Archive for Abril, 2010

Presunção e Água Benta
Abril 22, 2010

Presunção é imaginação do ignorante que, balofo do nada, se intitula quem não é, se manifesta dono do que não lhe pertence, se diz detentor do que ainda não alcançou e toma poses pouco dignas, manipulando os simples com falinhas mansas impregnadas de veneno, para se evidenciar e atingir os seus objectivos, atropelando tudo e todos os que encontra no caminho.

Água benta, falta-lhe, e muita:

– primeiro para ter a humildade de benzer-se;

– segundo para aceitar o dom do discernimento;

– terceiro para reconhecer os seus erros;

– quarto para arrepender-se;

– cinco para tornar-se uma pessoa melhor, tirar os olhos do umbigo, fechar mais a boca e respeitar os outros.

A Escova
Abril 22, 2010

Pinheiro da Passarada, 2010

A escova arranha as cordas musicais da passarada matinal, e as calças por onde a Sr.ª asseada a desliza, quebra a arrepiada  janela do silêncio!

Perigo para os Trabalhadores da Administração Pública
Abril 22, 2010

Reflexos com Peixes Laranja, 2010

O incentivo à aposentação dos funcionários – ora trabalhadores – da Administração Pública e a sua correrria assustada e traída manifestará as suas consequências nestes profissionais e nos que sairão mais penalizados, porque acham que ainda não está na hora para darem aquele passo, realidade que leva a admitir que dentro de poucos anos:

– os aposentados com parcas pensões, que não tenham outra actividade, perderão o poder de compra e serão uns potenciais candidataos ao serviço nacional de saúde, que na altura, estará tecnicamente internacionalizado;

– os que ainda não requereram ainda a aposentação, trabalharão mais, por exigência laboral e insuficiência de recursos humanos, e trarão menos dinheiro para casa, se lá chegarem;

– os pertencentes a esta geração, entretanto, vão tendo subidas de tensão, porque estão fartos disto, e “isto é uma grande desgraça”, consumindo umas vitaminas, lamentando-se e perdendo qualidade de vida e, consequentemente, precisarão der cuidados de saúde – mas a Saúde também está doente!

– os doente, que sofram de problemas muito, mas muito grave – e só alguns – não são penalizados no valor da aposentação, mas, infelizmente têm-na na sua precária saúde.

A privação de uma vida digna e saudável põe em risco a saúde física e mental destas pessoas, uma grande maioria de construtores esquecidos deste país – as estatística comprová-lo-ão!

Que cenário para ser pintado para a posteridade!

Justificação Esfarrapada
Abril 17, 2010

Nenúfares, Parque Central, Alentejo, 2010

Por detrás de uma atitude negativa de justificação esfarrapada, esconde-se uma frustração não resolvida.

Os Pássaros Feridos e os Seus Atiradores
Abril 17, 2010

Os Habitantes sem Casa, 2010

Os pássaros feridos recuperam as asas e voltam a voar, enquanto os seus atiradores agonizam a sua própria vida.

Independência e Egoísmo
Abril 17, 2010

Malmequeres com Cancela, 2010

Independência é um estado de libertação – saudável.

Egoísmo é o vício de si próprio – doentio.

A Menina de Branco
Abril 17, 2010

A Menina de branco brinca com as borboletas brancas e o beija-flor, brilhando como um bem-me-quer entre a tremocilha amarela.

Cansada, a bem-fadada Menina adormece, e os seus amigos deitam-na sobre o manto amarelo, que a embala ao sabor da brisa, e tapam-na com o celestial véu azul.

Quando acorda, as belas flores amarelas baloiçam-na, atirando-a ao ar e segurando-a, num desfalecimento de gargalhadas e bem-estar paradisíaco.

Viagens Partilhadas
Abril 17, 2010

Reflexos de Santo André, 2010

Nas viagens partilhadas o mais importante não é a economia, mas a companhia e a ecologia, se estiverem em sintonia.

Os Malmequeres Curiosos
Abril 17, 2010

Os malmequeres agitam-se e cumprimentam cada pessoa que passa perto deles:

– Olá, Sr.ª D. gordinha e simpática!

– Bom dia, menino bonito! Queres levar uma de nós para ofereceres à tua mãe, à avó, à professora, à vizinha amiga?

– Como está, menina vaidosa e pouco formosa?

– Então, Sr. Alecrim, como se sente hoje?

– Jovem, bom dia! Sorri com alegria!

– D. Tristinha, está melhor da sua perninha?

– Dr. Fumador, já foi ao Sr. Dr.?

– Sr.ª Elegante, nem fala à gente?!

– Menina apressada, hoje não nos diz nada?

– Jovem detido, estás sempre em perigo!

Quando não há ninguém na rua, metem conversa com os carros estacionados:

– Peugeotzinho, és de fora, por isso estás tão caladinho!

– E tu, verde, verdinho, o mais vaidosinho. O perfume a natureza é dos produtos de beleza?

– Sr. jipe, tão grande e azulado, parece que está sempre zangado!

– Renautzito, branquinho, mas já velhito com o banco rasgadito.

– Fiatzinho, sempre cheio de fuminho!

Tagarelando todo o dia, antes do sol adormecer, ou quando dançam com o vento, dão as boas-noites aos pinheiros, às casas e ao relento.

O Lírio e a Tartaruga
Abril 17, 2010

– Aonde vais tartaruguinha, nadando, tão pequenina? – perguntou o lírio amarelo.

– Vou dar uma voltinha, lírio amarelinho. Não te assustes, que vou devagarinho. E tu, o que fazes? – respondeu a tartaruguinha.

– Ai, eu estou aqui apanhar solinho! Tão doce, amarelinho e quentinho, o meu amiguinho! – suspirou o lírio.

– E é por isso que também é amarelinho? – questionou a nadadora.

– Não, tartaruguinha! – respondeu o lírio amarelo dando uma gargalhadinha. É uma cor de família.

– Socorro, ajuda-me, lírio amarelinho! – pediu a tartaruguinha!

– O que foi? Não vejo nenhum perigo! – respondeu o lírio amarelo.

– Está aí, atrás de ti, um espantalho a mexer-se com uma caixa metálica na mão apontada para nós. Ai, ai, que grande desgraça a nossa! – adiantou a tartaruguinha a tremer dentro de água.

– Não te asssutes, tartaruguinha! É só uma senhora a tirar-nos uma fotografia, porque achou-nos bonitos e quer levar-nos na máquina para poder mostrar-nos a alguém, aos filhos, aos amigos, ou ao mundo – explicou a flor.

– Mas, eu não quero sair daqui. E porque é que essas pessoas não nos visitam? – gaguejou a tartaruguinha.

– Não sei, querida amiguinha, talvez por que vivem longe, estão na escola ou no trabalho – continuou o lírio amarelo.

– Fica quietinha só um momento, enquanto eu abro mais as minhas pétalas, para ficarmos bonitos na fotografia, e depois podes continuar a dar a tua voltinha.