Archive for Junho, 2014

A Minha Aldeia em Festa no Jardim
Junho 30, 2014

Árvore Florida, 2014

No jardim, as flores entrelaçam-se na velha árvore, que as viu crescer e as protegeu do vento.

Assistem à azáfama dos habitantes de bairros de antigos pescadores, e outros animadores, preparando uma festa na sua casa!

Admiram umas bonequinhas de pano, uns gigantones com ares de gente e uns espantalhos-modelos muito bem vestidos e sorridentes para impressionar os clientes, e atraí-los para os estabelecimentos comerciais, bem como rendas de bilros, sacos de panos bordados, e outros, tapetes de Arraiolos, e demais peças de arte tecidas pelas mãos de fadas da nossa aldeia!

Observam as mesas brancas a serem fardadas de  vermelho adamascado!

Sentem o cheiro da comida dos homens, muito forte para as narinas das suas sensíveis folhas, e escutam as divertidas conversas; por vezes, assustam-se com algumas gargalhadas!

Ninguém parece incomodado com o vento frio!

Chega um grupo identificado com cores comuns, e gente de todas as idades!

Soa uma música irritante para as flores, as árvores e particularmente para a espezinhada relva, habituadas ao ritmo do acordeão em dias de festa, quando a terceira idade dança, dança e… não se cansa!

O grupo sacode-se por todo o lado como se a ventania agitasse a folhagem e assobiasse!

Os habitantes do jardins encolhem-se, arrepiam-se, estremecem!

As árvores apertam as flores como mães, cuidando dos filhos!

Quando os candeeiros abrem os olhos e o sol já se espreguiça, a paz vai descendo sobre o jardim!

E… o silêncio que a noite traz no seu manto solta a doce alegria da natureza, que boceja e sonha com um novo dia!

 

Anúncios

Voando na Imaginação da Ponte
Junho 30, 2014

A Ponte, 2014

A ponte ruidosa ensurdece os pássaros!

Os pássaros abrem os bicos!

Os bicos deixam cair os pedidos dos homens!

Os homens ficam tristes, e olham para as nuvens!

As nuvens dão-lhes a mão, e passeiam-nos sobre o rio!

O rio embala-os com o canto das Tágides!

E… do outro lado, o Santuário sorri, e abraça-os!

Segredos da Natureza
Junho 30, 2014

Rocha-Monstro, 2014

A rocha-monstro rasteja, tentando alcançar a terra!

Espuma de raiva pela sua pesada indolência!

Um pescador, indiferente e sereno, aproxima-se com uma cana de pesca ondulando-se no seu ombro!

E… a rocha-monstro recolhe o focinho achatado, e estende as patas dobradas para recebê-lo na sua casa!

E… os chorões viçosos abrem as flores para encantarem as sereias, que os embalam com os seus cantam misteriosos!

As Estórias do Esu – As Mãos do Mestre
Junho 30, 2014

Mestre

Foram estas mãos que seguraram as minhas quando me desequilibrava!

Foram estas mãos que me acariciaram com perfumes de amor salpicados de mar!

Foram estas mãos que me mostraram que o amor é a expansão ininterrupta do ser!

Foram estas mãos que chamaram os meus filhos, e lhes plantaram sorrisos do coraçanito!

Foram estas mãos que atravessaram tempestades, e limparam lágrimas em noites invernosas!

Foram estas mãos que safaram aparelhos, remendaram redes, fizeram “chumbicas”, e carregaram: peixe, moluscos e marisco!

Foram estas mãos que ofereceram ajuda a todos, puseram a mesa indiferenciadamente, emprestaram artes, e o dinheiro que havia em casa!

Foram estas mãos que ensinaram os sobrinhos nas artes marítimas, e os acolheram como um pai!

Foram estas mãos que tiveram à sua cabeceira mãos entrelaçadas de dor, as da sua pérola, e de alguém especial com o nome do seu pai!

Foram estas mãos que se despediram das nossas há dezassete anos, ainda madrugada nas nossas vidas, deixando-nos a flutuar no mar da saudade!

E…

Foi uma destas mãos que silenciosa, firme e corajosa agarrou a minha mão pela última vez com a força de uma rocha, que as vagas não derrubam, legando-me a melhor herança: o exemplo do meu grande mestre!

A Força da Motivação
Junho 24, 2014

O Pote

A motivação é um pote cheio de sentimentos e de ideias, de esperança e de entusiasmo, de alegria e de sorrisos!…

Aproximou-se alguém de pedra, e entornou-o, mas… ele não se esvaziou!

Encontros Floridos
Junho 24, 2014

Flores-Lobo

Eram duas flores amadurecidas pelo tempo, ambas vestidas com tons de espiga, e o bom gosto de searas dançando com as papoilas ao vento!

Traziam no rosto as pétalas da serenidade, atapetando os campos de seda!

Abriam as mãos com a delicadeza do trato, e a gentileza social, harmonizadas com o universo!

Brotavam das suas bocas discretas, corteses e viçosas palavras semeadas noutra era, regadas com sabedoria.

Brilhavam nos seus sorrisos a imensidão de quem comunica com o outro como se amasse o amor, e/ou contemplasse Deus!

