Archive for Novembro, 2016

A Alegria do Dia-a-Dia
Novembro 30, 2016

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Olha e reconhece em cada criança e em cada jovem um ser gerado em ti, e verás como os edificas, honras a vida, geras a equidade, lançando sementes de bem no jardim do mundo, vendo brotar flores de paz, amor e alegria nas ondulações do dia-a-dia!

Saudades e Sorte
Novembro 30, 2016

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– Saudades! – suspiravam: a enferrujada trempe, o roto chapéu-de-chuva e a queimada pá!

– Cansaço! Cansaço! – repetiam em uníssono!

– Ainda estou nova e viçosa, mas em breve levam-se daqui para fora – bradava a inchada abóbora.

– Coitada de ti, pobre abóbora! – lamentou o chapéu-de-chuva.

– Não me lamentes, chapéu enlutado! Vou servir de sopa com coentros picados, um creme alaranjado, que deixa os pequenos deliciados. Enquanto tu… – respondeu a abóbora.

– Eu, cara senhora-abóbora, que menina já não és! Sabes lá as histórias que eu ouvi o avô contar, quantas pessoas corriam para mim para as abrigar, como me abriam e sacudiam quando o sol vinha espreitar, para me espreguiçar, aquecer e secar?!… – recordou orgulhosamente o chapéu-de-chuva.

– Tens história, sim, chapéu preto, mas… e eu, a velha pá, primeiro recolhendo o lixo da casa, depois juntando as brasas da lareira, para aquecer a família inteira? E quando estava fria, e as cinzas também, já as crianças podiam pegar em mim, levar-me para o quintal e comigo na terra brincar?!… Pertencia como tu a esta família – arranhava a queimada pá.

– Trempe sou, e cafeteiras e tachos se instalaram em mim, para fazer o café, aquecer o leite, ferver o caldo da sopa, ir cozinhando a carne e até aquecendo a água, ou fervendo, para a patroa depenar a criação, que serviria de refeição. Também fui muito útil, e ouvi muitas histórias, de vidas e do dia-a-dia – declarou a enferrujada trempe.

– Tens razão! Também nós, a pá e eu, somos desta casa e estimados ainda, por isso nos conservam neste canto, em vez de nos terem deitado fora, e… estamos rijos, não somos como os humanos, cheio de maleitas, queixando-se, e muitos dos quais já nos despedimos – confirmou o chapéu-de-chuva, limpando uma lagriminha.

– Fiquemos aqui juntinhos, até que me levem daqui! Ai que saudades vossas vou ter, mas… tenho esperança de cristalizada acabar e muito tempo permanecer nalguns frascos, e em doce, com amêndoa, antes do Natal chegar, onde brilharei nos fofos sonhos com canela e açúcar polvilhados!- concluiu a realista abóbora.

Os Jovens e a Exclusão
Novembro 30, 2016

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A igualdade de oportunidades é a maior lacuna nas perspetivas profissionais dos jovens, criando-lhes dependência familiar, cingindo-os com o estatuto de excluído social, tolhendo-lhes as suas capacidades, a sua liberdade e a sua realização pessoal!

O Tino na Língua
Novembro 30, 2016

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Era um responsável-grande-pai e ator, declarando que os filhos estavam proibidos de assistir a uma novela em que desempenhava o papel de vilão.

É a Assembleia no ar, trazendo-me aquele responsável-grande-pai à mente, vendo-o por ali a entrar e a declamar a sua digníssima realidade.

Era eu a sonhar com a Assembleia subitamente calada, e posteriormente mais assertiva e ponderada, se, antes de abrir a boca de língua mal-educada e desenfreada, visse entrar e / ou tivesse ali na sua frente os pais e a filharada, uma vez que o país que representam, e que a escuta parece não valer nada!

E…

É a realidade do professor-poeta nesta frase atualizada: ” A cor das palavras: Há palavras alegres e há palavras tristes. E essa tristeza ou essa alegria uma vezes está nelas, outras no modo de as dizer (…)”

E…

É a verdade, para os que se dizem cristãos, por Jesus declarada: “(…) a boca fala da abundância do coração”

A Escola da Vida
Novembro 30, 2016

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A escola da vida é a entrega aos valores reais do ser humano, a consciência do ser-social, a responsabilidade afetiva-familiar expressa essencialmente na partilha, o ensino-aprendizagem do dia-a-dia com humildade do ser não perfeito, o respeito pelas diferenças e respetivos deveres e direitos de todos, o estabelecimento da harmonia interior e exterior identificada com a sua dádiva da grandiosidade da natureza circundante.

