Archive for Março, 2016

A Pagizinha de Cama
Março 28, 2016

A Pagizinha

Um dia, a mãe da Pagizinha ligou-me. A menina estava adoentada, de cama. Pedira para me chamarem.

Fui visitá-la de imediato.

Estivemos sozinhas no quarto durante bastante tempo.

De vez em quando, a minha afilhada, não obstante estar febril, oferecia-me uma pipoca, mas eu preferi deixá-la ir saboreando quando lhe apetecia, se bem que a sua preferência fosse bebericar água.

Também se deleitou com a tacinha de gelatina que lhe levei, e um pouquinho de chocolate preto.

A Pagizinha falou-me sobre a sua escola, apesar de não se encontrar com energia para manter a conversação habitual, mas foi assertiva quando me disse:

– Estou muito feliz por ter ficado na minha escola. Eu gosto muito!

Falámos sobre as camas, os colchões fofos da atualidade e os de outros tempos, e fui saciando a sua curiosidade relativamente à televisão, aos telefones, à inexistência de telemóveis… e ela concluiu, com o seu primeiro sorriso:

– Ainda bem que eu não nasci nessa altura! Gosto de ver televisão, e a cores!

Também manifestou a sua preferência pelas bonecas, e respetivas chuchas, umas filhas que lhe dão muito trabalho, mas que se portam bem.

Estava desejando de ter uma oportunidade para começar a contar histórias da minha memória e da minha imaginação, mas… a Pagizinha escolheu um livro de que gosta muito: 12 Princesas Bailarinas, o que não me surpreendeu, pois sempre manifestou o seu apreço pela dança, nomeadamente o balé, que acredita aprenderá um dia!

A história, sobejamente conhecida pela Pagizinha, era-me transmitida antecipadamente, bem como a descrição das imagens. Mas, ela ia comentando, revelando a sua indignação pelas atitudes maldosas:

– Eu não gosto nada de pessoas más!- repetia! Nem de ladrões, que também são maus!

Acabámos por falar de coisas agradáveis como a escola, a sua culinária com a mãe, as suas filhas, e… quando saí a minha afilhada-amiga estava mais serena e bem-disposta!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Carrinho do Amor
Março 28, 2016

Barco Branco 8, 2012

Era um carrinho de bebé deslizando nas aveludadas rodas do amor perfumado de pétalas, pulsando de dois jovens, enternecidos e venturosos corações!

Era um rosto com sardas esvanecidas pintado de radioso sorriso com harpas nas palavras!

Era um cabelo preto curtinho de um pai encantado, balbuciando amorosas notas de flauta!

Era uma doce menina, um daqueles botões que nos fazem abrir as asas da imaginação e voar com eles no coração!

Era uma princesa-rainha no reino de uma família em que o castelo são os pais e os três são reais!

Era uma mãozinha pequenina, despertando desejos de fazer uma festinha, um dia, quando os seus olhos se encontrarem com os meus!

Era um abraço de Páscoa repicando sinos de alegria na festa da felicidade!

Histórias de Fantoches – A Ritinha, 6.ª Página
Março 28, 2016

A Ritinha

Quando terminaram, a Ritinha levantou a mesa com o avô, e disse:

– Agora vou trabalhar: 1.º faço os deveres; depois vou dar comida aos meus amigos: Piriquitinha e Piriquitinho, que estão tristes com saudades minhas; andar de baloiço, tomar o meu duchinho quentinho e perfumadinho, e ver os desenhos animados antes do jantar – são muitas coisas, mas eu consigo fazer tudo!

Passaram algumas horas e o sol já tinha ido dormir há muito tempo quando a Ritinha lavou os dentes com a sua pasta de sabor a morango, deu as boas-noites aos avós e foi para o seu quarto, cansada, mas muito contente.

Colocou as bonecas e os peluches no tapete encostados à cama, foi buscar um livro à estante, sentou-se na frente dos seus amigos e começou a ler em voz alta.

Depois fechou o livro, arrumou-o, foi à janela, despediu-se do Céu, das estrelas e da lua, espreguiçou-se e foi deitar-se. Adormeceu a dizer:

– Obrigada, Menino Jesus por este dia! Dá muitos dias destes a todos os meninos do mundo e limpa as lágrimas das pessoas que estão tristes, porque eu não chego lá, pois são muitas e maiores do que as árvores do pomar. Até amanhã!

A Ritinha adormeceu logo e sonhou … adivinha com o quê?!…

E tu também tens muitos sonhos? Queres contá-los? Eu esta noite sonhei que era o vento e…

FIM

Abraço Alado
Março 28, 2016

Verão Cor-de-Rosa, 2014

“Voo” até ti!…

Descalça…

De-va-ga-ri-nho…

De bi-qui-nho de pé…

De res-pi-ra-ção sus-pen-sa…

E…

Guardo de ti a terna distância para não te acordar!…

Mas…

Toco-te com doçura do olhar!

