Sorriso do Dia – Acordar a Alegria

Agosto 22, 2019 - Leave a Response

Oferece-te sorrisos quem em ti acredita, e acorda a tua alegria com lábios lambuzados de amor, e mãos de luz, soprando as nuvens de dor do teu coração com beijos nas trémulas pálpebras da madrugada, acariciando o renascer do novo dia com a claridade das palavras, segredando-te doces melodias!

O Maior Amor

Agosto 22, 2019 - Leave a Response

Quem mais te ama e como ninguém sempre te amou, foi quem tudo te deu e de ti nada recebeu, nem por isso sofreu, porque nada te pediu, nem exigiu, nem esperou, mas como flor do campo cresceu, alastrou, e de inefáveis e perenes perfumes sempre te abraçou!

As Estórias do Esu – O Tremor de Terra

Agosto 22, 2019 - Leave a Response

Era Maio, o mês em que, diziam os antigos, não se podia comer raia, por trazer consigo mau presságio.

A noite ia solta, embalando os pescadores no silêncio adormecido das ondas.

O Esu, sintonizado desde criança com a respiração marítima e com o ensurdecido ronco dos motores das embarcações, fazendo-se ao largo para a faina, ou aproximando-se dos desconhecidos penedos quando as rajadas de vento arrastavam os seus cascos, foi o primeiro a sentir o tremor de terra, assobiando no tilintar dos copos da cristaleira.

Acordou a esposa e gritou pela sua menina, adormecida no quarto do lado com as vigilantes bonecas sentadas aos pés da sua cama de ferro forjado, esverdeado como o mar transparente que a encantava e com quem falava, apressando-as para saírem de casa, receando que as ondas crescessem e galgassem os rochedos…

A Tó pegou num casaco grosso e correu para o quarto da menina, levantando-a assustadoramente, enrolando-a num cobertor, mas foi o pai quem, aproximando-se, lhe pegou ao colo, a apertou contra o peito e a trouxe para a rua, fixando o olhar no amedrontado mar, pedindo-lhe que se aquietasse.

Apareceram outros vizinhos assustados e mudos, arrastando consigo crianças ensonadas.

E…

Só quando a terra deixou de tremer, o Esu e a esposa reparam que, com a pressa, ele vestira a saia da esposa, em vez das suas calças!…

Nada disseram! Abraçaram-se com a menina entre ambos e riram-se, tremendo de alegria pela única e divertida partida que o tremor de terra lhes tinha pregado.

As Estórias da Tó – Os Recados da Avó Francisca

Agosto 21, 2019 - Leave a Response

Quando ainda não tinha atingido a maioridade, a Tó ia a pé com o pai e os irmãos desde a sua aldeia à beira-mar plantada até Santo André onde permanecia uns dias em casa da avó Francisca, desfrutando também do convívio com os seus tios: Delfina e Silvestre, de quem gostava muito, e dos primos.

A avó esperava-a com ansiedade, e recebia-a com muita alegria, contando sempre com a sua boa vontade e ligeireza para lhe fazer recados.

Pedia-lhe alegre e confiante:

“- Ai, filha, ainda bem que vieste para ires buscar água à avó à Fonte da Senhora da Graça.”

“- Avó, mas eu não sei bem onde é. Tem de me explicar.” – respondia a Tó

“- Sabes, sim! Fica lá para as bandas da Ermida da Senhora da Graça. Vais sempre pelo pinhal até encontrares, andando, andando!”

E… a Tó, lá ia seguindo as indicações da avó, sempre sozinha, percorrendo uma zona isolada até chegar à Fonte e trazer a desejada água que a avó devia acreditar que tinha poderes milagrosos, pensava!

No seu regresso, toda a caminhada era recompensada pela satisfação da avó, que abraçava a Tó, apertando-a contra o peito, agradecendo-lhe emocionada.

Mas…

Ir comprar coisas ao Azinhal, cujo caminho era melhor e ficava mais perto, não dava tanto gosto à Tó, por causa do jovem sapateiro que estava sempre a olhar para ela e a fazer-lhe perguntas, um “bom mocinho”, diziam, a quem ela não achava graça nenhuma, tendo confidenciado à avó que preferia trazer água da Fonte da Senhora.

Estórias de Meninas – A Noiva de Sonho, 5.ª Página

Agosto 21, 2019 - Leave a Response

Naquela noite, o Léu, sempre muito penteadinho com o seu brilhante cabelo preto fazendo uma discreta poupinha para trás, evidenciando a beleza do seu rosto, aproximou-se da Didia com o semblante triste, roubando-lhe a alegria do sorriso que ela amorosamente lhe oferecia sempre à sua chegada!

“- Isto está mau, Didia! Não há pescas nenhumas, nem dinheiro para apalavrar o quartinho. Não sei como vamos fazer para nos casarmos! E eu só quero viver contigo ao meu lado.” – desabafou o Léu.

“- Também eu desejo estar sempre contigo, Léu!” – respondeu, corada, a Didia. “Alguma coisa de há-de arranjar!” – adiantou com esperança a sonhadora noiva.

No dia seguinte, a Nanda procurou o irmão e entregou-lhe o seu presente de casamento: o dinheiro para as alianças, o que ele, comovidamente agradeceu.

Mas… antes de guardá-lo, olhou para a irmã e disse-lhe:

“- Mana, não te pareça mal, mas eu precisava tanto deste dinheiro para pagar o quarto, que são logo dois meses, e os ganhos têm sido tão escassos! Esta tua prenda é a única esperança que tenho de poder casar-me com a Didia; o resto está tudo orientado pela mana Tó com a minha futura sogra, mas sem casa, o que posso oferecer à minha mulher?”

