Archive for Maio, 2014

O Menino no Trilho de Limos
Maio 26, 2014

Trilho de Limos, 2014

O menino de calções vermelhos com barquinhos a navegar em ondas de papel trilha o “ribeirinho”, perseguindo os cardumes-bebés, fugindo dos seus pequenos pés.

E… afundando-os na areia fofa com estrelinhas a brincar, enche as conchinhas das suas mãozinhas de água fresca, para à mãe ir mostrar!

Mas… quando as abre em leque, só vê pequenas algas verdes-alaranjadas com grãos dourados, e desolado atira-as ao mar, dizendo:

– Anda, mamã! Vamos brincar!

 

Sonhos Bailando no Globo Dourado
Maio 26, 2014

Candeeiro ao Vento, 2014

Cai a noite sobre o candeeiro, e o vento-borboleta dança à sua volta de bico de pé nas folhas entontecidas!

E… no cantinho de uma janela, uma menina de nariz esborrachado beija o globo dourado, perdendo-se em sonhos no vidro embaciado!

As Estórias da Tó – O Baile de Carnaval
Maio 26, 2014

Crianças, As Estórias da Tó

A jovem Lili estava de beicinho caído sentada numa cadeira.

A Tó chegou, e perguntou-lhe o que se passava.

– A minha mãe não me deixa ir ao baile de Carnaval com a prima Mira e umas amigas! – respondeu-lhe meio chorosa.

– Vamos ao baile! – respondeu-lhe a Tó, sorrindo!

– Estás a falar a sério, Tó?!… Contigo, com certeza que posso ir!

– Podes, sim! – interveio a mãe, a “tia” Lina!

A Lili, expectante, ainda inquiriu:

– E o meu irmão deixa-te ir comigo? E a minha sobrinha?

– Ele foi ao cinema, mas sei que não irá importar-se; até fica contente por ter ido contigo! E a menina fica aqui com a avó! Mas… temos de regressar antes de o filme acabar.

A Lili estava eufórica, mas…

– E vamos mascaradas de quê? – perguntou.

– Vestimo-nos de pescadores com a roupa do teu irmão. É grande e larga, mas é mais engraçado – tranquilizou-a a Tó.

Os preparativos para o evento decorreram excitantes, e divertidos na escolha, e na prova das calças e das camisolas de pescador. Improvisaram umas máscaras para tapar-lhes os rostos, e lá foram, perante os olhares estupefactos da neta, e alegres da avó, contagiadas pelos da filha, que ia ao baile.

No caminho, a Tó achou que seria mais seguro levar algo para defender a Lili, caso alguém se aproximasse, e tentasse ser engraçado.

Fizeram um desvio, passaram pelo largo debruçado sobre a baía, subiram a pequena rampa, e a Tó tirou a cana da corda da roupa da cunhada mais velha!

Riram-se, imaginado o que ela diria se tivesse assistido ao furto de tão preciosa arma.

Quando chegaram à Esplanada, salão privilegiado de bailes e de exibição de filmes, a Tó escondeu a cana e entraram.

E… entre outros mascarados, e alguns conhecidos, que não as reconheciam, dançaram, dançaram uma com a outra.

A dada altura a Tó, que queria chegar a casa antes do marido, para não o preocupar, pediu à Lili:

– Olha para alguém que tenha relógio, e vê as horas, se faz favor.

Decorridos poucos momentos, a jovem parou de dançar e disse:

– Tó, já é meia-noite e meia!

E… abandonaram apressadamente o salão.

Dirigiram-se ao esconderijo da cana, e a Tó pegou-lhe, esquecendo-se de colocá-la no estendal.

Apressaram o passo, para chegarem rapidamente a casa.

A “tia” Lina estava tranquila, o que a Tó e a Lili estranharam.

Olharam para o relógio, e… ainda não era meia-noite!

Soltaram gargalhadas em uníssono, que acordaram a menina, tendo concluído que a Lili tinha visto mal as horas, pois eram 23:30.

O irmão da Lili quando chegou do cinema, tinha a filha e a esposa em casa, tendo apoiado a sua iniciativa.

No dia seguinte, a Tó e a Lili foram devolver a cana à corda.

A Edi estava muito aborrecida, e desabafou com ambas que a malandragem da noite lhe tinha roubado a cana da roupa.

