Archive for Junho, 2008

A Paixão
Junho 29, 2008

Coração de Amor-Perfeito

A paixão apresenta-se como uma graça, mas sem o uso da razão, cega e pode tornar-se uma desgraça.

O Perdão, Liberdade e Paz
Junho 29, 2008

Idosos

Não negues o perdão a ninguém, nem a ti próprio, nem aos outros, nem na vida, nem na hora da morte!

Não te prives da liberdade e da paz de que ele é gerador.

Delícia do Dia
Junho 28, 2008

Entardecer!

O Sol envergonhado a despedir-se.

O concerto musical nas árvores vizinhas.

As carícias perfumadas da brisa marinha.

A serenidade convidativa do Atlântico.

Os cotovelos apoiados no parapeito da janela com vista para o mundo.

A desgarrada do assobio das andorinhas com as trincadelas numa torrada.

O cheiro de coentros e hortelã a boiarem num creme de cenoura.

A graça dos sentidos – Obrigada!

Na Esplanada
Junho 28, 2008

A energia das ondas condimentou a travessa de um delicioso molusco

regado com bom azeite e apaladado com pão alentejano, o sol do Verão

bebé sorriu para a amizade e a brisa percorreu a Europa, a África e a Ásia

dos amigos, das viagens, das férias!

Estórias de Meninas – A Menina Cor-de-Rosa
Junho 28, 2008

Irmãos

A Menina Cor-de-Rosa tinha uma blusa e uma saia cor-de-rosa. Despiu-as, calma e delicadamente, descalçou os seus sapatos cor-de-rosa e pôs os seus pezinhos escondidos numas meias cor-de-rosa sobre o banco castanho do balneário, esticando-se toda para as pendurar.

Ficou só com uma peça íntima, cor-de-rosa, no seu delicado corpinho e começou a tirar as meias, enquanto observava um menino que aparentava ter a sua idade, mas que era muito mais alto e robusto do que ela, cuja mãe o despia e lhe vestia um fato novo – presente da tia no dia do seu aniversário -, fazendo comentários sobre o seu crescimento, sacudindo os seus longos, louros e despenteados cabelos, que lhe tapavam os óculos, colocando-lhe o cinto branco com uma risca amarela, rodopiando-o sem piedade…

A Menina Cor-de-Rosa abriu o seu saco cor-de-rosa, tirou a sua calça branca, visivelmente usada, e vestiu-a, enquanto entrava outra mãe com outro menino, que também tinha um fato novo, mas que a progenitora não trouxera…

A Menina Cor-de-Rosa coçou o sovaco esquerdo, começou a vestir o seu casaco curto, da mesma cor da calça, e sentou-se a assistir à repetição da cena da mãe-filho-dependente, dirigindo-me um doce, discreto e cúmplice sorriso.

Depois procurou os meus olhos e balbuciou:

– Desculpe, pode ajudar-me e dar-me aqui um nó – pediu-me, mostrando-me as pontas dos atilhos existentes no interior do seu casaco branco.

– Com todo o gosto! Tenho estado a observar como és uma linda menina, que sabe cuidar de si sozinha – respondi-lhe com um sorriso de apreço. Mas preciso de dar dois nós, senão o teu casaco vai abrir-se.

A Menina Cor-de-Rosa agradeceu-me e continuou sentada a observar o menino, a quem a mãe espremia a cintura com um cinto.

Debrucei-me sobre o meu saco, tirei o meu pente cor-de-rosa da bolsa e, quando olhei para o lado, apercebei-me de que a Menina Cor-de-Rosa tinha desaparecido rápida e silenciosamente como nos filmes – ido para a sua aula, certamente -, sem termos a oportunidade de oferecermos palavras de várias cores e sabores uma à outra!…

Gostaria de voltar a encontrar-me com a Menina Cor-de-Rosa, para saber qual é a cor verdadeira do seu nome e mostrar-lhe o perfume do meu.

Amizade e Solidão
Junho 28, 2008

Dedo no Ar

A amizade conquista-se na sinceridade partilhada, risonha ou chorosa!

A solidão cultiva-se no egocentrismo e no medo.

O Silêncio
Junho 28, 2008

Mocho Sábio

O silêncio da linha telefónica desenha a absorção das tuas sábias palavras, e as caretas discordantes do teu discurso.

A Vida
Junho 28, 2008

Amor-Perfeito

A vida é um banquete oferecido por Deus, uma mesa abundante de iguarias aromatizadas enfeitada com flores, sedas e laços.

O segredo está em saber servir-se, e saboreá-la pessoal e plenamente.

O Abraço Mágico
Junho 24, 2008

Menina ao Vento

O casaco castanho tem barbas encaracoladas sobre as malhas que deixam ver o sol do outro lado quando ele dança de cabeça para baixo, depois de ter tomado banho.

Não gosta de estar fechado no seu apartamento espelhado e torce-se com saudades do seu amigo, que viajou para Lisboa e raramente o visita.

Quando está frio, a mãe do seu amigo pega-lhe e ele abraça-a calorosamente, disfarçado, lendo os seus pensamentos:

– Não é o teu casaco que visto, és tu que me abraças!

Educar e Ensinar
Junho 21, 2008

Educa quem ama, ensina quem sabe e cresce quem pode – as crianças

precisam de aprender a conjugar outros verbos, além do obsessivo e

permissivo querer!…