Archive for the ‘Aerograma’ Category

Aerograma N.º 32 – O Bebé-Esperança
Setembro 29, 2017

Bebé,

O pulsar do teu coração é o sol da esperança na noite orvalhada, o poema que fala no sobressalto de cada madrugada, o reino renascido na praia desencantada, o mar transparente de vida renovada, o equilíbrio azul iluminando o sedoso silêncio de mão dada, o fruto de verão na árvore encantada, o canto do pássaro com espigas douradas, despertando sorrisos à espera da tua primeira gargalhada!

Bebé-Esperança, a porta da casa branca está de braços abertos à tua espera com campainhas às janelas e estrelas de infinito amor e olhar enamorado, no telhado!

Carícias de veludo, Principezinho!

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Aerograma N.º 31 – Lágrimas Tuas em Mim
Junho 23, 2017

Terra de Mar, Dia de Sol Nublado, Mês do Coração, Ano de Partida

Querido Amigo,

Conhecemo-nos no dia do meu aniversário quando te apresentaste ao serviço.
Entraste e deparaste comigo, de pé, num espaço físico amplo.
Dei-te os bons-dias.
Permanecias mudo.
Depois retorquiste, desalentado:

” – Não está ninguém!”

Sorri!
Sorri, não sei se foi para ti!
Sorri, sim, para a insubstituível magia de ser invisível!

Hoje…

Choro por ti!
Choro!
Choro!

Partiste horas depois de ter-te deixado, com duas das tuas grandes amigas, uma que te levou flocos de migas à boca, ementa hospitalar, honrando o celeiro do Alentejo deste teu Portugal que tanto amavas e que era teu, e tu dele, e que segurava a tua mão, e a outra refrescando os teus lábios com um pêssego e água, limpando-te o rosto, enquanto eu te alimentava com palavras que abriam os teus olhos e te arrancavam frases curtas e baixinhas, mas com a tua peculiar voz, que os meus ouvidos só captavam, aproximando-se…

” – Detesto bananas!” – afirmaste, recusando a oferta de uma daquelas amigas.

Choro por ti!
Choro!
Choro!

Choro por teres partido inesperadamente, destroçado pelas redes da solidão, e levado contigo a minha intensa esperança de voltares a reencontrar um amor e a vivê-lo, a seres feliz, a encheres a tua sala de música clássica, a continuares a abraçar a cultura, a exerceres a tua profissão com dedicação e brio, atualizando-te sempre e estudando casos – há tanta gente a precisar do teu saber e cuidados! – , a deleitares-te com as tuas empolgantes e inesquecíveis viagens…

Choro por ti!
Choro!
Choro!

Choro, voando nas asas do Bolero de Ravel, enquanto te escrevo, recordando o dia em que me estendeste um CD com esta delícia!

Choro por não ter voltado a visitar-te, usando, como te prometi, o colar de pedras que trouxeste da tua terra, onde a nossa língua ecoa com vogais de timbre aberto, mas usá-lo-ei no retardado momento da despedida, aguardando a dolorosa chegada da tua família…

Choro pelo pedra do nosso signo na qual mandei colocar uma argola de prata, que trazia pendurada num frio, e que os assaltantes levaram da minha casa com outros valores estimativos, mas a sua memória permanece em mim até ao fim, firme e forte!

Guardo presentes teus, como todas as pessoas que consideravas amigas, entre eles: livros, desde um sobre a mitologia, que seria muito útil para os meus estudos, referiste, a fascículos ilustrados de poetas portugueses, e destaco a Poesia Lírica de Camões, que me ofereceste num Natal com um cartãozinho com a imagem de Maria com Jesus Menino ao colo e os três Reis Magos, com o mês e o ano manuscritos e: “Para (meu nome) “do” (teu nome)”, simplesmente, ao qual te referiste baixinho, sereno e triste, naquele dia: “Não me lembro!”, e do qual transcrevo este excerto:

“O céu, a terra, o vento sossegado…
As ondas, que se estendem pela areia…
Os peixes, que no mar o sono enfreia…
O nocturno silêncio repousado…

(…)

Ninguém lhe fala: o mar de longe bate,
move-se brandamente o arvoredo;
leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.”

