Archive for Outubro, 2011

Favos de Mel e Troncos de Árvores
Outubro 9, 2011

A Árvore-Guerreira, 2011

Os corações favos de mel serão sempre doces, mesmo quando a vida os vai transformando em troncos de árvores, porque a essência de sua seiva permanece no seu trono inabalável!

Doces Distrações Amorosas
Outubro 9, 2011

A Família à Pesca, 2011

Deitar naturalmente uma caixa utilitária, que continha gelado de confeção caseira, para o balde do lixo, é normal?!…

Guardar uma saladeira no frigorífico com rodelas de ananás, sem colocar-lhe a tampa, mas com um garfo lá dentro, é normal?!…

Tudo é normal e espontâneo quando os olhos de alguém bailam amorosamente em redor e com os de outra pessoa, e as mãos não vêem o que fazem!…

As Plantas e as Carícias
Outubro 9, 2011

Árvores Matizadas, 2011

As plantas gostam de ser tocadas, precisam de ser cuidadas, pedem-nos tímidas e silenciosas como as crianças e os coraçãos solitários dos seus próprios sentimentos, fazendo-se de moucos, para serem docemente regadas de carícias!

A Minha Aldeia
Outubro 7, 2011

Barco com trevo

Dei por mim a olhar para a minha aldeia com olhos de ver e descobri que, apesar da pequenez da sua dimensão física, é uma grande cidade!

Vou contar-vos como é a minha aldeia:

– tem casas pequenas, brancas com barras cor de céu de verão no Alentejo interior, flores nas janelas e às portas grandes, quase sempre abertas ao sol, à lua, ao vento, à, e para a vida, e às pessoas – não é fantástico?!…

– tem escolas cheias de crianças sorridentes, e professores alegres, quase todos, exceto os que sentem saudades das suas famílias, apesar de confortados pelo acolhimento!…;

– tem pessoas baixinhas, médias e altas, morenas e louras, gordas, elegantes e magras, de todas as idades, umas no ativo, outras aposentadas, outras simplesmente mães de família, todas diferentes, mas… lindas no seu pensar, no seu agir, no seu ser, umas grandes pessoas!;

– tem um jardinzinho pequeno como ela, mas com tudo: árvores com sombra, canteiros com flores, um repuxo com um pequeno lago à sua volta, uma fonte no meio, bancos e… um pequeno parque infantil;

– tem uma pequena fortaleza romana junto à capela cujo sino dá as badaladas das horas certas e apenas uma decorridos trinta minutos – o importante é não perder o tino do número anterior -, por isso, o ourives queixa-se da escassa venda de relógios!…

– tem um salão do, e para o povo, um pequeno clube, um ponto de encontro para os cafezinhos e festas da pequena aldeia;

– tem um pequeno quartel de bombeiros com um salão de festas, onde passam filmes ao domingo, e ainda um ginásio público;

– tem uma grande pastelaria no largo, com fabrico próprio, onde também se vendem produtos da terra e outras recordações;

– tem uma padaria, uma papelaria, uma retrosaria, uma sapataria, o pronto a vestir da Família Bem-Posta, uma loja de loiças e outras coisas para a casa, três mercearias, duas tabernas, um talho, duas frutarias, uma drogaria e a ourivesaria do Sr. Relógio – os comerciantes andaram com medo da invasão de algum chinês, mas o Presidente da Junta já os descansou;

– tem um pequeno supermercado onde há de tudo, apesar de os produtos serem mais caros do que nas mercearias do Sr. Leva Agora e Paga Já e do Sr.Tudo ao Preço da Chuva, e na drogaria do Sr. Martelo;

– tem uma modista muito entendida, a D. Ponto Certo, uma bordadeira famosa, a D. Pé de Flor, uma cabeleireira, a D. Pente Fino, um sapateiro, o Sr. Meias Solas, um barbeiro, o Sr. Caldinho, cuja esposa ainda faz pirolitos, cada um com o seu “condão”;

– tem um banco do Estado só com um empregado ao balcão, um mocinho da aldeia, que esteve a estagiar na cidade grande, e o gerente, que ninguém conhecia;

– tem uma pequena estação dos Correios com duas funcionárias – uma é o chefe – e um carteiro, que também faz a distribuição no campo, todos filhos da terra;

– tem uma pequena biblioteca pública na Junta de Freguesia – os gaiatos entretêm-se por lá e algumas pessoas vão à internet;

– tem um jardim de infância, e duas amas da Segurança Social.

– tem um Centro de Dia onde servem almoços a quem quiser, mas é preciso encomendar;

– tem um posto médico onde há consultas todos os dias, de manhã ou à tarde, e tem uma enfermeira, que não é de cá, mas é como se fosse!…

– tem um consultório onde uns médicos de fora vêm dar consultas de especialidade nums certos dias;

– tem um “Endireita”, uma profissão um pouco fora de moda, mas em que os idosos e os seus filhos têm muita fé;

– tem um terminal rodoviário – o comboio não passa na minha pequena aldeia!…;

– tem a praia logo ali e, lá perto, um pequeno parque de campismo;

– tem um lindo céu azul bordado de estrelas douradas onde, por vezes, deslizam nuvens animadas – papões, pássaros, pais-natais…

As pessoas da minha pequena-grande aldeia têm as suas coisas e os seus dias, mas cumprimentam-se, sorriem umas para as outras e inter-ajudam-se quando é preciso – são felizes!

