Archive for the ‘Pisca-Piscas Pensadores’ Category

A Petrinha e o Pedrinho – Opções e Acordos
Abril 22, 2017

– Pedrinho, estás tão pensativo! O que é que se passa?

– Estou cogitando, Petrinha!

– Cogitando sobre o quê? Queres partilhar, Pedrinho?

– Petrinha, ouvi o avô a pensar em voz alta, acerca da votação em França por parte dos luso-franceses.

– E então, Pedrinho? Estava irritado?

– Olha, Petrinha, o avô estava no… “Mete-me espécie”; foi o que ele disse, depois de um discurso com culinária e tudo.

– Conta, conta, Pedrinho!

– O avô dizia: “Olha-me para estes! Então não sabem que a candidata querer acabar com os emigrantes?!… E ainda querem votar nela?!… Venham para casa sem serem despejados!
Os lusodescendentes não admira! Esta malta nova sabe lá o que é o sabor de: um bom naco de pão alentejano, de uma broa de milho, de uns bons enchidos, de uma bela caldeirada, de um ensopado, de uma sardinha assada, a melhor da Europa, de um bom vinho das nossas castas?!…
E os pais?!… Já se esqueceram?
Isto… mete-me espécie!”

– Pedrinho, que narrativa! Conseguiste ouvir tudo, aposto!

– Acho que ouvi, sim, Petrinha! Mas… o mais giro foi a avó, que apareceu e disse-lhe:
” – Ó homem, não te rales com essas coisas! A vida não está para isso! Tomara que a nossa geringonça se aguente!”

– Boa, Pedrinho! A avó pondo sempre água na fervura.

– “Água na fervura”?!… Não percebo, Petrinha! Nem me cheirava a bacalhau cozido para a avó fazer uma açorda com a sua água a ferver. É caso para dizer: “Isto… mete-me espécie!”

– Ah! Ah! Ah! Pedrinho, “Pôr água na fervura” é um provérbio que quer dizer acalmar os ânimos; foi o que a avó fez!

– Ah! Não sabia, mas já aprendi, professora Petrinha! E se fôssemos ver o que se passa lá na cozinha, porque… já tenho a barriga a dar horas?

– Vamos, Pedrinho, antes que nos chamem para pôr a mesa! E… ao almoço, não abuses dos molhos [môlhos]!

– Descansa, Petrinha, que não abuso dos molhos [môlhos], mas vi dois molhos [mólhos] de coentros na bancada; só espero que um seja para a sopa de abóbora, e o outro para pôr nas saladas, uma de polvo, de preferência para entrada!

– Muito bem, Petrinho! Mas… cuidado com a linha!

– Linha do metro ou do elétrico? Ou ambas? Sou cuidadoso, Petrinha! Quando às outras: na linha do comportamento, às vezes ponho o pé fora; é só um, digo eu, e a linha da elegância, só cumpro à letra se, quer dizer, quando vier no Diário da República! Cá o Petrinho é um cidadão.

– Grande Pedrinho! Até podias ir para a televisão, porque certamente pronunciarias clara e corretamente, em bom Português: acordos [acôrdos] e não [acórdos].

– Obrigado, Petrinha! Manteria fechado “o” do plural de acordo, sim! Mas… o princípio da minha comunicação aos destinatários seria: “acordo-os!”

A Petrinha e o Pedrinho – Os “Verdes” e o “Génios”
Março 10, 2017

– Ó Petrinha!

– Diz, Pedrinho!

– Petrinha, não percebi bem por que é que o Zezé, que acabou o curso de Educação Física, e a Naná, a namorada, que já é enfermeira, dizem que são uns “verdes”, se são uns fixes! Os fixes cor?

– Ó Pedrinho, são fixes, sim! E têm a cor da alegria, mas são uns “verdes”, porque, como recém licenciados, ainda…

– Ainda não estão maduros, não é, Petrinha?

– Ainda… não são experientes, Pedrinho! Maduros diz-se em relação à idade, entendes?

– Hummm! Mas… são “verdes” como? Comeram alguma coisa que lhes fez mal? Não me digas que bebem uns copitos e têm os fígados a estragarem-se? Ou é por causa da crise do desemprego?

– Nada disso, Pedrinho! O Zezé e a Naná até já foram a umas entrevistas de emprego, mas vieram de lá “verdes”, de facto!

