Archive for Abril, 2015

Histórias de Fantoches – As Recordações do Sr. José, 5.ª Página
Abril 30, 2015

O Sr. José

– “Inscrebi-me” num curso de Informática do Centro de Formação, e aprendi a fazer o “echenchial”. Temos de acompanhar o progresso, Sr. Manuel.

– Concordo! Eu já não tenho paciência para uma coisa dessas e, na “verdadi”, também “nã” preciso disso para me “distrairi” no campo. Olhe, quando estou lá em baixo, vou quase todos os dias à biblioteca “leri” o “jornali”. Aquilo “éi” um espaço muito “agradáveli”, às vezes tem exposições de pintura, de fotografias e de outro material, e o “pessoali” “éi” jovem e muito simpático. E “atão” aquelas suas histórias de caixeiro-viajante que andava a “escreveri”? Já as acabou?

– Ainda não, Sr. Manuel! Estou a “escreber”. Já passei algumas para o computador e estou a pensar pedir a alguém para as ilustrar, porque as crianças “bão” adorar. “Talbez” fale com a minha “bizinha” agrónoma, uma jovem, que tem umas grandes mãos para artes, a Doquinhas.

– Fico muito “contenti”, Sr. “Joséi”! Quando “fori” o lançamento do livro, “dêxe” recado aqui na pastelaria se faz “favori”, para eu “estari” presente. “Beim”, tenho de “iri” andando, Sr. “Joséi”! Tive muito “prazeri” em vê-lo e vá para a frente com os seus projectos!

– Também eu, Sr. Manuel! Sabe que estou a pensar fazer um jogo de adivinhas com as crianças? “Talbez” para a próxima já lhe conte. Boa estada por esta nossa terra e “aprobeite” bem o seu Alentejo.

– Obrigado! Passe bem, Sr. José! Até qualquer dia!

A empregada, a Benvinda Alegre, aproximou-se da mesa do Sr. José.

– Isto é que foi uma “conbersa”, Sr. José! Já posso trazer-lhe o seu garoto?

– Agradeço, menina! E já agora, o jornal, e a conta, se faz “fabor”!

O Sr. José respirou fundo e olhou à sua volta. Nem se apercebera de que tinham entrado tantas pessoas na pastelaria; estava cheia e colorida de conversas e risadas! Ele gostava muito daquele ambiente!

– Pronto, Sr. José! Aqui tem tudo o que pediu!

– Muito obrigado!

O Sr. José pagou a conta, despediu-se, dizendo: “ Passe bem!”, dobrou o jornal, colocou-o debaixo do braço, e lá foi a pensar nas diferenças e na riqueza dos falares regionais.

(continua)

Sorriso do Dia – Convite
Abril 30, 2015

Flor-Laranja do Meio Dia, 2015

Aceita o convite da vida, e  dança!

Dança com a luz sorridente do sol da manhã nos espelhos das marés!

Dança com o ritmo da folhagem das árvores colorida de fruta madura!

Dança com a delicadeza das flores nos olhos transparentes das crianças!

Dança com o ímpeto das ondas, soletrando o poema exato nas pegadas!

Dança com as voltas e reviravoltas atrevidas do vento nas asas do sonho!

E…

Rodopia!

Rodopia com o teu coração puro de criança na primavera que te abraça!

Rodopia no reencontro azul da madrugada, ao sabor da suave sinfonia dos pinheiros!

E…

Abre a porta ao sorriso que te beija em cada dia com doces lábios perfumadas de alegria!

Prato do Dia na Ilha da Amizade
Abril 29, 2015

Praia de Sonho

Num restaurante da Ilha da Amizade, algures no litoral alentejano, uma moçoila  morena, rosada e de lábios sorridentes cogitava ao ver entrar um cliente:

“- Vou atender aquele Sr. Bem-Parecido, antes que a Bia Atiradiça se antecipe!”

Mas, a Bia Atiradiça cumprimentou o Sr. Bem-Parecido, indicou-lhe a mesa com vista para a baía e estendeu-lhe graciosamente o menu…

O Sr. Bem-Parecido começou a lê-lo, e… a sorrir só para si!…

 Prato do Dia

Entrada:

– Travessa de palavras alentejanitas.

