A Petrinha e o Pedrinho – “Arranjos” no Elevador e no Automóvel

Maio 19, 2017 - Leave a Response

– Ó Pedrinho, o que é que aconteceu para te sentares no sofá a rir à gargalhada?!…

– Desculpa, Petrinha! Apanhei a vizinha do quinto andar a fazer caretas ao espelho do elevador e a ajeitar o cabelo.

– Ia à pressa, Pedrinho, e aproveitou para acabar de se arranjar.

– Isso foi o que ela me quis dizer, Petrinha, enquanto enfiava bem os pés nas sandálias de salto alto, e a sua minissaia subia quando se baixou para abotoar as fivelas com o seu aflito suspiro: “Estou atrasada!”, fazendo uma festinha na cabeça do Quinzinho, ao sair, sem olhar para mim.

– Ah! Ah! Que cena, Pedrinho! Mas a vizinha até se justificou.

– Ficou atrapalhada, coitada! Ainda bem que o elevador não tem secador, nem relógio, se não… nem sei o que aconteceria! Até me lembrei…

– Lembraste-te de quê, Pedrinho malandreco?

– Malandreco, eu, Petrinha? Até olhei para cima quando a minissaia subia!… Acho que fiquei corado, mas felizmente, o elevador parou, e… ela nem reparou.

– É o respeitinho tão badalado pelos avós, Pedrinho. Aprendes bem!

– Aprendo tudo, Petrinha. E também tenho boa memória. Lembrei-me de um dia, na fila da ponte, ter visto num carro vermelho uma senhora toda debruçada no espelho da pala para o sol, a tirar uns pêlos das sobrancelhas e depois a pintar as pálpebras, a pincelar as pestanas e a pôr batom nos lábios…

– Também deve ter-se atrasado, Pedrinho, e aproveitou a paragem do trânsito para maquilhar-se.

– Paragem, Petrinha?!… A marcha era muito lenta, aquilo que as pessoas chamam: “Para, arranca.”, e ia um Sr. a conduzir, com cara de enjoado, mas não tinha farda de motorista. Que sortuda!
É por isso que não quero tirar a carta de condução, para ninguém fazer estas coisas pessoais em público e à minha custa.

– Ah! Ah! Só tu Pedrinho! Mas vê lá se nalgum dia também estás à pressa e pões o gel quando entrares no elevador!

– Que engraçadinha, Petrinha! Antes ir para uma festa sem popinha!

Aerograma N.º 28 – Espelho Teu!

Maio 19, 2017 - Leave a Response

Querida Amiga,

Vai, Amiga, e voa! Voa com a dança florida de sorrisos nas asas do sonho, plantando papoilas nos pátios nublados da vida!

Vai, Amiga, e fica! Fica com o teu coração no vaivém da baía, com um livro aberto na tua mão, que não espera em vão!

Vai, Amiga, e escreve! Escreve com a poesia que em ti habita nos palácios de paredes aveludadas em que a tua voz tilinta!

E…

Sobe as escadas viradas para o teu mar com varandas de vidro bordadas de estrelícias enamoradas do silêncio salgado.

Abraço, Minha Irmã-Amiga!

A Partida sem Hora Marcada

Maio 19, 2017 - Leave a Response

Quando chegar a minha hora, que seja Deus docemente a vir-me buscar, e não eu desesperadamente a suplicar para das mãos e do jugo dos ímpios me libertar!

Renascer na Escrita

Maio 19, 2017 - Leave a Response

Renasço em ti, escrita, que me acordas, que me refrescas e que na doce brisa com lábios de mel e voz de beijos quentes e rubros me agita.

O Felino Cordeiro-Bebé

Maio 19, 2017 - Leave a Response

Tratar o felino como se fosse um inocente cordeiro-bebé é expôr-se – “pôr-se a jeito”, diz a sabedoria popular – à tirania da cobarde-valentia do seu injusto e ininterrupto pontapé, ser agredido ao saber da fúria da sua maré!

A Despedida

Maio 15, 2017 - Leave a Response

Na hora da despedida, a máquina fecha os olhos às imagens que eram só tuas, o rumor de poente adormece a vida, e a dança das sombras brinca com a lua nos clarões das ondas perdidas nas marés!

Estórias de Meninas – A Menina das Tranças e a Papeira

Maio 15, 2017 - Leave a Response

Há muitos anos, quando a menina das tranças fininhas teve papeira, e ou os seus manos sofriam da mesma doença, a mãe preparava uma mezinha insubstituível.

Ia à capoeira, escolhia uma galinha, matava-a, retirava a enxúndia (gordura), colocava-a em papel pardo, que enrolava na zona afetada – inchada -, e cobria-a com um dos seus coloridos lenços para a cabeça, guardado para o efeito, com o qual fazia um lindo laço no cimo da cabeça da sua menina cujo rosto miudinho mais belo ficava, mesmo quando ela não sorria!…

E…

A “pomada” natural por ali permanecia, até que que o inchaço desaparecia!

Sorriso do Dia – A (a)Ventura do Amor

Maio 15, 2017 - Leave a Response

Dá, recebe e partilha, vive o amor e afasta a mentira, faz uma concha com a mão na mão, leva-a aos lábios e sacia o silêncio das palavras com o pulsar do coração!

Histórias de Fantoches – As Aguarelas do Júlio, 4.ª Página

Maio 15, 2017 - Leave a Response

Primeiro observaram o céu e, para que o telhado do mundo ficasse bem pintado, deram-lhe uma demão com uma tinta transparente, por onde o Sol pudesse iluminar, toda a Terra e proteger os homens.

Aumentaram o tamanho das estrelas, e a lua ficou permanentemente com cara de lua cheia.

Misturaram o amarelo com o azul e depois acordaram as nuvens cinzentas, que pintaram com a cor que obtiveram – verde – , para anunciarem o tom que a chuva dá aos campos e às árvores.

Satisfeitas com o seu trabalho, as aguarelas olharam para o mar, aspiraram a poluição com os pincéis, a água ficou transparente, e os peixinhos vieram agradecer-lhes, batendo palmas com as barbatanas e dizendo-lhes:

” – Obrigado! Obrigado!”

Voaram até às águas doces dos rios e das fontes e também as limparam.

Avivaram as cores dos alimentos:

– os verdes: dos agriões; das alfaces; das couves; dos espinafres; da nabiça;
– os laranjas e os amarelos: das ameixas; das clementinas; das laranjas; dos limões; das tangerinas;
– os frutos vermelhos: as cerejas; as framboesas; as ginjas; as maçãs; os morangos.

Durante a noite, ocuparam-se das flores: das açucenas; dos cravos;das jarros; das margaridas; das violetas, que ficaram mais coloridas e que lhes agradeceram com pétalas perfumados.

Também limparam o pó das árvores, que, muito gratas, iam abraçando os pincéis coloridos.

E…

Pintaram os bancos dos jardins e os parques infantis, a imaginarem a alegria que iriam proporcionar: às crianças; aos namorados; aos idosos.

(continua)

O Jardim da Infância

Maio 15, 2017 - Leave a Response

Ajudar quem precisa é a contínua renovação do jardim da infância florido de inocência, descobrindo a doce dança da natureza nas azedas amarelas, regando rubras folhas secas de desencanto deitadas no chão, plantando sementes de sorriso no coração derramado de destruição, ensopando leques de lágrimas num naco de pão, apertando com luz de clara madrugada a mão mascarrada de solidão!