– Continuo a não perceber, Petrinha!

– Senta-te aqui, Pedrinho, e escuta-me! O Zezé foi tirar o curso para concretizar o sonho de ser professor numa escola, e a Naná queria ser enfermeira num hospital, mas não têm perspetivas nestes contextos.

– Coitadinhos! E as entrevistas foram para quê, se até os puseram verdes, Petrinha? Não deviam vir rosados, de contentes? Não percebo!

– Pedrinho, fecha a boca! Daqui a pouco estás a ficar… ver…de!

– Petrinha, não tem graça! E os “verdes”?

– Ora, Pedrinho! Verdes são os rostos do Zezé e da Naná perante a sua situação profissional: ele vai dar aulas de ginástica a seniores, no Município, a recibo verde; ela vai exercer enfermagem no lar da terceira idade, a recibo verde, o que quer dizer numa situação precária! Não achas que têm razão para serem uns “verdes”?

– Oh! Se têm, Pedrinha! E… se o seu clube for o verde, então, estão a jogar em casa, e ainda mais desanimados!

– Boa, Pedrinho! Mas o Zezé e a Naná são “uns verdes” muito otimistas; até estão satisfeitos por poderem trabalhar nas suas áreas, e até conseguem fazer da vida um arco-íris a acordar a esperança de novas perspectivas!

– Olha, Petrinha! Agora, além de gostar do Zezé e da Naná, até os admiro! Eles deviam era de mudar de nome: ele para Eugénio e ela para Eugénia, porque além de serem “bem-nascidos”, ainda ouviam a “ti” “Jaquina” e o “ti” “Gervaso” tratarem-nos por: “Ó Génio!” “Ó Génia!”, pois eles são uns génios, e nem têm mau génio!

– Pedrinho, surpreendes-me, grande génio!

– Não sou nada, Petrinha, mas… ouço umas coisas aqui, outras ali e… vou fazendo as minhas cogitações!

– Fazes bem, Pedrinho espertinho! Mas tem cuidado para não ficares…

– Verde! Já sei!

A Petrinha e o Pedrinho – Cogitações
Janeiro 28, 2017

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– Obrigado, Petrinha, por teres feito este desvio na tua caminhada, mas… preciso de falar contigo!

– Não tens de quê, Pedrinho. Já começava a sentir-me cansada, e ainda vou terminar um trabalho com umas colegas.

– E eu vou ao treino daqui a pouco. Petrinha, tenho andado a cogitar sobre… aquela cara de zangado do avô quando desligou a televisão, dizendo que não suportava tanto desrespeito, má educação e falta de civismo dos políticos.

– Indignação, Pedrinho! Chama-se indignação.

– Oh! Petrinha, cogitei que era revolta, por me parecer uma palavra mais indicada para política; até fiquei preocupado.

– Não te preocupes, Pedrinho. “Modernices da democracia” como diz o Sr. Dr. Sabe Muito-Bem-Calado, também ele indignado!

– Preocupo-me, pois, Petrinha! Cogitei que… se respondermos mal aos pais, aos mais idosos, aos professores e a montes de gente conhecida ou desconhecida, e até aos agentes, podemos ser castigados, nalguns casos até ir à presença do juiz…

– Muito bem, Pedrinho! Temos responsabilidades pessoais, familiares, sociais.

– E aquelas pessoas não podem ser castigadas? Até cogitei numas palavras que ouvi há dias na televisão, depois de ter consultado o dicionário.

– Que espertinho, Pedrinho! E…cogitaste o quê?

– Olha, Petrinha, cogitei sobre: “imunidade democrática”. Calhando é por isto que eles podem dizer aquelas… coisas da indignação, não achas?

– Ah! Ah! Ah! Boa associação, Pedrinho! Mas…acho melhor não dizeres nada ao avô, por enquanto, por causa…

– … da irritação, Petrinha?!… Ai! Enganei-me! Indignação, não é?

– É, pois, Petrinho! Vamos aos nossos compromissos?

– Só mais uma coisinha, Petrinha, se faz favor.

– Diz, Pedrinho, mas sê rápido, por favor.

– Também andei a cogitar se não terias frio no pescoço, depois de a tesoura da tua cabeleireira ter andado a passear à vontadinha no teu cabelo. É… que ouvi a tua amiga a queixar-se do corte do seu cabeleireiro alfacinha por aquele motivo.