A Nanda, sempre compreensiva, concordou de imediato com o mano, e apressou-se a convidar-se para ir logo com ele dar o sinal à senhoria para garantir o espaço do seu lar, tendo concordando ambos que ele faria um mealheiro para comprar as alianças logo que possível!

(continua)

O Jantar na Casa da Pagizinha

Agosto 21, 2019 - Leave a Response

Era dia 12 de Julho e, de manhãzinha, já a mãe da Pagizinha enviara um sms pulsando de alegria: “Bom dia! Já tenho legumes frescos e abrótea”.

O jantar estava combinado, a hora marcada e, finalmente chegara o dia da partilha por todos tão desejada!

As horas pareciam lentas, os preparativos recheados de particularidades e expectativas: os anfitriões empenhados na carinhosa preparação do repasto apoiados pela Chefe Pagizinha, de requintado avental de xadrez, verificando os pormenores, acolhendo as amigas-convidadas e agradecendo os doces miminhos que elas lhe entregavam, anotando os pedidos, registando os graus de satisfação com primor!

Estavam os cinco à mesa, abraçando-se com luminosos sorrisos, quando a Pagizinha agradeceu, simples, mas calorosamente, a refeição, que todos bendisseram!

O evento decorreu com genuína alegria repassada de afetos, compartilhando-se memórias e perspectivas, celebrando-se harmoniosamente a festa da vida!

Histórias de Fantoches – Conversa com Bia, 6.ª Página

Agosto 21, 2019 - Leave a Response

– Bia, e se agora falássemos sobre brincadeiras? Qual é a tua preferida?

– Boa ideia, Pasquito! Quando eu era pequena, gostava muito de brincar com uma boneca de trapos que a minha irmã Rosa, a mãe da Gabriela, me tinha feito, a “Matrofona”.
Naquela altura havia muita coisa de trapos; até a chucha do Benjamin era uma bola feita de miolo de pão enrolada em pano branco e, quando ele chorava muito, molhava-se no açúcar amarelo, que era o único que existia, e punha-se na boca. Era “um remédio santo”, diziam as velhotas muito sabichonas.

– As chuchas eram todas barradas de açúcar, por isso as crianças lambiam-se e esqueciam-se que tinham fome ou dor de barriga, não achas, Bia?

– Concordo, Pasquito, mas acho que o saborzinho do pão no trapinho também devia ser bom!

– Também eu, Bia! E a tua boneca de trapos? Guardaste-a?

– Não, Pasquito! Dei-a à Gabriela, e elas são amigas. E qual era o teu brinquedo preferido?

– Era um barquinho de madeira que o meu avô demorou a fazer com um canivete, e depois pintou-o. Chama-se “Aventureiro”. Quando chovia, brincava com ele nas poças como se fosse para o mar, e punha umas folhinhas lá dentro como se fosse peixe.
O meu amigo Juvenal tinha uma bola de trapos, às cores; à tardinha jogávamos os dois.

– Que giro, Pasquito, a tua brincadeira de faz-de-conta com o barquinho! Aposto que on guardaste!

– Guardei-o, pois, Bia! Ainda o tenho! Afinal foi um presente feito pelo meu avô.

– Pasquito, eu gostava muito de andar de baloiço quando íamos fazer piqueniques para o pinhal, e os meus irmãos mais velhos atavam uma corda a dois pinheiros, e punham um assento de madeira que o meu pai fizera. Toda a gente me empurrava, e eu ria-me muito, porque sentia cócegas na barriga, e fazia todos rir comigo!

– Bia, já reparaste que: o riso e o choro são contagiosos como a gripe?

– É verdade, Pasquito! E quando uma pessoa está rouca, fala baixo e todos a imitam? Dá-me tanta vontade de rir!

– A mim também, Bia! Falar baixo devia ser um bom remédio para quando alguém está a gritar convosco, não achas?

– Nunca tinha pensado nisso, Pasquito, mas devíamos experimentar. Podemos continuar com as brincadeiras?

– Podemos, pois, Bia! Os meus amigos, os meus os primos mais velhos e eu, brincávamos à apanhada! Fazíamos cada corrida! Às vezes, alguém caía, magoava-se nos joelhos, mas íamos à bica lavá-los e atava-se um lenço de assoar, que algum tivesse, se fosse preciso, para podermos continuar!

– Grandes amigos, Pasquito! Eu estava sempre a perguntar à minha mãe quando era a feira, para andar de carrossel de olhos fechados, a sentir a barriga a tremer nas subidas e descidas, sentada num banco a imaginar que voava num jardim mágico, ou montada num cavalinho, a sonhar que ele tinha asas e íamos correr mundo.

– Grande imaginação, Bia! Eu gostava mais dos carrinhos de choque, mas apanhava muitos sustos quando batiam uns nos outros; metia medo! Nunca andaste, Bia?

– Eu? Não, Pasquito! Gostava era de ir atrás da dança das pipocas, aos saltinhos, e de ter um saquinho na mão.

– E eu, Bia, até me lambia com o cheiro das farturas.

(continua)

A Ajuda

Agosto 15, 2019 - Leave a Response

A ajuda é bem acolhida pelos humildes, se dela necessitada, e merecida.

Por isso…

Aos arrogantes não digas nada, a menos que sejas solicitada, mas… sempre de muita prudência devidamente equipada!

Pálpebras

Agosto 15, 2019 - Leave a Response

Pálpebras são áridas planícies escondendo sóis com letras, música e arco-íris, beijando o mundo com luz de faróis!

Falar sem Boca

Agosto 15, 2019 - Leave a Response

Falam por si, e por ti os teus cerrados lábios, desonrados pelos preconceitos, discriminações e estigmas pelos teus desnudados comportamentos ao vento apregoados!