Archive for the ‘Aerograma’ Category

Aerograma N.º 27 – O Teu Aniversário
Dezembro 30, 2016

mar-de-diamantes-2012

Minha Querida,

Acariciei-te amorosamente no ventre da tua mãe desde que ela me anunciou que estava grávida – “És a primeira a saber!” , disse-mo, eufórica, com a análise na mão!

Falava carinhosamente contigo, sem saber se iria ter uma sobrinha ou um sobrinho, à medida que ias crescendo, brincando, fazendo ondas como se jogássemos à apanhada.

Quando soube que eras uma menina, resolvi começar a fazer-te um pedido: teres os lindos caracóis da tua feliz mãe.

Quando nasceste, fizeram-me a tua bela descrição, mas… ninguém me falava sobre a concretização do meu desejo; tive de perguntar. Fiquei a saber que… a tua cabeleira não era farta, nem encaracolada!…

Mas…

Apaixonei-me, como todos, pelo nosso precioso presente de Natal!

Há dias, quando andávamos atrás das notas do concerto, saltitando da exiguidade de espaço para o outro, algo imprevisto, olhei para os teus longos cabelos lisos, e sorri para mim, pois o momento não era propícios a conversas íntimas, sobretudo por que urgia acalmar ânimos maternos, o que fazias com mestria, ansiando assistir à exibição da tua pequena irmã.

O que quero dizer-te, em jeito de parabéns adiados, porque revivi estes momentos no dia 25, é que gostooo muito da tua cabeleira, que a tua mãe já não precisa de procurar cortes curtos e ousadamente modernos, moldando a serena beleza do teu rosto com olhos pintados de doçura, e reiterar o que sempre me encantou em ti: saberes ouvir, aprenderes rápido, teres sido um exemplo de dedicação à tua mãe-amiga, de obediência, e de cumplicidade na alegria e nas amarguras, tornando-te sua defensora, emanares paz, calma, sabedoria para ires vencendo, maturidade para acolheres a nova família e perdoares os desvios que te vitimavam!

Parabéns, Princesa, por tudo! Sê fiel às tuas essências e muito feliz!

Abraço desta orgulhosa titi!

Aerograma N.º 26 – O Teu Grande Amigo
Novembro 6, 2016

espraiar-de-ondas-2014

Querido Tio,

Conheci o teu amigo, aquele teu grande amigo, e primo!

Na verdade, não sei se posso dizer-te que o conheci; vi-o, isso sim! Perguntei quem era aquela pessoa, sem ter admitido que também ele fosse da família naquela hora em que todos nos despedíamos com saudade da idosa, e por isso ainda mais amada, prima.

Estava rigorosamente vestido de preto; talvez por isso tivesse achado uma pessoa mais velha, e por instantes me questionasse quem era quando o avistei perto da mãe, desconhecendo o grau de parentesco entre eles, claro! – certamente ainda moçoilo para ser o seu próprio pai, não achas? Quanto te ririas se estivéssemos a conversar presencialmente!

Mas…
Quando ouvi o seu nome, fiquei estupefacta! Não muda! Até perguntei insistentemente quem ele era como se não tivesse ouvido bem!

“Não pode ser!”, disse repetidamente para mim!

Tio, como é que podias ter um tão grande amigo, que, aparentemente, nada tinha a ver contigo?!…

Os amigos são parecidos, têm algo em comum, sabemos, mas, claro que não é fisicamente; penso que lhe faltavam, talvez por que os tivesses imaginado, por serem comuns, os traços de família, da nobreza!

Insatisfeita com a minha descoberta, ainda deixei soltar a minha surpresa, adiantando a uma das tuas sobrinhas louritas, a mais elegante e que usa óculos:

” – O tio era muito mais bonito! Muito mais bonito!”

” – O quê? O tio?!… Se era! Muito mais bonito!! – confirmou-mo ela, peremptoriamente, como quem decreta uma sentença.

Nada a fazer, meu/nosso querido tio! As tuas sobrinhas deixaram-se render aos teus encantos, nos quais sobressaem os seus sentimentos por ti, já que nem somos “mocinhas” de privilegiar as aparências! Ganhaste, o que não admira, pois és o eleito dos nossos corações.

Mas…

E… eu que, em segredo, fiquei a pensar em tudo o que me confidenciaste, no monte, lembro-me bem, que um dias desejarias dizer ao teu grande, cogitando para mim, se deveria ser ou não tua mensageira, sem que de tal me tivesses incumbido, mas, confesso, perspetivando fazer jus aos teus sentimentos, às tuas mágoas, ao que não ficou resolvido!…

Voltei para casa a pensar em ti: na amizade, na lealdade, na dor de te sentires traído, duplamente, na solidão que um irmão de coração pode plantar no coração do outro, mas confiante no teu perdão!