Tapo-te com mãos de silêncio!

Tanjo sonhos de embalar!

Traço sorrisos no teu rosto adormecido!

Trilho a saída na permanência do estar!

E…

Perfumo-te com balões de beijos musicados de alegria!…

As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Sorriso e o Sol Escondidos
Março 28, 2016

A Janela da Muralha

Naquele dia, o Nito foi o primeiro a entrar no castelo. Estranhou a ausência da Nita, mas começou logo a pensar pregar-lhe uma partida.

Quando a amiga entrou toda risonha, dirigiu-se-lhe e apresentou-se:

Nito – Olá! Eu sou o sorriso aberto! Já tinhas ouvido falar de mim?

Nita – Não! Mas já vi um sorriso fechado! Do contra! Começou a abrir a boca com um palavrão, o Sr. “Não!”, e escondeu-se.

Nito – Oh! Então esse é o sorriso que brinca às escondidas como o sol?

Nita – Sim!

Nito – Ahhh! E…. como é que eles fazem isso?

Nita – Olha, o sol esconde-se nas nuvens, e o sorriso no: “Não!”

Nito – E… como é que os vemos?!…

Nita – Com os olhos do coração, Nito! Queres ver o que diz o sol ao sorriso quando vai desabrochando nas pétalas rubras e saindo do seu esconderijo?

Nito – Quero, pois, Nita! É que… não digas a ninguém, mas eu gosto de sorrisos que estejam bem de frente para mim, daqueles escancaradinhos, e… dos malandrecos também, e… dos doces, mas… só para mim! Sou um tipo… fixe! Não sou nada! Mas… tenho bons gostos! E… olha, se os sorrisos são para mim, venham eles!

Nita – Está bem! Agora presta atenção, mas lembra-te de que o sorriso escondido gosta muito de fazer perguntas. Estás preparado?

Nito – Estou sempre, Nita! Calhando, ainda lhe respondo, nem que seja com um sorriso.

Nita – Ah! Ah! Ah! Pergunta o sol:
– Vês o brilho renovado dos meus raios dourados a espreguiçarem-se, e a abrirem as portas do dia como candeiazinhas douradas fervorosas de festa?

Nito – E o sorriso escondido responde:
– Sentes o calor sisudo das minhas carícias mudas, e ficas preso nos meus abraços fortes e coceguentos?

Nita – Continua o sol:
– Que brincalhão! Eu é que tenho braços fortes, dourados e coceguentos, no verão. Mas tu e eu partilhamos silêncios, e palavras, e histórias bordadas de mar turquesa com cantos de sereias e danças de golfinhos com guardiãs da costa?

Nito – Percorremos as nossas praias descalços na madrugada de todas as horas, sol?

Nita – Escalamos as nossas montanhas verdejantes de arco-íris com perfumes de flores silvestres, sorriso escondido?

Nito – Caminhamos sobre as águas de sonhos com coroas floridas pelas mãos dadas de crianças, sol?

Nita – Saboreamos sorrisos tímidos, e risos robustos, e gargalhadas livres, sorriso escondido?

Nito – Acendemos juntos a tocha da alegria com fricções de águas transparentes em pedras resistentes, amigo sol?

Nita – Damos dentadinhas nos frutos suculentos da árvore florescente do novo dia, e lavamos os lábios com sorrisos doces de maresia ondulados de maresia, amigo sorriso?

Nito – Conclusão, Nita, conclusão!

Nita – Conclusão: o sorriso escondido é como o sol oculto num dia nublado: sabemos que está presente, mas… não vemos o brilho renovado dos seus raios dourados a espreguiçarem-se, e a abrirem as portas do dia com candeiazinhas douradas fervorosas de alegria! Continua, Nito, se faz favor!

Nito – Eu?!… Tem de ser?!…

A Nita permaneceu em silêncio e fez um gesto afirmativo com a cabeça.

Nito – O sorriso escondido guarda para si o calor doce e brincalhão das suas carícias, Não ficamos presos nos seus abraços fortes e coceguentos. Não partilhamos silêncios, nem palavras, nem histórias bordadas de mar turquesa com cantos de sereias e danças de golfinhos com guardiãs da costa. É a tua vez, Nita, antes que eu perca o meu sorriso!

Nita – Com o sorriso escondido não percorremos as nossas praias descalços na madrugada de todas as horas, não escalamos as nossas montanhas verdejantes de arco-íris com perfumes de flores silvestres, não caminhamos sobre as águas de sonhos com coroas floridas pelas mãos dadas de crianças. Nito, vá lá, falta pouco.

Nito – Não saboreamos sorrisos tímidos, nem risos robustos, nem gargalhadas livres. Não acendemos juntos a tocha da alegria com fricções de águas transparentes em pedras resistentes, não damos dentadinhas nos frutos suculentos da árvore florescente do novo dia, nem lavamos os lábios com sorrisos de bom dia!

