Archive for Janeiro, 2011

A Menina Azul – Pegadas no Caminho
Janeiro 10, 2011

Percorri caminhos …

Colhi salgadeiras.

Admirei chorões salteados de flores garridas.

Cheirei camarinheiras e com os seus frutos agridoces que o meu paladar farto rejeitava.

Preparei deliciosos pratos para as minhas amiguinhas de infância, a quem emprestava a minha voz disfarçada e a minha imaginação.

Fui jardineira de jarros brancos e açucenas perfumadas, que me cumprimentavam inclinadas.

Corri nos pinhais e entre pedras, fetos, rosmaninho, alecrim.

Vi nascentes encherem rios de lavadeiras e senti a frescura das suas águas.

Fiz gaitas de canas verdes.

Inventei anéis e colheres – “de brincar” com requintados cabos de cana seca cortada – com conchas de lapa, que aprendi a apanhar nas rochas com destreza de trapezista descalça.

Namorei o céu e contei as estrelas.

Senti a frescura da chuva, entrei nas poças e lambi gotas.

Reconheci o tempo que se avizinhava nas vozes do mar e do vento.

Vi a terra iluminada pela luz dos relâmpagos;.

Enfrentei o ribombar dos trovões.

Identifiquei motores de barcos que navegavam junto à costa.

Brinquei com o sol que beijava a aurora.

Andei às cavalitas dos tios que jogavam ao pião;.

Adormeci encantada com os contos do avô.

Fechei os olhos, respirei maresias sem fim, venci vendavais e sobrevivi a tempestades…

Anúncios

A Conquista da Liberdade
Janeiro 10, 2011

Receção do Ano de 2011

A liberdade conquista-se enfrentando as feras, dominando os medos, ultrapassando os perigos, concretizando consciente e corajosamente o que não se pode evitar!

Mar de Esperança
Janeiro 10, 2011

O mar pintado de esperança pelo Santo que lhe dera o nome estendeu-se suavemente na areia e chamou pela vieirinha despertando-a…

Languidamente, lambeu-lhe uma lágrima, sussurrou-lhe palavras de amor que guardava num búzio, entregou-lhe flores constantes de ternura, ofereceu-lhe as suas mãos douradas de sol

A vieiorinha deixou-se embalar na onda de ternura e retribuiu-lhe com um sorriso…

E as gaivotas bateram palmas com as suas asas!…

Palavra
Janeiro 10, 2011

Flor Rubra de Maria, 2010

Palavra é uma flor colorida e perfumada cujas pétalas vou retirando docemente para te oferecer, contínua e renovadamente…

Silêncios…
Janeiro 10, 2011

Há silêncio de comunhão promotor da paz!

Há silêncio inteligente, para combater o conflito.

Há silêncio cúmplice de amantes.

Há silêncio de mudos medrosos.

Há silêncio de quem preparar alguma coisa.

Há silêncio que nem cumprimenta, nem agradece.

Há silêncio impositor de ordem.

Há silêncio de chilreios amorosos, insistentes e desafiadores que quebram outros silêncios!…

Aniversários de Casamento
Janeiro 10, 2011

1 ano – Algodão

2 anos – Papel

5 anos – Madeira

7 anos – Lã

10 anos – Estanho

12 anos – Seda

15 anos – Porcelana

20 anos – Cristal

25 anos – Prata

30 anos – Pérola

35 anos – Rubi

40 anos – Esmeralda

50 anos – Ouro

60 anos – Diamante

70 anos – Platina

75 anos – Alabastro

80 anos – Carvalho

Sorriso de Bom Dia!
Janeiro 10, 2011

Deixa que as delicadas pétala de Bem-te-Quer acariciem docemente as tuas pálpebras adormecidas com beijos de luz de arco-íris perfumados de alegria e que nos teus olhos despontem sorrisos tímidos de esperança de Bom Dia!

