Archive for Dezembro, 2014

2014 in review
Dezembro 31, 2014

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2014 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

A San Francisco cable car holds 60 people. This blog was viewed about 2,500 times in 2014. If it were a cable car, it would take about 42 trips to carry that many people.

Click here to see the complete report.

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A Culpa
Dezembro 27, 2014

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Não há culpados, mas vítimas e arrependidos!

O Barco de Papel – 7.ª Página
Dezembro 21, 2014

O Barco de Papel

Está sempre de porta aberta, porque as pessoas conhecidas e também as curiosas andam sempre a entrar e a sair, para o consultarem!

E… por vezes, até fazem fila!

E… também acontece sentirem calor, se tropeçam nas palavras: ardente, fogão, corrida, bofetada, vergonha!

E… podem ter arrepios quando tocam nos vocábulos: frio, congelado, neve, chuva, ventania!

E… crescer-lhes água na boca, se exalavam o perfume de comida: bife e batatas fritas; bolo de chocolate e arroz-doce; sopa de legumes e canja.

E… começam a sonhar quando os sons são: férias, praia, campo, viagens; Natal: árvore, presépio, presentes, festa da família; Páscoa: ovos de chocolate, amêndoas, passagem; carnaval: máscaras, fantasias; aniversários: bolo de velas, parabéns, festa!…

Estão a gostar da tripulação d´O Barco de Papel?

Mas… ainda nos falta um marinheiro! É especial! Querem conhecê-lo?

O Cão-Inspetor, o Gil, de pelo castanho claro e branco muito macio e brilhante, porque ele é muito asseado!

Tem os olhos grandes e espertos, da mesma cor!

Os dentes muito branquinhos, porque lava-os sempre depois das refeições, e também quando come chocolates!

E… cogitava como iria apanhar a galinha vermelha e preta, que usava uns óculos que mudavam de cor, conforme o que ela comia, e que estavam no tom das alfaces que tinham desaparecido da hortinha da praia, a que ficava no lado direito da íngreme estrada, donde as pequenas bananeiras podiam namorar o mar, e espreitar os banhistas, e onde todos os legumes estavam tristes, por verem o Sr. Jaime a chorar por ter sido assaltado!…

(continua)

A Reconstrução do Tijolo pelo Coração
Dezembro 20, 2014

Reflexos da Chuva, 2014

No amor, o tijolo tombado de um muro reedifica um palácio com quatro mãos entrelaçdas no pulsar de um só coração!

As Estórias de Tó – Os Doces nas Épocas Festivas
Dezembro 20, 2014

Crianças, As Estórias da Tó

A Tó foi sempre reconhecida pelos seus dotes para a  culinária. Até o netinho mais velho, quando a mãe ainda lhe lia uma das suas histórias preferidas: A Ratinha Sibila, que era identificada como uma grande cozinheira, apressava-se a fazer-lhe jus, dizendo:

” – A minha avó também é!”

Em todas as datas festivas, as do calendário e as familiares, delicia-se com as formas, as colheres de pau, o abrir e fechar a porta do forno,  e tudo o que possa fazer crescer água na boca de quem a rodeia.

Mas, a Tó gosta particularmente de fazer folares, da sua receita secreta, aquela que o seu caderno esconde nas entre-linhas da sua memória os seus truques pessoais.

Todos os anos, ao sentir a aproximação da Páscoa,  a Tó junta os ingredientes, amassa-os com as articulações deformadas dos incansáveis dedos, estica, bate, enrola, volta a afundar as hábeis e ágeis mãos,  deixa-os a “descansar” no enorme alguidar de barro tapados com um pano branco, um lençol de estimação, que nunca conheceu nenhum colchão, nem sentiu o cetim da pele humana.

Um ano, enquanto a massa repousava, a Tó foi a um funeral. Depois soube que se seguiria outro, de uma boa pessoa, de quem ela também gostava muito, e dispôs-se a acompanhá-la. Sucedeu o mesmo com mais uma despedida!

E… no cansativo passinho miudinho até à última morada com sussurros de lamentos, silêncios e esparsos ruídos inoportunos, a que a Tó é surda-muda, as horas foram passando!

No regresso a casa, esperava-a uma surpresa: a massa tinha saltado das bordas do alguidar, e começava a gatinhar sobre os mosaicos.

A Tó levou as mãos à cabeça!

Depois sorriu!

E… apressou-se a tender os folares, que, indiferentes a esta história, mereceram o apreço de todos!