A autora e a cúmplice do furto entreolharam-se, e não conseguiram conter o riso, denunciando-se, o que originou umas fortes gargalhadas no trio.

A partir daquele ano, a Lili passou a festejar o Carnaval, mascarando-se com lindos fatos previamente confecionados por ambas, divertindo-se nas aventuras do faz de conta na companhia de algumas amigas, e da Tó!

 

 

Gente Boa da Minha Aldeia – O Bom Dia Perfumado de Mar
Maio 26, 2014

Quilha de Barco-reflexos, 2012

Atravessava a rua apressadamente, aproximando-me dos escombros da modernidade.

À minha frente, caminhava vagarosamente um senhor com a sua camisa grossa, xadrezada-escura, com o seu boné descaído sobre as sobrancelhas, com as suas calças largas, com as suas sandálias nos pés cansados.

Parou.

Voltou o seu rosto seco e triste, e balbuciou em tom pausado:

– Bom Dia!

Retribui o cumprimento gostosamente cheiroso a peixe fresco, sentindo a sua intensidade.

Na mão, o senhor trazia uma saco de plástico verde com escamas até às asas, puxando pelo seu inclinado braço esquerdo.

Num instante, fui transportada à ribeira, e as memórias saltavam: dos barcos encostados à muralha, dos cestos prateados, escorrendo lágrimas dos peixes de olhos arremelgadamente assustados com a sua sorte “atirados” pela borda para mãos hábeis, que os seguravam, antes de o pescado ser disposto metódica e seletivamente sobre a areia, oferecendo azulejos aos olhares curiosos dos turistas, e entusiasmo aos calculistas compradores!

Abrandei o passo.

Olhei para trás!

Segui saudosamente o símbolo das riquezas de um tempo em que a minha aldeia era uma alegre e livre donzela, bailando nas marés, chorando nas tempestades, sonhando nas manhãs, beijando as estrelas adormecidas nas carícias da noite fria, friccionando as mãos dos pescadores com bafos de esperança!

Histórias de Fantoches – A Gabriela, 6.ª Página
Maio 22, 2014

A Gabriela

 

– Depois, a minha avó levou-me!

– E conseguiste entrar?

– Quando parámos perto da bilheteira, havia uma fila de pessoas grandes e sérias, e eu fiquei com a minha avó à espera que chegasse a vez da minha tia para ela comprar os dois bilhetes: um para ela, outro para a minha avó.

– Gabriela, e tu não tinhas medo de ficar à porta ou na bilheteira, enquanto elas viam o filme?

– Bela, eu sentia a minha barriga a tremer! E comecei a imaginar que eram os caracóis que tinha comido ao lanche, que não gostavam de estar ao escuro. E se eles decidissem saltar inteirinhos pela minha boca e trepar pelas calças e pelas saias daquelas pessoas? Seria divertido, pensava eu!

– Também acho! Devia parecer um filme de desenhos animados.

– Passou uma pessoa conhecida da minha avó, que a cumprimentou, e que tocou na minha franja, chamando-me Branca-de-Neve. E perguntou-me se andava à procura dos sete anões.

Tive vontade de deitar-lhe a língua de fora, mas o meu pai já me ensinara que era má educação, por isso continuei sossegadinha e caladinha, mas cheia de vontade de começar a correr até à minha casa.

–  Mas, Gabriela, não podias ir sozinha! E fizeste muito bem ter a língua guardada na sua casinha.

E a tua tia?

–  A minha tia chegou perto de nós toda sorridente com os bilhetes na mão como se fosse um prémio!

A minha avó olhou para mim, e disse-me que ia esconder-me debaixo do casaco comprido e largo que trazia vestido, para eu poder entrar e, antes que eu lhe respondesse, tapou-me com ele e puxou o fecho, pedindo para a minha tia se colocar daquele lado, um pouco mais à frente, para que o empregado não reparasse no volume do meu corpo franzino.

– Que aventura, Gabriela! Posso contá-la aos meus irmãos?

– Claro que podes, Bela!

– Obrigada! Continua, continua! Estou desejando de saber o que te aconteceu.

–  Eu não conseguia respirar. Sentia muito calor, e estava escuro, mas via os meus pés, e os da minha avó, e tremia de medo, porque alguém podia descobrir que ia a entrar uma senhora com quatro pernas e quatro pés.

Se os meus olhos fossem estrelas como o meu pai dizia, toda a gente me via, pensava eu.