Sorriso do Dia – O Encontro com o “Tibarão”
Novembro 30, 2016

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Não era um “tibarão” que eu acabara der abraçar, mas um jovem sorridente, narrando as venturosos aventuras vividas recentemente em Cabo Verde, degustando o agridoce sabor da cultural, chorosa e vitoriosa história dos seus habitantes, revisitando as expedições de Charles Darwin, tocando o céu no deleite dos voos das ondas, agradecendo o renascimento do seu ser interior e o seu regresso à vida, depois da quase paragem de respiração com o coração acelerado, abraçando num ápice todos os seus entes mais amados, ao avistar a barbatana de um tubarão-tigre, circulando a sua solitária prancha na noite, a uma dez metros de distância, sonhando com o regresso, perspetivando uma vivência com caráter permanente ao som das mornas e nas danças crioulas na sintonia de um paraíso!…

Ser Rei
Novembro 30, 2016

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O sucesso é de rei quando se sabe que o trono do poder é um precário e dissolúvel cadeirão de areão, que num instante o deixa estatelado no chão, sem uma mão na sua mão e com um profundo vazio remexendo no seu coração!

A Taça da Generosidade
Novembro 30, 2016

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A generosidade é a taça transbordando do Amor jorrando do santuário do coração, reconhecendo-se no rosto do outro como irmão, estendendo-lhe a mão, abrindo-lhe a porta do perdão, abraçando-o no silêncio da solidão, beijando-o na graça florida e orvalhada do solarengo jardim da gratidão sem descriminação!

A Petrinha e o Pedrinho – Associações (Continuação)
Novembro 30, 2016

Meninos no carrinho

– Conta, conta, Pedrinho engraçadinho!

– Conto, pois, Petrinha! Tu achas que aquela publicidade sobre vinhos de um senhor com o nome do rei do Terreiro do Paço e da rainha Maria, e com o apelido daquele filho da “tia Picaela” o Sr. Fonseca, que é o mesmo dos chinelos de quarto?

– Que associação, espertinho Pedrinho! Mas… desconheço.

– Petrinha, mas sabes a que chinelos me refiro, não é verdade?

– Pedrinho, claro que sei! Os chinelos “Da Fonseca”, fofinhos e giros, que todos os anos aparecem, pelo menos um par, no sapatinho de alguém no Natal!

– Esses mesmo, Petrinha! Já fazem parte da festa! Juntaram-se ao bacalhau, ao peru, aos fritos e aos pastéis…
Sabes o que é que eu acho, Petrinha?

– Imagino, Pedrinho, mas prefiro ouvir-te. Continua, se faz favor.

– Eu acho que os chinelos e os vinhos são do mesmo fabricante.

– Achas? Porquê, Pedrinho? Olha que me parece muito bem pensado!

– Pensar foi o que fiz, Petrinha! Calhando, o vinho nasceu primeiro. Foi à mesa de muitas festas, mas parecia ainda mais saboroso nas noites de Natal! As pessoas queriam pôr-se à vontade, sobretudo as que tinham calçado sapatos novos, ou até os velhos até que guardam para momentos especiais e depois fazem doer os pés.

– Ah! Ah, Pedrinho! Bem pensado! E depois?

– Depois, o Sr. Fonseca poderia ter sugerido: Falta-nos aqui uns chinelos com a nossa marca, Ermelinda. Seriam um sucesso! Todos apoiaram e… saíram duas especialidades bem boas para o corpinho: uma para o paladar, dizem, porque não temos idade para provas de vinhos, e outra para a comodidade dos pezinhos como sabemos, porque chinelinhos já “ganhámos” no Natal.

– Ah! Ah! Ah! Bem pensado, Pedrinho! Mas… não “ganhámos”, recebemos. Quem ganha é quem vende, quem bebe e que calça, quer sejam produtos oriundos ou não da mesma fonte.

– Qual fonte, Petrinha? Da mesma uva: uvas de videira e…

– E, Pedrinho?!…

– E… Já sei, Petrinha! A fonte é o produtor, empresário, não é? Mas… se… como diz o povo: ” Uvas, figo e melão é sustento e nutrição”, eu digo: vinho e calçado é uma consolação!

– Boa, Pedrinho!

O Lugar do Pobre
Novembro 30, 2016

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O pobre-rico-vencedor é um ser renascido, que sacudiu o pó velho e alheio das suas roupas, que limpou as nuvens turvas do olhar dos outros atiradas ao seu rosto, que empunhou o exemplo do trabalho, da dignidade e o do respeito aos outros, herança familiar, e que iniciou a sua caminhada, respirando a sua inefável liberdade, saciando-se nos livros da vida e da legítima sabedoria das bibliotecas ao seu dispor,seguindo as pegadas de luz que ao seu verdadeiro lugar o conduz!