Alentejo sem Segredos e… o Contraste
Janeiro 10, 2011

A imensidão da paisagem nua e silenciosa da respiração humana transmite uma paz inexplicável no Alentejo plano e nas povoações de ruas estreitas e brancas, janelas cerradas e portas que ecoam a serena solidão através das searas salpicadas de papoilas, que adivinham o sussurro e a rouquidão do mar longínquo.

Mais ao norte do país, as encantadoras e grandiosas montanhas, assustadoramente belas, escondem não se sabe o quê para além dos flancos fascinantes que nos exibem.

A Menina Azul – O Circo
Janeiro 9, 2011

O vento trazia a voz rouca, apressada e ansiosamente esperada do anúncio da festa, antes de se avistar o carro iluminado com a insígnia do circo, e da leitura imaginária e hipnótica dos cartazes.

A entrada para os espectadores de palmo e meio podia ser gratuita, mas muitos pagavam os seus próprios bilhetes antecipadamente com colheradas de comida engolidas sem apetite, com bons comportamentos indesejados, mas oportunamente necessários…

As “roulottes” encantadas, as jaulas robustas, os carros cansados de transporte de animais, a azáfama ininterrupta dos empregados, a elevação da tenda com a sua cúpula – “chapiteau”- decorada com luzes apelativas e freneticamente cintilantes, faziam antever:

– a pista;

– as bancadas;

– os músicos com os seus fatos vermelhos de galões e botões dourados;

– o apresentador enérgico e palrador; as exibições emocionantes dos acrobatas;

– os perigosos, suspensos e silenciosos voos e saltos mortais dos trapezistas;

– os temerários domadores de feras obedientes, que mostravam os dentes ao som do chicote;

– os ginastas de corpo elástico e flexível;

– os mágicos que faziam aparecer e desaparecer coelhos, pombas, lenços e faziam nascer moedas das orelhas e dos narizes dos espectadores mais próximos;

– os malabaristas, exibindo arcos e esferas;

– os macaquinhos ciclistas;

– os cavalos inteligentes e habilidosos, ao compasso da música, e os cavaleiros heróis;

– os elefantes possantes e ginastas;

– os esperados palhaços de vestimentas fantásticas, garridas, desmedidas, de sapatos de gigante pobre, de rosto de cal, de enormes narizes vermelhos e esborrachados, de bocas de peixe, que faziam rir com os gestos e com palavras, mas pareciam magoar-se nos pregos, nas trampolins, nas cambalhotas…;

– os doces, as fotografias e as recordações que uma bonita e elegante artista / vendedora “oferecia” num tabuleiro que pendia do seu pescoço…;

– os aplausos antecedidos de choros de crianças sensíveis e de gritinhos de senhoras “frágeis”;

– o doloroso desfile final, as pirâmides coloridas de animais, artistas, misturado com o brilho encandeante de lantelojas, entre sorrisos e gestos de despedida e de agradecimento de todos os protagonistas do espectáculo, suscitando vontade de permanecer ali ou voltar na sessão seguinte…

Um dia, quando já não era menina, voltei ao circo, e uma criança que crescia dentro de mim iniciou o seu prazer por este espectáculo, dancando incansável e alegremente ao som do órgão a tracção principal, instrumento que deliciosa e habilmente tocaria um dia!…

Ilustro esta memória com uma foto em que um dos palhaçinhos, irmão daquela criança, também um menino lindo, levá-lo-ia a redigir:

– “O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que o meu irmão nasceu!”

Sugestões para Fazer…
Janeiro 9, 2011

Mar do Norte, 2011

FAZER…

I
Faz anos? Parabéns!
Faça a mala e boa viagem!

II
Não fez as pazes?
Não lhe faz as vontades?
Faça beicinho e dê-lhe um beijinho.

III
Faz caretas às despesas? Muito acertado!
Fez ginástica há bocado? Não tinha reparado!
Faz bem sem olhar a quem? Gesto muito louvado!

IV
Faça surpresas, festas e festinhas.
Faça frente a toda a gente.
Faça tudo e vá em frente!

Foi um prazer, mas tenho mais que fazer!…