Archive for Setembro, 2014

As Asas do Pássaro Ferido
Setembro 30, 2014

Onda do Norte

Abre as tuas asas de pássaro ferido, saltitando nas árvores orvalhadas sem levantar voos de sorrisos na brisa dourada da doce madrugada, e sulca os céus do mundo, com cantos renovados de alegria, atravessando as nuvens com danças de estrelas e perfumes de mar, beijando a terra com lábios de ondas à luz do meio-dia!

Sorri!
Setembro 30, 2014

Reflexos no Lago

S orri!

O lha para o sorriso de uma criança e…

R i para a vida a gatinhar, e…

R ima, sonhar com cantar e…

I magina o…

S orriso

O rgulhoso por te abraçar!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Encontro na Muralha
Setembro 30, 2014

A Janela da Muralha

O Nito gostava muito de ir ao castelo para contemplar o mar, e os cortejos dos barcos, partindo para a faina, e regressando, sobretudo, quando vinham “carregadinhos”!

Voava com a imaginação nos  véus de gaivotas, cobrindo as traineiras com danças e cantos, anunciando grandes pescarias, antevendo os mantos de escamas prateadas.

E… pintava  sonhos de, quando fosse grande, navegar, navegar todos os mares, mas num grande navio, e fardado, atracando em diversos portos, conhecendo o mundo, colhendo sorrisos e desvendando mistérios de muitas mulheres bonitas!

Naquele dia, a Nita surpreendeu-o, surgindo sorrateiramente perto dele, que nem sentiu a sua presença, e começou a discursar:

– Vinde, capitão de mar e terra, o navio não pode esperar para fazer-se ao largo!

O Nito, assustado como um menino acordado abruptamente, voltou-se!

A Nita sorria, sorria!

E o Nito sem achar-lhe graça, dizia-lhe:

– Que engraçadinha! O que é que fazes aqui a esta hora, pitinha?

– Eu?!… Estava a olhar o horizonte, a ver os barcos coloridos a baloiçar, a gaivotas a dançar, e um menino a sonhar!

– Não estava nada a sonhar, parva! Fazia contas aos quilos de peixe que aquela traineira com nome de menina trazia, quanto renderia, e quanto caberia a cada pescador! – respondeu-lhe o Nito muito senhor do seu nariz.

– A fazeres tantas contas, não chegas ao teu navio  – respondeu-lhe a Nita, sorrindo.

– Vou-me embora! Vieste estragar tudo! Hoje não brinco contigo! – retorquiu o Nito sem poder passar, pois o acesso à ameia era muito estreito e a Nita estava à sua frente!

– Podes ir!  Mas… olha, quando voltares a fazer as contas, tira primeiro as despesas, e um dinheirinho para a traineira, que pode ficar doente, e só depois é que divides pelos pescadores – afirmou a Nita, afastando-se!

O Nito, amuado, e mudo, deu um passos de gigante, mas ainda ouviu uma voz:

– Eu sou a moura da muralha! Hás de viajar muito, e conhecer o mundo, mas não será fardado, nem pelo mar!

O menino falou alto, sem olhar para trás:

– És muito espertinha, Nita! Amanhã também não jogo à bola contigo!

– A Nita respondeu-lhe:

– Bom dia, Nito! E boa pescaria de alegria!

E o menino continuou a andar… e começou a assobiar!

Estórias de Meninas – Os Passeios no Bonfim com a Ecila
Setembro 30, 2014

Menina

A Ecila era uma menina muito magrinha, muito simples, muito doce! Tinha uns olhos grandes, refletindo os tons da primavera nos campos da pequena povoação onde nascera, e do mar que via todos os dias quando éramos colegas na nossa aldeia.

Mas…

Seria na cidade do rio azul, quando nos reencontrámos no mesmo estabelecimento de ensino, para prosseguirmos os estudos, que estreitaríamos os nossos laços da amizade.

Seria na cidade do rio azul que os seus olhos renasceriam nos verdes mesclados e dançantes da folhagem das árvores, tentando tocar o céu, e nos tapetes por onde algumas crianças corriam, escapando-se aos pais.

