Archive for Março, 2013

As Estórias da Tó – Os Folares da Páscoa
Março 28, 2013

Crianças - Estórias da Menina Tó by lusografias

A Tó tornou-se uma exímia cozinheira de temperos apurados, ementas criativas e pratos decorados!

Quando já tinha feito vinte anos mais do que uma vez, a Tó começou a confecionar folares para a família e para oferecer aos amigos, dizendo-lhes com um sorriso:

“- São as amêndoas da Páscoa!”

A Tó tinha um grande alguidar vermelho, quase do tamanho daqueles de barro, que toda a gente comprava na feira de agosto, e que funcionavam como banheiras quando ainda não havia água canalizada, onde ia colocando metodicamente os ingredientes e amassando de mãos fechadas como uma grande jogadora de boxe, dando palmadas na grande bola elástica, que ia formando, a qual só estaria pronta para pôr a levedar quando ela pegasse numa das extremidades com as pontas dos dedos e esticasse a massa como se fosse uma enorme língua de fora, voltando a enrolá-la!

Depois, a Tó tapava o alguidar com uma tolha de cozinha e uma manta guardadas exclusivamente para este efeito.

Quando a massa já tinha aumentado de volume como um ventre materno no fim da gestação, a Tó moldava umas bolas achatadas, punha os ovos previamente cozidos no centro, decorava os folares com umas tirinhas de massa, formando uma argolinha nas pontas, e pincelava-os com gema de ovo, antes de pôr no forno a lenha, e perfumar a casa com o seu aroma a pão de segredos com erva doce e canela!

As Vozes do Silêncio
Março 27, 2013

Golfinhos da Fantasia, 2013

Há silêncios que são babados beijos de amor, e há silêncios que são sonoros soluços de dor!

Abraço Tímido de Primavera
Março 26, 2013

Candeeiro Florido, 2013 by lusografias

A primavera pinta os ramos dos braços nus da árvore com beijos cor-de-rosa, e abraça timidamente o candeeiro na manhã nublada enamorada do silencioso jardim!

Gente Boa da Minha Aldeia – A Lina
Março 26, 2013

Quilha de Barco-reflexos, 2012 by lusografias

A Lina já era uma senhora quando a conheci. Vinha passar as férias de verão à terra, a casa da tia, que vivia ao meu lado, deixando para trás a capital e o ruído dos aviões.

Usava óculos, tinha o cabelo encaracolado, quase sempre preso, um sorriso grande e branco como uma interminável onda gigante, e uma voz clara e pausada!

A Lina gostava muito de levar algumas crianças do bairro à praia.

Íamos a pé, conversando e rindo, e no regresso não nos cansávamos de relatar as peripécias dos mergulhos, incentivados nos primeiros anos pela Lina, que fazia rodas connosco dentro de água, e ensinava-nos a apertar o nariz e a sentir o prazer da sua frescura nas nossas cabeças, a deitarmo-nos sem medo no mar, a aprendermos a bater os pés e a movimentá-los e aos braços, iniciando-nos na prática da natação, apoiados nas suas protetoras mãos abertas, que a pouco e pouco ia soltando, e a gostarmos do sabor a sal nos nossos lábios!

A Lina tinha uns vestidos de manga à cava e com decotes, e gostava de regressar a Lisboa com um tom achocolatado na pele, mas nunca partia sem ir despedir-se dos seus companheiros de praia, um a um, de casa em casa.

Percorro muitas vezes a avenida onde a Lina morava, e recordo-me com saudade do primeiro dia em que a visitei e à mãe, de olhos arremelgados para a correria dos carros lá em baixo, oposta ao deslizar sulcantes dos botes e das traineiras quase ao alcance das minhas mãos, a que estava habituada!

A Lina partiu no ano passado e nem se despediu da sua praia nem dos seus amigos!

Para ela fica este grato abraço de memórias com palavras e calor de verão da infância renascida, vaivém perene de sorrisos, de gargalhadas e de mergulhos – obrigada!

Os Homens-Marionetas
Março 24, 2013

Flor-Haste, 2013

Os homens-marionetas dançam como e para onde lhes manda o cordel, e não ficam de pé sem a mão mandona da mulher – (des)gostos de perda de identidade e de liberdade!

O Verdadeiro Amigo
Março 24, 2013

Mar Alentejano, de Encantar, 2013

O verdadeiro amigo é aquele que diz o que sente sem se esconder e dá-se sem se conter!

Os Saberes de Trazer por Casa
Março 24, 2013

Flor Alfacinha, 2013

Os hábeis e singelos saberes de trazer por casa são alegres cantigas de milho-rei na desfolhada da vida vestida de moura encantada!

Os Reflexos das Nossas Ações
Março 22, 2013

Transparências Marinhas, 2013

Se as nossas ações se refletissem aos nossos pés com rostos de animais, poderíamos querer tocar-lhes encantados ou fugir-lhes assustados!

O Baguinho de Areia e as Pedras do Caminho
Março 22, 2013

Pedras no Caminho, 2013

Sofre com um baguinho de areia entre os dedos dos pés quem nunca encontrou o equilíbrio na dureza do caminho sobre as pedras, nem saboreou o prazer de saltar de umas para as outras.

A Escalada da Condenação
Março 22, 2013

Árvores à Procura da Primavera, 2013

Caminhar silencioso e invisível entre a multidão é o galhardete do comum cidadão, mas subir as escadas do poder e ser odiado pelo povo é a incomensurável condenação!