– Ah! Ah! Ah! Que grande cogitadeiro, Pedrinho! Não tenho frio, não! Mas… sinto a cabeça despida, principalmente quando ando à beira-mar; falta-me o cabelo a ser massajado pelas mãos do vento.

– Cogitação de menina, Petrinha, com todo o respeitando do Pedrinho!

A Petrinha e o Pedrinho – Vinho no Rosto e Uvas nos Pés
Janeiro 13, 2017

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– Ó Petrinha, tu ouviste aquela conversa na perfumaria, daquelas senhoras que queriam cremes à base de uvas e vinho?

– Ó Pedrinho, era creme, simplesmente, ou base?

– Petrinha, não me atrapalhes, se faz favor. Agora falaste em base e lembrei-me da avó quando está a fazer aquelas deliciosas sopas, em que diz já ter preparado a base, e que só falta misturar os legumes! Hum! E o creme, leite creme?!… Até me faz crescer água na boca.
Mas… voltando à perfumaria, daquela senhora muito simpática e gira…
Sabias que os cremes para as senhoras eram feitos com vinho e uvas?

– Ah! Ah! Seu guloso! Também não sabia, Pedrinho! Achei graça. Fiquei curiosa!

– Olha, Petrinha, eu fiquei pasmo, “dum todo”, como diz a “tia” Miquelina! Sabes que aquilo do vinho, que até desconfiei seu tinto, meteu-me espécie?

– Então, Pedrinho? Conta, conta!

– Fiquei a cogitar que… calhando, o álcool sobe-lhes à cabeça e ainda as atrapalha na condução! Depois, os maledicentes, só lhes chamam “aselhas”, coitadinhas! O melhor seria optarem por ser ases do volante e deixarem as uvas e o vinho longe das bochechas; podiam beber um copinho às refeições. O tio Zé da Pipa diz que faz bem ao coração.

– Ah! Ah! Pedrinho, tu és o máximo! Eu pensei no padrinho da “bisa” e nos amigos, que pisavam uvas, em Santo André, numa espécie de tanque gigante, para obterem vinho! A avó conta que, em criança, gostava muito de assistir, que era muito giro, apesar do cheiro forte.

– Cheiro a quê, Petrinha? Não lavavam os pés?

– Pedrinho, achas?!… Lavavam, pois! Com sabão azul e branco, mais do que uma vez, e arregaçavam as calças; alguns até cantavam “à alentejana”!

– Aquilo era uma festa, já percebi, Petrinha! Calhando, aqueles senhores ficavam com as solas dos pés lisinhos, sem rugas!

– Calhando, Pedrinho! Quem sabe se era por isso que eles andavam tão rápidos pelos campos, sem se queixarem dos pés?!…

– Olha, Petrinha, quando o tio Quinito quiser pôr os pés de molho com água quente e sal, depois das caminhadas, vou dizer-lhe para pô-los no vinho, mas antes.

– Boa, Pedrinho!

A Petrinha e o Pedrinho – Os Papéis Trocados e a Vista
Dezembro 30, 2016

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– Ó Petrinha, achas que alguém é capaz de ensinar o Pai-Nosso ao Vigário?

– Claro que não, Pedrinho!

– Foi o que pensei, Petrinha! E… Olha lá!

– Estou a olhar, Pedrinho, mas… não vejo nada, nem ouço!

– Que engraçadinha, Petrinha! Então e tu achas que ensinar aquilo, feito “Chico Esperto”, como diz tio Davide, ao Sr. Prior é o mesmo que armar-se em doutor e querer dar lições ao professor sobre o que ele se cansou de repetir àquele seu fraquinho aluno, que tanto custou a aprender?

– Boa, Pedrinho! Claro que sim!

– Ahhh! E…

– E?!… Diz, Pedrinho, se faz favor!

– E… achas que um retrovisor e uns óculos de ver ao perto são presentes de… mestre?

– Ah! Ah, Pedrinho! Presentes de mestre?!… Não me parece! Um vê o que se passa atrás, portanto muito bom para quem tem problemas de coluna e não consegue virar-se; o outro não alcança bem o que tem mais à frente. Hum! Isto é um caso…

– De polícia, Petrinha, por causa da segurança rodoviária?

