Archive for Janeiro, 2015

O Termómetro do Amor
Janeiro 31, 2015

Jardim Verde

Na febre sem doença, e na frieza sem tristeza o melhor pacho é o termómetro do amor, que contém mezinhas para tirar, de facto, qualquer amuo ou dor.

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Os Livros e as Dedicatórias
Janeiro 31, 2015

O Livro da Segunda Classe

Era um livro antigo, mas recheado de memórias de muitas gerações, e ensinamentos que influenciaram as inocentes mentalidades!

Estava perante uma reedição, e este exemplar fora oferecido, certamente, pois no seu interior continha uma dedicatória datada do alvorecer desde milénio:

” – O que mais tem contribuído para a grandeza dos sentimentos mais nobres da minha Amiga Di, foi o nunca ter esquecido as suas origens.

Um beijinho grande da Amiga (…)”

Sorri!

Sorri para estas palavras amigas, e para uma e a outra “Amiga”!

Sorri para todas as dedicatórias com que os familiares, os amigos, os professores, e os apaixonados ilustravam as obras-presentes, prefaciando-as com elogiosos e melosas expressões de carinho, com sílabas acentuadas de práticos conselhos, e eternos e ardentes desejos!

Esta marca pessoal numa prenda da autoria de outro, mas sempre portadora de alguma mensagem interessante, útil ou sugestiva, ou fruto de uma arrojada experiência ou até de sonhos traçados ao pormenor no imaginário, era a primeira dentada neste fausto bolo que cada um provaria, saborearia, e aprovaria ou não…

Mas, a dedicatória merecia, salvo raras exceções, ser emoldurada, e pendurada num sítio de destaque; o mais seguro e prático era, claro está, guardá-la no coração e ir relendo-a com os sentidos!

Esta prática foi caindo em desuso, se bem que umas palavrinhas num minúsculo cartão, de Natal, por exemplo, ficasse bem no livro oferecido – e serviria de indicador da sua origem!

Aquela dedicatória fez-me viajar no tempo! Parei nas fotos tipo passe, das que uma determinada quantia, tinha o prémio de uma mais ampliada, “postal”, que se não brilhasse numa moldura, seria para alguém especial, sempre com uma extensa e calorosa mensagem no verso, por vezes extensiva à família!

“Coisas” / gestos simples de pessoas simples, que privilegiavam os sentimentos, e que os expressavam sem medo de dizer, por outras palavras: “Gosto de ti!”, considerando, muitas vezes inocentemente, que alguém quereria levá-la(o) consigo!

Registos comportamentais da humanidade, traços da nossa cultura, que merecem todo o meu respeito e admiração!

E… se me permitem, uma pergunta:

– Alguém ainda escreve /deixa, direta ou indiretamente, dedicatórias nos livros que oferece adocicadas com  beijos e abraços?!…

Os Segredos do Amor
Janeiro 31, 2015

Flores da Minha Aldeia, 2012

Quem quebra barreiras de dor na turbulência do amor…

Quem pega nas pontas da fita desfraldada, e refaz o laço no meio da ventania…

Quem acaricia a onda chorosa, e colhe conchas de madrepérola na dolorosa areia…

Quem dá passos de bebé-gigante, e lê histórias de encantar nas pegadas de mãos dadas…

Conhece os segredos do Amor, e rega o seu jardim com a doce magia dos sorrisos do coração!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – A História de Faz de Conta
Janeiro 29, 2015

A Janela da Muralha

Naquele dia, o Nito estava atrasado. A Nita olhava para o relógio e para a porta do castelo, e o amigo não chegava!

– Ainda bem que fui comprar uma sebenta e uma esferográfica! Vou escrever uma história de faz de conta! – dizia a menina para si, sentando-se num degrau, dispondo-se a escrever, fazendo das suas finas perninhas uma mesinha.

Era uma vez um menino muito espertinho, que gostava muito de fazer contas, de resolver problemas, de brincar e de jogar à séria com tudo o que era números! E também começou muito cedo a fazer contas à vida: nunca gastava o dinheiro todo!

Um dia, quando o menino muito espertinho andava na praia, sentiu uma ondinha aproximar-se, e  fazer-lhe umas coceguinhas nos pés. Ele até gostou daquela espécie de festinha. Olhou-a  com ar maroto, perguntando-lhe em silêncio o que é que ela queria.

A onda rebolou-se, bateu umas palminhas de espuma, salpicou-o, e disse-lhe baixinho:

– Tens tantas contas e tão bonitos contos na tua cabeça! Tira alguns cá para fora, e conta, conta, conta!…

O menino muito espertinho ficou mudo com aquela onda sabichona e atrevida, que, de repente, se escondeu numa rocha conhecida por Pedra do Homem.

Mas, de repente, viu ali mesmo na sua frente, na areia lisa, uma cana a dançar, a desenhar as letras do abecedário, e a formar palavras! Não acreditava no que via! Esfregou os olhos! Depois abriu-os bem, e começou a ler:

– Contas, contas!… Contos, contos! Que lindos contos que tens para contar, da vida e da tua imaginação!… Conta, conta, conta, sem fazeres contas!… Conta as tuas aventuras, conta os teus sonhos, e… faz de conta, mas conta!…

O menino muito espertinho pensou em voz alta:

– É alguma moura encantada; só pode!

