Archive for Fevereiro, 2014

Desafia-te!
Fevereiro 27, 2014

Barco- Deusajpg

Todas as manhãs são recomeço!

Todos os passos são caminho!

Todas as melodias são alegria!

Todos os sorrisos são água fresca!

Todas as carícias são doce maresia!

Desafia-te, e…

Recomeça!

Caminha!

Canta!

Sorri!

Ama!

E… tem… um Bom Dia!

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A Pagizinha e a Visita com o Bolo de Cenoura
Fevereiro 27, 2014

Criança com Bonecas by lusografias

A Pagizinha visitou-me com uma enorme fatia de bolo de cenoura e nozes sentada no prato azul como se fosse uma estrela no firmamento, e a sua doce mãe, mais jovial com os óculos de professora.

Estreitámo-nos naquele interminável e doce abraço.

Quando a pus no chão, a minha amiguinha fez-me logo uma queixa:

– Dói-me este olho! – lamentava-se, apontando e fechando-o um pouco.

Observei-o atentamente, e… conclui que a aparente lesão, que poderia ter sido causada pelo vento, não tinha importância.

A Pagizinha mostrou-se tranquila com o meu diagnóstico, acenando a cabeça afirmativamente. Diria até que  ficou curada, pois não voltou a falar sobre o assunto.

Na sala, olhava atentamente para tudo à sua volta, sempre em busca da descoberta. Mostrou-se particularmente curiosa com uma pulseira verde, que guarda um acessório informático.

E… partilhou comigo que já sabia dar cambalhotas, novidade que aplaudi, desafiando-a para ensinar-me, porque costumava cair para o lado, particularidade que me divertia tanto, que nunca procurei melhorar.

Mas… a Pagizinha tinha de ir para casa, pois o pai precisava de massagens nos braços, porque o trabalho é prazenteiro, mas duro!

E… despedimo-nos como quem não quer nem consegue deixar a mão de quem gosta e com quem deseja permanecer.

Os Sábios Confessores
Fevereiro 27, 2014

Pegadas

Naquela manhã, entre o canto das gaivotas  e o espreguiçar das ondas, a brisa seguia com passos prudentes os aldeãos madrugadores:

– a Rosa Bela, uma jovem linda e lourinha, perdida no caminho, entrando na igreja à procura do Sr. Padre: “Só para conversar sobre algumas coisas não muito boas nem bonitas”.

– o Sr. Abastado, um  herdeiro de grandes propriedades, sempre muito bem posto e bom falante, empurrando a pesada porta do banco, para obter a atenção do Dr. Resolve Tudo, o gerente,  o qual cogitava simpaticamente: “Hoje o confessionário abre mais cedo!”

– a D. Queixosa, uma dona de casa nas horas vagas, lamentando-se da sua pouca sorte, das injustiças da sociedade e do mau viver lá em casa, colando-se à porta do Posto Médico, para conseguir aquela consulta com a Sr.ª Dr.ª que era muito boa pessoa, que a ouvia e até lhe dava bons conselhos, que eram um bálsamo, que até a faziam sorrir durante uns dias, e esquecer aquelas coisas;

– o Sr. Bolbo, um viúvo saudoso, carregando as flores que colhera no monte e nos valados para a porta do mercado, à espera de ouvir a história que esperaria a cada pé solitário ou atado num molho entre lágrimas, suspiros e sorrisos;

–  a D. Caladinha, uma senhora de meia idade com sorriso de menina,  parando passo sim, passo não, e a cada esquina, recebendo saudações, colhendo confidências, atenta e mudinha, oferecendo carinho  com palavrinhas!

E… a pouco e pouco, o sol crescia, as árvores espreguiçavam-se e as crianças começaram a acordar, a sair à rua para brincar, e uma menina de chapeuzinho com um grande laço perguntou a um menino de boné com um grande avião:

– Queres brincar comigo e ser meu amigo?

Ecos de Palavras
Fevereiro 26, 2014

Árvore-Bagas

Há palavras ditas e não ouvidas!

