Archive for Março, 2017

A Multidão Multifacetada
Março 31, 2017

No meio da multidão, uns dormem, outros comem, outros bebem, outros trabalham, outros andam muito bem parados, outros lutam, outros cultivam a paz, outros mendigam, e há outros que fazem de tudo um pouco e, deixando pegadas orvalhadas de sabedoria: sorriem, choram, amam, abraçam, vivem!

A Sombra do Passado
Março 31, 2017

O penoso passado é uma magoada sombra tropeçando no teu caminho, impedindo-te de cumprires o teu destino: seres feliz!

A Ilusão da Lua
Março 31, 2017

No patamar da ambição, de tanto olhar para o alto, sem reconhecer o próprio chão, nem se lembrar de quem lhe pegou ao colo e negar quem lhe deu a mão, quem persegue a lua entontece, e na sua ilusão não enxerga a luz do dia que amanhece, enchendo de alegria a vida que aquece!

A Construção do Amor
Março 21, 2017

O amor moldado é caco anunciado, ilha de sonhos perdidos, eco sofrido de coração despedaçado!

A Opção e o Conflito
Março 21, 2017

A opção não é um conflito quando se afigura e é vivida como uma promoção, navegando no sonho da ambição ao sabor da ondulação.

A Franjinha da Menina Azul
Março 21, 2017

A Menina Azul pensou a vida inteira na Dolinha, já uma senhora alta, distinta e magrinha, quando ela ainda era menina, que só sorria para ela, e mais tarde para a sua filhinha, que criaria sozinha.

Um dia, a Menina Azul perdeu o sorriso da Dolinha, que arranjou emprego na capital do distrito, a terra do “carrapau”, e levou consigo a sua sisuda menina de nome pequeno e musical.

Decorridas décadas, no funeral do José ruivo, sardento e amigo da família desde sempre, a Menina Azul, já uma senhora, reconheceu a Dolinha, despedindo-se do irmão.

Aproximou-se dela, olhou-a com a alegria a dançar no seu olhar e sorriu-lhe.

A Dolinha, igual, achava a Menina Azul, olhou para ela e numa explosão de alegria, gritou o seu nome, abraçando-a terna e demoradamente.

Depois, olhou-a sucessivamente com um sorriso extasiante e repetia:

” – Tive tantas saudades tuas! Tantas! Tantas! Tantas! Da tua franjinha, tão bonita! Das tuas bochechas redondinhas e rosadinhas, sorrindo sempre para mim, estendendo-me os bracinhos!
Pegava-te ao colo, abraçava-te, beijava-te, acariciava a tua franjinha.
Ainda tens uns farripinhos sobre a testa! Ficam-te tão bem!
Ainda és tão bonita!”

A Menina Azul agradecia-lhe, sorria e escutava a história da Dolinha, que vivia com a filha bem sucedida na vida e no matrimónio, a qual chamou para a cumprimentar, mas… elas, já não se (re)conheciam…

A Menina Azul não teve oportunidade de contar à Dolinha que os farripinhos sobre a testa tinham sido uma iniciativa sua quando lhe fora permitido decidir sobre o modelo do seu penteado.

Nas horas das despedidas, a vida, aproxima os afetos, desperta a vida, sobretudo nas terras pequenas com muitas histórias!

A Imitação
Março 20, 2017

A imitação reproduz a imagem da cobiça do teu coração!

A Denúncia
Março 20, 2017

A deslealdade mascarada de verdade denuncia quem és de verdade!

A Distância
Março 20, 2017

A distância é uma ponte de papel, dando cambalhotas num corcel, saciando sonhos no vogar da saudade num batel, entrelaçando estrelas de sorrisos na dança dos dedos com pérolas coroadas de um anel!

Estórias de Meninos – O Léu e a Mentira da “Gralheira”
Março 18, 2017

Quando o Léu, que era um menino de falas mansas e discretas, andava na escola primária, cansava-se com o chorrilho de palavras que a “setubalona”, acabada de chegar à sua aldeia e aluna da escola feminina, invadia ruidosamente os espaços comuns, ferindo-lhe os tímpanos.

Um dia, farto de ouvir os seus desagradáveis zumbidos, disse-lhe:

” – És mesmo uma grande “gralheira”!

Ofendida na sua ostentação verbal, a menina, que já tinha uns “borrachinhos” no peito, recordava o Léu tristemente, decidiu vingar-te.
Dirigiu-se à professora do Léu e queixou-se, maldosa e mentirosa, afirmando que lhos apalpara!

A professora respondeu-lhe que não acreditava que o seu aluno tivesse cometido tal ato.

Mas…

A partir daquele dia, e não obstante a repetida afirmação de confiança da professora, ao sábado, quando havia canto coral, o Léu não integrava o grupo, ficando ao pé da mestra, pesaroso por ser vítima de uma maliciosa injustiça!