Archive for Setembro, 2008

O “Olá” da Helena!
Setembro 30, 2008

A Helena, que completa hoje um aninho, é uma menina única, que elegeu a palavra “Olá!” no seu vocabulário!

Saúda toda a gente com o seu “Olá!”, indiferente ao olhar de quem passa, à retribuição do cumprimento, ao grau de conhecimento, à vizinhaça ou ao parentesco.

À noite, levanta-se, agarra-se às grades da cama, inclina a cabecinha e chama o sono com um oláaaaaaa!

Querida Helena, o mundo precisa do teu “Olá!” e do de todos nós, do despertar de sentimentos puros e simples dos corações adormecidos e tristes do Homem!

Sorri sempre, minha querida, pede à Catarina para escrever “Olá!” num balão, dá-lhe a mão e caminhem por entre a multidão!

Um beijinho de parabéns neste meu “Olá!” matinal!

Se Eu Pudesse…
Setembro 29, 2008

Sorriso

… percorria todos os campos do mundo

… colhia uma flor de cada tipo, cor, tamanho

… transformava todas as sementes em pão

— oferecia mãos cheias de água a quem tivesse sede

— iluminava os corações tristes e os passos da noite

— aquecia as mãos trémulas de frio e de medo

— punha a mesa do amor para todos os homens

— perfumava a vida de alegria sorridente

… seria onda beijando e removando a Terra para o Homem recomeçar!…

Carta para o Simão (continuação)
Setembro 26, 2008

S. Torpes, 26 de Setembro de 2008 (6h 11m)

Querido Simão,

A persistência tem sido a tua arma de vencedor! Com ela convenceste e venceste os preconceitos do Padre Zé, as vicissitudes dos teus pais, ultrapassaste a doença da tua mãe, perseguiste os teus sonhos, alcançaste as tuas metas.

Não acredites que não respondias aos pedidos de auxílio da tua mãe quando ela começou a vacilar, quando perdeu a esperança, quando se desencantou com a vida, quando, marinheira sem bússola do amor a navegar no mar bravo assolada por vendavais, apenas iluminada por uma estrelinha, tu, Simão, a quem ela queria oferecer o mundo sem o conseguir, perdeu o rumo e começou a naufragar, porque não é verdade!

A criança, o adolescente, o jovem, não podia compreender tudo e sofria impotente, enquanto assistia, desiludido e solitário, à descida da mãe na rampa da tristeza, da inércia, da doença, da desistência, do envelhecimento, da morte, e tu, Simão, nadavas, nadavas à procura de águas calmas, em busca do porto seguro.

O teu fiel amigo e protector, o teu irmão Rui, tinha razão quando te incentivava a falares com o vosso pai, mas tu ainda não estavas preparado; preferias admirá-lo, amá-lo às escondidas, até soltares a tua revolta.

Simão, quando o teu pai estava doente e recusaste vê-lo, imitaste-o nas atitudes negativas que ele teve ao longo da sua vida, e que tu reprovaste. Porque o magoaste tanto e à tua mãe?!… Porque espicaçaste o teu coração? Porquê?!… Seres católico não bastava para a caridade do teu perdão? Preferiste ser “culpado e pecador”?
Lembra-te de que Jesus disse: “O que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fazeis”, e os “pequeninos” não são só as crianças.

Cultiva o perdão no teu coração, querido Simão, e perdoa à tua mãe, ao teu pai, à vida. Solta as amarras e navega livre até ao vosso encontro no paraíso!

Assina a tua declaração de amor com a celebração de uma missa pelos teus pais, união adiada do seu amor perante Deus, que os abençoou com um filho extraordinário, e pede ao Pai a paz das suas almas. Fá-lo com a coragem e determinação que te distinguem, com o amor que é a tua marca, porque ele é a tua origem – Kiss them!

Quando partiste para Lisboa sabia que não irias voltar. Senti-o na primeira noite em que a Beatriz ficou sozinha, por ela, uma lânguida dor de despedida no peito, enquanto tu, cumprindo o teu destino voavas, e no ar ecoava a voz da D. Laura: “Só vives para os livros e para os filmes”…

Um beijo,
Maria

Carta para o Simão (continuação)
Setembro 25, 2008

S. Torpes, 25 de Setembro de 2008 (7h 28m)

Querido Simão,

Ontem à tardinha aproveitei o sono da brisa e dei um passeio pela nossa terra, por aquelas ruas recônditas onde não se encontra ninguém, saboreando recordações, reencontrando-me com o Al Beto, à medida que me aproximava da sua casa, oposta a Santa Catarina, seu berço.

A baía está mais azul, porque os homens mudaram as cores dos barcos e estes já não se diferenciam dos de Setúbal – que pena! -, e o mar, parado como um lago, escondeu o verde e vestiu-se de cinzento.

Vamos continuar a nossa conversa de anteontem?

Recordo-me da tua solidão de menino a passeares os teus caracolinhos pela casa, a fixares os teus olhos risonhos e confiantes no écran da televisão, mas também das descrições orgulhosas da tua mãe sobre os teus preparativos para o Natal, de me mostar o pinheirinho decorado por ti, da sua alegria e admiração ao afirmar: “Fez tudo sozinho!” Como tu a surpeendias com a tua paciência e com a tua imaginação!

E quanto foi importante para o teu crescimento fazeres de conta, reconheceres o teu mérito de menino bem comportado e bom aluno, começares a construir os teus próprios alicerces!

[Desculpa, Simão, mas tenho de dar-te um beijinho apressado. Até já!]