Há palavras silêncio e escutadas!

Há palavras vozes jamais esquecidas!

Colhe a música das palavras e dança com as suas sábias sílabas!

O Alentejo na Cidade Grande
Fevereiro 25, 2014

Elétricos, 2014

O Alentejo visita a cidade grande, e desvia-se assustado da correrria desenfreada dos carros, e das pessoas apressadas, que parecem camiões prestes a atropelá-lo.

Depois,  para e contempla fascinado os serenos elétricos com pupilas dilatadas habituadas a perderem-se na vastidão da planície.

No seu rosto de papoila desperta um sorriso de onda-menina.

Na sua mão obreira amadurecem espigas de alegria.

No seu olhar verde marinho reflete-se a manhã dourada.

Na sua voz ecoa o canto arrastado e o sulco dos barcos.

No seu  pulsar a sintonia com a canastra de Maria Varina.

E… no “Graça 28” paira a curiosidade e a graça de onde fica e por onde passa.

 

Voar na Proa da Alegria
Fevereiro 25, 2014

 

Ondas com Brisa, 2014

De manhã, bebe os  perfumes frescos da maresia, dança na desgarrada da brisa com as ondas, e voa na proa da alegria!

Permanece Inteiro
Fevereiro 24, 2014

Abraço de Mar, 2012

Permanece inteiro onde a partilha floresce, e tudo à volta se desvanece!

Gente Boa da Minha Aldeia – A Vizinha Maêta
Fevereiro 24, 2014

Quilha de Barco-reflexos, 2012

A vizinha Maêta, uma senhora de lindos cabelos pretos, de pele lisa e lustrosa, de princesa, de olhos de mel sintonizados com a sua voz florida de sorrisos, abraçava o mundo por detrás do balcão da sua pequena papelaria com pequenas prateleiras cheias de coisas lindas, e muito úteis, se bem que o mais interessante fossem os cromos que não estavam à vista, mas que reservava para alguns clientes especiais, de palmo e meio – alguns nem isso – e os balões!

A pequena papelaria da vizinha Maêta era quase um grande centro comercial! Imaginem que até tinha estacionados na pequena montra: carrinhos, motas,  pistas com comboios, naves e tudo… –  tinha  tudo, sim!

Querem saber o que  quero dizer com… tudo? Tudo também era: canetas de aparo – com tinta “permanente” à parte: em frasco ou em cargas -, lápis de verdade, daqueles que perfumam as narinas a madeira, muitos de cor, as bolas e as luzinhas de Natal, as peças de artesanato, os barquinhos, as braçadeiras, as bóias, os colchões de praia, as bolas aos gomos, os baldes com pás, os sachinhos e as formas…

E… revistas de Fadas do Lar – de bordar, de tricotar, de fazer croché e todo o tipo de roupa – e de informação variada: Crónica Feminina e Plateia, expostas à porta, presas com molas de roupa, das de madeira, lindas e resistentes, que iam ficando bronzeadas como sol; os fascículos de cursos de fotografia e outros, por encomenda;  os ganchos, pretos e castanhos, as travessas e os travessões para o cabelo; os fatos, as máscaras, as cabeleiras, os óculos, as fitas carnaval, e tudo a ele inerente; os livros e as coisas úteis e interessantes, normalmente na salinha contígua, também ela exígua, mas… onde talvez coubessem três  clientes. 

O que a pequena papelaria da vizinha Maêta não tinha era… comida, mas… ela alimentava-nos com o seu incansável acolhimento, pedindo licença ao marido para chegar aqui ou ali, subir o banco ou o pequeno escadote, aceitar a sua ajuda… Para que precisaríamos que a vizinha Mariêta nos oferecesse bolinhos ou outras guloseimas, se na frente havia uma simpática e farta mercearia, e ao lado desta um fresco lugar de frutas?!…

Um dia, encontrei a irmã da vizinha Maêta, e manifestei-lhe a minha intenção de visitá-la, pois  não a via há muito, e a estima e gratidão cresciam em saudades. Pedi-lhe a confirmação do número da porta, a poucos passos dali, o  que a mãe da Mada acatou com alegria, mas… estava à pressa, e não voltei para trás! Não fiz bem! Aquele era o momento! Ainda poderei visitá-la, mas num estabecimento de cuidados de saúde, e… falarei, mas… não terei o prazer de ouvi-la falar comigo!

