Archive for the ‘Quando Eu For Grande’ Category

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Nono Desejo
Janeiro 3, 2019

Quando eu for grande, quero ser um pirilampo-escritor, dançar à tua frente, fazer- te sorrir, e aliviar a tua dor!

Quando eu for grande, quero ser a luz da madrugada, ajudar-te a abrir a porta ao dia, e abraçar-te com alegria!

Quando eu for grande, quero ser uma estrela, mostrar-te as pedras do caminho, e oferecer-te flores de rosmaninho!

Quando eu for grande, quero ser um espelho no teu olhar, ler-te versos, contar-te estórias, afugentar a tristeza, e e ensinar-te a cantar! 

Quando eu for grande, quero ser a chama do amor, pulsar no teu coração, saltitar na tua mão, e beijar o mundo com a doçura do perdão! 

Quando eu For Grande – Sexagésimo Oitavo Desejo
Novembro 16, 2018

Quando eu for grande, quero ser as pétalas de poesia deitadas ao luar a adivinhar a roda da justiça a brilhar!

Quando eu for grande, quero ser um ramo de alecrim para o teu nariz beijar e estares sempre ao pé de mim!

Quando eu for grande, quero ser uma árvores ressequida para me puderes regar e te encantar com os olhos da folhagem a rebentar!

Quando eu for grande, quero ser o silêncio, impedindo o ruído de te incomodar para escutares devagar a voz do mar dentro de ti a cantar!

Quando eu for grande, quero ser o mapa do tempo para te mostrar que um dia vais mudar de lugar e o jardim da memória vais abraçar!

Quando eu for grande, quero ser o arco-íris do sonho para te acordar e a cítara da alegria começares a tocar!

Quando eu for grande, quero ser o farol para dos perigosos rochedos te afastar, e da transparente beleza da pura verdade te aproximar!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Sétimo Desejo
Agosto 22, 2018

Quando eu for grande, quero ser uma constelação, pegar na tua mão fria e aquecê-la no meu coração!

Quando eu for grande, quero ser um pássaro-azul, grande sabichão, e ensinar-te uma lição com uma linda canção!

Quando eu for grande, quero ser um dedo do silêncio, dizendo-te: “Não! Não!” quando abrires a boca para magoares o teu irmão!

Quando eu for grande, quero ser um Caderno de Significados de frases e palavras proibidas para consultares e não ferires as pessoas amigas – nem as outras!

Quando eu for grande, quero ser um Decreto e cobrar taxas a quem repele o outro com: “- Eu já sabia! Bem feita, não me deste ouvidos! Eu já tinha dito!”, porque nada disto é bom, nem bonito, sobretudo quando alguém está aflito!

Quando eu for grande, quero ser um lindo amanhecer, acordar as flores e a vida com bailados dos jardins e os cantos bordados de ondas, escutar o silêncio, espreguiçando-se com os galos-despertadores e o festival dos pássaros nos quintais, beijar o céu e em redor com olhos de sol, entrar nas casas com abraços, sorrir para a dança das sombras nos telhados!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Sexto Desejo
Abril 16, 2018

Quando eu for grande, quero ser a doce luz da aurora, beijando os olhos tristes das crianças a toda a hora!

Quando eu for grande, quero ser a sinfonia da alegria, acordando a esperança com o chilreio da criança, correndo pela casa quando esta ainda dormia!

Quando eu for grande, quero ser a fonte cantante, saciando a sede do caminhante, refrescando o rosto rosado da aguardente, batendo inocentes e contentes palmas de criança a toda a gente!

Quando eu for grande, quero ser a roda na festa da escola, acariciando as bochechas caídas, apertando com o coração do dia a boca lambuzada e a criança rejeitada, guardando, apressada, a aprendizagem, as brincadeiras e todas as memórias numa secreta sacola!

Quando eu for grande, quero ser a magia do papagaio de papel, abraçando a criatividade nas sílabas do poema da criança pintado com sorrisos de bondade, fazendo da triste folha dourada um anel com colorida e coceguenta magia de um carrossel!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Quinto Desejo
Fevereiro 6, 2018

Quando eu for grande, quero ser uma mala mágica com fita cola para calar: as ofensas, as humilhações, as maldições, as discriminações, e as palavras injustas e amargas das bocas dos rezingões.

Quando eu for grande, quero ser uma árvore florida de balões brincalhões, dançando presos aos braços sonhadores das crianças, correndo na praia da verdade sem andar aos empurrões.

Quando eu for grande, quero ser uma sacola com blocos de notas e lápis de cor, escrever poemas, fazer desenhos de animação e pintar palpitantes corações onde se esconde a dor e brilham olhos chorões!

Quando eu for grande, quero ser uma mão-cheia de piões com cordéis entrelaçados nos dedos atrevidos e vigorosos da criançada, rodopiando e saltando com cócegas e gargalhadas.

Quando eu for grande, quero ser uma estrela de papel, iluminar os caminhos indefinidos do areal, ensinar a distinguir o bem do mal, fazer um barco de alegria com as letras cinzentas do jornal, beijar as mãos-bebés e as enrugadas com olhos de mel!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Quarto Desejo
Dezembro 1, 2017

Quando eu for grande, quero ser o dicionário do amor e ensinar: a cantar hinos de beijos, a escrever cartas bordadas de desejos, a desenhar sorrisos e jogos conciliadores em bilhetinhos, e nos espelhos escondidos dos vizinhos e dos quintais, para que os casais não se aborreçam mais!