Saudades tuas, querido tio, todos os dias, envolvendo-te em carinho e muita paz!

P.S.: Impossível escrever-te aerogramas sem voar nas memórias dos que trocávamos quando combatias na guerra, no Ultramar – até à caça ao javali me levavas!

Aerograma N.º 25 – A Travessia Luminosa do Eterno Amor
Outubro 27, 2016

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Meu Amigo,

Nestes dias em que realizas mais um dos teus grandes sonhos, desta vez na nossa terra, não é a chuva que te molha, mas as amorosas e emocionadas lágrimas da tua mãe, acariciando-te orgulhosamente do Céu!

Nem os sorrisos são dos teus amigos, dos teus conhecidos, dos que te admiram, mas a luz dos olhos seus, beijando os teus, o menino que ela despiu radiosa de perene felicidade quando eras um bebé, para que eu conhecesse o amor da sua vida: “Tão perfeitinho e tão lindo”!

Nem os abraços que te acolhem, que te felicitam e que matam saudades são de quem tos dás, mas todos eles um único, luminoso e infinito abraço, que só o esplendoroso amor de uma mãe, da tua mãe, sabe e pode inconfundível e inefavelmente dar-to!

Abracinho, Maravilhoso Menino de Sua Mãe, que no-lo trouxe de presente! – um Muito Obrigada, minha querida, meu e de todos nós.

Aerograma N.º 24 – Harmonia Interior, Sorrindo!
Outubro 3, 2016

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Minha Flor,

Encontrar-te-ás na transparência sublimada do amor-ser-completo quando te sintonizares com as diferenças da translineação das sílabas, compondo um poema com mãos entrelaçadas, pacientes, apaixonadas, escutando o silêncio das palavras na arte de amar, sem julgar, voando no vento com sorrisos e sem prantos, e cantar sem um lamento, confiando nas correntes renovadoras da vida e na dourada madrugada, oferecendo a luz sem exigir nada!

Abre as tuas pétalas à luz do amor e deixa que as gotas de orvalho da amargura se derretam com o seu calor!

Afasta-te das sombras e verás a claridade do caminho; segue-a, sorrindo!

Constrói o amor como uma casa, alicerçando-a firmemente; não comeces pelo telhado!

Um beijinho!

Aerograma N.º 23 – Saudades!
Maio 15, 2016

A Costa Saudosa, 2015

Meu Querido e Saudoso Tio,

Este não é um daqueles aerogramas que te escrevia, pelo menos semanalmente, animando-te, confortando-te e encorajando-te nas dolorosas provações do dia-a-dia, aos quais me respondias com as descrições das agruras da guerra de África, das peripécias da caça ao javali, com as confidências da solidão, dos amores e desamores, repassados saudade, estendendo a mão à esperança!

Nada posso contar-te que não saibas, porque acredito que tudo vês, e com olhos de luz!

Escolhi esta imagem da nossa costa, toda ela com pegadas do avô, tuas, de todos e até minhas, de menina, quando não ia às cavalitas do melhor contador de histórias do mundo, instalada no mais firme trono, quase tocando o céu, segura, grande, feliz!

Saudades, saudades, muitas saudades tuas, meu irmão mais velho! – todos temos, menino dos teus irmãos, pai e avô biológico e do coração, marido de uma vida partida, tio, primo, cunhado, Amigo!

Obrigada pelo teu Amor!

Aerograma N.º 22 – Flores de Mar
Maio 15, 2015

Chorões de Despedida, 2015

Para ti, querido, sempre presente e saudoso tio-irmão-amigo, estas flores de mar do Norte, manto da vida que repentinamente abandonaste sem te despedires de nós, deixando-nos de braços abertos à saudade de que nos tornaste herdeiros para sempre, e à tua dor de pai-amigo-avô, a quem tanto amaste, e que tão mal te amou!

Bem-haja quem te amou e alegria te proporcionou!

Aerograma N.º 21 – Uma Flor-Amiga!
Março 8, 2015

Jarro das Percebeiras, 2015

Querida Amiga,

Recordo, como se me visitasse vezes sem conta, para cumprirmos um lanche adiado, os seus cabelos de prata, o seu lindo e doce olhar, o seu terno sorriso, a sua serenidade expressa em comportamentos e palavras livres de críticas e de julgamentos, a sua silenciosa fortaleza na doença, a sua admirável paciência, e a sua graciosa aceitação ao nome com que a “batizei”, sem conseguir voltar atrás, retirando-lhe o seu antropónimo, apesar de  afortunado, e substituindo-o pela forma feminina do que pertencia ao seu marido, numa graciosa troca do F pelo E!