Bem-haja, vizinha Maêta, uma amiga de todos nós, um monumento com rosto, com voz, com gestos, com sorrisos e com palavras, alindando as páginas da história das nossas vidas!

A Menina Azul – O Beija-Mão Alentejano e Chuvoso
Fevereiro 24, 2014

Chuva com Beija-Mão

Não o via há anos! Tantos quanto uma criança em idade escolar necessita para chegar a  homem, trilhando o caminho das três décadas.

Cruzámo-nos junto à porta da sua nova clínica, que frequentei durante anos sem o ter avistado no meio de batas brancas com máscara, e rececionistas muito simpáticas, decorações inovadas, tornando mais aprazível o pequeno espaço sempre repleto de clientes – eles gostam de chamar-lhes pacientes; e pareciam de facto, salvo as impacientes crianças, brincando com toda a variedade de ofertas lúdicas ao seu dispor.

Pronunciei surpreendida e enfaticamente o seu nome com visível alegria!  A admiração e o sorriso eram recíprocos – terá sido por isso que não vislumbrei marcas do tempo no médico alentejano?!…

Estendi-lhe a minha mão. Pegou-a delicadamente, e curvou-se, tocando-a  levemente com aos lábios…. – fiquei “sem graça”!

Subimos para o primeiro andar, parando num ou noutro degrau, quando a prosa, em que assumi o principal papel de ouvinte, o exigia.

Depois de ter sido atendida com a qualidade a que a clínica e os seus profissionais me habituaram, saí com um grato sorriso à vida, e acolhi o beija-mão insistente da chuva, que me aguardava!

A Menina Azul – O Meu Jardim Coroado de Magia
Fevereiro 23, 2014

Lago do Jardim da Estrela, 2014

Visitei o jardim, o meu preferido da cidade grande!

Estava mal vestido de pessoas, mas sintonizado com as as árvores nuas de folhagem; fatos de inverno, cogitei!

Não havia crianças a brincar à calha – calha, nem a correr, nem disfarçadas de gente grande com malas de mãe ou óculos de pai, mas… descobri na árvore secular, uns fios dourados, sedosos  e lisos, de meninas, saltando com palavras de língua inglesa, aconchegando-se nos braços grossos e fortes do tronco, quase escondendo-se. E… num carinho, um bebé sorrindo-me sem parar, franzindo o narizinho, que mais parecia um pontinho, convidando-me a brincar, seguindo-me com a luz dos seus claros olhos.

Ao fundo, o parque  infantil espreguiçava-se de solitária tristeza!

A completar o ramalhete humano, apenas esparsos idosos, sozinhos, e alguns casais, duas adolescentes conversando, sentadas em posição de Pilates nas costas de um banco – ali ficaram até que saísse -, uma senhora de meia idade a ler junto ao lago, dando  comida aos obesos animais quando estes lha pediam com trejeitos e vozes de criança, e no lado oposto, um Sr. “já entradote” sentado, de peito erguido e hirto, com a cabeça coberta por um gorro em bico, um pequeno saco com um naco de pão a espreitar entre as asas sobre a mesa de pedra redonda, uma garrfa de vinho tinto escondido sob esta, de pé, perto das suas pernas, e um olhar vazio e distante.

Dançavam as folhas de livros e as páginas de jornais nas mãos dos idosos – a mais atenta era a senhora pequenina, branquinha, com pose de contadora de estórias atenta e silenciosa.

Os patos faziam desenhos no lago com as sombras das árvores.

No meu jardim preferido faltava a luz da estrela do seu nome, mas estava coroado de algodão como a tua cabeça de rei, emanando discretos feixes de luz!