Archive for Outubro, 2017

A Verdadeira Devoção
Outubro 31, 2017

Devoção não é deslocação, mas sim a confiança concretizada em ação, silenciosa e discreta, própria de quem faz todo o bem que pode e como sabe sem precisar de mostrar nada.

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A Luz de Cada Dia
Outubro 27, 2017

A luz é a claridade que os nossos passos conduz, mostrando-nos o caminho em que muito há a desbravar, a tratar, a semear e a colher, na certeza de que a obra é que revela quem somos.

A Lição do Pobre
Outubro 27, 2017

O pobre que já viveu à míngua dos miolos de pão do poderoso, jamais cairá na tentação de rejeitar a partilha de uma refeição com o andrajoso, seu irmão na necessidade, sem-abrigo na casa do ser e na grande cidade!

Aprender e Ensinar
Outubro 27, 2017

Aprende-se e ensina-se a cantar a vida colhendo de cada queda a lição oferecida!

Sorriso do Dia – As Pétalas de Girassol
Outubro 27, 2017

Acorda as pétalas do girassol que trazes no peito, abre as asas da imaginação e escreve um poema com os raios de sol dançando nas searas douradas com papoilas de mãos dadas.

A Lei da Primeira Pessoa
Outubro 27, 2017

Conjuga-se na primeira pessoa a Sr.ª Impaciência com a sua coroa de arrogância, exigindo que o mundo gire à sua volta, que todos se ponham ao seu dispor, que seja obedecida imediatamente e com rigor.

E…

Nesta sua alucinação de toda poderosa, “senão…”, faz tudo ao contrário, perde constantemente a razão e arranca as sementes dos afetos do seu solitário coração.

As Escaldantes Sandálias de Salto Alto
Outubro 27, 2017

Andavam perdidas as sandálias de salto alto, observando os estranhos e diversificados ténis preparados para a caminhada, roendo os pés da senhora malcriada, fazendo estremecer a mala preta no braço pendurada, a condizer com a calça vincada, contrastando com a camisa branca da agressiva enlutada, desrespeitando quem a equipa orientava e nela estava integrada.

Queixavam-se as sandálias de salto alto da areia do trilho que a uma bela praia as levava e, com tanto andar desconcertado, as escaldava – e a senhora malcriada, isolada e desequilibrada, protestava.

Escutavam as sandálias de salto alto o alegre sorriso do jovem pai, reconhecendo a riqueza de entrar em casa e ter à sua espera o sorriso da sua menina, que o abraçava e lhe dizia constantemente: “Gosto muito de ti!”, e comoviam-se, mas sobressaltavam-se com abrupta frieza da bem-posta e mal-disposta senhora malcriada, que desengonçada se intrometia na conversa alheia, dizendo que aquilo só acontecia quando eram pequenos, porque quando cresciam, filhos e netos só queriam dinheiro e mais nada!

Aplaudiam as sandálias de salto alto o: “Nem todos!”, protestando em uníssono, e, já irritadas, davam dentadas nas solas dos pés da senhora malcriada, que lhes respondia, rendida: “Já não posso andar! Foi a primeira e a última vez que cá vim!”

Sorriam as sandálias de salto alto, cujo tom preto se havia tornado acastanhado, para as improvisadas palmilhas de papel higiénico retirado dos sanitários públicos, escapando-se entre as suas delicadas tiras, suspirando por umas gotas de longínqua chuva para se lavarem, preparando-se, entretanto, para mais uns apertos na senhora malcriada, sua triste sina, a fim de evitar outro desbocado espetáculo no autocarro, de regresso à terra do Gama, que avistando tudo, também devia estar muito zangado…

Sorriso do Dia – O Acenar do Mar
Outubro 23, 2017

O mar acena à luz da madrugadora janela com o sulcar do pequeno barco à vela, viajante do mundo, quase um marujo pisando airoso a terra, admirando-a e sorrindo para ela, seguindo o ondular da sereia-bela, namorando o céu estrelado e o luar encantado, quadro pintado com as aguarelas da poesia, salpicando o dia turquesa de alegria com carícias coceguentas e aveludadas de melodioso:

” Bom Dia! Bom Dia! Bom Dia!”

Estórias de Meninas – A Miragem da Avó
Outubro 23, 2017

Um dia, a Mizé entrou ma cozinha para beber água e aproximou-se da janela.

O silêncio matinal quebrou-se naquela casa, pois a menina começou aos gritos:

” – A avó! A avó! A avó!” – repetia, aflita, apontando para o exterior.

Os pais e o irmão, mais novo do que ela, acorreram, estupefactos.

” – Qual avó? Estás parva? A avó já morreu!” – observou o pai.

” – A avó! A avó! A avó!” -insistia a Mizé em pânico.

A mãe aproximou-se serenamente da janela seguida pelo curioso filho.

A Didi esboçou um tranquilizador sorriso, se bem que tivesse estremecido com a imagem que avistara.

” – Ó Mizé, não vês que é a vizinha, a quem a mãe deu a roupa da avó, que resolveu usá-la?!… Mas, filha, a mãe reconhece que tivesses ficado chocada e confusa, até! Vamos preparar o pequeno almoço?”

” – Mãe mais bonita do que o céu estrelado, podes fazer fatias de ovos?” – perguntou o menino.

E a angustiante miragem da menina foi-se dissipando com a primeira calorosa e apetitosa refeição tomada harmoniosamente em família.

A Fraqueza do Convencido
Outubro 23, 2017

A fraqueza do convencido é a auto-confusão da falta de (re)conhecimento da sua limitação, com fundindo-se na pobreza do usufruto ora subtil, ora descarado da riqueza e da fortaleza alheia.

O convencido não convence ninguém, além de si próprio; falta-lhe a franqueza! – Enfim! É uma fraqueza.