Archive for Novembro, 2015

Quando Eu For Grande – Quadragésimo Segundo Desejo
Novembro 30, 2015

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a aurora de todo o dia!

Quero acabar com a noite que mete medo à criança, que arrepia a solidão do pobre perdido na rua, que faz pingo, dor de cabeça e sobe a temperatura e dá a tosse a quem chama pela saúde durante o dia!…

Quero que ninguém durma com a luz do dia, que cante a vida, e dance ao som da melodia do meio-dia, e… Sorria!

A Voz do Silêncio
Novembro 30, 2015

Onda de Primavera, 2015

A voz do teu silêncio não é a indiferença, mas o ensurdecedor rebentar de ondas do teu coração, percorrendo uma noite fria de maresia, que em breve abrirá a porta à luz dourada do dia!

A Pagizinha e a sua Festa de Aniversário
Novembro 30, 2015

A Pagizinha

Era o dia do aniversário da Pagizinha!

Acordei ansiosa!

Sorri para o relógio, achando que os ponteiros não andavam! Ainda faltava tanto para a hora do lanche na escola da minha afilhada!

Fui à rua num pé, e voltei noutro com dois embrulhinhos cujos laços pareciam maiores do que o seu conteúdo: um lápis especial e um pequeno puzle com uma menina cor-de-rosa, a cor preferida da Pagizinha!

No regresso, ainda entrei na casa dos meus compadres, mas a mãe da nossa menina agradeceu os meus préstimos, que, como previa, não eram necessários, para alguém tão organizado!

Cerca das catorze e trinta, desci as escadas. A porta da casa da Pagizinha abriu-se. Peguei-me na super caixa do bolo de aniversário, e, mãe e madrinha lá seguiram: uma desejando que os meninos gostassem do lanche e dos presentes para cada um neste último ano da Pagizinha na “pré”; a outra suspirando pelo abraço de parabéns, que daria à afilhada.

Fomos acolhidas com euforia pela turma, em particular pelo brilhante sorriso e pelos felizes saltinhos da Pagizinha.
As crianças iam ocupando ordenadamente os seus lugares à mesa, seguindo as indicações da educadora, enquanto nós dispunhamos os pratos, os copos, os guardanapos amarelos, os sumos… o bolo, que seria alvo de um mistério, dada a sua cor verde, à volta da qual giraram hipóteses mágicas e “reais”, do mundo imaginário dos desenhos animados!…

“Os parabéns” ecoaram em coro, expandindo a alegria pela sala, seguida de palminhas de mãos abertas, comandadas pelo palpitar dos pueris corações.

Alguns lábios mais gulosos estendiam-se ao ritmo dos dedos no ar, pedindo educada e insistentemente:

” – Quero mais bolo!”

“- Quero mais sumo!”

A Pagizinha estava particularmente feliz; diria elétrica de felicidade, apesar de muito bem comportada!

Aquele dia tivera outra particularidade: uma visita de estudo que, causara enjôos nalgumas barrigudinhas mais sensíveis, devido às curvas da estrada!

Antes de sairmos, a mãe da Pagizinha e eu ainda assistimos à avaliação da turma, que a educadora aplaudiu e frisou tê-la deixado feliz!

Este ano, a Pagizinha não saiu connosco, porque ela gosta muito que o pai vá buscá-la à escolinha, e ele ia dar-lhe esse carinhoso presente, mas ela e eu ainda tirámos fotos juntos, na sala, ao contrário do ano anterior, em que o cenário foi a entrada principal do edifício.

PARABÉNS, minha queridíssima afilhada-amiga, pelo teu aniversário, mas principalmente por seres alguém muito, mas muito especial, muito importante e muito amada por todos nós!
Muito Obrigada por estes anos de Felicidade que nos proporcionaste!
Amamos-te muito, Pagizinha!
Vivam os teus seis aninhos!

As Lágrimas Floridas
Novembro 30, 2015

Flor-Vizinha, 2015

Escuto o eco do silêncio dos teus passos, sigo de biquinho de pé as pegadas do pulsar do teu coração, e colho uma a uma as flores que nascem das lágrimas, que vais plantando no chão!

Sorriso do Dia – Os Sussurros do Dia
Novembro 28, 2015

Uvas, 2015

Faz da tua vida um pomar!

Planta mais árvores à tua volta, rega as raízes das viçosas, para que permaneçam, aduba e trata das que não vão, nem vêm, para que cresçam, colhe a fruta, e… oferece-a, confiante de que a recompensa é como o sol a brilhar no horizonte com feixes dourados de meio-dia ou as cores sortidas numa coroa de arco-íris!…

E…

Ouve o canto primaveril dos pássaros atravessando os dias cinzentos!…

E…

Sente a dança das flores com o vento, respira o perfume das pétalas do jardim da alegria, abraça os sussurros do dia, pedindo-te: Sorria, sorria!…

As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Ida à Hortinha, 1.ª Página
Novembro 28, 2015

A Janela da Muralha

Naquela tarde, o Nito não trazia a bola, facto que surpreendeu a amiga. Antes de ela se manifestar, ele antecipou-se:

– Nita, hoje vamos dar um passeio. Não faças essa cara! É aqui perto! Vais gostar!

– Humm! Não sei, mas se é aqui perto, vamos! – concordou a Nita.

O Nito e a Nita saíram do castelo e dirigiram-se às escadinhas da praia, silenciosos.
A Nita olhava para ele, desconfiada. O amigo sorria-lhe, e ela correspondia-lhe timidamente.