Seria na cidade do rio azul que passearíamos vezes sem conta no amplo jardim, aproveitando os “furos”, a hora do almoço, a entrada ou saída das aulas, descobrindo a beleza de tudo o que nos cercava, pormenor a pormenor, desde o sorrisos do sol debruçado no lago ao labor do jardineiro cansado, espreitando o teto da terra ora azulado ora nublado, cruzando-nos com gente de todas as idades, pintando histórias de vidas nos retalhos que observávamos, identificando-nos com os bandos de estudantes, que por ali passavam alegres por aprender e apressados em crescer, deixando atrás de si chilreios carregados de sonhos!

Seria na cidade do rio azul quando a Ecila e eu partilharíamos pequenas/grandes confidências entre sorrisos sem mágoa de quem tudo percebe, e pronta e inocentemente perdoa, acreditando na vida, e principalmente nas  pessoas, que escutei as suas serenas e sábias meditações, brotando de fonte pura, que permaneceria.

Seria na cidade do rio azul que a Ecila ficaria a trabalhar, ajudaria a família, encontraria o seu amor, seria mãe, e… continuaria a perfumar os caminhos com as suas puras essências, e sorriria!

A Rosa Branca-Encarnada
Setembro 28, 2014

Rosa Vermelha

Olhando para o lírio branco, a rosa branca e brava espinhava:

– Meu amigo do campo, sempre que me aproximei do amor fui desfolhada, e, irritada, tornei-me numa rosa encarnada.

– E, minha bela amiga, os homens, não entendendo claramente a linguagem das flores, tornou-te o símbolo do amor ardente – respondeu-lhe o lírio, fazendo-lhe uma vénia lilás!

A Menina Azul e a Amiguinha Ninha
Setembro 28, 2014

A Menina Azul Decorria o ano letivo.

Naquela noite invernosa, como em tantas outras em qualquer estação do ano, a Ninha, uma menina de longos cabelos ruivos e de rosto salpicado de sardas, ia dormir em casa da Menina Azul, motivo de grande alegria, principalmente para as duas amiguinhas.

Depois de um jantar farto de risadas, deitaram-se.

A Menina Azul, uma aluna muito aplicada, encostou-se à almofada, procurando uma posição cómoda que lhe permitisse estudar.

A Ninha já vira os desenhos de dois livros de contos, já gesticulara vezes sem conta, expressando os seus sentimentos pelos príncipes, princesas, e demais personagens, já se cansara de olhar para a dança da labareda do candeeiro a petróleo,  já chamara a atenção da amiga para o teatro de sombras que projetava com os dedos na parede,  já se sentara na cama, tirara o serviço de chá cor-de-rosa da prateleira, brincara, e arrumara-o, já não aguentava tanta espera pela atenção da amiga, que lhe fazia sinais para estar quieta, mostrando-lhe que faltavam poucas páginas para terminar.

A Menina Azul fazia um esforço para concentrar-se. A dada altura teve de pedir ajuda:

– Mãe, a Ninha hoje não está sossegada!

Quando a mãe da Menina Azul surgiu à porta do quarto, a Ninha e ela olharam uma para a outra, desta vez sem os sorrisos que lhes eram habituais, pois mantinham uma relação forte de afetos e cumplicidades. Usando a linguagem que a menina percebia, a Sr.ª explicou-lhe que, se não se portasse bem, iria levá-la a casa.

A Ninha cruzou os braços e ficou amuada.

Gerou-se um clima de silencioso desconforto.

De repente, a Ninha levantou-se da cama, calçou-se rapidamente, pegou na sua roupa, fazendo uma bola, que colocou debaixo do braço, e dirigiu-se para a porta da rua.

A Menina Azul entrou em pânico com a atitude da amiguinha, e pediu à mãe para não a deixar sair, levantando-se.

A Ninha, de lábios cerrados, e emitindo gestos de protesto, abriu a porta.

A mãe da Menina Azul, incrédula e divertida com a destemida iniciativa da menina, foi atrás dela, que continuava a olhar para trás e a manifestar-se ofendida, indiferente à noite escura e fria, e ao ventinho marinho, puxando-lhe pelos cabelos, se bem que a sua casa ficasse a escassos metros.

A Menina Azul, obediente às ordens da mãe para não sair de casa, ficou à porta à espera, lamentando que o pai estivesse no mar, confiante que tudo teria sido diferente, divertido até!

E… cogitava:

– Se a Ninha já frequentasse uma escola especial, podia ter lido uma história, e nada disto teria acontecido!