Agradeço-te a tua amizade – Obrigada!

Estas são as minhas flores, desprendendo-se do mundo, esvoaçando contigo para o Paraíso!

Aerograma N.º 30 – O Eco do Teu: “Adoro! Adoro!”
Junho 6, 2017

Querida Estrelícia,

Foi aqui, neste cantinho, quem mais parecia uma piscina natural, quando estas pedras ainda nem tinham nascido, fenómeno que só ocorreu, após os rebentamentos da pedreira, que estremeciam tudo, que irritavam os cães e que umas sementeiras só com uns pozinhos, que se davam muito bem com a água salgada, ali cresciam, que era uma beleza, afirmava o Zé Sardinha que sabia tudo o que se passa do Pontal até à ribeira, que te iniciaste no mergulho, perseguindo os dançantes cardumes, imagino, muito graciosa na tua encantadora meninice com um minúsculo e feminino fatinho de banho, talvez com um folhinho, ou mais, na falta de uma rendinha.

Naquela época, o mar era um transparente manto verdinho-esmeralda, que o sol bordava de saltitantes estrelas douradas, e na praia pairava uma intensa sinfonia: de risos, de choros, de gritos, de gargalhadas da criançada!

E…

A linda-africanita-alentejanita ria e saltava com as cócegas que o mar brincalhão fazia nos seus pezinhos, e agradecia-lhe, acariciando as ondinhas, e segredando: “Adoro! Adoro!”, e o eco sorria, e no tempo permaneceria!…

Beijinhos perfumados de maresia!

Aerograma N.º 29 – Duas Notícias, Compadre!
Maio 31, 2017

Estimado Compadrito,

Isto está bonito!

Duas notícias lhe trago:

1.ª Considere que este ano não fez anos, porque, não obstante saber qual é o seu dia, não lhe dei os parabéns. Quem o manda estar tão longe, se gosto de felicitá-lo logo ali, ao virar da esquina? Vamos ter de esperar pelo seu regresso!

2.ª A sua amada filhinha, e minha querida afilhadinha, aquela da bochechinha mais rijinha e rosadinha, anda de calcinha rotazinha, coitadinha! Até me ofereci para fazer ali um bordado, ou remendar com um coração encarnado; ela riu-se, com o seu ar divertido e meio envergonhado.
Também lhe falei que contaria ao seu pai, pedindo-lhe para por aí ficar mais uma semana, voltando, talvez, para o fim do outro mês, com mais uns trocados, em notas, claro, para tratar do caso da perna rota….

Lindo, lindo, teria sido a sua lagriminha a rolar ao ouvir a grande saxofonista a tocar, e… a encantar!

Saudinha, e toca a trabalhar, mas com cuidado, para a sua hérnia não se queixar!

Um beijinho!

P.S.: Aqui tem um olhar sobre a sua praia.

Aerograma N.º 28 – Espelho Teu!
Maio 19, 2017

Querida Amiga,

Vai, Amiga, e voa! Voa com a dança florida de sorrisos nas asas do sonho, plantando papoilas nos pátios nublados da vida!

Vai, Amiga, e fica! Fica com o teu coração no vaivém da baía, com um livro aberto na tua mão, que não espera em vão!

Vai, Amiga, e escreve! Escreve com a poesia que em ti habita nos palácios de paredes aveludadas em que a tua voz tilinta!

E…

Sobe as escadas viradas para o teu mar com varandas de vidro bordadas de estrelícias enamoradas do silêncio salgado.

Abraço, Minha Irmã-Amiga!

Aerograma N.º 27 – O Teu Aniversário
Dezembro 30, 2016

mar-de-diamantes-2012

Minha Querida,

Acariciei-te amorosamente no ventre da tua mãe desde que ela me anunciou que estava grávida – “És a primeira a saber!” , disse-mo, eufórica, com a análise na mão!

