Archive for the ‘Quando Eu For Grande’ Category

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Quarto Desejo
Dezembro 1, 2017

Quando eu for grande, quero ser o dicionário do amor e ensinar: a cantar hinos de beijos, a escrever cartas bordadas de desejos, a desenhar sorrisos e jogos conciliadores em bilhetinhos, e nos espelhos escondidos dos vizinhos e dos quintais, para que os casais não se aborreçam mais!

Quando eu for grande, quero ser o caderno de significados de conselhos amigos para os que tudo perguntam, tudo querem saber, tudo sugam sem perceber, apoderando-se de verdades e menosprezando as ajudas, buscando insistente e diversificadamente a sua confirmação, evidenciando ausência de memória de vivências, resvalando continuamente na ingratidão, sem aprendizagem, nem correção!

Quando eu for grande, quero ser o bloco de notas mágico, que se transforma em chapéu e cestinho saltitão, voando de mão em mão de cada petiz, apanhando flores aqui e ali para oferecer à mães, aos avós e a todos nós sem correrias, nem arranhões, nem partir o nariz no chafariz!

Quando eu for grande, quero ser a sílaba dos sentidos: rápida na visão, apurada na audição, com faro de canzarão, sensível à dor e ao vazio de cada mão, gosto farto de amor para repartir a fruta madura, o pão e todo o alimento e riqueza do coração.

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Quando Eu For Grande – Sexagésimo Terceiro Desejo
Outubro 22, 2017

Quando eu for grande, quero ser a doce brisa e limpar as dores e a saudade das lágrimas dos corações tristes!

Quando eu for grande, quero ser a carícia da manhã, despertando os olhos nublados para o dourado veludo do dia!

Quando eu for grande, quero ser a mão da esperança, renascendo os sentidos dos enrugados rostos, pintando-os de luz!

Quando eu for grande, quero ser a letra miudinha do caderno de significados das palavras de cristal escondidas no delicado dedal e sob a pedra preta do predileto anel ancestral!

Quando eu for grande, quero ser o florido traço de união entre a vida social e a solidão, dando a mão à cansada desilusão de quem se perdeu no caminho e já não sente o perfume do mar, nem a intensidade da terra molhada, nem pisa o chão a escaldar!

Quando eu for grande, quero ser a menina morena da distinta etnia, que se aproxima à porta do mini-mercado e já não pergunta, na sua justa inocência, pelo marido, filho ou filha, que não está ali para ajudar a levar as compras, mas que, generosa e expedida, pede licença e pega nos sacos!

Quando eu for grande, quero ser o cantante passarinho que poisa no teu ombro, brinca com a tua mão, vai à tua frente e roda à tua volta, como alado e entontecido pião, chamando a tua atenção para a primavera que ainda sopra e pulsa discreta e rica de memórias no teu cansado coração!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Segundo Desejo
Junho 5, 2017

Quando eu for grande, quero ser a luz da madrugada, pintar de sorrisos o rosto triste da criança abandonada!

Quando eu for grande, quero ser a águia da noite escura, arrancar, sem hora marcada, a indefesa criança a toda a tortura!

Quando eu for grande, quero ser a espiga da fartura, saciar a fome onde a crueldade do homem devora a criança pura!

Quando eu for grande, quero ser a página de um livro chamado girassol com o: a, b, c, as contas e a poesia, beijando a criança de alegria!

Quando eu for grande, quero ser a casa do ser da criança, oferecer flores azuis de sabedoria, abraçar o mundo com o mar iluminado de harmonia!

Quando eu for grande, quero ser a bola da paz na mão da criança, vestir-me de onda voadora nas asas do vento, reconstruir a geometria do mundo sem um gemido, nem um lamento!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Primeiro Desejo
Maio 3, 2017

Quando eu for grande, quero ser um balão, andar preso à tua bicicleta, tocar nas árvores, chilrear com os pássaros, acenar às nuvens, fazer cócegas no pêlo do teu cão.

Quando eu for grande, quero ser um balão com uma varinha de condão a pulsar no coração, transformar as pedras do caminho em carícias de flores, cintilar nas pétalas perfumadas de amor, bordar sorrisos de alegria nas pupilas transparentes de dor.

Quando eu for grande, quero ser um balão, brincar ao faz de conta com as crianças, e dizer sim ao não, acariciar os teus cabelos na doce dança de uma canção, segredar murmúrios de búzios ao teu ouvido e dar muitos beijinhos na tua mão!

Quando Eu For Grande – Sexagésimo Desejo
Abril 3, 2017

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-sorriso com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, daquelas onde há de tudo um pouco, como se fosse uma antiga barraquinhas da feira, e encantar a pequenada sem precisar de comprar nada!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-ilusionista com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, fazer dum berlinde uma bola de futebol pintada com aguarelas da cor do teu clube, transformar um carrinho num avião e um cromo numa caderneta com uma fantástica coleção!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-brincalhão com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, prender um balão à tua mão, oferecer-te um carrinho com um lindo bebé chorão, e uma fita para o cabelo com uma flor com pétalas de coração!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-sabichão com uma mala de vendedor ambulante ao pescoço, dar aulas de educação física através de câmaras de video vigilância, para animar as salas de espera e afugentar qualquer ladrão!

Quando eu for grande, quero ser um macaquinho-saltitão com uma malinha de vendedor ambulante ao pescoço, dar abraços a quem chora, fazer festas a quem tem frio, levantar quem está caído no chão, distribuir água e pão, dar cambalhotas de alegria e fazer macaquices para que a tristeza fuja e toda a gente se ria!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Nono Desejo
Fevereiro 1, 2017

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser o A, B, C, e todo o alfabeto do amor cantando uma interminável canção!