Sorriso do Dia com Flores
Setembro 28, 2014

Flores da Manhã

De manhã, abre a janela do teu ser à vida, e poisa na mesa do dia espigas douradas com flores de Bom Dia regadas de sorrisos!

Histórias de Fantoches – O Professor, 3.ª Página
Setembro 25, 2014

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– Eu cá não sei pintar nada! – adiantou o menino da popinha com um ar muito aborrecido.

– O “não sei pintar nada” não existe, porque todas as pessoas se sabem expressar. Neste caso, o teu quadro está em branco, contudo, quando disseres o teu nome, estás a começar a pintá-lo, não é verdade? Depois vais acrescentando os teus traços físicos, dizendo do que gostas e o que não aprecias e estarás quase com a obra terminada – explicou o professor.

– Professor, eu também posso fazer este jogo lá na minha casa, com o meu primo que é mudo; fazemos gestos os dois! – disse a Lisa.

– Muito bem, meninos! Estamos a entendermo-nos! – afirmou o professor visivelmente satisfeito.

– Mas eu gostava de ser pintora, Sr. Professor! Se calhar posso começar agora – declarou a Lia toda corada.

– Claro que sim, menina pintora. Se disseres que és calma, estás a pintar-te de azul. E quando referes a cor dos teus olhos e cabelos, também pintas.

– Professor, e eu também posso dizer que gostaria de ser um macaquinho para andar sempre agarrado à minha mãe? – perguntou o Filipe Sorrisos.

– Parece-me que o animal que gostarias de ser é uma pinceladela que fica muito bem em qualquer retrato, e desperta sorrisos – respondeu o professor.

– Vamos começar o nosso jogo? Espero que saíamos daqui vermelhos, quero dizer, alegres – incentivou o professor com ar divertido.

– Sou o Lucas Leão, o campeão das corridas em patins.

– O meu nome é Lúcia Liberta, e tenho sete anos.

– Eu chamo-me Marcos Jardim, gostaria de ser um canteiro de margaridas amarelas com perfume a rosas para fazer parar todas as meninas.

– Todos me tratam por Moniz, mas chamo-me Egas Fidalgo.

– Tenho nome de futebolista: Erico, que quer dizer homem rico, mas não sou nada disso. Erico Jogador, Sr. Professor!

– Eu sou o Filipe Miguel. O meu maior amigo é o meu irmão, o Miguel Filipe.

– Chamo-me Noé Natal. Hoje, a minha cor é o castanho, porque o meu cãozinho, o Novelo, é castanho, só tem o nariz branco, e faz  um ano.

– Pascoal, Sr. Professor. O meu irmão e eu somos estamos sempre vermelhos: eu, porque as pessoas falam comigo, outras vezes, porque tenho de responder-lhes, e sou envergonhado; ele, porque anda sempre a correr.

– Eu vou buscar os jornais ao autocarro todas as manhãs, e depois faço a distribuição, por isso, as minhas mãos e a minha roupa estão sempre pretas.

– Estou sempre a olhar para as árvores, e a falar com os passarinhos, por isso, acho que sou uma menina verde, de nome Esperança.

– Eu sou da cor da lua, o meu nome é Luna.

(continua)

O Lenço Ninho
Setembro 25, 2014

Ninho

Todo o lençol Ninho tinha o poder dos sonhos de menina-mulher, sobressaindo da qualidade e bom gosto da confeção, quer fosse de linho ou não, com flores às cores ou um bordado saído de uma fina mão.

Todo o lençol Ninho vinha numa delicada caixa de cartão com a tampa transparente, para a sedutora apresentação!

Todo o lençol Ninho sorria para a imaginação das meninas casadoiras com maridos apaixonados, sem serem perfeitos, e… infinita união!

Mas…

Nenhum lençol  Ninho trazia a marca do verdadeiro amor, brotando do coração!

As Solas do Coração
Setembro 25, 2014

Dália

O perfume doce das uvas brancas e rubras evapora-se dos cachos debruçados sobre as dálias do quintal florido do ora agricultor-jardineiro-sapateiro, gotejando o néctar nos seus lamentos por não poder deleitar-se com o seu embriagador suco previamente engarrafado, devido aos rastos das intempéries, gastando-lhe as irreparáveis solas do coração ao longo do caminho.