Falava carinhosamente contigo, sem saber se iria ter uma sobrinha ou um sobrinho, à medida que ias crescendo, brincando, fazendo ondas como se jogássemos à apanhada.

Quando soube que eras uma menina, resolvi começar a fazer-te um pedido: teres os lindos caracóis da tua feliz mãe.

Quando nasceste, fizeram-me a tua bela descrição, mas… ninguém me falava sobre a concretização do meu desejo; tive de perguntar. Fiquei a saber que… a tua cabeleira não era farta, nem encaracolada!…

Mas…

Apaixonei-me, como todos, pelo nosso precioso presente de Natal!

Há dias, quando andávamos atrás das notas do concerto, saltitando da exiguidade de espaço para o outro, algo imprevisto, olhei para os teus longos cabelos lisos, e sorri para mim, pois o momento não era propícios a conversas íntimas, sobretudo por que urgia acalmar ânimos maternos, o que fazias com mestria, ansiando assistir à exibição da tua pequena irmã.

O que quero dizer-te, em jeito de parabéns adiados, porque revivi estes momentos no dia 25, é que gostooo muito da tua cabeleira, que a tua mãe já não precisa de procurar cortes curtos e ousadamente modernos, moldando a serena beleza do teu rosto com olhos pintados de doçura, e reiterar o que sempre me encantou em ti: saberes ouvir, aprenderes rápido, teres sido um exemplo de dedicação à tua mãe-amiga, de obediência, e de cumplicidade na alegria e nas amarguras, tornando-te sua defensora, emanares paz, calma, sabedoria para ires vencendo, maturidade para acolheres a nova família e perdoares os desvios que te vitimavam!

Parabéns, Princesa, por tudo! Sê fiel às tuas essências e muito feliz!

Abraço desta orgulhosa titi!

Aerograma N.º 26 – O Teu Grande Amigo
Novembro 6, 2016

espraiar-de-ondas-2014

Querido Tio,

Conheci o teu amigo, aquele teu grande amigo, e primo!

Na verdade, não sei se posso dizer-te que o conheci; vi-o, isso sim! Perguntei quem era aquela pessoa, sem ter admitido que também ele fosse da família naquela hora em que todos nos despedíamos com saudade da idosa, e por isso ainda mais amada, prima.

Estava rigorosamente vestido de preto; talvez por isso tivesse achado uma pessoa mais velha, e por instantes me questionasse quem era quando o avistei perto da mãe, desconhecendo o grau de parentesco entre eles, claro! – certamente ainda moçoilo para ser o seu próprio pai, não achas? Quanto te ririas se estivéssemos a conversar presencialmente!

Mas…
Quando ouvi o seu nome, fiquei estupefacta! Não muda! Até perguntei insistentemente quem ele era como se não tivesse ouvido bem!

“Não pode ser!”, disse repetidamente para mim!

Tio, como é que podias ter um tão grande amigo, que, aparentemente, nada tinha a ver contigo?!…

Os amigos são parecidos, têm algo em comum, sabemos, mas, claro que não é fisicamente; penso que lhe faltavam, talvez por que os tivesses imaginado, por serem comuns, os traços de família, da nobreza!

Insatisfeita com a minha descoberta, ainda deixei soltar a minha surpresa, adiantando a uma das tuas sobrinhas louritas, a mais elegante e que usa óculos:

” – O tio era muito mais bonito! Muito mais bonito!”

” – O quê? O tio?!… Se era! Muito mais bonito!! – confirmou-mo ela, peremptoriamente, como quem decreta uma sentença.

Nada a fazer, meu/nosso querido tio! As tuas sobrinhas deixaram-se render aos teus encantos, nos quais sobressaem os seus sentimentos por ti, já que nem somos “mocinhas” de privilegiar as aparências! Ganhaste, o que não admira, pois és o eleito dos nossos corações.