Quando eu for grande, quero ser o caderno de significados de conselhos amigos para os que tudo perguntam, tudo querem saber, tudo sugam sem perceber, apoderando-se de verdades e menosprezando as ajudas, buscando insistente e diversificadamente a sua confirmação, evidenciando ausência de memória de vivências, resvalando continuamente na ingratidão, sem aprendizagem, nem correção!

Quando eu for grande, quero ser o bloco de notas mágico, que se transforma em chapéu e cestinho saltitão, voando de mão em mão de cada petiz, apanhando flores aqui e ali para oferecer à mães, aos avós e a todos nós sem correrias, nem arranhões, nem partir o nariz no chafariz!

Quando eu for grande, quero ser a sílaba dos sentidos: rápida na visão, apurada na audição, com faro de canzarão, sensível à dor e ao vazio de cada mão, gosto farto de amor para repartir a fruta madura, o pão e todo o alimento e riqueza do coração.

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Terceiro Desejo
Outubro 22, 2017

Quando eu for grande, quero ser a doce brisa e limpar as dores e a saudade das lágrimas dos corações tristes!

Quando eu for grande, quero ser a carícia da manhã, despertando os olhos nublados para o dourado veludo do dia!

Quando eu for grande, quero ser a mão da esperança, renascendo os sentidos dos enrugados rostos, pintando-os de luz!

Quando eu for grande, quero ser a letra miudinha do caderno de significados das palavras de cristal escondidas no delicado dedal e sob a pedra preta do predileto anel ancestral!

Quando eu for grande, quero ser o florido traço de união entre a vida social e a solidão, dando a mão à cansada desilusão de quem se perdeu no caminho e já não sente o perfume do mar, nem a intensidade da terra molhada, nem pisa o chão a escaldar!

Quando eu for grande, quero ser a menina morena da distinta etnia, que se aproxima à porta do mini-mercado e já não pergunta, na sua justa inocência, pelo marido, filho ou filha, que não está ali para ajudar a levar as compras, mas que, generosa e expedida, pede licença e pega nos sacos!

Quando eu for grande, quero ser o cantante passarinho que poisa no teu ombro, brinca com a tua mão, vai à tua frente e roda à tua volta, como alado e entontecido pião, chamando a tua atenção para a primavera que ainda sopra e pulsa discreta e rica de memórias no teu cansado coração!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Segundo Desejo
Junho 5, 2017

Quando eu for grande, quero ser a luz da madrugada, pintar de sorrisos o rosto triste da criança abandonada!

Quando eu for grande, quero ser a águia da noite escura, arrancar, sem hora marcada, a indefesa criança a toda a tortura!

Quando eu for grande, quero ser a espiga da fartura, saciar a fome onde a crueldade do homem devora a criança pura!

Quando eu for grande, quero ser a página de um livro chamado girassol com o: a, b, c, as contas e a poesia, beijando a criança de alegria!

Quando eu for grande, quero ser a casa do ser da criança, oferecer flores azuis de sabedoria, abraçar o mundo com o mar iluminado de harmonia!

Quando eu for grande, quero ser a bola da paz na mão da criança, vestir-me de onda voadora nas asas do vento, reconstruir a geometria do mundo sem um gemido, nem um lamento!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Primeiro Desejo
Maio 3, 2017

Quando eu for grande, quero ser um balão, andar preso à tua bicicleta, tocar nas árvores, chilrear com os pássaros, acenar às nuvens, fazer cócegas no pêlo do teu cão.

Quando eu for grande, quero ser um balão com uma varinha de condão a pulsar no coração, transformar as pedras do caminho em carícias de flores, cintilar nas pétalas perfumadas de amor, bordar sorrisos de alegria nas pupilas transparentes de dor.

Quando eu for grande, quero ser um balão, brincar ao faz de conta com as crianças, e dizer sim ao não, acariciar os teus cabelos na doce dança de uma canção, segredar murmúrios de búzios ao teu ouvido e dar muitos beijinhos na tua mão!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Desejo
Abril 3, 2017

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-sorriso com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, daquelas onde há de tudo um pouco, como se fosse uma antiga barraquinhas da feira, e encantar a pequenada sem precisar de comprar nada!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-ilusionista com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, fazer dum berlinde uma bola de futebol pintada com aguarelas da cor do teu clube, transformar um carrinho num avião e um cromo numa caderneta com uma fantástica coleção!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-brincalhão com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, prender um balão à tua mão, oferecer-te um carrinho com um lindo bebé chorão, e uma fita para o cabelo com uma flor com pétalas de coração!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-sabichão com uma mala de vendedor ambulante ao pescoço, dar aulas de educação física através de câmaras de video vigilância, para animar as salas de espera e afugentar qualquer ladrão!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-saltitão com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, dar abraços a quem chora, fazer festas a quem tem frio, levantar quem está caído no chão, distribuir água e pão, dar cambalhotas de alegria e fazer macaquices para que a tristeza fuja e toda a gente se ria!