Archive for the ‘Coisas e Loisas’ Category

A Despedida Precoce
Dezembro 7, 2017

Despede-se precocemente da vida pelo adormecimento das suas faculdades quem com tanta dor pedia para partir antes do seu esposo muito amado por não poder resistir ao medo de um dia ter de viver sem respirar o seu calor e tê-lo sempre a seu lado!…

E…

Sozinho no seu lar sem escutar o jorrar de hinos de amor da sua fonte a cantar, os cabelos de prata do marido afagam a saudade no silêncio da solidão nos dias longos e nas noites com memórias de danças e beijos de estrelas ora despidas de enamorado luar!…

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A “Combinação” Não Descombinada
Novembro 29, 2017

O corte abrupto e arrogante da “combinação”, sem prévia informação, nem haver qualquer razão, é a mera revelação da inequívoca desconsideração e desrespeito pelos laços da amizade, uma idiotice reveladora de imaturidade, falsamente mascarada de traços de mocidade!

A Esvoaçante Hera
Novembro 29, 2017

Cantam as folhas entrelaçadas da hera com a brisa da cidade grande espreguiçando-se no Tejo, e dançam para adormecer as rendas calejadas da janela, guardando sonhos descobertos pelos repicar dos sinos da Estrela, sua grandiosa vizinha, mirando-se na arte dos polidos espelhos, aconchegada a memória das paredes revestidas pelo tempo fora pelo trinar dos pássaros renascidos nas manhãs vestidas de esperança!

Ser Diferente
Novembro 29, 2017

Ser diferente é traço inteligente de quem reconhece a beleza da inodora flor do chorão com pétalas de finos fios de princesa e “queijinhos” no coração, que outrora deleitavam as crianças de bolsos rotos, mendigando um duro naco de pão, contrastando com a aveludada e perfumada rosa, símbolo de amor, com caules afiados, prontos para impiedosamente entrar em ação como o gigantesco bico rochoso, atirando-se à brincalhona ondulação.

O Culto da Vida Humana
Novembro 3, 2017

Presta-se culto de despedida, de perdão, arrependimento aos entes queridos desaparecidos do cimo da Terra, mas caminha-se na indiferença entre os que a habitam, os espectros sem rumo, sem família, sem trabalho, sem comida, os saltimbancos sem sonhos, os solitários sem abrigo, as sombras da sociedade sonâmbula!…

Lágrimas de Cinza
Outubro 23, 2017

São lágrimas de cinza as que secam os olhos da “ocidental praia Lusitana”, queimam os corações de dor, vestem de luto a nudez das montanhas, mascarram as mãos vazias e calejadas, revoltam os mares de navegantes e pescadores, chamando a chuva na noite chorosa e desabrigada…

São lágrimas de cinza as que entristecem a clara luz da madrugada, limpando-as com pétalas orvalhadas de solidariedade reconstruída com esperança repartida, plantando pão nas espigas que trazem ao peito, sussurrando no parco e frio leito uma canção que se chama: vida!

São lágrimas de cinza as que regam a terra quente e ressequida, fazendo renascer os corcéis de força vencedora, erguendo os braços na destemida fúria de quem acredita e faz anunciar uma nova primavera em que todos são guardas-florestais, guardas-rios, guardadores de gado, vigias, pedreiros, calceteiros, agricultores, poetas, médicos e enfermeiros das suas e de outras dores, crentes e descrentes, pobres, sonhadores e senhores desta Pequena-Grande-Nação!

Abraço, Portugal! – não há terramoto que te aniquile, nem tempestade sem porto que te abrigue, nem fado que te cale!

O Popular Poder da Aguardente
Outubro 22, 2017

Dizia, entre si, a sabedoria popular…

“- Viva a aguardente, que salva a gente!” – gritou o andrajoso a quem as crianças chamavam: “Valente!”

“- Diz que salva, pois!” – aplaudia a ti´Rufina! Ao mata-bicho, aquece tudo por aí abaixo, que é uma beleza! Ainda está p`ra nascer quem não faça caretas com aquela pólvora!

” – É remédio santo quando a magana da constipação engraça com uma pessoa! É só prantar-lhe um colher de mel, que a mezinha está pronta!” – retorquiu o ti´ Miquelino. Há quem diga que tira a azia “condo” as mulheres estão prenhas, e que os gaiatos até nascem com mais cabelo!

Presenciando a prosa, eis que uma dúvida se levanta…

“- Ó mãe, “atão” se a aguardente é uma coisa tão boa, porque é que o avô compra na venda do ti´ Chico em vez de ir à farmácia da Dr.ª Sãozinha, se, ainda por cima, aquilo tem álcool?” – perguntou, intrigado, o Toninho.

” – Olha, filho, na botica, que a mãe se lembre de ouvir falar, só se vendia, além do álcool normal, um mais forte, mas era para as mulheres fazerem licores em casa e levaram à mesa nos dias de festa, e não para mata-bicho nenhum. E também havia a cerveja preta, para fortalecer logo ao pequeno almoço com gema de ovo, mais para dar vigor aos moços, mas devia ser um remédio, pois claro!” – respondeu a Dália, a moça mais jeitosa da aldeia.

O “Macaquinho de Imitação”
Outubro 22, 2017

A criança que escuta, vê e repete, cresce, aprendendo por assimilação.

Mas…

O adulto despido de informação e parco de formação é um perfeito “macaquinho de imitação”, servindo-se do saber dos outros para o espetáculo da sua exibição, ficando à espera da vaidosa e indigna ovação, onda de espuma perdida na dissolução.

O Vestido Vermelho
Outubro 15, 2017

O vestido vermelho não era feio, nem bonito, nem curto, nem comprido.

O vestido vermelho era um retalho bem cortado e cintado passeando muito bem engomado.

O vestido vermelho não era atrevido, nem arrendado, nem decotado, nem plissado.

O vestido vermelho era um molde bem marcado, fazendo corar quem o olhava, pasmado!

O vestido vermelho não era um peitilho, mas uma rosa vermelha, falando pelos cotovelos!

Lágrimas de Saudade
Outubro 14, 2017

Choram as recordações abandonadas, sem rostos risonhos, nem bochechas molhadas, sem braçadeiras nas ondas deitadas, nem gargalhadas da criançada, sem aventuras e descobertas, nem caminhadas a cantar, e nas curvas muito bem caladas!