Archive for Março, 2015

Ser Livre!
Março 22, 2015

A Trepadeira, 2012

Ser livre não é fazer o que nos apetece, mas dizer não ao que nos aprisiona, libertando-nos!

Gente Boa da Minha Adeia – O Elegante Casaco Vermelho
Março 22, 2015

Quilha de Barco-reflexos, 2012

Era domingo!

Numa rua perpendicular àquela por onde seguia apressadamente, desfilou o elegante casaco vermelho.

Sorri!

A cabeça ligeiramente encaracolada e muito bem penteada, que o coroava, voltou-se quando o edifício da esquina se preparava para escondê-lo da minha vista.

Um sorriso enorme acompanhou um: “Bom Dia!” aberto, franco e alegre, que travara o passo do sapato preto, de peito do pé nu, e salto esguio e muito alto, num perfeito e gracioso equilíbrio de marcha-atrás!

Aproximei-me do casaco vermelho comprido, abotoado, de decote em bico, deixando-se abraçar por um fino cinto preto, marcando a elegância da cintura, mostrando acima do joelho o vestido preto e branco de flores gradas com pétalas amplamente definidas.

O elegante casaco vermelho dizia não se sentir muito bem, talvez por causa do estranho frio que assola a nossa costa, tão diferente dos “valentes temporais” que tiravam a respiração à gente da nossa aldeia, e que obrigava os pescadores a encalhar os barcos invernos inteiros!

Mas, o casaco vermelho rapidamente retomou o seu ritmado e firme rumo pela calçada, que a sua  elegante e simpática presença, despojada de vaidade, tornava numa distinta passarela.

O Tempo Para Tudo E Para Nada!
Março 22, 2015

Jarros no Rochedo

Há um tempo para tudo, mas não há tempo para perder o precioso tempo, porque a vida é efémera, e quando nos apercebemos, já não temos tempo!

Sorriso do Dia – O Canto da Manhã
Março 22, 2015

Chorão da Manhã, 2015

O canto sussurrante da manhã ainda ensonada toca notas de cítara, de realejo, de viola para despertar o mundo!

À janela do dia, espreitam: a cotovia a pipiar; o pombo a arrulhar; toda a passarada a chilrear!

E…

No descampado, na aldeia, na vila, na cidade, na varanda virada para a planície, para a encosta ou montanha, e no terraço debruçado sobre o rio ou o mar, aqui, aí, ali, acolá, em todo o lado, há: uma criança a palrar, um menino e / ou uma menina a correr e a saltar, nalguns casos só com a imaginação; uma mãe a cantar, a chamar, a beijar; um pai a brincar, a resmungar, a abraçar; outro familiar ou amigo-irmão, ou desconhecido que estende e dá a mão!

E…

No tiquetaque do relógio de cada dia, tudo entra em movimento, tudo se apressa, tudo respira, tudo assobia com a sua voz mais ou menos afinada, e… tudo SORRI em silêncio ou a perguntar isto e aquilo!…

As Duas Faces do Silêncio
Março 22, 2015

A Nascente, 2015

O silêncio é uma bola de duas faces: uma superfície cristalina onde se refletem sorrisos, beijando-se; uma mina de seixos arremessados ao outro, ecoando com tristeza, mas voltando para trás, ferindo o agressor.

As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Sonho de Cabelos Brancos
Março 22, 2015

A Janela da Muralha

– Nito! Nito! Nitoooo! – chamava a Nita, elevando gradualmente a sua doce voz!

O amigo parecia absorto!

Olhava o mar como se fosse uma bola, afastando-se ao sabor da corrente!

– Nito! Ó Nito! Estás doente? Não falas, porquê? Já sei! Dói-te a garganta! Estás rouco! Ou melhor, perdeste o pio como diz a D. Felicidade! – insistia!

O menino continuava mergulhado na sua mudez!

