Archive for Julho, 2016

A Caixa-Técnica de Contas
Julho 28, 2016

Praia Dourada, 2015

A empregada da caixa do agitado supermercado agia hábil, segura e rapidamente, sorrindo!

Uma cliente fez-lhe um pedido sobre uma fatura; ela olhou-a e esclareceu-a, solicita e expedita.

Mas… a grata cliente parecia insegura.

A Sr.ª da caixa disse-lhe:

– Estou certa na minha informação, acredite! Sou técnica de contas; aquela colega também é. Mas não nos deixam trabalhar na nossa área; é a crise financeira.

A cliente permanecia silenciosa e a técnica-caixa dirigiu-se à colega, formulando a dúvida, a qual confirmou a resposta que dera, atitude que gerou embaraço na pessoa que tinha na sua frente, a qual retorquiu envergonhada:

– Desculpe e muito obrigada!

– Não tem de quê! Só queria ajudá-la com os meus conhecimentos e experiência – respondeu a grande profissional que a atendia!

Trocaram um sorriso e a cliente, afastando-se, ia dizendo à jovem que a acompanhava:

– Que pena que pessoas como esta não possam trabalhar na sua área, e que estejam aqui, revelando competências, mas em regime de contratos de curta duração.

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O Dia das Avós
Julho 28, 2016

Papoilas do Alentejo, 2016

Era o dia das avós, o dia de sucessivos encontros circunstanciais com as eufóricas e expectantes mães cujas filhas as tornariam avós, brevemente!

Primeiro, a avó-enfermeira, que decidia ignorar as maleitas que a incomodavam anteriormente, porque se preparava para receber as suas duas princesinhas, e encarava a vida de outra maneira.

De seguida, a avó-veraneante, toda bronzeada, de calções curtos e franja dourada, de jovialidade por alguns cobiçada, à espera da netinha da sua filhinha muito amada!

Por último, a avó-vaidosa, trazendo pela mão um menino à espera da irmãzinha, que já pulava quando ele falava com ela na barriga da mãezinha!

E…

O Dia Internacional dos Avós aproximava-se e estas avós e outras já o festejavam!

Carícias de Lua
Julho 28, 2016

O Salto da Onda, 2016

A noite chora o luto das mães tristes, e as estrelas revisitam-nas discretas e silenciosas no doce terraço de mar recortado de dor com carícias de apaziguante e morna lua nos rostos adormecidos!

Gente Boa da Minha Aldeia – A Família Completa
Julho 28, 2016

Flores do Manuel da Fonseca, 2016

Era o tão esperado alvorecer, a bela menina cor-de-rosa com rosto de sereno sorriso, aconchegada docemente no amplo colo materno, mostrando-me, silenciosa e doce, os versos da sua existência, que uma foto, um mês antes, já me fizera agradecer ao Céu o deleite da sua existência numa explosão de alegria!

Era o caloroso, silencioso e demorado abraço com a pérola entre nós, selando o nosso primeiro encontro!

Era o interminável e imenso sorriso de uma mãe, iluminando o mundo, a quem oferecia mais uma criança, que um dia me “prometera”, repetindo o meu nome com ecos de sonho, que teria uma menina com o meu nome!

Era o cão de família, uma espécie de polícia à paisana com pêlo luzidio, averiguando a minha inocência com o focinho.

Era o sorriso do pai multiplicando-se na terna riqueza da diversidade dos outros três felizes infantes: o mais pequeno às cavalitas, o primogénito distinto na sua unicidade com o seu boné na cabeça, a princesa com uma franja igual à da mãe sobranceira à imensidão dos seus luminosos, sorridentes e falantes olhos de esmeralda, todos atravessando a rua alegremente como quem brinca, mas vigia, aproximando-se!

Era a graça de usufruir da partilha da maravilhosa família, trocando carícias bordadas de poemas de intenso amor com letras grandes e música nas palavras repassadas de felicidade no florido vigor da vida!

Era a cumplicidade da mãe e do pai, fundida num profundo e intenso olhar, que todos festejavam no elevar da taça da alegria, celebrando a vida com a abundância da vocação dos frutos merecidos da árvore estrelada, dançando ao sabor da brisa no transparente mar de amor, deixando pegadas na praia de luz com êxtase de gaivotas e canto de búzios, brincando com as conchas!

Era o sucessivo sopro de um suspiro materno, cingindo as dádivas do meio-dia da vida com um ardente e vitorioso abraço musicado de:

” – A família completa!”