Nesta época, enquanto a Tó prepara as maravilhosas “espécies” para os pastéis de Natal, prepara as castanhas para o tronco de comer e chorar por mais, e faz as estrelas de figo e amêndoa, que o forno dourará, e já sonha com o cremoso e afamado arroz-doce, o melhor é deixá-la sozinha dedicada à sua arte, tal como sucede quando se trata de atividades de corte e costura!

As Lágrimas Ardentes
Dezembro 20, 2014

Mar Choroso-Rosado, 2012

As lágrimas ardentes saltam em soluços das dolorosas chamas do coração!

Gente Boa da Minha Aldeia – Encontros e Encontrões à Beira do Caminho
Dezembro 20, 2014

Quilha de Barco-reflexos, 2012

A minha aldeia, como todas as aldeias, respira cumprimentos e desabafos a todos os passos e nalgumas esquinas, se bem que se tornem mais ventosas na prosa e na aragem fria, soprando do Norte!

Um Sr. de alguma idade, mas em cujo rosto os sulcos não haviam passado, talvez por ter sido bajulado pelas carícias da sorte, a começar pela esposa, “uma santa” como todos afirmam, que permanece na minhas memórias pela sua tranquilidade e doçura, discursava como um imponente político depois de ter sido eleito.

A voz orgulhosa repetia aos seus mudos interlocutores, impressionando-os:

– Sessenta anos! Parece mentira! Sessenta anos! É verdade! Há sessenta anos que somos casados! Sessenta anos de casados! E ainda dormimos na mesma cama e tudo!

O jovem casal entreolhou-se de pupilas dilatadas. As suas faces iam tomando uma cor de pô-de-arroz rosado!

E… o Sr. continuava declamando, ouvindo-se!…

A noite caía e com ela a pressa do jovem casal para prosseguir o seu caminho, talvez traçando uma linha mais forte e longa no seu percurso, de sessenta vezes doze – quem sabe?

As Estórias da Bia – A Redação da Pressa Sem Ela
Dezembro 10, 2014

Contos de Criança

Um dia, a Bia mandou os alunos do segundo ano, que teriam de fazer exame no liceu distrital, elaborar uma redação subordinado ao tema: “Devagar, porque tenho pressa!”

A turma entreolhou-se muda e assustada!

Ninguém sabia o que escrever!

Então, se alguém tinha pressa, porque teria de ir devagar? – interrogavam-se os olhares dos alunos.

O silêncio reinava na sala!

Uma menina tímida parecia ter encontrado uma resposta! De vez em quando, baixava a cabeça, e tomava umas notas na sua sebenta.

A professora começou a explicar como os alunos poderiam desenvolver o tema.

Mas… a menina tímida já escrevera uma frase:

“- Se andarmos muito depressa, podemos tropeçar e espalharmo-nos no chão, ou dar um empurrão a outra pessoa, que, se for uma criança ou um velhinho, pode ficar mal. Também se estivermos a fazer os deveres à pressa, por exemplo, as contas e os problemas, nunca chegaremos a ser economistas, e o país torna-se uma desgraça.”

Na redação, a menina tímida não incluiu esta frase, mas lembrar-se-ia e citaria ao longo da sua vida aquele título, ao qual acrescentou um dia:

” – Não queiras correr, se ainda não sabes andar!”

A Bússola do Coração
Dezembro 10, 2014

Primavera na Praia-2012

As velas da tua barquinha só atravessam as tempestades, se a bússola do teu coração te indicar a direção!

As Filhas do Senhor Doutor
Dezembro 10, 2014

Flores Sem Idade, 2014

Trata-as carinhosamente por filhas, principalmente quando as conforta nas dores que são medo, e no medo de que a vida se desprenda de um ou de outro fino fio de cabelo da sua imaginação!

Mas, estas filhas são mais novas do que “o pai”, o Sr. Dr. que elogia a ajuda do telemóvel, e agradece a sua colaboração para auscultar e estar mais perto de cada coração!

E o Senhor-Doutor-Pai-Amigo também é um sensível e zeloso jardineiro, cuidando das flores nonagenárias cuja autonomia no domicílio, no dia-a-dia, e nas visitas com que o presenteiam se fazem orgulhosa e independentemente deslocar em “carros de praça”, para não atrapalharem a família nas correrias das suas azáfamas.

E… quão felizes suspiram estas filhas, que poderiam ser a simbiose de uma só mãe, com o bálsamo inalado nas ternas e tranquilizantes recomendações de um Sr. Dr. ímpar com quem podem sempre contar!