Nita – Muito bem, Nito!

Nito – Retiro-me com olho vivo e… cara de riso – estás a ver, Nita?!…

Nita – Que engraçadinho!

Nito – Mas, primeiro, vamos a um joguinho? Esta brincadeira puxou muito por mim; devíamos apresentá-la à Sr.ª Professora!

Nita – Boa, Nito! Ela vai gostar! Vamos ao joguinho, Nito do sorrisinho escondidinho!

Quando Eu For Grande – Quadragésimo Nono Desejo
Março 28, 2016

Menina Grande

Quando eu for grande, quer ser a manhã clara nos dias de inverno de vestido azul e olhos brilhantes, e entrar nos recantos escondidos das cidades sem-abrigo!

Quando eu for grande, quer ser o interminável véu de algodão doce, cingindo as mãos frias e sujas de solidão com arco-íris de pão amassado com a ternura do coração!

Quando eu for grande, quer ser a brisa orvalhada de alegria, atravessando o nevoeiro das pontes douradas de sonhos perdidos na perfeita fusão do horizonte florescente da vida!

Quando eu for grande, quer ser o secreto jardim florido no coração de cada criança, partilhar brinquedos, correr ao sol, ao vento e à chuva, jogar à apanhada, escrever na areia da praia com o dedo da minha mão-apagador, fazer traquinices sem magoar ninguém, pintar bochechas coradas, chorar por tudo e por nada, beijar as flores, fazer beicinho e ficar envergonhada!

Quando eu for grande, quer ser uma caixa de aguarelas com música, pintar baloiços nas árvores com pássaros a cantar, sóis nas noites escuras com a brisa a assobiar, regatos acariciando a tristeza com sinfonias de sorrisos a dançar!

Sorriso do Dia – O Sorriso Floria!…
Março 28, 2016

Onda Rendilhada, 2015

Acordei embalada nos doces segredos do mar, dançando em mim e à minha volta, despido de cansaços, e sorri!

Senti no verdejante perfume da manhã a entrar pela minha janela, o sabor das carícias douradas da primavera anunciada, e sorri!

Escutei ao longe o canto dos pinhais, as ondas a dançar, e pertinho, no parapeito, estavam dois pombos a namorar, e sorri!

Vi as mãos agitadas dum barco azul a navegar, e à sua frente um casamento de gaivotas a passar, e sorri!

Inspirei a frescura da maresia salpicada de estrelas, bebi a luz da alegria, e o meu sorriso floria, floria!…

A Saudade do Mar
Março 28, 2016

Ondas de Inverno, 2015

Era a voz da saudade!

A voz da saudade do mar num rosto enrugado e molhado!

E o homem silencioso e só olhava para o mar recortado de memórias:

” Era o mar calmo da minha infância a chamar pelos bibes das crianças com as suas mãos doces de sereia, salpicando a inocência dos seus sorrisos.

Era o mar ondulado da minha juventude a envolver as pranchas nos seus braços dançantes, arrastando estonteantes desejos!

Era o mar turquesa da minha terra a encantar o pescador solitário com as suas sinfonias azuis douradas de agosto, acariciando os seus sonhos com a doçura da sua voz!

Era o mar espumoso aos meus pés na sombra dos rochedos, lavando-os com algas renascidas de estrelas sorridentes e cavalos galopantes nos sonhos do sucesso!

Era o mar confidente dos meus silêncios e segredos com voz destemida de tenor e terna respiração de mulher, o fiel amigo-ouvinte, a quem fazia perguntas sem resposta!

Era o mar ventoso dos meus tormentos na calmaria agitada das marés, conduzindo-me às coordenadas de norte e ao porto de abrigo nas noites escuras com rostos luminosos de anjos!

Era o mar forte da minha vida novamente aos meus pés, um reino renascido de cidades adormecidas na quietude dos búzios, ecoando nos banquetes festivos da madrugada despida da noite transparente de luar embalador de amantes com danças deslizantes de golfinhos, saudando-me saudoso com sortidas sinfonias, saciando a minha saudade com saltitantes sorrisos, salpicando-me com simetrias sedosas de alegria em tudo que via e revivia!”

O Preço da Longevidade
Março 28, 2016

Pedras do Tempo, 2016

A longevidade é um fardo de vários pesos e preços:

– O peso e o preço da mobilidade e do desequilíbrio;

– O peso e o preço da perda de memória e de entes queridos;

– O peso e o preço da dor trémula, impaciente e persistente;

– O peso e o preço da solidão e da fatigante incompreensão;

– O preço da dependência da medicação, de quem manda e dá a mão!

O Mar de Esperança
Março 28, 2016

espuma-de-ondas-2016

Na manhã fria e nublada de tristeza, lava o teu rosto com uma mão cheia de mar de esperança onde os mestres mergulham os dias suados de cansaço, e reencontram a força das vagas!