– Boa, Pedrinho! Mas… para mim, é mais um caso do SNS.

– Do Serviço Nacional de Saúde, Petrinha? Não entendo!

– Sim Pedrinho! É um problema da vista; é preciso ir ao oftalmologista!

A Petrinha e o Pedrinho – O Dia do Chinelo Azul
Dezembro 10, 2016

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– Ó Petrinha, sabes que dia era ontem?

– Dia 9, deste mês de Natal, sexta-feira, Pedrinho!

– Certo, Petrinha, mas também era o Dia do Chinelo.

– O Dia do Chinelo, Pedrinho? Nunca ouvi falar! Chinelo artesanal, certamente. Parece-me interessante! O chinelo dá uma sensação de liberdade a quem o calça, e suponho que gosto a quem o faz pelas suas próprias mãos.

– Muito bem, Petrinha! Eu também achei interessante ver nos dois supermercados em que entrei com a tia senhoras de meia idade com chinelos na mão. E todas se dirigiam à senhora mais idosa, que também andava às compras, mostrando-lhos, recomendando-lhos: “Olhe lá, que jeitosos! Vou levar para a bisavó, a velhota, mas parece que ela anda sempre com os pés inchados. Em vez de levar-lhe o 37, porque ela calça o 36, levo-lhe o 38, mas… talvez o 39 ou o 40 seja melhor. Olhe lá, que jeitosos, azulinhos, com pintinhas brancas e com estes lacinhos cor-de-rosa. Devia levar uns para sim.” – proferia a senhora risonha.

– Ah! Ah! Ah, Pedrinho! Que senhora amiga. Tens a certeza que não era funcionária do supermercado, incentivando as vendas?

– Não era nada, Petrinha!Eu já conhecia a senhora risonha; dá massagens à família com um unto qualquer e, na sua falta, diz ela, que a pasta de dentes de sabor e menta faz muito bom efeito!

– Ah! Ah! Ah, Pedrinho! Não imaginava! E depois?

– Depois, a senhora idosa, apoiada na sua canadiana, sorria e ia sempre andando; nem dava resposta. A neta, é que, para ser simpática ainda disse que os chinelos azulinhos, com pintinhas brancas e com estes lacinhos cor-de-rosa eram giros.
No supermercado vizinho, foi outra senhora, chamando-a pelo nome, mostrando-lhe uns chinelos também eles azuis, mas de plástico no exterior e cheios de pelo no interior, exibindo-os por dentro e por fora, dizendo que eram muito bons e por apenas dois euros e tal, número 39, um bocadinho grande, mas não fazia mal. “Ainda estão lá outros, só uns, número 38. Vai buscar para ti, que não te arrependes. Vai lá, não sejas parva!” – insistia.

– Ó Pedrinho, não era preciso chamar parva à senhora, coitada! O melhor seria ter-lhe oferecido os chinelos, já que eram tão bons e tão baratos, não achas?

– Acho, pois, Petrinha! Mas… também aquela parecia querer fazer negócio.

– Não digas essas coisas, Pedrinho. E a senhora idosa?

– Ora, Petrinha, a senhora idosa, empurrava o carrinho, parecendo entretida com os seus pensamentos, como diz o tio Francisco, e desta vez, nem sorriu. Mas, olha! Ainda disse à neta: “Não faço caso desta gente! Quem é que lhes disse que eu precisava de chinelos azuis?!… Não lhe passo cartão!”

– Que senhora independente, Pedrinho! E depois?

– Depois das compras, Petrinha, a tia estacionou perto da sapataria do cadeirão amarelo-laranja e perguntou à simpática senhora: “Tem chinelos de quarto azuis, para homem, e para criança?”
Vê lá se eu não tenho razão, Petrinha? Ontem era o Dia do Chinelo; Dia do Chinelo Azul!

A Petrinha e o Pedrinho – Associações (Continuação)
Novembro 30, 2016

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– Conta, conta, Pedrinho engraçadinho!

– Conto, pois, Petrinha! Tu achas que aquela publicidade sobre vinhos de um senhor com o nome do rei do Terreiro do Paço e da rainha Maria, e com o apelido daquele filho da “tia Picaela” o Sr. Fonseca, que é o mesmo dos chinelos de quarto?

– Que associação, espertinho Pedrinho! Mas… desconheço.