Despedimo-nos, despedimo-nos, oferecendo reciprocamente flores do olhar com a sintonia do pulsar do coração, perfumando os pés suspensos no verdadeiro e doce conto de fadas!…

E…

Quando entrei na igreja reparei que a família completa enchia-a abençoada no secreto silêncio!…

O Sábio Silêncio
Julho 27, 2016

Vaivém de Ondas à Beira do Caminho, 2014

O silêncio é a voz sábia do horizonte poético, atravessando a penumbra na insistência da agudeza das palavras e na representação dos atos desabitados de espelhos de luz!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Quarto Desejo
Julho 27, 2016

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a claridade das paredes brancas do Alentejo com barrinhas de vozes arrastadas nos dias quentes de agosto, à espera que a terra arrefeça para abrir as portas e as janelas!

Quando eu for grande, quero ser a seara dourada com papoilas nos folhos das saias rodadas no secreto silêncio das tardes secas e cansadas!

Quando eu for grande, quero ser o pão grande, fofo e quente a sair do forno, fazendo crescer água na boca de toda a gente, barrado de manteiga derretida, com um canto seco mordendo as gengivas da criança!

Quando eu for grande, quero ser o entardecer na planície salpicada de árvores com estrelas espreitando entre a folhagem na demorada despedida do sol, espreguiçando-se enrolado no rubro-alaranjado lençol!

Quando eu for grande, quero ser a porta do mar abrindo-se ao mundo com o brilho de olhos de infância e a sabedoria das barbas brancas dos pescadores de mãos calejadas e caras vermelhas, salgadas!

Sorriso do Dia – O Amanhecer
Julho 27, 2016

Mergulho Floral, 2014

O amanhecer é a esperança a levantar a cabeça da sua almofada-nuvem, orvalhando os rostos da criança de carícias coceguentas, despertando-lhes a inocência de sorrisos floridos de baloiços, brincando com as folhas nuas das árvores na claridade azul do terraço da vida!

Histórias de Fantoches – A Liliana, 4.ª Página
Julho 27, 2016

A Liliana

Os folhetos informativos estavam expostos nas paredes do seu gabinete com as fotografias das crianças que tinham colaborado; suspensas do tecto, por cordéis, giravam casinhas de cartolina com meninos às janelas, rostos de todos os que tinham passado pelo seu serviço.

Nos folhetos dedicados ao Verão, podia ler-se:

– SOL A APARECER, TOCA A PROTEGER!

a) Proteja:

– a cabeça, a cara, as orelhas e a nuca, usando: chapéu; boné de pala comprida ou lenço;

– os olhos, pondo: óculos de sol com lentes antirreflexo;

– os lábios com bâton ou creme protetor;

– a pele, aplicando protetor solar de acordo com o seu tipo de pele, trinta minutos antes da exposição;

b) Beba líquidos frequentemente, de preferência água ou sumos de fruta natural sem açúcar;

c) Na praia ou na piscina, abrigue-se à sombra de guarda-sol;

d) Não fique muito tempo parado ao sol;

e) Não apanhe sol nas horas mais perigosas: das 11:00 às 17:00;

f) Não ponha loções perfumadas, nem águas-de-colónia antes de se expor ao sol;

g) Siga estas medidas de protecção, mesmo que:

– o céu esteja nublado, porque as radiações atravessam as nuvens;

– haja vento, apesar da sensação de frescura;

– esteja dentro de água, num barco ou colchão, porque, apesar de sentir fresco, os riscos continuam;

– se encontre debaixo de um toldo ou guarda-sol, porque os raios solares incidem de forma indireta.

h) Depois da exposição ao sol, aplique, após o duche, um creme para hidratar a sua pele.

– VIVA O VERÃO COM A PRUDÊNCIA NO MALÃO

Leve na sua bagagem para as férias:

– brinquedos e jogos para as crianças;

– livros para todos;

– chapéus, bonés ou lenços para a cabeça;

– cremes protetores solares;

– óculos de sol;

– braçadeiras para as crianças que não saibam nadar;

– capacetes para poderem andar de bicicleta e de patins;

– caixa de primeiros socorros, que deve conter: água oxigenada; pensos rápidos; algodão; compressas; ligaduras; adesivo e repelente de insetos;

– roupas leves, preferencialmente de algodão, finas e folgadas, de cores claras, e o calçado adequado: chinelos; sandálias.

(continua)

O Passarinho-Águia no Mundo
Julho 27, 2016

Terraço Marinho Florido, 2014

Nunca erguerá o respeitoso olhar para ti quem sempre te viu de cima, que se imaginou e/ou se impôs como teu superior, quem te incentivou a voar, à espera que caísses, nem que um dia, surpreendentemente, te transformes de passarinho caído do ninho numa águia!

A Errância do Nada
Julho 27, 2016

Sintonia Dançante, 2015

As paredes choram as dores dos corações desfeitos pelas inocentes vidas roubadas, as flores vestem-se de noite à procura da madrugada, e as andorinhas perdem as penas no mar revolto de tristeza ao ribombar do homem primitivo, disforme, cruel, pedra perdida da ilha, errância do nada!