Carta para o Simão
Setembro 23, 2008

S. Torpes, 23 de Setembro de 2009 (6.01h)

Querido Simão,

Respiro o silêncio desta fresca madrugada perfumada de mar, ouço-o, cumprimento o farol de coração cansado, insistente, direccionando a sua luz para a casa da encantadora Beatriz, e reparto contigo este começo de um novo dia, pedaço de vida, com algumas palavras atravessando o Tejo.

Cumpriste a tua promessa escrevendo um livro para a tua mãe, reproduzido em filme – Parabéns!

Com quantos sorrisos a tua mãe te beija lá do céu, Simão? São tantos, tantos, que estás dormente e já não percebes quando tos dá!

E o teu pai também, orgulhoso de ti, aqueles que manteve escondidos no seu peito de macho, que te devia, mas misturados com lágrimas!

E o teu irmão Rui, o “super-homem”? Esse abraça-te, com certeza, e continua a ser o teu anjo da guarda e também da sua “Deinha”, a tua sobrinha que te ama e admira – fartou-se de chorar quando leu o Kiss me -, que sofre com a sua partida, sobretudo nos momentos duros da sua existência, mas que pode reencontrá-lo na força da tua mão, no calor doce da tua linda voz!
Tenho saudades dele!

Conheci a D. Laura, “a mulher mais bonita de S. Torpes”, antes de tu nasceres e tive o privilégio de contemplar e segurar nas mãozinhas gorduchinhas do seu “Menino Jesus”, “tão perfeitinho”, poucos dias depois de a tua mãe te ter acolhido nos seus braços cheios de amor – achei-te lindo e sê-lo-ias aos meus olhos e no meu coração pelos tempos fora!

[E agora, querido Simão, tenho de fazer uma pausa, porque o dever profissional chama-me e, apesar de empurrá-lo, não me larga! Até já!]

Os Sapatinhos de Verniz
Setembro 22, 2008

Menina Ajoelhada

A Luisinha entrou na igreja de sainha vermelha, colete igual, blusinha branca e meias da mesma cor, com um enorme laço na cabeça, escorregando pelos seus finos cabelos dourados, e uns lindos sapatinhos de verniz.

Olhou para o altar e perguntou, ansiosa na sua euforia:

– Jesus, gostas dos meus sapatinhos?

Hoje a Lusinha sorri da sua inocência, mas continua a acreditar que o Menino Jesus lhe respondeu: Sim!

Noite Branca
Setembro 21, 2008

Coração

A noite vestiu-se de branco e enfeitou-se de esparsas estrelas douradas esvoaçando nos jardins e saltitando pelas ruas, pedaços mágicos de candeeiros perdidos na alvura nocturna.

Uma Menina Linda – 5.ª Página
Setembro 21, 2008

A Linda Menina-Mulher apercebeu-se do decorrer dos anos com o envelhecimento e a doença dos pais, que tratou paciente e amorosamente e de quem se despediu dolorosamente.
Sofreu, chorou, quis partir com pai, mas ergueu-se no meio dos destroços da solidão e continuou o seu caminho, corajosamente!

Naquele dia, que amanheceu carregado de nuvens de sonhos destruídos, a Menina-Mulher encontrava-se sozinha num edifício frio de destinos e amplo de ansiedades.
Quis Deus que ela e a amiga-pérola partilhassem o mesmo espaço, no mesmo dia e na mesma hora, movidas por objectivos e sentimentos comuns.
Olharam uma para a outra com surpreendente alegria de crianças, engasgadas, mas simultaneamente seguras, confiantes, solidárias.

Depois dos desenlaces, continuaram a sorrir, trémulas, perante os jogos da vida e a pequenez do mundo, agradecendo a benção do seu encontro, e regressaram à sua cidade, contemplando o mar, companheiro dos anos inocentes e verdes das suas vidas, a quem confidenciaram os acontecimentos do dia e entregaram os sentimentos desfeitos.

Despediram-se estreitando os laços de amizade, fazendo-se ao mar da vida, navegando ao sabor da bonança, arrojadamente.

E a Linda Menina-Mulher continuará a ser uma Linda Pessoa, uma pérola até ao infinito!

Uma Menina Linda – 4.ª Página
Setembro 20, 2008

A Linda Menina-Mulher continuou a crescer como uma árvore de esperança com muitos ramos floridos, perfumando tudo e todos à sua passagem.

Tornou-se uma pessoa muito popular, conhecida pessoal, profissional e politicamente. Em época de eleições, lá estava o filho da sua amiga, de tenra idade, admirando a sua fotografia nos cartazes, citando a máxima do partido, afirmando que ia votar na Menina Linda.

Foi mãe de muitos filhos desde muito jovem, sem precisar de dar à luz, e sentiu a dor da separação, quando, injusta e egoistamente lhos arrancavam, depois de educados, crescidos, mas recomeçava a sua natural e irresistível cultura de afectos maternais.
E um dia encontrou o seu lindo menino-amigo, hoje um homem de quem se orgulha como uma grande mãe.

(continua)

Uma Menina Linda – 3.ª Página
Setembro 19, 2008

A Menina Linda ia crescendo…

Saboreava o prazer do mar mergulhando e deslizando nas águas como uma sereia, ora na praia cheia de turistas, ora na piscina, sob os olhares curiosos da vizinhaça a espreitarem da fortaleza, e sonhava…

Estudou, diplomou-se em dactilografia, competência muito importante na época, apaixonou-se, vestiu-se de noiva num dia em que uma pérola amiga a acompanhou com o coração choroso e arrependido por não estar ao seu lado, construiu o amor e um dia percebeu que, afinal, o outro pilar não passava de uma haste seca levada pelo vento, mas prosseguiu o seu caminho determinada, digna, com um sorriso no peito, uma Linda Menina-Mulher!

(continua)