saber a minha aldeia.

A Minha Aldeia e os Artistas Expostos

Maio 15, 2018 - Leave a Response

A arte do pincel, das tintas e da harmonia e/ou contraste das cores iluminam as enormes paredes brancas.

Numa ala, oferece-nos importantes retratos com os expressivos olhares, brilhantes ou baços, incisivos ou dispersos, navegando nos sulcos talhados pelo rosto do tempo, narrando experiências com mãos deformaras, umas presas ao passado, outras caídas no espaço perdido, abandonadas no eco do silêncio,  algumas floridas de esperança com perfumes de fruta madura emoldurando a história, lábios ricamente diferenciados: pintados de sorrisos, entrelaçados de heras pensadoras,  com pêndulos de nostalgia!

Dois rostos apenas,  duas vozes do coração de Portugal, uma  famosa nas vibações vocais, outra nas matizes da poesia, não se me revelaram no traço das cores na sua plenitude: faltava-lhes a profundidade da alma em que o artista não mergulhou ou… não conseguiu abraçar!

Na outra, os nossos olhos alongam-se na vastidão da paisagem alentejana a perder de vista, ao ritmo da sintonia de um filho com o pulsar do coração das casas brancas, térreas, orladas de azul, as temperaturas muito altas com gente sentada às portas ao anoitecer, as abaixo de zero cobertas de capotes, partilhando: a beleza da ceifa, a riqueza dos rebanhos, das perfeitas varas pretas, saciando-se de blotas; a dança da primavera e o respeito pela trovoadas, as veredas,  alguns discretos olhares e subtis carícias ao mar, lá ao longe, cuja brisa refresca os tons dourados do celeiro, com as garridas flores dos chorões e as guardiãs da costa quase indefinidas, para quem tem a felicidade de ter os olhos cheios da sua inequívoca beleza!…

Que dancem os pincéis no arco-íris dos painéis, fazendo-nos voar nas asas pintadas da criação de carroceis!  

O Trambolhão da Mentira

Maio 12, 2018 - Leave a Response

A mentira enleia-se nas suas malhas e tropeça em si própria, caindo estrondosamente no chão, sem que ninguém se compadeça e lhe estenda a mão!

A Tinta e a História

Maio 12, 2018 - Leave a Response

A tinta faz história, e a cruel desumanidade envergonha-a sem piedade do papel mata-borrão!