Archive for Março, 2019

O Sono 
Março 30, 2019

O sono é um bem restaurador, e uma fuga do fingidor.

A Prudência 
Março 29, 2019

A prudência é a acuidade da inteligência!

A Jovem Clarissa
Março 29, 2019

Escutei, através das silenciosas paredes brancas uma voz clara e doce, perguntando, certamente antevendo os seus generosos préstimos a alguém idoso e/ ou necessitado,:

“- Pode subir as escadas?”

Respondi afirmativamente, agradecendo, e pisei o primeiro degrau sem saber onde pararia e quem encontraria.

No cimo do primeiro piso, o sorriso iluminado de Clarissa acolhia-me! Entreolhámo-nos como se já nos conhecêssemos, e a esbelta e elegante jovem, não obstante ter a sua beleza escondida sob o tom terra do hábito, começou a prestar-me algumas informações sobre o local que me proponha visitar, encontrando-nos alegremente nalguns pontos.

A Clarissa tem nome próprio e é uma alfacinha com profundos conhecimentos da sua causa e clareza de pensamentos expressos nos conteúdos e expressões de comunicação envoltos numa peculiar alegria, abraçando o mundo como intendi e partilhei.

Por instantes, a Clarissa visitou comigo uma das praias grandes da minha aldeia cuja história não me ocorreu narrar-lhe, se bem que se enquadrasse no âmbito da sua vida.

E…

É com esta imagem regada de doçura que a trago comigo, contagiada pela sua candura, sonhando vê-la a correr na areia vestida como a conheci, sorrindo, sentindo-se beijada por Deus na brisa marinha, criança mimada e livre, amando e sendo amada!…

Projetos e Realidade
Março 29, 2019

As cordas e os sopros dos instrumentos da separação e da aposentação são distintos, mas têm o mesmo ritmo nas notas da ilusão, pois tecem sonhos, e fazem projetos de mudança e até de animação, que as rasteiras do dia-a-dia transformam e transportam para praias de surpreendente ondulação!

Vencer o Medo
Março 29, 2019

O capitão da armada não tem medo da trovoada, nem de nada, porque logo que o perigo espreita, iça as velas com versos de uma arrojada toada!

A Minha Aldeia e o Tamanho Dela 
Março 29, 2019

Na minha aldeia também já assisti à diversidade de pessoas dormindo ao ar livre: na praia, sobre perigosos e estreitos muros, nos tejadilhos dos carros, nos bancos do jardim, em qualquer canto da rua, mas circunstancialmente – opção, necessidade ou falta de alojamento? -, nos dias de festa e euforia, em que atrai gente de todo o mundo.

Quanto mais a minha aldeia se enche de visitantes de diferentes culturas, e alguns enriquecem com outros proveitos, mais pequena me vejo, e a ela, que mutilada e assaltada nas essências da sua alma, mesmo com portas abertas a outros mares, mais se me assemelha um postigo do que uma ampla janela a espreitar a persistente dança das ondas com perenes raízes de jangadas e muitos barcos à vela!…

O Sem-Abrigo da Cidade Grande
Março 29, 2019

Era um homem de idade imprecisa. Tinha a cabeça escondida num gorro cinzento azulado, um casaco comprido, largo, desbotado, uma farta, mas triste barba que lhe tocava o umbigo, e o rosto descaído de olhar preso ao chão ou talvez adormecido, cogitei no primeiro dia em que o vi.

Partilhávamos a mesma parcela de um modesto, mas bem tratado jardim com árvores seculares quase tocando o céu, soltando algumas curiosas folhas para viajarem coladas nas asas de um ou outro ruidoso avião.

Sentei a minha gorducha e cansada mochila num banco, e coloquei-me ao seu lado no primeiro dia do meu encontro com o senhor sem-abrigo, que nem me via. Peguei numa maçã e pensei oferecer-lha, mas a sua perturbadora posição de estátua criou-me uma receosa barreira de perturbá-lo, e de não ser bem acolhida.

No dia seguinte, voltei ao jardim, e deparei-me com o mesmo senhor, que mudara de banco.

Pedi licença à minha descansada mochila e ela estendeu-me uma bolachas de arroz com cobertura de chocolate. Aceitei-a, mas olhei para rosada a maçã que estava por perto, respirei fundo e, quando me dispunha a presentear o senhor sem-abrigo, eis que me apercebo de que, não obstante a mesma posição de sem rosto, tinha numa mão uma colher, e sobre os joelhos uma embalagem de leite Mimosa, cortada, formando uma malga retangular e alta, donde sofregamente se alimentava…

Guardei a parca merenda, e retomei o percurso das minhas atividades, sentindo-me pequenininha, e trazendo aquela imagem de solitária exclusão no meu coração!…

O Homem sem Asas
Março 29, 2019

O homem prisioneiro de si próprio é pássaro sem asas faminto de voos de liberdade do ser!

As Paredes Brancas da Casa Azul
Março 29, 2019

A casa é o abrigo, o eco dos sentidos de quem se sente no mundo perdido, o ninho acordado e adormecido partilhado contigo, o altar onde o pão é repartido, a porta aberta ao coração amigo!

Apelos de Tia
Março 29, 2019

Deixa a menina crescer: errar e aprender; ser estrela no universo a cintilar e pérola de chuva no dia azul a bailar; dar passos errantes entre a tempestade e saciar-se na água dos sorrisos, pintando os seus lábios do cetim na alegria de viver!