Archive for Julho, 2012

O Esvoaçar Livre das Flores da Minha Aldeia
Julho 29, 2012

Flores brancas e rosa - 2012 by lusografias

As flores brancas e cor-de-rosa da minha aldeia, estas flores, costumam deixar cair pétalas de saudade, uma a uma, quando olham para a porta da frente à espera de um menino cujos pés há muito não andavam.

Há pouco, no silêncio e quietude da noite solitária, ouvi-as chorar baixinho! Parei e fiquei a observá-las comovida! Estavam abraçadas, e desenhavam um nome no céu iluminado pela lua cheia, e desprendiam-se dos ramos prisioneiros, seguindo uma estrela com rosto de menino, inteligência de homem e coração de criança, saltando, dando cambalhotas, correndo, correndo, correndo sorridente, alegre  e livre para os braços amorosos, reconfortantes e saudosos dos pais!

A Firmeza da Mão Solidária
Julho 28, 2012

Flores-Rosa Caídas, 2012

Dá a mão a quem precise de se erguer ou equilibrar, mas não permitas que te puxem e caias no chão!

A Bola dos Gomos de Laranja
Julho 28, 2012

Praia dos Caramujos, 2012

A bola deslizou suavemente da mão da menina, rolou até à água, e as ondas começaram a brincar com ela, atirando-a para longe!

A menina começou a fazer beicinho, enquanto olhava para a sua bola de gomos de laranja, como ela lhe chamava,  que se afastava, ficando cada vez mais pequenina, e desatou a chorar!

De repente, alguém entrou rapidamente na água, molhando-a,  dando enormes e velozes braçadas em direção à bola!

– Depressa, depressa! Apanha a minha bola! – gritava a menina suplicante, sentindo o coração a bater aceleradamente!

Decorrido algum tempo, um menino muito grande saía da água com a bola de gomos de laranja na mão, entregando-a à menina, ao mesmo tempo que lhe limpava as lágrimas com água salgada de sabor muito doce, escorrendo das suas grandes mãos!

– Obrigada, menino grande! Queres jogar à bola comigo?

– Nada, menina pequena! Quero, pois! Vamos?!…

– Vamos, pois!

As Mãos do Nevoeiro
Julho 26, 2012

Nevoeiro em S. Torpes, 2012

As mãos trémulas do nevoeiro acariciam os pássaros, vestem as árvores de noivas, escondem o mar do vento, moldam as casas brancas, douram os rostos rosados das crianças assustadas, criam fantasmas coloridos na imaginação dos poetas.

A Menina do Gigante Arco Verde
Julho 26, 2012

Flores-Liláses, Descobertas, 2012

Pequenina e muito magrinha, com duas pequenas e finas trancinhas, de pé, ali bem na minha frente, a menina do gigante arco verde, observava-me expectante,  enquanto cumprimentava o meu priminho, maior e mais forte do que ela, muito concentrado a desenhar com lápis de cor, respondendo-me, algumas vezes com acenos de cabeça, sem desviar o olhar atento do seu meticuloso trabalho!

– Olá! Que linda menina! Tens um arco muito giro! – disse-lhe, finalmente!

A menina do gigante arco verde sorriu, posicionou-o acima da sua cintura, de pouco mais do que um palmo,  e presenteou-me espetacularmente,  rodando-o no seu corpinho sem parar!

Elogiei-a, e ela agradeceu-me silenciosamente, sorrindo e baixando timidamente a cabeça, rodopiando com surpreendente mestria e graça, sucessivamente!

Novos aplausos com doces e  merecidos elogios motivaram  a menina pequenina e muito magrinha, que continuou a dançar com o seu gigante arco verde entontecido, a esvoaçar com as suas trancinhas nos seus sonhos de bailarina, a sorrir para o alegria, e a homenagear-me com a sua inocente ternura!

O Jogo do Menino do Boné Azul
Julho 26, 2012

Árvores - sombras - 2012jpg by lusografias

O menino do boné azul corre, corre atrás da sua pequena-grande bola colorida, dando pequenas gargalhadas!

De vez em quando para, coça os pés meio de fora das sandálias, mostrando as costas com o peso das fraldas!

Pega na bola, atira-a para perto dos pés da vigilante avó e fica à espera que ela lha arremesse! Sorriem, cúmplices!

– Apanha-a! – diz-lhe a avó, dando-lhe um pequeno pontapé.

O menino do boné azul bate palmas e segue a bola com os olhos sorridentes! Depois pega-a a custo, porque ela rola, rola!

Ouve um cão e procura-o, mas avista uma menina a andar na sua bicicleta laranja, e esquece a sua bola!
A menina faz-lhe adeus e sorri! O menino do boné azul fica parado, admirando-a!

De repente, volta-se e corre até à sua bola, que descansava à sombra de uma palmeira.

Então o menino de boné azul com os seus pezinhos prisioneiros nas suas sandálias entra na sombra, pisa-a, percorre-a, toca-a com as suas mãozinhas redondas, muito sério!

– Olha a bola! – incentiva a avó, intrigada!

O menino do boné azul continua indiferente ao apelo da avó, pesquisando, correndo de uma sombra para a outra! Depois deita-se e acompanha a dança das palmeiras com o sol ao som da brisa, e finalmente sorri, sorri!

Pouco depois, levanta-se, bate palmas e recomeça o seu jogo com a sua pequena-grande bola colorida!

O Convite
Julho 26, 2012

A Praia e a Prancha, 2012

Se te convidarem para te sentares, olha à volta, porque podes estar numa praia árida, deserta de mãos humanas, de bancos de pedra!

Respira a paz na voz do silêncio, bebe as cores com sorrisos de luz e caminha com a frescura da amanhã ao encontro do meio-dia florido de perfumes de amor!

Lábios de Mel com Sabor a Sal
Julho 25, 2012

Mar com Olhos de Criança, 2012

Os  beijos de mar das crianças são vaivéns de ondas com favos de mel de espuma lambuzados de sabores frescos de maresia.

Perfumes Brancos e Verdes
Julho 25, 2012

Flores Brancas da Estrela, 2012

As açucenas têm o branco perfume da doce infância e dedais de folhas de mãos dadas com corolas joviais de jarros brancos com leques no caule misturados com os aromas verdas da hortelão e dos coentros seus vizinhos, fazendo-lhes vénias!

 

Uma Mão no Meio da Multidão
Julho 25, 2012

O Sino da Esperança, 2012

Não haverá multidão que te persiga porque choras, nem pássaro que se entristeça, nem sol que te aqueça, mas  uma criança perdida dar-te-á a sua mão inocente e silenciosa, quebrando a solidão da viagem!