Quando eu for grande, quer ser a cartilha maternal das sendas do bem colhendo amoras nos valados com dedos de algodão!

Quando eu for grande, quero ser o poema do dia abrindo as janelas com rimas de alegria, plantando flores de esperança em cada coração!

Quando eu for grande, quero ser a divisão silábica das searas separando o trigo do joio, brincando com o vento sem deixar cair espigas douradas e papoilas coradas no chão!

Quando eu for grande, quero ser o diário da dança das palavras brilhando no arco-íris da escrita, perfumando-te com beijos de açucenas no sorridente baloiço dos voos do balão que abraça a tua e a minha mão!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Oitavo Desejo
Novembro 27, 2016

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Quando eu for grande, quero ser uma grande ciclista!

Quando eu for grande, quero ser uma ciclista, mas não é de competição.

Quando eu for grande, quero ser uma ciclista de utilização diária da minha “pedaleira”!

Quando eu for grande, quero ser uma ciclista que sorri com o código de estrada na mão para o automobilista que a manda ir para o passeio!

Quando eu for grande, quero ser ministra dos transportes e mandar fazer muitas ciclovias com vista para o campo e para o mar neste lindo Portugal sem igual!

Quando eu for grande, quero ser uma senhora-menina-ciclista a circular por todo o lado, e fazer corridas atrás e à frente da pequenada, sempre fora da estrada!

Quando eu for grande, quero ser uma campeã do pedal para minha idade, e, se for preciso, mais duas pequenas rodas na minha velha amiga bicicleta adaptar para melhor me equilibrar, mesmo deslocando-me mais devagar!

Quando eu for grande, quero ser uma ciclista especial, dotada na especialidade de estacionar nos respetivos parques que as autarquias e os supermercados vão inaugurar!

Quando eu for grande, quero ser um ás do pedal em deslocações à praia, longe das velozes descidas e das esforçadas subidas, em excursões e competições, de calças, calções ou saias, que ninguém leva a mal!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Sétimo Desejo
Novembro 11, 2016

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Quando eu for grande, quero ser um coro infantil de verão, cantando na praia, numa grande animação!

Quando eu for grande, quero ser um galo-despertador para acordar a linda criança adormecida em ti!

Quando eu for grande, quero ser um papagaio de papel, voar, voar, abraçado ao vento, preso à tua mão por um cordel!

Quando eu for grande, quero ser uma pedra de escrever e guardar memórias de encantar que ninguém possa apagar!

Quando eu for grande, quero ser uma gramática ilustrada, para perceber logo tudo e nunca ser enganada, e trazer uma sebenta anexada, para tomar notas e nos erros não ser apanhada!

Quando eu for grande, quero ser uma tabuada com um menino e uma menina na capa, e Os Dez Mandamentos do Bom Aluno na contracapa, e ensinar: ordens, classes, operações, provas de “noves fora”, numeração romana, numerais, frações e medidas, equivalências, de uma forma engraçada com ilustrações aqueles meninos a desfazer trapalhadas!

Quando eu for grande, quero ser uma coleção de cadernetas: de cromos da bola, de desenhos animados, de heróis e de animais muito bem disfarçados, sem monstros, que deixam alguns assustados, mas pode ter cavalos alados!

Quando eu for grande, quero ser uma série de bolas saltitonas e voadoras, conjuntos de jogos diversificados e uma roda de bonecas e bonecos de todas as raças, faladores e sorridentes, com pouca roupa para mudar, porque não sabem brincar na rua e não se vão sujar, que não andem sempre a chorar.

Quando eu for grande, quero ser um regaço aconchegante de menina-mulher-mãe, trazer rebuçados sem açúcar nos bolsos dos calções, ter uma bicicleta de assento para dois ou mais, com balões de campeões!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Sexto Desejo
Novembro 8, 2016

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a fada da boa educação!

Quando eu for grande, quero andar sempre com a varinha de condão na mão, subir as escadarias guardadas por mais do que um leão e pôr tino nas cadeiras de má-criaçao, que envergonham, maltrataram e desonram a Nação!

Quando eu for grande, quero ser um botão mágico de canal da televisão a saltitar num colorido balão que cada criança traz na mão para desligar automaticamente a ruidosa programação!

Quando eu for grande, quero ser a pueril voz da imaginação da criança, balbuciar os sons da língua-mãe com palavras de mel e verdade de poetas, saborear o pão fresco da comunicação e a fruta suculenta da árvore do seu coração, partilhando a vida com um abraço de irmão.

Quando eu for grande, quero ser uma sebenta de sabedoria com sorrisos bordados de luminosa alegria nas asas de vento, percorrer o mundo com sussurros de silêncio na doce madrugada e dançar com todos de mão dada sem ficar cansada!

Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Quinto Desejo
Setembro 22, 2016

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a voz da verdade, soprando livremente como o vento, ecoando a palavra: Amizade!

Quando eu for grande, quero ser a voz do mar, acordando a inércia como a tempestade faz com o pescador, acoando a palavra: Amor!

Quando eu for grande, quero ser a voz da justiça, respeitando o direito à diferença como rege a harmonia da natureza, ecoando a palavra: Fraternidade!

Quando eu for grande, quero ser a voz do vento, assobiando a alegria no meio do tormento, percorrendo o mundo nas asas da imaginação como uma criança, ecoando a palavra: Irmão!

Quando eu for grande, quero ser a voz do silêncio, cantando: o amor, a paz, o perdão, expressando a solidariedade na dor, o carinho na alegria, a força na vicissitude como um sábio humano com luz no coração, abrindo a todos a mão, ecoando a palavra: Felicidade!