– Pirezinho de piadas.

– Tacinha de sorrisos.

 

Sopa:

– Creme de Letrinhas de beber e chorar por mais.

 

 Prato de Carne:

– Mão de Amigos Unidos.

– Pernas para que te quero.

 

Prato de Peixe:

– Braçadas do Rei dos Peixes.

– Sacudidelas de Barbatanas.

 

Bebidas:

– Água Fresca de Bem-Vindo.

– Sangria de alegria com fruta do ano inteiro.

 

Sobremesa:

– Doce da Casa da Amizade polvilhado com solidariedade.

 

“- Que ementa! Mas, haverá alguma coisa que não me apeteça?!… Quero tudo! – decidiu o Sr. Bem-Parecido todo satisfeito!

 

E, ao fundo da sala, com um olho no Sr. Bem-Parecido, e outro na bela baía, a moçoila morena, rosada e de lábios sorridentes, cumprimentava quem entrava, e… sorria, sorria!…

O Homem e os Sonhos
Abril 29, 2015

O Pescador Alfacinha, 2015

O homem constrói os seus sonhos!…

O homem pode… sonhar! Sonhar com dias melhores! Com horas melhores! Com momentos melhores!

O homem pode… caminhar à beira mar de mão dada com a vida entrelaçada noutras vidas com risos de crianças!

O homem pode… querer ficar sentado na areia fria da praia a ver os barcos a passar, as ondas a rebentar até adormecer!

O homem pode… cogitar sobre isto e aquilo, recomeçar ou estagnar, agir ou reagir, viver melhor e continuar a sonhar!

O homem pode… ergue-se como a força do mar projetada numa onda, subindo penedos gigantes de coragem, e vencer!

O homem pode… fazer da sua vida o que quiser: correr, rir, chorar, conquistar metas, dormir de olhos abertos, porque é livre!

O homem pode… construir os seus sonhos, abrir a janela da vida, debruçar-se sobre o mundo, oferecer flores com pétalas de paz!

O Barco de Papel – 16.ª Página
Abril 29, 2015

O Barco de Papel

O mestre João quebrou o encantamento daqueles momentos mágicos e dirigiu-se ao Ursinho Pimpão:

– Meu amigo, o teu cata-vento é uma bússola volante genial, que transforma o Sol Lusitano num pássaro, e que torna possível esta viagem de descobrimentos! Obrigado!

– Não me agradeças, meu mestre-amigo! Consegui construí-lo com a ajuda do professor José Manuel da escola dos Penedos da Índia, o irmão mais novo das mestras Manuela e Fernanda, grande conhecedor destas coisas da Física, que estudou o seu engenho, enquanto estava sentado na praia do Gama, inspirando-se na baía, e alimentando os cardumes com o isco da sua cana de pesca – respondeu o Ursinho Pimpão.

– Temos de agradecer-lhe quando chegarmos à terra dos caramujos – afirmou o mestre João!

Reparem naquela nuvem escura ali ao fundo! – salientou entusiasmado.

– Que horror! Isto é muito mais espesso e escuro do que um simples nevoeiro – disse o Sr. Príncipe, esfregando os olhos.

– E muito mal cheiroso! – Atchim! Espirrou o Cão-Inspetor, de nariz no ar!

– Companheiros, fiquem calmos e prestem atenção! O engenhoso cata-vento vai começar a aspergir as nuvens poluidoras com gotas marinhas da lagoa azul, purificadoras do ar!

E também tem um aspirador-regador para todo o terreno, que só funciona à noite, para não assustar as pessoas – anunciou o Ursinho Pimpão.

– E eu aposto, com este dedo que herdei do meu avozinho, que as nuvens escondem as grandes cidades cheias de carros, de pessoas pálidas e de crianças e idosos com tosse – afirmou o Sr. Príncipe, mostrando o dedo mínimo.

– Tem razão, Sr. Príncipe! Já podemos ver: as casas, os parques, os lagos, as

praias, as folhas verdes das árvores, os campos, as estradas e as pessoas, que estão admiradas a olhar para o céu azul! – observou a Ervilhinha Tagarela.

