Archive for Julho, 2007

Tu, Eu, o Mundo
Julho 31, 2007

Meninos no carrinho

Era uma vez tu, eu e o mundo caminhando juntos sem nos conhecermos, protagonistas de uma história sem darmos conta, actores num palco de fantoches, futebolistas sem clube, turistas num cruzamento sem sabermos para onde vamos.

Chegou um Menino e ofereceu-nos:

– um mapa para vermos os caminhos da vida;

– uma bússola para escolhermos a direcção;

– um búzio para ouvirmos o nosso coração.

Esfregámos os olhos, espreguiçámo-nos, sacudimos o pó dos pés e recomeçámos a caminhada de mãos dadas.

Fraqueza e Impiedade
Julho 31, 2007

Mocho Sábio

Há dedos flácidos de experiência de vida, empunhando sucessivamente garrafas de cerveja, rostos esboçando sorrisos desconcertados, passos deambulando na penumbra ao meio-dia, promessas de um mundo novo grafitando-se na parede ainda não construída.

E há também críticas impiedosas de espectadores de braços caídos, massas de gente interesseira e irresponsável preparando armadilhas, disfunções familiares e sociais devastadoras, sinais de alerta ignorados, solidão!

Mas existe muito trigo a vingar entre o joio, muita música no coração, muito sorriso tímido à espera de oportunidade, um mar de flores de amor e de esperança escondidas em mãos que se querem abrir!

Coragem!

Alguém importante, precisa de ti, sem saber!

Chove!…
Julho 31, 2007

O Vento

Chove nos olhos da criança, da mãe que contempla o seu filho pela primeira vez, do pobre de mãos vazias, do idoso saudoso, do jovem indeciso, e rolam carícias de neblina sobre a terra gemendo de sede, que a corda da roupa serena e sábia retém e transforma em pérolas para regar o canteiro abandonado.

O Valor do Idoso
Julho 17, 2007

Idosos

Quando se olha para um idoso, há quem apenas repare no traje que o tempo lhe emprestou, mas esquece que:

– aquele andar trôpego já gatinhou;
– aquele rosto de estradas percorridas já ostentou o viço da juventude;
– aquela mão grossa e calejada já foi uma pequena luva de seda;
– aquele ser parado, meio contemplativo, já sonhou e conquistou;
– ele ou ela, já foram crianças, já tiveram uma mãe, já brincaram…

Porque é que os arbustos ou as sebes se julgam maiores do que as árvores que conhecem o sol, o vento e desvendam as verdades da vida?