– Petrinha, mas sabes a que chinelos me refiro, não é verdade?

– Pedrinho, claro que sei! Os chinelos “Da Fonseca”, fofinhos e giros, que todos os anos aparecem, pelo menos um par, no sapatinho de alguém no Natal!

– Esses mesmo, Petrinha! Já fazem parte da festa! Juntaram-se ao bacalhau, ao peru, aos fritos e aos pastéis…
Sabes o que é que eu acho, Petrinha?

– Imagino, Pedrinho, mas prefiro ouvir-te. Continua, se faz favor.

– Eu acho que os chinelos e os vinhos são do mesmo fabricante.

– Achas? Porquê, Pedrinho? Olha que me parece muito bem pensado!

– Pensar foi o que fiz, Petrinha! Calhando, o vinho nasceu primeiro. Foi à mesa de muitas festas, mas parecia ainda mais saboroso nas noites de Natal! As pessoas queriam pôr-se à vontade, sobretudo as que tinham calçado sapatos novos, ou até os velhos até que guardam para momentos especiais e depois fazem doer os pés.

– Ah! Ah, Pedrinho! Bem pensado! E depois?

– Depois, o Sr. Fonseca poderia ter sugerido: Falta-nos aqui uns chinelos com a nossa marca, Ermelinda. Seriam um sucesso! Todos apoiaram e… saíram duas especialidades bem boas para o corpinho: uma para o paladar, dizem, porque não temos idade para provas de vinhos, e outra para a comodidade dos pezinhos como sabemos, porque chinelinhos já “ganhámos” no Natal.

– Ah! Ah! Ah! Bem pensado, Pedrinho! Mas… não “ganhámos”, recebemos. Quem ganha é quem vende, quem bebe e que calça, quer sejam produtos oriundos ou não da mesma fonte.

– Qual fonte, Petrinha? Da mesma uva: uvas de videira e…

– E, Pedrinho?!…

– E… Já sei, Petrinha! A fonte é o produtor, empresário, não é? Mas… se… como diz o povo: ” Uvas, figo e melão é sustento e nutrição”, eu digo: vinho e calçado é uma consolação!

– Boa, Pedrinho!

A Petrinha e o Pedrinho – Associações
Novembro 23, 2016

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– Pedrinho, vens muito contente, com esse riso de orelha a orelha!

– Ó Petrinha, venho contente, sim, mas… daí a insinuares que tenho uma boca tão elástica, é demais, não achas? Ou será que estou mais magrito? Mas ainda ninguém me chamou magricela! Nem os óculos me caíram da cara.

– Pronto! Pronto, Pedrinho! Estava a utilizar uma expressão popular, sem ofensa, claro! Desculpa! Mas… conta-me lá o motivo do teu grande sorriso.

– Nada a desculpar, Petrinha, mas… assustaste-me. Vinha a cogitar sobre dois assuntos, mas podemos começar pelas diferenças entre um car class e um car glass. Podes explicar-me o que é o primeiro, se faz favor?

– Claro que sim, Pedrinho. Um car class é um carro com classe, de categoria, um modelo novo, especial.

– Obrigado, Petrinha! já imaginava. Se eu fosse comprar um carro, preferia esse, de preferência com comandos de voz ou… de pensamento, que seria muito mais económico, antes que as palavras paguem imposto.
Para que me serviria um carro de vidro, um car glass? Só se fosse inquebrável, à prova de bala e tudo, mas… se o glass, o vidro, fosse transparente, nem podia coçar o nariz à vontade, nem piscar o olho ou… qualquer coisa do género! Não me serve!

– Ah! Ah! Pedrinho, posso explicar-te o que é o carglass, termo utilizado na atualidade para…

– Não é preciso, Petrinha, obrigado! Mas… tenho uma dúvida; com palavras de língua portuguesa

– Problemas com o Acordo Ortográfico, Pedrinho?

– Não, Petrinha! Com marcas de vinho e… de chinelos… – adiantou o Pedrinho.

– Vamos a isso, Pedrinho! Sou toda ouvidos.

– Ah! Ah! Petrinha, hoje estás muito engraçada: esticaste-me a boca e vestiste-te todinha de orelhas!

(continua)

A Petrinha e o Pedrinho – Frases que “Metem Espécie”
Novembro 13, 2016

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– Petrinha, Petrinha! Já não percebo nada do que ouço!

