A Nobreza

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

dancas-misteriosas-2017

A nobreza não está no anel que se exibe no agitar da mão ou quando se bate fortemente sobre a mesa, mas no anelo do puro coração sintonizado com a beleza das essências do amor, num amplexo fecundo de inefável partilha repassada: de verdade, de cores e de perfumes das flores do secreto jardim azul-turquesa, dançando ao som suspenso das marés na simbiose dos momentos exatos da natureza, festejando a vida, celebrando a sua autêntica realeza!

Histórias de Fantoches – As Aguarelas do Júlio, 1.ª Página

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

Version 2

Caros Leitores,

Esta história, e outras, de fantoches, como: A Gabriela, A Margarida, O Professor, A História da Avozinha, As Recordações do Sr. José, Um Dia com o João, A Ritinha , A Liliana e A Mariana, que alguns de vós tiveram oportunidade de ler nas Estórias da Carochinha, nasceu de um projeto de uma amiga, que construiu as personagens com papel, vestiu-as e adorno-as, deu-me dicas para o tipo de narrativa, interativa e didática, e objetivo temático pretendido.

Partilho convosco a história d´As Aguarelas do Júlio, atualizada, aumentada e mellhorada, adequada a este contexto!

Trata-se de uma história simples direcionada para crianças, que espero adoce o gosto de todas as idades!

Muito obrigada pela vossa visita! Voltem sempre!

Maria do Mar

O Júlio olhou para as cores que escorriam dos pincéis e pensou que elas estavam em todo o lado:

– no céu azul, sorridente no verão;

– no mar: turquesa; azul-esverdeado, parado, branquinho, ondulado;

– na cidade: de paredes, de carros e de roupas pintadas de arco-íris;

– no campo: arborizado e atapetado cor de esperança;

– nas flores dos jardins: vermelhas, amarelas, lilases, de pétalas lisas e recortadas;

– na fruta: rosada, verde, alaranjada, amarelada, matizada;

– na televisão, principalmente nos desenhos animados: de todas as cores muito bem conjugadas, cintilantes e falantes, com coroas douradas, varinhas mágicas cor-de-rosa, e espadas do poder grandes, pesadas com luzes azuladas;

– nos bibes das crianças aos quadradinhos: brancos e azuis-escuros, brancos e encarnadas, brancos e cor de laranja, brancos e cor-de-rosa;

– nas fardas dos homens: verdes, dos militares; azuis-escuras dos marinheiros, dos polícias e dos bombeiros; azuis-marinhos dos fatos de macaco sempre cansados; amarelas das senhoras da pastelaria onde comia bolinhos castanhos, dourados e muito docinhos;

– no dia e na noite: azuis e douradas ou cinzentas e pretas nubladas, ou com gotas de chuva, ou estrelas acordadas e rastos de aviões nas suas estradas;

– no sorriso e nas palavras a brilhar de alegria com ou sem dentes, branquinhos e lavadinhos, mas a pintar os lábios mais ou menos rosadinhos, e nas cores do que as pessoas dizem, diferentes se estão contentes ou zangadas, se são doces ou amargas, se ensinam muito ou se caladas ou abrindo a boca, não dizem nada.

(continua)

Tudo Querer

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

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Tudo querer!

Tudo querer saber!

Tudo querer viver sem uma beliscadura!

Tudo querer conquistar e a todos vencer!

Tudo querer e poder e a todos e tudo recorrer!

É… o cansativo correr à deriva, às escondidas, na ilusão de miragens!

É… fugir de si, de tudo e do nada!

É… negar o abraço do milagre da sua existência sem supremas exigências de um ser que precisa de parar, de respirar, de amar, alegrando-se e alegrando, surpreendendo e deixando-se surpreender, no ondular da vida na praia onde o sol amanhece e adormece, e o inimaginável acontece!

As Estórias do Esu – “Não Infetar Casos”

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

Menino do Mar

O Esu, um homem habituado à rudeza da vida do mar desde criança, um fomentador da generosidade e opositor da ganância, um semeador da paz, distinguindo o essencial do fútil e o bem do mal, quando se deparava com a iminência de uma discussão, ou o aflorar de um desentendimento, ou o desencadear de uma situação de conflito apelava com a sua serena e simples sabedoria ao bom senso e à harmonia.

E…

Pausadamente, entre o apertar um grosso nó de uma salgada corda, um desemalhar de um aparelho, um remendar ou entralhar de uma rede, dizia e redizia:

“- Não infetes casos!”