Mas…

E… eu que, em segredo, fiquei a pensar em tudo o que me confidenciaste, no monte, lembro-me bem, que um dias desejarias dizer ao teu grande, cogitando para mim, se deveria ser ou não tua mensageira, sem que de tal me tivesses incumbido, mas, confesso, perspetivando fazer jus aos teus sentimentos, às tuas mágoas, ao que não ficou resolvido!…

Voltei para casa a pensar em ti: na amizade, na lealdade, na dor de te sentires traído, duplamente, na solidão que um irmão de coração pode plantar no coração do outro, mas confiante no teu perdão!

Saudades tuas, querido tio, todos os dias, envolvendo-te em carinho e muita paz!

P.S.: Impossível escrever-te aerogramas sem voar nas memórias dos que trocávamos quando combatias na guerra, no Ultramar – até à caça ao javali me levavas!

Aerograma N.º 25 – A Travessia Luminosa do Eterno Amor
Outubro 27, 2016

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Meu Amigo,

Nestes dias em que realizas mais um dos teus grandes sonhos, desta vez na nossa terra, não é a chuva que te molha, mas as amorosas e emocionadas lágrimas da tua mãe, acariciando-te orgulhosamente do Céu!

Nem os sorrisos são dos teus amigos, dos teus conhecidos, dos que te admiram, mas a luz dos olhos seus, beijando os teus, o menino que ela despiu radiosa de perene felicidade quando eras um bebé, para que eu conhecesse o amor da sua vida: “Tão perfeitinho e tão lindo”!

Nem os abraços que te acolhem, que te felicitam e que matam saudades são de quem tos dás, mas todos eles um único, luminoso e infinito abraço, que só o esplendoroso amor de uma mãe, da tua mãe, sabe e pode inconfundível e inefavelmente dar-to!

Abracinho, Maravilhoso Menino de Sua Mãe, que no-lo trouxe de presente! – um Muito Obrigada, minha querida, meu e de todos nós.

Aerograma N.º 24 – Harmonia Interior, Sorrindo!
Outubro 3, 2016

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Minha Flor,

Encontrar-te-ás na transparência sublimada do amor-ser-completo quando te sintonizares com as diferenças da translineação das sílabas, compondo um poema com mãos entrelaçadas, pacientes, apaixonadas, escutando o silêncio das palavras na arte de amar, sem julgar, voando no vento com sorrisos e sem prantos, e cantar sem um lamento, confiando nas correntes renovadoras da vida e na dourada madrugada, oferecendo a luz sem exigir nada!

Abre as tuas pétalas à luz do amor e deixa que as gotas de orvalho da amargura se derretam com o seu calor!

Afasta-te das sombras e verás a claridade do caminho; segue-a, sorrindo!

Constrói o amor como uma casa, alicerçando-a firmemente; não comeces pelo telhado!

Um beijinho!

Aerograma N.º 23 – Saudades!
Maio 15, 2016

A Costa Saudosa, 2015

Meu Querido e Saudoso Tio,

Este não é um daqueles aerogramas que te escrevia, pelo menos semanalmente, animando-te, confortando-te e encorajando-te nas dolorosas provações do dia-a-dia, aos quais me respondias com as descrições das agruras da guerra de África, das peripécias da caça ao javali, com as confidências da solidão, dos amores e desamores, repassados saudade, estendendo a mão à esperança!

Nada posso contar-te que não saibas, porque acredito que tudo vês, e com olhos de luz!

Escolhi esta imagem da nossa costa, toda ela com pegadas do avô, tuas, de todos e até minhas, de menina, quando não ia às cavalitas do melhor contador de histórias do mundo, instalada no mais firme trono, quase tocando o céu, segura, grande, feliz!

Saudades, saudades, muitas saudades tuas, meu irmão mais velho! – todos temos, menino dos teus irmãos, pai e avô biológico e do coração, marido de uma vida partida, tio, primo, cunhado, Amigo!

Obrigada pelo teu Amor!