– Viva! Viva! – aplaudiu o mestre João abraçando o Ursinho Marinheiro-Corajoso-Engenhoso, e toda a tripulação.

Vejam! Até o fumo das fábricas diminuiu.

Agora podemos saborear a nossa comida e descansar um pouco, enquanto o Sol Lusitano vai limpando as outras cidades da Terra, porque amanhã temos o Encontro na Ilha do Príncipe.

(continua)

O Sorriso e a Palavra
Abril 29, 2015

Sementes de Primavera, 2015

Há dias em que

O sorriso é maior!

Maior do que o coração onde nasce e renasce!

Maior do que a distância que percorre à velocidade da luz!

Maior do que a grandiosidade de quem o acolhe!

Maior do que o mar imenso que os une!

Maior do que o céu azul cintilando de alegria!

Maior do que o esforço para abrir outro caminho!

E…

Há dias em que…

A palavra…

Sorri e espreguiça-se até chegar à página em branco!

Salta e brilha com o sol nascente nos seus lábios rubros!

Soa e escuta a voz do mar renascendo no veludo matinal!

Saboreia e multiplica o deleite de cada pequena vitória!

Semeia e rega flores e árvores no caminho com alegria!

O Pescador da Bóina Preta
Abril 29, 2015

A Ilha dos Sonhos, 2015

 

Sentado numa pequena rocha rugosa e seca, debruçado sobre o que fora a sua casa flutuante durante longos e árduos anos, o pescador de bóina preta pensava em voz alta, num tom quase imperceptível para quem por ali passasse na ânsia de se aproximar do mar, de sentir-se tocado pela sua força, de respirar o seu perfume…

Um terno e grato sorriso de mar infinito, meu companheiro de uma vida!

Uma praia com pegadas dos meus primeiros passos e dos meus filhos!

Um barco com avanços e recuos na persistente e paciente navegação!

Uma rede com malhas largas e estreitas para as pescarias a cintilar!

Uma bóia com muitas irmãs pelas noites coloridos de perspicácia!

Um búzio com vozes partilhadas do mar ecoando ao meu ouvido!

Uma baía de alegria com destino marcado de lutas e regresso!

E…

Recordando as venturas e desventuras, o pescador de bóina preta suspirava pelos  sonhos, pelos medos e pelos segredos guardados no regaço das estrelas…

A Primavera Florida da Vida
Abril 29, 2015

Chorões-Rosa, 2014

A primavera florida da vida, o céu azul e estrelado, o livro gigante cheio de histórias, o silêncio cantando doces melodias, o maravilhoso mistério do ser de braços abertos no terraço do mundo é o barco que navega nas águas serenas e transparentes onde…

Fala bem quem usa a razão e escuta o coração!

Ensina a verdade quem sabe e tem capacidade!

Cresce quem pensa, caminha e abre portas!

Canta a vida quem é dinâmico e generoso!

Defende o povo quem é humanista!

Acredita na vitória quem é vencedor!

Sorri quem ama e cultiva a flor do amor!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Sr. Máximo
Abril 29, 2015

A Janela da Muralha

O Nito estava a dar uns chutos na bola!

A Nita, que naquele dia chegara depois dele, pois fora comprar umas linhas de bordar para pintar uma flor com agulhas, como ela dizia, observava-o!

O amigo não se apercebera da sua presença.

– Golo! Golo! – gritou ela, rindo-se quando a bola se elevou, e o Nito a apanhou a custo depois de uma corrida.

Ele levantou-se vitorioso, sacudiu o pó das calças, atirou a franja para trás, e respondeu-lhe:

– Não percebes nada disto, miúda!

– Achas?!… Se estás a pensar que ia atirar-me ao chão para ficar cheia de pó, enganas-te!

– Já sabia que ias defender-te, Nita! – afirmou o Nito.

– Tu és o máximo, Nito! – declarou a amiga, desafiando-o.

– Ora, ora! – respondeu-lhe o Nito com cara de poucos amigos.

– Não sejas tão “amuadiço”, Nito! Vou contar-te uma história, a do Sr. Máximo, mas não tem nada a ver contigo!