E a cana mágica, respondeu-lhe, desenhando mais duas palavras: “Onda Amiga!”

O menino sorriu, e só pensava: Conta, conta, conta!

FIM

A Nita estava tão embrenhada na sua escrita, que nem se apercebeu da presença do Nito! Levantou os olhos e gritou:

– Ai, Nito! Que susto!

O amigo começou a rir!

Ela, de rosto corado, fechou a sebenta. Guardou a esferográfica na bolsinha de tecido, que a mãe lhe fizera, olhou para o Nito e… sorriu meio envergonhada!

O menino retribuiu-lhe o sorriso, e perguntou-lhe:

– Nita, o que é que estavas a fazer, que nem me viste chegar?

– Ora, Nito! Estava a escrever uma história de fez de conta! Tu nunca mais chegavas! Foste aonde? – respondeu a amiguinha.

– Boa Nita! Depois posso ler? – apoiou o Nito, curioso.

– Podes, pois, Nito! Mas, ainda não me disseste aonde foste! – declarou  a menina.

– Fui à ribeira com o meu irmão, porque a traineira do meu avô estava a chegar! Vinha carregadinha de peixe! Daqui a pouco, tenho de voltar a casa, para levar o peixe ao Sr. Prior. Queres ir comigo? – justificou o Nito, convidando-a.

– Quero! Achas que o Sr. Prior vai fazer-nos perguntas da catequese? Ou mandar-nos rezar? – retorquiu a Nita, questionando o amigo.

– Não, Nita! Nem uma coisa, nem outra, mas vai dizer-nos para nos portarmos bem, e sermos muito amigos, com certeza!- esclareceu o Nito.

– E também deve acrescentar que Jesus é nosso amigo! – adiantou a menina.

– Pois! Vamos? – respondeu o Nito.

– Vamos!  – concordou a Nita, levantando-se e sacudindo o vestido.

Dar e Perdoar
Janeiro 29, 2015

Flores dos Medos

Dá a quem te ama, e perdoa a quem te engana!

Sorriso do Dia – Poesia da Natureza
Janeiro 29, 2015

Mar Poesia de Inverno

Abro a janela do dia, e debruço-me sobre o jardim da vida!

Escuto o chilreio da passarada na folhagem, evocando a alegria!

Sinto o ronco do mar, além do casario, soprando perfumes de safiras salgadas!

Sigo o voo da gaivota-amiga, carregando nas asas promessas de esperança!

E…

Colho a poesia da natureza nas sílabas floridas de inverno musicadas de sonhos, batendo palmas de sorrisos.

A Escalada da Fama
Janeiro 29, 2015

Praia Pedra da casca, 2011

Na escalada da fama, quem empurra e atropela os outros, acaba por escorregar na lama, e custa a pôr-se de pé!

A Menina Azul – O Cheiro dos Lápis da Escola Primária
Janeiro 29, 2015

A Menina Azul

Eram duas meninas, que só naquele dia se conheciam, mas entre elas circulava uma clara e espontânea empatia, à medida que os seus sorrisos se cruzavam no que iam descobrindo ter em comum, o que começou pela hipersensibilidade da sua pele às condições atmosféricas…

Borbulhavam as memórias dos bancos de escola, e os gostos, salientando-se o inebriante e inesquecível perfume dos lápis acabados de afiar…

Um dia, a menina-azul, ao olhar para uns lápis da marca dos que tinham feito as delícias de ambas, uma novidade produzida em número reduzido naquela época, comprou um, e expectante e sorridente, fê-lo chegar à sua interlocutora, que, no seu primeiro e único encontro, chegara a dizer, por probalidade, que soava a desejo:

“- Vamos encontrarmo-nos mais vezes!”

Mas… eis que o portador do lápis perfumado de pueris memórias, trazia consigo um agradecimento com um ponto de interrogação, pois a destinatária manifestara não ter entendido o porquê do singelo e inocente – e quem sabe inoportuno – presente!…

E a menina-azul acolheu o obrigada e demais palavras com um sorriso de quem não pertence a este mundo – ou àquele -, e cogitou se o aroma que envolvera a conversa com finos e intocáveis desenhos de escola primária ter-se-ia dissipado naquele momento, ou perdido numa curta distância ao atravessar o Tejo….

A Mão Estendida
Janeiro 27, 2015

Flor Estendida para a Vida

Quem estende a mão, pode permanecer com ela vazia, pode receber uma palmada, pode sentir o calor de outra mão na sua, e a sintonia do pulsar do coração!

A Mulher-Pássaro-Feliz
Janeiro 27, 2015

A Cegonha

Não era somente uma mulher simpática, bonita, alta, envolta num casaco maxi, preto, roçando por uma botas, que dava passos de alegria gigante!

Não era uma  mulher cheia de magia, que, como habitualmente, cumprimentava, agradecia, sorria e saía!

Era um mulher-pássaro-feliz, que abria as asas do seu coração!

Era um mulher-pássaro-feliz, que mergulhava no espaço, abrindo trilhos de sonho com os seus longos cabelos abertos em leque!

Era um mulher-pássaro-feliz, que descobria e abraçava com o vigor da vida renascida o anúncio do milagre da maternidade!