A menina tirou o seu bloquinho da algibeira, depois o lápis, e começou a escrever!…

E… ia escrevendo, e lendo melodiosamente a beleza de cada palavra com o néctar do seu coração…

– Era uma vez uma menina minúscula, que tinha um amigo maiúsculo.

A menina minúscula vivia na Rua da Alegria e quase tocava o mar com as mãos.

O amigo maiúsculo morava na Rua dos Manjericos e avistava o Largo de Santo António.

A menina minúscula andava a ler um livro chamado: Amigo É uma Coisa Séria.

O Amigo Maiúsculo estava a acabar a leitura de uma obra designada: As Mouras da Terra do Gama.

A menina minúscula estudava a amizade, brincava, sorria, cantava e viajava com a imaginação, fazendo balões de sabão e desenhando histórias animadas nas nuvens.

E…

O amigo maiúsculo percorria os pontos cardeais da história do mundo, sonhava ser marinheiro e com meninas-mulheres bonitas, e fazia planos para endireitar tudo o que era contra.

Mas, nada disso importava, porque a menina minúscula e o menino maiúsculo eram uns grandes-miúdos-amigos, que brincavam, riam, conversavam, contavam histórias e não tinham segredos um para o outro!

De manhã, e a qualquer hora do dia… a menina minúscula, amiga-maiúscula, oferecia ao seu amigo-menino-maiúsculo…

– Nita, tive um sonho!… – balbuciou o Nito.

– Um sonho?!… Conta! Conta, Nito! Esta história estava sem graça, porque o teu silêncio até faz uma menina cheia de saúde como eu ficar com dores de cabeça. Até me deixaste preocupada, mas… agora vamos viajar no teu sonho – declarou a Nita, entusiasmada.

–  Desculpa, mas aquele sonho não me sai da cabeça! Era uma festa num largo, numa terra que eu não conhecia. Havia umas pessoas fardadas, e outras que falavam ao microfone, elogiando um homem que ajudara a salvar muita gente – começou a narrar o Nito!

– Que bonito, Nito! Não havia crianças? E depois? – adiantou a Nita, curiosa.

– Crianças? Só vi uma menina de caracóis, que tinha o cabelo preso e usava uns óculos. Bem! Depois… havia dois pequenos grupos de homens parecidos uns com os outros, umas caras que eu já vi, mas… pequenas, sem barba, e sem cabelos brancos… Mas, um deles, o mais novo do grupo dos mais altos, sorria como a minha mãe! – continuou o amigo.

– Nito, que sonho! E o que aconteceu nesse largo? Deixa-me adivinhar! Estes homens era da mesma família! – disse a amiga, impressionada.

– Também, achei, Nita! Alguns irmãos, e talvez primos uns dos outros, mas… – respondeu o Nito.

– Mas… Nito! Estou curiosa! Conta-me, por favor! – suplicou a Nita.

– Calma, Nita! Mas, o homem mais alto, mais forte, e de cabelos mais brancos e maiores, aproximou-se de um monumento estranho, tirou uma bandeira, e… – prosseguiu o menino.

– E?!…

– E… eu vi um nome, sim! Garanto-te que vi! Acordei! Acordei assustado, a gritar pelo meu avô! Já não consegui dormir! Lembrei-me de tantas coisas e com tanta saudade, Nita! – desabafou o amigo.

– Nito, anda cá! – disse a Nita ternamente, aproximando-se do amigo, abraçando-o! Deves ter muitas saudades do teu avô! Podes chorar! As pessoas que choram com o coração são grandes e boas como tu!

Permaneceram abraçados em silêncio com os corações a bater aceleradamente. Depois o Nito disse:

– Obrigado, Nita! Tenho tantas saudades dele! Foi tão importante para mim! Ainda é! Vai ser sempre!

– Vai, pois, Nito! Mas, não achas que devíamos ir à procura daquele livro de um médico estrangeiro, que tinha um nome com -mundo, mas não era Edmundo como o sogro do Sr. Maurício das Caldeiradas, e Fre- qualquer coisa, mas não era Frederico como o “ti” Jacinto, que escreveu sobre os sonhos? – concordou a Nita, dando uma sugestão.