E… no meu cogitar sobre o tamanho da minha aldeia e dos seus aldeões, descobri que, graças à Mãe Natureza, também há muitas pessoas pequenas, mas grandes como ela, e… que a pequenez de uma e das outras não passa de uma mera ilusão ótica, cuja dimensão e riqueza real só lentes especiais de contacto direto e profundo vislumbram!

E… querem saber uma coisa?!… Sou feliz na minha pequena aldeia, que, afinal, é uma grande e rica cidade, a capital de um país de maravilhas talhadas pela diferença e pela diversidade que algumas vistas não alcançam e alguns corações não conseguem sentir!

Um Olhar de Paz e Reconhecimento
Outubro 7, 2011

Flores da C&JR, 2011

Olha para o bem que há em ti, para o que a vida te ofereceu e para o que conquistaste, para o amor que gira à tua volta e para o que irradias e ofereces, e apraz-te com o que és, sem lamentações pelo que não foste, alegra-te com o que alcançaste, sem pena dos sonhos perdidos e… encontra a paz dentro de ti, reconhece a felicidade nas pequenas-grandes coisas e abraça o milagre e a beleza colorida da vida com um grato sorriso de vencedor – Boa Viagem!

A República
Outubro 5, 2011

A Bravura do Mar, 2011

A República, sedutora filha do fado, tapou o busto da independência e festejou o seu aniversário com a bandeira dos ideais ao ombro, cansada dos maus tratos infligidos pelas mãos dos homens despidas dos valores da alma d´A Portuguesa!

Dia Mundial do Professor
Outubro 5, 2011

Porta de Mar, 2011

Neste dia, um mar de flores perfumadas de gratidão aos excelentes professores que me bafejaram com o saber, a admiração e o respeito aos verdadeiros professores de que não fui aluna, e a minha solidariedade aos professores que estão impedidos de exercer a profissão para que se preparam, particularmente aqueles cujas competências e sonhos foram aniquilados pelo encerramento da porta da igualdade de oportunidades – persistam! Sejam professores sempre!

Para todos, este sorridente poema de Ana Hatherly:

Os sumérios eram sumários

os sumérios eram sumários
e por isso foram sumírios
daí vem que foram semírios
mírios de se ou de si

os sumírios eram sumários sendo sumério
e daí vem que foram sumiros
sumaros e sumêros

os sumários eram suma dos
é daí que vem o sumo
a soma e a suma-a-uma

os sumórios eram sumêdos
porque eram semudos
e mudos de se ou de si
eram sumúrios

os sumúrios eram semílicos
simólicos e simulados
daí vem que amaram a sêmula
a súmula
e o tacão alto

Um Olhar Triste
Outubro 5, 2011

Sol Poente com Gaivotas, 2011

O olhar triste daquela idosa mãe perdido no relvado do jardim, atravessando fronteiras em busca do filho que mudara de casa sem dar-lhe conhecimento nem participar-lhe o novo contacto, e o primeiro silêncio de tantas décadas no dia do seu aniversário, vestiram o seu rosto de choroso luto, que uma doce carícia de menina aliviou momentaneamente com um sorriso inocente.

O Dia Mundial dos Animais
Outubro 5, 2011

Um Lago da Estrela, 2011

Ontem celebrou-se o Dia Mundial dos Animais:

– os animais a que S. Francisco de Assis chamava irmãos;

– os animais que olhavam os homens como irmãos;

– os animais que os homens domesticaram e domaram;

– os animais que enfrentaram os homens e os contagiaram;

– os animais que foram abandonados como e pelos homens;

– os animais que envelheceram felizes no colo do homem amigo;

– os animais que fizeram chorar as crianças com o seu adeus.

Estórias de Meninas – A Menina das Calças Quentinhas
Outubro 4, 2011

Menina

– Ai, que quentinhas! – balbuciou uma voz de menina expandindo satisfação.

Olhei para trás surpreendida com o “quentinhas” no ambiente abafado do balneário. Uma menina sorridente, talvez com nove ou dez anos de idade, de olhos, pele e cabelo claros, respondeu à minha silenciosa pergunta, exibindo uma peça de vestuário cor-de-rosa vivo!

– As minhas calças! Estão tão quentinhas! Fui aquecê-las com o secador! Agora não fico molhada! Visto-as melhor! Ah! Que bom!- explicava-me, enquanto vestia as suas calças cor-de-rosa vivo, confortavelmente sentada sobre o longo banco branco, onde tinha os seus pés delicadamente apoiados.

– Que grande ideia! – aplaudi, sorridente, encantada com a sua espontânea partilha!

Iam chegando outras pessoas, que me cumprimentavam, e, cada um dos meus movimentos era premiado com um lindo, irresistível, cúmplice e quase familiar sorriso da linda menina!

Apercebi-me de que a linda menina, já com as suas elegantes calças cor-de-rosa vivo vestidas, sobressaindo o seu esbelto corpinho, calçava metodicamente umas meias do mesmo tom, e… claro, continuava a trocar sorrisos comigo.

Despachei-me primeiro do que a linda menina! Já não estávamos sozinhas! Despedi-me e… ficámos a olhar uma para a outra! Parecia que tínhamos algo a dizer!… Quando cheguei à porta, olhei para trás, fizemos simultaneamente adeus, e ela respondeu ao meu caloroso: “Adeus, menina!” com um sorriso sem fim!