Altar de Santo António
Junho 24, 2014

Janela de Santo António, 2014

Celebram-se as festas populares da cidade, descendo a avenida, enveredando pelos bairros, peregrinando na Sé com o Santo milagreiro no coração dos alfacinhas, e põem-no à janela entre flores e balões coloridos de alegria, e quadras perfumadas de manjerico!

Histórias de Fantoches – A Gabriela, 8.ª Página
Junho 24, 2014

A Gabriela

 

–  Uma alegria especial foi quando o meu paizinho evitou que a minha mãezinha me batesse, porque parti, sem querer, um copo de pé com uma barra azul, que fazia parte de um conjunto com um jarro, o qual deixei cair quando ia beber água.

Eu comecei a chorar quando isto aconteceu, mas o meu paizinho acalmou-me, e disse-me para eu não ficar triste, porque não podíamos transformar as minhas lágrimas no copo, que elas não faziam bem aos meus olhos, nem ao meu “coraçanito”, e que o mais importante era eu não me ter cortado com os vidros.

– Gabriela, o teu pai foi muito querido contigo!

– Bela, o meu paizinho é o melhor pai do mundo!

– O meu também. E depois? Vá! Conta!

– Quando a minha mãe chegou perto de nós, ficou toda zangada, e quis saber quem tinha partido o copo, mas estava a olhar para mim com olhos de fera. Então, o meu paizinho disse que tinha sido ele.

Eu desconfio que ela não acreditou, porque voltou as costas a deitar fogo pelo nariz, mas não falou mais no assunto.

Enquanto almoçávamos, eu tinha dificuldade em engolir a comida, misturada com um grande desejo de dar um abraço ao meu paizinho, e agradecer-lhe este lindo e doce presente de amor.

Agora conta-me uma alegria tua, sim?

–  Gostei muito dessa alegria especial, que o teu pai te proporcionou.

Uma alegria minha foi quando me lembro de ter ido pela primeira vez à praia com a minha mãe e o meu irmão.

Eu não queria andar na areia, porque estava muito quente, e fazia-me cócegas, mas o meu irmão Quico pegou-me ao colo, e sentou-me na toalha que a minha mãe já tinha estendido na areia.

Depois foi encher o meu balde de água, e trouxe-mo para eu ir molhando os pés, e fazendo uma pasta com areia. Achei muito giro. Brincámos aos bolinhos, que desenformávamos e oferecíamos à nossa mãe, que agradecia, fingia comê-los, e dizia que estavam muito bons!

– Eu também fazia bolinhos desses. E divertia-me! E não tomaste banho, Bela?

– Tomei, sim, Gabriela! E gostei muito! Eu conto-te! Eu não queria ir para a água, mas o meu irmão deu-me a mão, e ajudou-me a levantar.

Não tirei o chapéu, porque aquele mar todo metia-me medo.

Gostei de sentir as ondas a molharem-me os pés!

Sentei-me à beira-mar com o meu irmão, que me ia molhando!

Eu sorria, e chapinhava!

Ele foi tomar banho!

A mãe continuava de pé.

Quis ir com ele.

Comecei a chamá-lo:

– Quico! Quico!

O meu irmão dava mergulhos, olhava para mim, e ria-se!

Depois veio buscar-me!

Tinha as mãos frias, e pingava água por todo o lado!

Deixei-me conduzir, e fui-me molhando!

– Que bonito, Bela! E deste algum mergulho?

– Não, Gabriela! Mas… joguei o chapéu para dentro de água, e o meu mano riu-se. E eu também!

Mas, a minha mãe não achou graça nenhuma, e mandou-nos sair da água.

Cá fora, e depois de termos o cabelo seco, o meu irmão pôs-me o seu boné, atou a sua blusa na cabeça, e fomos jogar à bola!

– Grande irmão, Bela! E a tua mãe?

– É verdade, Gabriela! A  minha mãe riu-se e deixo-nos brincar sem fazer reparos, o que era raro! Mas, foi um momento muito bom, de uma alegria inesquecível!

– Bela, tenho mais alegria guardada no meu coração e na minha memória, porque a alegria é como o sol, nasce todos os dias, mesmo quando não o vemos, mas a que sinto agora, agradeço-ta: termos estamos estado aqui a fazer esta nossa história. Obrigada!

– Obrigada, Gabriela! Também gostei muito, e vou guardar esta nossa alegria para sempre!

FIM

Sentidos Lisboetas
Junho 24, 2014

O Tejo, 2014

Há olhos curiosos, mergulhando no reino das Tágides perdidos no seu musicado encanto, navegando na imaginação dos barcos que deslizam, pintando as águas com majestosas penas de cisne!

Há bocas mudas, bebendo o canto do Tejo com taças de nuvens, transbordando de surpreendente beleza, molhando os lábios com borbulhas da História, sorvendo o prazer no voo das gaivotas abraçadas pelo Cristo Rei.

Há pés parados, calçando sandálias apressadas da Menina-Lisboa, descobrindo as fragatas portuguesas rendilhadas de venturas, escorregando nas lajes de artificies calceteiros, perfumando-se de manjericos, de castanhas e de sardinhas assadas…

Despertar na Cidade Grande
Junho 24, 2014

O Sino da Cidade Grande, 2014

Na cidade grande, de manhãzinha, cantam as cotovias, choram as nuvens as suas alegrias, e o sino repica as suas magias!