Pararam junto à hortinha. Desceram os degraus que davam acesso àquele lugar mágico, e a menina bateu levemente ao portão.

Depois ouviram a voz do Sr. Jaime:

– Está aberto, meninos! Entrem!

A menina empurrou o portão, mas este não cedeu, pois não se encontrava apenas encostado.

– Eu abro-o, Nita! – disse o Nito, estendendo o seu braço sobre o portão, tendo alcançado o ferrolho sem franzir o sobrolho, e concretizado o seu propósito, fazendo, seguidamente, uma graciosa vénia à “dama-amiga” para que ela entrasse!

A Nita sorriu, deu uns passinhos, passando com as manguinhas de balão, do seu vestido de florinhas amarelo-laranja, sob o nariz do amigo, e agradeceu-lhe, gracejando:

– Muito obrigada, jovem lusitano! Entremos neste verdejante palácio de teto azul com vista para a nossa praia, percorrendo os tapetes castanhos de estreitos carreirrinhos desta terra batida!…

O Nito esforçou-se por esconder um sorriso.

– Bom dia, meninos! Sejam bem aparecidos! “Atão” vai uma cenourinha?!… É do mais tenrinho que há! É só lavar! E ficam com os olhos mais bonitos! – saudou-os o dono da hortinha com nítida alegria.

– Obrigado, Sr. Jaime, mas se pudesse ser uma bananinha aqui para a menina, agradecia! – respondeu o Nito.

A Nita, surpreendida, corou e baixou a cara.

O Sr. Jaime olhou para os dois, sorriu, apanhou três babaninhas maduras, entregou-as ao Nito, e disse:

– Comam, comam! São docinhas, uma delícia! Podem sentar-se ali naquela banquinho, e depois lavem as mãos aqui no tanque!… Não temos toalha, mas o ar e o calor secam tudo!
Vou continuar com a rega!

– Muito obrigado, Sr. Jaime! Pode ir descansado! Não nos podemos demorar – agradeceu a Nita de olho nas bananas, sentando-se no banquinho.

O Nito ofereceu duas bananas à amiga e ficou com uma para si, mas ela achou que deviam dividir uma por ambos, o que, não obstante a negação do amigo, acabou por acontecer. Banquetearam-se, escutando a água a correr como se fosse ao encontro das ondinhas-bebés.

– Nito, queres ir à bica de Santa Luzia, que fica logo ali? – convidou a amiga.

– Ó Nita, mas o Sr. Jaime já disse que podíamos lavar as mãos no tanque – respondeu o amigo.

– E vamos lavar, Nito, mas a água da bica faz bem aos olhos. Porque é que pensas que se chama de Santa Luzia? – esclareceu a menina.

– Ó Nita, mas as pessoas costumam utilizar a água para tirar a areia dos pés quando vêm da praia! – comentou o menino.

– Só isso, Nito?!… És tão observador! – estranhou a Nita.

– “Bora” lá, miúda! Quero ver se avisto a sardinhas a saltar na Laidinha depois de lavar os olhos na bica milagrosa – concordou o Nito, brincando.

Os amigos despediram-se do Sr. Jaime, e dirigiram-se à bica, que ficava a pouco metros, mas no caminho…

(continua)

As Pedras do Caminho e a Areia do Sapatinho
Novembro 28, 2015

Pedras no Caminho, 2015

Não atires ao inocente e indefeso as pedras que encontras e cultivas no caminho, nem os bagos de areia que tiras do teu sapatinho, porque podes tropeçar na tua cobardia e cair um grande, inesquecível e irreversível trambolhão, mesmo que o alvo da tua cilada te estenda generosa e amorosamente a mão!

Sorriso do Dia – O Dia Irrepetivel
Novembro 28, 2015

O Voo da Onda, 2015

Limpa o espelho embaciado do bafo da tristeza com o teu pueril dedo de sabedoria, e perfumando-o de alegria!

Desenha a frescura da madrugada com as letras azuis do arco-íris, e dança a magia da vida ao som da flauta dos pinheiros com notas de maresia!

Transforma as caretas do tempo em sol de agosto, as janelas trancadas em portas abertas para o mundo, as sombras da multidão em luz de primavera, e colhe a fruta doce e madura da árvore do dia, brinca vitoriosamente com os irrequietos desafios da sua folhagem, lambuza-o de intermináveis e saborosos sorrisos!

O Conhecimento Conveniente
Novembro 28, 2015

O Mar Prisioneiro, 2015

Esperas de quem te conhece, te cumprimenta e fala contigo, que te conheça, te cumprimente e fale contigo sempre, não apenas quando estão a sós, frente a frente, mas também circunstancial e ainda socialmente; se finge não te ver, e te ignora nestes contextos, afasta-te dessa gente de conhecimento conveniente!

A Flor Bordada de Amor
Novembro 28, 2015

A Arte da Maribela, 2015jpg

Os mais belos presentes são os que nascem no ser de quem nos ama!

A minha amada afilhada podia ter colhido uma flor de um valado e ter-ma trazido, expressando-me o seu amor, mas… ela quis ir criando, e mimando-me simultaneamente, com esta delicada, magnífica e única peça perfumadíssima de ternura sem par!

Quanto era visível em si a cintilante alegria de saber dar-se, de partilhar as suas essências quando ma ofereceu para pôr aqui a caneta – já lá se encontra ela,  de tinta permanente  –  a inspirar-me!

Posso tocar no teclado, como está a o ocorrer neste momento, mas a minha fonte de inspiração está aqui à minha frente repassada de inefável carinho, tecida de puro e delicado amor! – bem-hajas sempre e… muito, muito Obrigada!