Haverá maior prudência perante uma dor, ferimento ou sofrimento, físico ou psicológico, do que não a/o agudizar/infetar?!…

Sorriso do Dia – A Sede e o Beijo

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

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A sede sacia-se: com água, com amor, com verdade, com justiça, com generosidade!

E…

Tem a “magia” de também ela se/te saciar na abundância da paz, na festa da alegria, na doce partilha do sorriso, beijando-te, ao dia e à vida, e deixando-se beijar!

A Fraqueza dos Fortes

Fevereiro 26, 2017 - Leave a Response

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Os auto-intitulados fortes são seres de espuma, escondendo as suas fraquezas na dominadora arrogância, no absolutismo, nos gritos estilhaçados do eu perdido na sua instabilidade, que inflige aos outros, acusando-os dos seus atos, na pobreza da sua imaginária superioridade, querendo sair sempre ilesos das suas próprias garras, déspotas e indefesas, sendo perdidamente tentados, e (a)tentando!…

Gente Boa da Minha Aldeia – A Flor no Banco do Jardim

Fevereiro 15, 2017 - Leave a Response

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É uma flor de grande porte, presente dos anos, contemplativa, serena, sorridente e… bem falante!

É uma flor que se senta todos os dias num banco do jardim, quase sempre no mesmo, ou noutro, se o sol a convidar a mudar de lugar, tentando-a para a aquecer, mas, por vezes, obrigando-a a retirar-se, porque, desabafa, protestando, fazendo uma pausa no seu bom-humor:

” – Hoje o sol não se atura; ainda me põe doida com o seu calor na minha cabeça. Tive de vir-me embora.”

Mas…

A flor volta ao seu canteiro de madeira cheio de histórias de todas as idades, carregadas de memórias, de lamentos, e de alegrias, sobretudo das crianças, e também de sonhos de amores secretos com segredos aos ouvidos, corados, despertando desejos…

E…

A flor lá está sentada a descansar, ou a cogitar, distanciando-se de quem passa, ou saudando todos, em dias mais risonhos, acabando muitas vezes por ter companhia, ficando o jardim mais florido com o diversificados e coloridos ramalhetes, sussurrando e sorrindo, saudosos dos cantantes repuxos, dos despreocupados e frescos anos verdes intermináveis na imaginação e que se revelaram diferentes na concretização, se bem que com reais e gostosos encantos!…

A Lição do Perdão

Fevereiro 15, 2017 - Leave a Response

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Quem trai o irmão e obtém o seu perdão, ganha uma mão cheia de amor e tem muito que aprender com esta lição.

A Minha Aldeia e a Serenidade Noturna

Fevereiro 15, 2017 - Leave a Response

A Minha Aldeia, 2014

Noites frias neste inverno salpicado de serena primavera em que o sol beija o dia, e o peculiar vento se arrepia e se esconde entre os chorões, adormecendo embalado pelos queixumes das ondas, acenando atrevidas aos barcos ao largo com as rodadas saias de tule levantadas, sentindo-se por eles ignoradas, mas brincando à apanhada com os beijos dourados dos espelhos do farol, eternos amantes das suas vidas.

Ruas desertas e silenciosas com muitos carros deitados, dormindo sem ressonar, nem cães a passear os donos, nem pedais de bicicleta a dar a dar; apenas dois mudos capuzes realçando dois rostos de mulher, de diferentes gerações, e um gorro apertado com dois olhos quase fechados, deitando fumo de homem pelas narinas, e umas barbas tremendo, geladas, desencontrados, distanciados, mudos, os três desconhecidos, com algo em comum nos pés calçados, mas sem voz, que deslizavam cuidadosos sobre os retalhos das diferentes e tão semelhantes pedras da calçada, completamente molhada como se a chuva estivesse num espelho deitada.

Tempos novos e homens e mulheres “velhos”, não pela idade, mas… por que a história se repete, se transmite, se vive, perpetuando-se na nudez da sua natureza, em que a semelhança e a diferença são: árvores de pé, o equilíbrio, a nobreza, a beleza, a simbiose na secreta certeza do poema construído na simplicidade de quem partilha o pulsar da vida!

E…

Na minha tranquila aldeia os agentes tinham os ouvidos atentos, e os manequins habitavam as ruas com tentadoras ofertas de baixos preços, altíssimos para a maioria dos pequenos porta-moedas, que orgulhosamente guardavam ricos sorrisos de: à conta e / ou tem troco…

O Valor do Dinheiro

Fevereiro 15, 2017 - Leave a Response

a-labuta-da-pesca-2012

O dinheiro dos ricos é a arma de arremesso do seu poder.

O dinheiro dos pobres é a fatia de pão para sobreviver.