E se me transformasse na “passarinha” que o meu avô contador de histórias me chamava, a minha avó tinha-me colocado na algibeira e eu podia voar para o meu ninho – era assim que a minha mãe se referia à nossa casa.

– Que aventura, Gabriela! E não foste apanhada?

–  Eu conto-te, Gabriela! Quando a minha avó se sentou, eu continuava no meu esconderijo. E  só consegui  retomar o fôlego quando apagaram as luzes, e ela me cedeu um pouco de sua cadeira, sugerindo-me que dormisse, porque o filme não era para a minha idade, mas eu vi-o até ao fim, pois tinha muitas canções e danças.

Ao intervalo, quando as luzes se acendiam, a minha avó dava-me rebuçados, e voltava a tapar-me debaixo do casaco escuro. Naquele momento não gostei de ser criança!

–   E como foi à saída?

–   À saída, o meu coraçãozinho batia como se fosse um cavalo numa corrida, mas, como não havia empregado, a minha avó não me apertou tanto, por isso, eu conseguia ver sapatos de todos os tipos e tamanhos a andar à minha frente e ao meu lado, a fazerem barulho como se fosse um exército.

Quando saí do esconderijo, elas estavam contentes, mas eu tinha o meu coração triste, apesar de ter voltado a ser livre.

E agora é a tua vez, Bela. Conta-me!

(continua)

Amar o Amor
Maio 22, 2014

Ondas de Inverno, 2014

Ama-se o amor antes de conhecê-lo, e chora-se pelo amor que nunca se viveu!

O Sonho de Tule e a Nuvem da Doença
Maio 21, 2014

O Sonho de Tule

O sonho de tule Ray voltou a ser soprada pelo vento da enfermidade!

Mas…

A grande bailarina já é uma adolescente!

Já não brinca com, e aos médicos – a sua mãe, em criança, sonhava ser um deles.

Já não se diverte com a aventura de fazer de conta!

Já olha com tristeza para os fios dourados do seu cabelo desprendendo-se!

Já chora por ser diferente, por ter medo, por estar cansada!

Já sabe de cor o que vai acontecer, o que vai sentir, e sofrer!

Mas…

O sonho de tule Ray é uma menina linda, grande e forte!

E… como todas as meninas lindas, grandes e fortes, vai vencer!

 

O Digno Cidadão
Maio 21, 2014

Castelo de Portugal

O digno cidadão não se serve de campanhas para coroar-se o rei dos reis, e eleger o outro a mísero vilão!

O Crocodilo-Ilha
Maio 21, 2014

Ilha, Animal Preguiçoso, 2014

O Pito pediu para fazer xixi!

– Também quero! –  afirmou a Pita, agitando-se na cadeira.

A mãe parou o carro na berma da estrada.

Cá fora, o menino olhou para a paisagem, e retorquiu entusiasmado:

– Pita! Pita! Olha! Está ali um crocodilo a dormir!

– Não é nada um “corcodilo”! – respondeu-lhe a irmã, franzindo as sobrancelhas mal delineadas.

– É sim! E dos grandes! – insistia o irmão.

– Mas… não tem a boca aberta! – observou a Pita.

– Ó Pita, o crocodilo só abre a boca quando está acordado, e  vai atacar alguma presa! – explicou o Pito.

– Não gosto de “corcodilos”! São maus! Mas… aquilo é uma tartaruga gigante! – respondeu a menina.

– Ah! Ah! Ah! Não é nada! – troçou o irmão.

– É, sim! Não vês que tem uma casa às costas?!… – rearfimou a irmã.

– Ai! Ai! Pita! És mesmo uma pitinha!

– Não sou nada! Sou uma menina! Vou contar tudo ao pai! Mas primeiro apanho uma florinha para a dar à avó – declarou a Pita.

A mãe escutava o diálogo em silêncio. Depois disse:

-Vamos, meninos! Quero mostra-vos a Ilha de perto.

A Pita olhou para o irmão, sorriu vitoriosa, e retorquiu:

– Toma!

O Pito ignorou-a, e começou a fazer perguntas sobre a idade, a origem e a história do crocodilo-ilha!

Ser Rico
Maio 21, 2014

 

Vegetação à Beira da Fonte, 2014

Rico não é quem tem, mas quem faz gratuita, diversificada e indiscriminadamente o bem!