– Então, Pedrinho?!… Estás a brincar! Logo tu, que és tão perspicaz!

– Obrigado, Petrinha! Mas… não encontro sentido para umas frases que “me meteram espécie”. Queres ouvir?

– Quero, pois, Pedrinho! Só tenho pena que essa “espécie” não seja aquela delícia que a tia Tó faz para rechear os pastéis de Natal! Conta-me lá!

– Que gulosa, Petrinha! Também me apetecia, mas… diz-me lá se achas bem. “(…) ir visitar e confortar os presos “de fato”?!… Coitados! Até podem sentir-se mal! Mas… se alguns usassem fato, seriam só esses os visitados. E os outros?

– Ó Pedrinho, pode ser um advogado, daqueles que andam sempre de fato e de gravata!

– Não! Era uma conversa sobre ajudar as pessoas! Uma voz feminina com sotaque…

– Deixa-me pensar, Pedrinho!

– Pensa, pensa, Petrinha! Espera!

– Então, Pedrinho? Tens de decidir-te. Afinal penso ou espero agora, e penso depois?

– Desculpa, Petrinha, mas recordei-me de que era uma senhora brasileira quem estava a falar.

– Está tudo explicado, Pedrinho! A senhora disse: “de fato…”, mas em português de Portugal significaria: “de facto”. Menos uma “espécie”, certo?

– Ah! Ah! Ah! Certo, Petrinha! Obrigado!

– E a outra frase, Pedrinho?

– Essa ouvi na caixa do supermercado quando uma senhora estava a pedir uns bonecos; a empregada entregou-lhe uns saquinhos coloridos, e…

– Agradeceu com um: “Obrigado!”, em de de: “Obrigada!”, Pedrinho?

– Não, Petrinha! Respondeu, toda risonha: “Os meus netos vêm cá hoje; vão ficar doidos!” Ó Petrinha, achas bem que uma avó saiba que os netos vão ficar doidos, e vá dar-lhes os bonecos?!… Olha! Só existem: Os Direitos do Homem? E os da criança? Amanhã vou ligar para o Pediatra da Jojô e pergunto-lhe. Ele sabe tudo sobre crianças!

– Ó Pedrinho, hoje não te entendes com nossa língua! “Ficar doido” quer dizer ficar contentíssimo, explodir de alegria.

– Ó Petrinha, então por que é que aquela avó foi buscar uma palavra tão louca, que até magoa as crianças, em vez de dizer, por exemplo, que os netos iriam ficar “bués” de contentes?!…

– Pedrinho, concluo que este caso, continua a… “meter-te espécie”.

– Claro, Petrinha! Que espécie de avó é esta?

A Petrinha e o Pedrinho – A Igualdade de Génios
Outubro 15, 2016

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– Pedrinho! Pedrinho! Porque estás tão apreensivo?

– Ó Petrinha, estou a cogitar por que é que alguns produtores de vinho alentejano afirmam orgulhosamente que as mulheres é que tratam das uvas. Se eu fosse um alentejano “legítimo”, como se intitula o ti´ Zé da Cerca, dizia que isto…

– Já sei, Pedrinho! E acho muito giro! Dizias que…

– “Mete-me espécie!”, pois, Petrinha!

– Ó Pedrinho, já pensaste que as uvas são delicadas e que talvez sejam as mãos das mulheres as mais indicadas para esse processo?!…

– É verdade, Petrinha, se não houver alguma que tenha as “manitas leves” como se queixam os mais velhos das mães e das professoras de outros tempos!

– Ah! Ah! Ah! Deve haver uma distribuição de tarefas justa, Pedrinho. No caso em que o vinho engarrafado é colocado no fundo de uma barragem alentejana, esta atividade é da responsabilidade dos homens. Parece-me bem!

– Pois, Petrinha! Este ato deve ser… Como é que é? Já sei! Uma “trabalhêra”, que é como quem diz exige mais esforço, por isso são os homens a fazê-lo. Acho muito bem!

– Ai, Ai, Pedrinho! Só te falta o cante alentejano!

– Não canto, Petrinha, mas… tenho pena de não ter, nem saber arrastar o vozeirão! E… olha! Admiro este equilíbrio de género: cada um com a sua parte. Grande igualdade de génios, sim, senhor e sim, senhora!