– Está bem! Aproveito para descansar! Vamos sentarmo-nos naqueles degraus! – concordou o Nito. Mas, tenho sede!

A Nita tirou uma garrafinha de água da sacola, deu-a ao amigo, e acrescentou:

– Boa ideia! Até ouvimos as ondas a espreguiçarem-se na praia!  Vou contar-ta!

– Conta, conta! – pediu o Nito.

– O Sr. Máximo embirrava com o seu nome: Máximo para aqui, Máximo para ali… “Eh, pá! Tu és o máximo, até pareces o nosso Benfica!” – diziam-lhe os amigos águias!

– Esses são cá do meus, pitinha!

– Eu sei! “Tu és mesmo um máximo!” – repetia-lhe uma miúda que gostava de jogar à bola com ele no castelo, cada vez que ele abria a boca e acertava nalguma!”

– Lá estás tu, Nita! Queres que eu me vá embora?!… – reagiu o Nito, esforçando-se por ocultar um sorriso.

A amiga apertou os lábios, olhou-o de frente e prosseguiu:

– Não quero nada! Vais já perceber que… me fugiu a boca… Desculpa! Que me enganei! “Avô, tu és o máximo!” – dizia-lhe inocentemente a netinha uma menina muito espertinha! O Sr. Máximo resolveu minimizar o nome, e começou a treinar com a outra netinha, a  mais novinha: “Avô Max!” – e ria-se!

A menina batia palminhas e dançava, pronunciando:

“- Bô Má!”

O Sr. Máximo franzia o sobrolho e cogitava: “Esta agora?!… Parece tratamento de menina, mas, afinal, eu sou o Máximo! Tenho de maximizar! Não posso encolher-me!”

– E como é que esse Máximo resolveu a questão, Nita? – quis saber o amigo, curioso.

A amiga fez uma pausa.

Sorriu.

Aproximou do amigo, e segredou-lhe:

– A tal miúda, para animar o amigo, resolveu comprar um “vasquinho” e enrolou no máximo de seis guardanapos, e escreveu-lhe um mínimo de palavras com letras médias:  “Máximo, no “maxime”, maximiza os sorrisos quando estou a brincar contigo, os bons-dias, as boas-tardes e as boas-noites, a alegria e nada mais, e não te rales quanto ao resto, porque a tua maximização não está na tua mão, é feitio e… não há nada que possas fazer para mudar a tua natureza! Mas olha lá, és um máximo e, cá para nós, sais-te com cada máxima, Máximo, que até dá gosto!

O Nito não resistiu e soltou uma gargalhada!

A Nita retribuiu-lha!

O relógio da torre disse-lhes as horas!

Levantaram-se apressadamente.

Despediram-se!

Olharam para trás!

Sorriram um para o outro!

E ela ainda retorquiu:

– Máximo, aproveita este dia e todos os outros, ao máximo! E… olha!…

O Nito parou e disse, tal como ela esperava:

– Estou olhando!

Trocaram um sorriso cúmplice.

Ela continuou a desafiá-lo:

– Nito, olha lá para esta máxima: “Máximo, amigo, estou sempre contigo!..

Ser Único
Abril 29, 2015

Fonte de Vida, 2015

Ser único é ser baía serena, praia, onda, mar!

Ser único é ser primavera, verão, outono e inverno!

Ser único é ser impulsivo e docemente paciente!

Ser único é ser voz alta e murmúrio no silêncio!

Ser único é ser gente grande e ver-se pequeno!

Ser único é ser inteligente e saudavelmente sensível!

Ser único é ser erro, queda, humildade, recomeço!

Ser único é ser discreto e verter lágrimas solitárias!

Ser único é ser criança a brincar e perdoar a sorrir!

Ser único é ser fonte de amor e celebrar a palavra!

Ser único é ser escrita e pontuação partilhada!

Ser único é ser mão estendida, beijo e abraço!

Ser único é ser pleno e no mínimo, um máximo!

Ser único é ser sorriso da manhã e alegria do dia!

Ser único é ser sol sem rosto e sinfonia da vida!