Archive for Agosto, 2017

Ter a Língua a Arder
Agosto 8, 2017

Arde a língua com a comida a ferver, sendo melhor, para evitar sofrer, previamente soprar ou deixar arrefecer!

Arde a língua e pede água para apagar o fogo do picante, soprando pelos lábios de som arrepiante!

Arde a língua afiada de maledicência e atira achas para qualquer um, desenfreada, dando dentadas em si própria, parecendo não dar por nada!

E…

Arde a língua de fora, ora dobrada, seca e salgada toda engasgada, para pedir desculpa e dizer: Obrigada!

Histórias de Fantoches – Folhinha de Hortelã, 1.ª Página
Agosto 7, 2017

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Caros Leitores,

Esta história, e outras, de fantoches, como: A Gabriela, A Margarida, O Professor, A História da Avozinha, As Recordações do Sr. José, Um Dia com o João, A Ritinha, A Liliana, A Mariana e As Aguarelas do Júlio, que alguns de vós tiveram oportunidade de ler nas Estórias da Carochinha, nasceu de um projeto de uma amiga, que construiu as personagens com papel, vestiu-as e adorno-as, deu-me dicas para o tipo de narrativa, interativa e didática, e objetivo temático pretendido.

Partilho convosco a história d´A Folhinha de Hortelã, atualizada, aumentada e mellhorada, adequada a este contexto!

Trata-se de uma história simples direcionada para crianças, que espero adoce o gosto de todas as idades!

Muito obrigada pela vossa visita! Voltem sempre!

Maria do Mar

A Dulce entrou em casa aos saltinhos salpicando o chão da cozinha com terra que saía das suas sandálias vermelhas, gritando:

– Mãezinha, paizinho, consegui, consegui!

– O quê, minha flor? – perguntou-lhe o pai com um sorriso curioso.

– Ó filha, por onde andaste que trazes as sandálias sujas? – questionou a mãe, muito séria, apontando para o chão.

– Querem ver o que eu encontrei no quintal da avó Esperança?

– O que foi, princesa? Mostra-nos! – respondeu-lhe o pai.

– Olhem para estas folhinhas perfumadas! Cheiram tão bem a: canja com ramos a bailar com as massinhas no caldinho; ao chá que a tia Eugénia oferece às amigas, ao licor que o avô Eurico bebe nos dias de festa e aos rebuçados que picam na língua – continuou a Dulce, entusiasmada, abrindo as mãos cheias de folhas verdes.

– É hortelã, filha! – esclareceu a mãe.

A Dulce levou as folhas ao nariz e inspirou o seu aroma. Depois voltou-se para os pais e disse-lhes:

– Se eu tivesse uma fada-madrinha pedia-lhe para ser uma folhinha de hortelã com pernas e asas para percorrer o mundo e perfumá-lo todinho, mas também precisava de ter sumo, para poder deitar umas gotinhas saborosas na comida e em tudo o que as pessoas e até os animais gostassem do meu paladar fresquinho, porque tinha de manter-me uma folhinha cheirosa, deliciosa e principalmente voadora! – se me metessem na sopa de cenoura, como poderia sair de lá e viajar pela Terra?!…

– Hummmmm! Que boa ideia, minha folhinha de hortelã! – retorquiu o pai, abraçando a menina.

– Concordo! – acrescentou a mãe a sorrir. E agora se fôssemos brincar às cozinheiras e preparar um lanche para os manos e para nós?

(continua)

A Pobreza de Si Próprio
Agosto 7, 2017

Pobre de quem se enaltece com o que o outro padece, e no vazio da própria casa do ser se enegrece!

A Memória do Coração
Agosto 7, 2017

A doce memória do passado é a difusão das sombras da saudade, jorrando do coração na nudez da madrugada sobre um campo de girassóis de pétalas orvalhadas debruçada!

O Imaginário Vencedor
Agosto 7, 2017

O vencido, entitulando-se vencedor, nunca erra, por isso, tudo troca, tudo diz e desdiz, tudo embrulha em papel de seda de justificação com pele de cordeiro sobre a sua juba de leão, e tudo faz para provar a sua superioridade, rolando, coitado, constantemente pelo seu tapete de inferioridade!

O Atirador de Pedras
Agosto 7, 2017

Atira pedras como chicotadas o ditador que olha para o filho como escravo, a quem veda a possibilidade de ser criança-jovem, e sonhador de um dia estudar e poder ser “doutor”, um curador de quem sofre tanta dor.

O Sorriso Triste
Agosto 7, 2017

O sorriso triste é um bebé envergonhado, que só sorri quando sonha, e fica de lábios colados quando está acordado!

O Perigoso “Apetece”
Agosto 7, 2017

Quem faz somente o que lhe apetece, a pouco e pouco adormece, não cresce e rapidamente envelhece!

Gente Boa da Minha Aldeia – O “Balho”
Agosto 6, 2017

Era o encerramento anual da atividade, que trazia consigo um grande almoço de confraternização.

Eram as senhoras, a maioria, muito bem vestidas, maquilhadas, com alegria nas faces espelhadas!

Eram os sorrisos bailando entre si cheios de simpatia, e o entusiasmo de quem há muito não se via!

Eram as comadres, as colegas e as primas e afilhadas celebrando o encontro, algumas saudosas, todas
animadas.

Eram os discursos executivos e os agradecimentos técnicos com simbólicos presentes regados de lágrimas emocionadas!

Eram as carnes, as batatas, as saladas e as sobremesas para uns muito boas, para outros pouco apuradas e nada apaladadas!

Era a fila para os cafés cheios e curtos como algumas saias de pé, outras sentadas, sem haver chá nem garotos, deixando gente decepcionada!

Era o animador musical que acompanhara a refeição, preparando o repertório para o ansiado baile, para muitos o ponto alto da ocasião.

Era a agitação, um pé no ar, outro no chão, um ou outro casal, comboios a apitar com tanto rir e falar, mulheres a dançar com mulheres, algumas sozinhas a abanar a anca e a saltitar, todas admiradas com quem não se levantava por o “balho” não apreciar ou faltar-lhe o “seu” homem para na dança com ele se deleitar!

A Incomodativa Alegria
Agosto 6, 2017

Incomoda a alegria a quem não a conhece, não a vive e não a ama, habitando enrolado nos retalhos da tristeza, queixo caído, olhar baço, voz rouca de gemidos, janela fechada à primavera que o chama!