Minha Amiga, voltaria de bom grado, para nos reencontrarmos e retomarmos a nossa conversa, atualizando-a, àquele casamento, que me custou muitos enjoos e tonturas  nas longínquas e intermináveis curvas da estreita estrada – razão tinha um médico das termas de S. Pedro do Sul, que, há anos,  cobiçava as boas vias do nosso Alentejo! -, não obstante já ter solicitado à noiva, ora esposa e mãe, que me convidasse para a celebração das próximas bodas, por cá, para poder festejar condigna e saudavelmente!

Mas, na minha memória, além do menos agradável episódio, atrás citado, em que tive a sua neta como companheira de infortúnio, ela com “direito” / necessidade a mudar de roupa, sobrepõem-se as alegres, e foram muitas, mas destaco um momento particular, de grande partilha: o nosso passeio pela quinta onde decorreu o copo-de-água, depois de percorridas mais uns quilómetros de ziguezagues no alcatrão…

Querida D. E,  as suas palavras de amor repassadas de anunciada dor de amor de um dos seus grandes amores, alguém igualmente maravilhoso, sussurram aos meus ouvidos, e pairam no meu saudoso coração, numa dimensão amadurecida de partilha, que sempre estreitou a nossa amizade! Não é a sua ausência que a recria, mas a certeza de que sabemos e sentimos quem sabe ouvir-nos e compreender-nos, e a minha amiga era uma maestra nesta balada, à qual eu acrescentaria uns versos!

Voo nas asas da brisa marinha com esta flor-amiga, expressando a minha gratidão pela confiança e pela partilha de sempre!

Até… um dia!

Aerograma N.º 20 – Coração de Irmã
Maio 21, 2014

Caminhos à Beira-Mar, 2014

Terra do Gama, Dia da Surpresa, Mês de Maria, Ano da Alegria

Querida Amigalhaça,

Trazias no rosto a alegria, no cabelo os traços de menina que corria, na mão um saco de sonhos escondidos com o teu vestido de noiva tecido com o calor africano, moldado com a brisa do mar do norte alentejano, no coração o amor azul, sorrindo feliz ao teu lado!

Tudo foi belo e único no nosso breve, mas tão profundo encontro de partilha, de festa!

Tocam os sinos da felicidade, envolvendo-te(-vos) na sua repicada intensidade musical, enlouquecendo os pássaros com danças, desenhando sonhos com pegadas: uma professora sábia e alunos sorridentes; um laço de mar e céu com fios dourados de amor, fundidos num beijo eterno repassado de hinos floridos de primavera renovados de desejos saciados!

Transportas a tua tese timbrada de despedidas, de mudanças, de dores, de sofrimentos, de esforços, livre e vitoriosa!

Transbordo de emoção, e o meu sentir de irmã solta-se com palavras quando só ele e eu falamos:

– Estou tão feliz! Tão feliz! Tão feliz! Mais do que se estas dádivas me tivessem sido oferecidas!

Abracinho apertadinho, soprando o pó do caminho da tua terra do teu vestido de noiva!

Tua Irmã do Coração

 

Aerograma N.º 19 – Querida Sophia…
Abril 15, 2014

Mar Nosso

 

Terra dos Caramujos, Dia da Dezena e Meia, Mês da Liberdade, Ano de 2014

Querida Sophia,

Esta já não “é a madrugada que eu esperava”
Nem este … “O dia inicial inteiro e limpo”

Esta é a noite tumultuosa de um país perdido em si mesmo!

Lava-nos com o doce mar da tua poesia, e aquece a manhã fria!

Fico aqui à… “Janela rente ao mar e rente ao tempo” à espera!

Toda a grata admiração à sensível grandeza da voz que canta sem escrever!

Maria do Mar

 

Aerograma N.º 18 – Para ti, Milu!
Fevereiro 12, 2014

Flor Encolhida, 2014

Para ti, Querida Milu,

Esta flor inclinado-se sobre o teu peito, perfumando de  grandiosidade e de grata beleza o caloroso abraço que me deste ontem junto à porta fria do hospital, de olhar orvalhado em sintonia com as nuvens tristes, de coração ritmado com a pressa descoordenado do vento, de voz engasgada com os sorrisos escondidos.

Para ti, que o meu olhar vislumbrou no tempo, num dia longínquo e inequivocamente próximo, em que acompanhávamos o meu paizinho à sua última morada e ias tão junta a ele, que ninguém conseguiria tirar a tua mão da sua!

Para ti, Milu, um jardim florido de alegria regado com danças de sorrisos!

E… um punhado de esperança, confundindo-se com os teus olhos de esmeralda!

Bisou, avivando as  memórias dos teu palrar em… francês!