Lufadas de Vento e Tormento

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

Há lufadas de vento, que fazem sorrir e dão alento, até abrirem fossos nos ziguezagues do tempo e, cortando as asas ao delicioso canto da primavera, se tornarem um tormento, soltando-se pérolas no ar, sem encontrarem alimento!…

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O Amigo Tejadilho

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

O tejadilho é um grande amigo do homem, não só por desempenhar o papel de “burrinho de carga” para transportar todo o tipo de tralha para diversas atividades, mas… porque tudo aguenta…

O tejadilho é um grande amigo do homem quando anda alegremente a desafiar o sol para a conversa e… acontecem “coisas” nos locais de abastecimento de combustível…

O tejadilho é um grande amigo do homem, e um excelente equilibrista, pois consegue andar uns quilómetros, dentro de uma localidade, portanto a pouco velocidade, sentindo-se um rei, não só de barriga cheia, mas com uma coroa muito original: um alguidar azul, com peixe prateado, fresquinho, acabado de ser “pescado” no mercado…

O tejadilho é um grande amigo do homem, porque na sua animação alguém se lembrou do peixinho para o almoço, antes de ficar assado, sem ter sido salgado…

O tejadilho é um grande amigo do homem distraído, que paga a conta ao mecânico, “guarda” a carteira dos documentos sobre a sua ampla superfície e… arranca, dando pela sua falta quando não a encontra, e… não liquida o combustível, arrebita os bigodes e vai a correr aos bancos cancelar os cartões…

O tejadilho é um grande amigo do homem quando, não conseguindo agarrar a carteira, a atira para a berma da estrada, acenando a um motorista com cara de boa pessoa, e que acorre a socorrê-la, entregando-a a quem de direito…

O tejadilho é um grande amigo do homem, e também um seguro e confortável colchão, pois aquele senhor ainda dorme, desde 2010, ao som das marés e ao sabor da brisa marinha, ficando à espera do festival anual, com direito a ressonar, sem nunca o ter sido atirado ao chão…

A Sucessiva Contradição

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

A sucessiva contradição é sinal de desarrumação… como uma casa com gavetas e prateleiras vazias e tudo despejado no chão no meio de um turbilhão…

O Fado e a Poesia

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

O fado transborda sentimentos, não necessariamente dor, tal como a poesia, cantando o que vai na alma do poeta com arco-íris de pedras preciosas cintilando de alegria como um farol que à noite a costa alumia, e o pescador guia.

Falar em Público

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

Falar em público, é orgulho para alguns, e tremor para outros: por timidez; por ir dizer o que não se sabe, nem fez;  por medo de tropeçar nas palavras, uma vez que a linguagem corporal pode passar despercebida, e resvalar… nalgum segredo!…

Gente Boa da Minha Aldeia – Um Problema Chamado “Macaquinho”

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

O Sr. Simpático e a Sr.ª Sorrisos andam mais felizes, pois decidiram que nada iriam adiar, com receio de lá não chegar!

Lembram-se de fazer uma visita? Fica para amanhã? Para depois? Para a próxima semana? Qual quê?!… Realizam-na hoje!

O casal, o Sr. Simpático e a Sr.ª Sorrisos, além de se deixarem amadurecer com cogitações, aprendizagens e resoluções, também têm observado orgulhosamente a neta, que não vive aflita com preocupações de apanhar o autocarro na cidade grande, pois outro há-de passar…, e ficam desejosos de nesta descontração a igualar…

E…

Diz o Sr. Simpático à sua interlocutora, pedindo licença para a demonstração, que compreende melhor a “definição” que aprendeu quando era emigrante: o problema é um macaquinho que se tem no nariz, se tira, se faz uma bolinha e se deita fora, se bem que ele considere que, na realidade, está na cabeça de cada um, que se trata de um problema de mentalidades, pensando sempre o pior…

Ter e Dar Tempo

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

Ter tempo é poder dispor de horas vagas; dar tempo é abdicar do que precisa, dedicar o que supostamente é sua pertença, porque… nem o relógio biológico para!

Sorriso do Dia – A Magia do Dia Acordado

Janeiro 17, 2018 - Leave a Response

A magia do dia acordado é sentir o pulsar de uma estrela com asas no peito, poisando nos perfumados arco-íris das flores, brincando com os caracóis, as tranças, os cabelos-escorrega e os bonés bordados de sonhos na imaginação das crianças, desenhando sorrisos nos olhos transparentes de inocente beleza, cantando nos regatos e nas poças chapinhadas de retalhos humanos espelhados na natureza!

A Subida do Balão 

Janeiro 12, 2018 - Leave a Response

A subida do balão é um sonho de criança, correndo atrás da sua imaginação.

Histórias de Fantoches – Folhinha de Hortelã, 3.ª Página

Janeiro 7, 2018 - Leave a Response

A partir daquele dia, a Dulce passou a interessar-se cada vez mais pelos alimentos: pedia para ir às compras com os pais, fazia-lhes perguntas sobre a preparação das refeições e também os ajudava, entretinha-se a admirar as páginas coloridas dos livros de receitas, e não perdia o programa televisivo sobre culinária ao sábado à tarde.

Quando brincava com as irmãs, a Diana e a Dina, e com a prima Ema, a Dulce queria ser sempre a cozinheira e divertia-se a preparar:

– sopa com água e pedacinhos de relva;

– bolinhos de areia, que trazia-a num balde quando ia à praia, e que misturava com água e colocava em forminhas;

– queijinhos, enrolando o miolo dos papo-secos embebidos em água, e fazendo bolinhas;

– cereais, utilizando os farelos que a prima Eduarda comprava para as galinhas, os quais dava às bonecas, que sentava à volta da mesa de pedra à sombra do limoeiro;

– saladas com as cascas das frutas.

No primeiro dia em que foi para a escola, a professora mostrou as instalações aos novos alunos. Quando entraram na cantina, a Dulce ficou maravilhada com a roupa e a touca da cozinheira e das ajudantes, com o tamanho da louça: os gorduchos tachos; as altas panelas; as largas frigideiras, as compridas bancadas, o enorme fogão, tudo!

Quando a Folhinha de Hortelã regressou a casa, entrou na sala, dirigiu-se à mãe e disse-lhe, alegremente:

– A minha escola tem um grande e lindo museu chamado cantina, e uma chefe, a D. Clementina, que estava vestida de branco e tinha um lindo chapéu de trabalho da mesma cor, e que sorriu para mim. Posso almoçar todos os dias na cantina?

– Ó filha, a chefe é a cozinheira. Gostaste da cantina, já percebi! E da tua professora, dos teus colegas, da tua sala de aula?

(continua)