Archive for Dezembro, 2009

O Perdão em Voz Alta
Dezembro 29, 2009

Perdoar é muito mais do que guardar silêncio sem ressentimentos, é dar um passo na direcção do outro, é quebrar as barreiras do orgulho, é saudar sinceramente, é sentir fluir uma paz maior – experimentem!

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Coração Recheado
Dezembro 24, 2009

Coração doce, cântico de Amor.

Coração amargo, coleccionador de ressentimentos.

Coração alegre, distribuidor de sorrisos.

Coração triste, fonte de lágrimas.

Coração rico, céu de verdade.

Coração pobre, saco vazio.

Coração calmo, nascente de paz.

Coração exaltado, mar revoltado.

Coração duro, atirador de pedras.

Coração mole, barco ancorado.

Coração verdadeiro, voz de justiça.

Coração falso, raposa matreira.

Coração puro, suspiro de simplicidade.

Coração velhaco, copo partido

Coração adormecido, caminho errante.

Coração dinâmico, vida viva!

Os Ricos Rotos
Dezembro 20, 2009

É moda andar roto, comprar calças rotas, bem rotas, de preferência com muitos e grandes buracos, daquelas que exibem os pêlos das pernas dos rapazes, a depilação das raparigas, ou a roupa interior de ambos, num desafio à pobreza de hoje e de outros tempos, quando não havia poder de compra e o vestuário gasto pelo tempo e uso precisava de ser remendado, pretexto de discriminação social.

Paga-se, a preço para ricos, as calças rotas, algumas conjugadas com casacos de marca e gravata, que não são, afinal, sinal de existência de crise, talvez carência de diferenciação, sintoma de dor de cabeça social de quem desconhece a falta dos bens essenciais e se mascara daquilo que, no fundo, é, pobre, mas com abrigo e carteira recheada.

A Magia do Eléctrico
Dezembro 20, 2009

O eléctrico, património cultural da cidade, continua a percorrê-la, a enfeitá-la, a servi-la, deslizando…

A sua versão mais modernizada, tentadora para os olhos dos turistas e dos curiosos, cresceu, aprendeu a falar e aperta multidões nos seus braços, mas faltam-lhe os bancos de palhinha e o seu estatuto de “charrette” urbana, apesar da preservação do prazer mágico do seu usufruto.

A Mãe e os seus Bebés
Dezembro 20, 2009

Um bebé dorme tranquilo, enquanto o irmão gémeo, louro e de olhos claros, brinca silenciosamente, esboçando sorrisos discretos para a mãe e para a avó e franzindo o sobrolho para a estranha visitante.

Quando acorda, o bebé de cabelos pretos, mais pequeno e roliço, estende as mãozinhas para a mãe, fita-me com os seus olhinhos escuros e penetrantes e acolhe-me com um sorriso enorme, mostrando-me muitos dentinhos.

A mãe pega-lhes ao colo, acarinha-os, coloca-os no seu regaço e amamenta-os, rejubilando de felicidade!

O Canteiro da Isabel
Dezembro 20, 2009

A minha amiga Isabel deixo de herança ao mundo um canteiro de flores variadas e perfumadas, que ela plantava e cuidava como ninguém, tal como fazia com os meninos que acompanhou carinhosamente ao longo da sua vida; a mim, em particular, o afecto partilhado, profundo , o “-inha” adicionado ao meu nome, uma caixa de doce de chila – “gila” – donde orgulhosa e cuidadosamente retirei uns fios para rechear um bolo com creme de chocolate, que acredito contribuiu para o seu sucesso no festivo lanche ajantarado, no qual só ambas sabíamos que aquele apreciado paladar era obra das duas – obrigada, Amiga!

Contas de Dividir
Dezembro 20, 2009

Pega na romã e dá um bago à tua irmã.

Pega no pão e reparte com o teu irmão.

Pega no agasalho e oferece um retalho.

Pega no leite quente e leva-o a muita gente.

Pega na alegria e distribui companhia.

Pega no sorriso e dá-o com ou sem siso.

Pega no teu ser e começa a viver!

Os Galos Madrugadores
Dezembro 20, 2009

As mães, os filhos que moram longe das escolas ou nas grandes cidades, os estudantes ávidos de aprender, os pais que vão para a fábrica, os trabalhadores camarários responsáveis pela recolha do lixo, os pescadores a caminho da faina, os escritores e tantos outros, abandonam cedo o aconchego dos cobertores, são madrugadores.

E os sem abrigo da estação também! Accionados pelos seguranças, rompe a alvorada às seis da manhã e, sem tempo para aquecimento, nem permissão parar esticarem os corpos engelhados, enrolam a trouxa e sentam-se, aprisionados, para enganarem as aparências de uma sociedade pobre de valores, vestida de indiferença.

O Não ao Saber do Outro
Dezembro 8, 2009

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A insegurança camuflada na prepotência crítica e rejeita o saber do outro, pincelando-o publicamente a seu belo prazer, sem ver o seu próprio rosto transfigurado nas águas agitadas do lago do seu ser, enquanto o outro permanece sereno e intocável, observando-o.

Desgarrada
Dezembro 8, 2009

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O madrugador e vigoroso galo desafia com a sua voz jovem o velho mar, que lhe responde com o sedutor e sábio canto de sereias numa desgarrada, que ecoa neste belo e recortado cabo banhado pelos feixes luminosos do farol.