Archive for Março, 2018

As Estórias da Tó – A Galinha Chocadeira
Março 31, 2018

Numa noite invernosa, a Tó caminhava pela casa inquieta com a galinha chocadeira, receando que a ventania a assustasse, o cão da vizinha a fizesse estremecer, que a esperada ninhada se viesse a perder.

O marido devia estar a chegar, pois ela já ouvira o motor do seu barco e fizera-lhe sinais do cimo do penedo com a lanterna, ao que ele lhe respondera na mesma linguagem, o que tranquilizara o seu coração, pois a ribeira ficava próxima e ele regressaria salvo.

A menina, habituada às cantigas de embalar da natureza, que sabia de cor, cansada de ter-lhes batido palmas, dormia como um anjo!

Mas…

A galinha chocadeira não lhe saía da cabeça!

Decidida,a Tó, enrolhou-se nos agasalhos que tinha à mão e, sob a chuva e o vento, dirigiu-se ao galinheiro, pegou na alcofa e trouxe a galinha muito inchada e bem instalada sobre os ovos, e escondeu-a debaixo da cama onde passou noite, muito quentinha e sossegada, até de madrugada, quando a orgulhosa dona a restituiu ao seu ninho.

Brincadeiras
Março 31, 2018

Brinquem as crianças com carrinhos, atirem coisas ao chão e dêem saltinhos, deslizando nos risonhos cabelinhos dos vizinhos!

Mas…

Brinquem os cãezinhos nas varandas e nos terraços, que os há, cortem-lhes as unhas e não se cubram de nuvens os saudáveis espaços, lembrando-se de que… habita alguém por baixo!…

O Complexo
Março 31, 2018

O complexo é o pestanejar assustado de vencedor disfarçado, procurando-se em todo o lado!

Fazer Tudo Por Amor
Março 31, 2018

Faz-se tudo por Amor, e diz-se: “Não!” com a luz da razão, deixando desfalecer o coração aos pés da correcta decisão!

A Língua Comprida dos “Compadris”
Março 31, 2018

Eram três “compadris” quase colados às minhas costas, cavaqueando num solene ambiente onde pairavam lágrimas e dores, quebrando a mudez dos lábios cerrados à sua volta, que se refletiam na indignação de certos olhares apontados às suas palavras, tecidas de desrespeitosa e apregoada coscuvilhice.

Um, mais alto e com ar de fidalgo, próprio da vastidão dos abastados montes do concelho, opinava sobre a venda de um descapotável encarnado a um dito (…)inho, homem feito, e pai, ora habitante da minha aldeia e que nem imaginava que era natural da localidade vizinha, muito menos que, além da pesca e de um naco de pão com presunto, também nutrisse paixão por veículos tão pequenos, velozes e… caros – também sabiam o preço!…

Fazia contas ao que o vendedor auferia mensalmente: a reforma, de um valor que mencionou, rendas e a liquidação mensal da máquina encarnada, de não sei quanto, nem quantos meses – muitos.

Sabia o “douto” fidalgo que o pai do (…)inho tinha muitos garrafões de água em casa, dos quais só bebia a primeira vez, pois receava que o filho lhes introduzisse algum medicamento que lhe tirasse o apetite pelo seu rico tinto, produção do seu Alentejo – e ria-se de uma forma absurda e ridícula…

O aposentado, e lavrador, também ele com um bigodinho, mas com ar modesto, acompanhava o riso do seu interlocutor e falava sobre patuscadas aqui e ali, convites que choviam, oportunidades que recusava.

O “compadri” mais idoso chorava pela partida da sua amada esposa, “tão boa pessoa” e ” grande companheira de uma vida”, contando os meses e os dias em que a saudade o roía, relatando uma ida a uma entidade bancária, num dia em que ele se encontrava de cama, e a vergonha que ela passara, porque um funcionário afirmava que “o seu nome não estava lá”, tendo voltado para casa sem os cem escudos que tanta falta lhes faziam para comprar os remédios, e mantendo segredo até ao restabelecimento do seu homem…

O “compadri” fidalgo dava palpites sobre a atitude que a senhora devia ter tomado, porque o dinheiro era seu, e contava cenas suas, de imaginário e presunçoso herói, em contextos análogos!…

E toda a gente ficou a saber que, quando o “compadri” mais idoso deixou a cama e soube a verdade, foi com a esposa ao banco, insistiu na verificação da sua situação e… levantou o “dinheirito”, que “prantou noutro sítio”!

Cenas! Cenas de língua comprida, de fora, afiada…

Aprender com a Dor
Março 28, 2018

Aprende com a dor quem desperta para a verdade, ergue-se, estende a envergonhado mão ao perdão, recomeça a caminhada com prudentes passinhos na areia molhada, deixando pegadas de amor bordadas com sorrisos do coração!

Sorriso do Dia – O Chá e o Bolinho da Pagizinha
Março 25, 2018

Uma chávena almoçadeira brilhando nas douradas mãos de uma lindíssima e dulcíssima menina, aquecendo o chá com o calor do seu coração e adoçando com o seu sorriso um queque de chocolate moldado com amor de mãe, abraço de partilha de uma exemplar família-amiga que antes de saborear o seu lanche acolhe com alegria a sugestão do generoso pai!

Muito Obrigada pela singela grandeza, fruto das sementes de amor do coração!

Abracinho apertadinho!

A Riqueza Humana
Março 24, 2018

A partilha da mão do pobre com o seu irmão revela a sua grandeza: a riqueza do coração!

Histórias de Fantoches – Folhinha de Hortelã, 5.ª Página
Março 20, 2018

– Com certeza! Mas posso saber porquê? – respondeu-lhe o pai.

– É segredo, por isso não posso dizer-te, desculpa! Mas podes confiar em mim, porque sou uma menina bem comportada!

– Está combinado, “menina muito bem comportada!” – concordou o pai, estendendo-lhe a mão, que a Dulce apertou com satisfação.

No dia seguinte, a Folhinha de Hortelã chegou à escola e só encontrou um menino no pátio a jogar ao pião.

A menina dirigiu-se à cantina muito devagar. Sentia uma impressão no peito; pareciam cócegas, mas ela não percebia bem – porque seria?

Bateu à porta, que estava entreaberta, mas ninguém respondeu; só se ouvia barulho de tachos, de água e algumas pessoas a conversar. Depois empurrou a porta devagarinho, mas achou-a tão pesada, que se lembrou das portas dos castelos, e voltou para trás.

Foi então que ouviu uma voz feminina:

– Menina, menina, precisas de alguma coisa?

A Folhinha de Hortelã olhou para o edifício da cantina e viu a D. Clementina à porta a sorrir-lhe.

A menina retribui-lhe o sorriso e aproximou-se da cozinheira, respondendo-lhe:

– Não preciso de nada, obrigada! Só queria ver novamente a super cantina, que é tão grande, rica e bonita! E falar com a Sr.ª, porque eu acho que deve ser o máximo cozinhar para as crianças. É preciso estudar muito para aprender?

– Que interessante! Queres ser cozinheira? O meu marido, o Chefe Búzio, também é cozinheiro, mas trabalha num restaurante.

– O meu pai chama-me Folhinha de Hortelã, mas quando eu for cozinheira, prefiro ser panela de pressão, porque vou cheirar sempre a comida e posso ter muitos sabores.

(continua)

Sorriso do Dia – A Magia de uma “Boa Noite!”
Março 20, 2018

Sorriso do dia é a doce melodia da voz de um infante atravessando o vento com uma clara carícia, ecoando um chilreio de: “Boa Noite!” ondulado de magia!…