– Ai, Nita! Essa tua cabecinha! Foi só um sonho! – respondeu o Nito, já recomposto da emoção, desvalorizando o sonho.

– Só um sonho, Nito?!… E se daqui por muitos anos o sonho for realidade, e tu o homem mais alto, mais forte, e mais branquinho!… – desafiou a amiga.

– Nita, se tal sucedesse, eu sentir-me-ia muito feliz pelo meu avô! – afirmou o amigo.

– Eu também, Nito! E… tu que gostas tanto dele, até merecias estar nessa festa, tirar a tal bandeira, e… falar ao microfone! – adiantou a Nita muito segura de si.

– Não digas essas coisas, Nita! – pediu o menino, envergonhado.

A Nita olhou para o amigo, sorriu, e disse:

– É verdade, Nito! Vamos ali à bica da Santa Luzia lavar os olhos?!…

– Vamos, Nita! – respondeu o menino.

– Ó Nito, mas achas que se lavarmos muito os olhos na bica, podemos ver coisas do futuro? – questionou a Nita.

– Não podemos nada! Bora lá! – retorquiu o Nito.

– Bora, Nito! Mas… pelo sim, pelo não, quando for à catequese, pergunto ao Sr. Padre! – insistiu a menina, guardando o bloco e o lápis que tinham ficado a ouvir a conversa sentados num degrau de pedra do castelo, conhecedor de muitas histórias, muitas do passado e algumas do presente.

O Olhar Adormecido
Março 21, 2015

O Acordar do Sol

Quem na palidez do seu acordar nunca te viu à luz do dia, como pode reconhecer-te nos sorrisos rubros do meio-dia?!…

Sorriso do Dia – Perfumes com Passos
Março 12, 2015

Flores de Cheiro a Primavera, 2015

De manhã, trilha os campos de trigo e respira a frescura das marés com sorrisos de arco-íris!

De manhã, faz uma roda à volta do mundo com  papoilas rubras dançantes, com lírios roxos majestosos, com ervilhas-de-cheiro bordadas, com rosas aromatizadas, com bem-me-queres, bem-te-queres e malmequeres singelos, com mimosas doces-miudinhas, com estas, aquelas e outras, muitas flores formosas, algumas perfumadas, que toques com os sentidos, que guardes nas mangas largas e nas algibeiras fundas da memória!

De manhã, abre as tuas mãos à generosidade das coisas simples nos gestos determinados ou  subtis, nas vozes assertivas ou inseguras, nas atitudes compreensivas ou intolerantes, nas expressões carinhosas ou distantes, nas vozes de palavras inteligentes ou ao vento, nos passos determinados e prudentes, conjugados com a harmonia do dia!

De manhã, canta a alegria das palavras ditas, escritas, silenciosas, entrelaçando o teu ser com o voo do pássaro, sulcando o azul pintado de luz, recuperando o sentido do poema venturoso da vida!

Quando Eu For Grande – Trigésimo Terceiro Desejo
Março 12, 2015

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a escrita da clara madrugada nas páginas do teu livro em branco, iluminado o teu dia com pétalas de alegria!

Quero apagar as palavras amarrotadas na tua mão com papel mata-borrão colorido de arco-íris, beijando-te com sorrisos do meu coração!

Quero escrever poemas com traços de união na sintonia dos verbos ser, amar e dar, soletrando a dança das sílabas com sinfonias de abraços!

A Sintonia Objetiva
Março 10, 2015

A Sintonia Objetiva, 2015

A fotografia é a tua sintonia com o mundo habitado de fantásticos fantasmas, provando o deleite das essências da sua beleza com o êxtase mudo da nudez dos teus sentidos numa cumplicidade sussurrada de desejos, entrelaçando-se nos perfumes luminosos de um abraço!