Archive for the ‘Coisas e Loisas’ Category

Cortes no Tempo e Aumentos nas Lancheiras
Junho 24, 2017

Corria, apressada, olhando para o relógio, achando-se atrasada para a que ainda poderia ser uma demorada visita à amiga.

Ia carregada de lancheira, puxando pelo marido, também ele carregado, em direção ao elevador, ansiosa por chegar ao quarto de hospital, que, pela sua jovialidade, mais parece um hotel, e onde refastelada, a amiga já negara uma couve mal encarada e meia posta de peixe sem estar temperada!

Amigo de verdade é árvore florida dando fruto toda a vida!

Trabalhar e (des)Cansar
Junho 23, 2017

Há quem se canse de tanto labutar e de tão pouco ganhar, mas continua a lutar!

Há quem se canse de tanto procurar e de a tantas portas mendigar, sem trabalho encontrar!

E…

Há quem não se canse de magicar na melhor maneira de ficar ao sol a descansar sem se ralar!

Palmas de Alegria
Junho 23, 2017

A poesia nascia, o catecismo sorria e a inocente criança corria à volta da árvore que floria, batendo palmas de alegria!

Despedida
Junho 23, 2017

Que ninguém desista de si, embriagando-se perdidamente na escuridão do beco da solidão, negando o seu direito à essência da vida, pondo um ferrolho no coração!

Que ninguém caia no chão sem apanhar um bago de areia, transformando-o ali num colorido balão, erguendo-se trémula e vitoriosamente pelos seus cansados pés do chão!

Que ninguém diga adeus à vida sem a ténue despedida, olhando para a barcaça da esperança acenando-lhe no vaivém da ondulação, sentindo o calor de uma mão na sua mão!

Até ao paraíso, Meu Amigo-Irmão!

Ser Criança
Junho 1, 2017

Ser criança é olhar à volta e procurar saciar a curiosidade:

“- Pai, quem é este senhor?!…”

” – Filho, é um grande navegador!”

“- Então, porque é que ele está aqui a olhar para o mar, em vez de ir navegar?”

O Salto Alto e a Recompensa
Maio 29, 2017

O salto alto, que não era a medida do teu sapato, desequilibrou-se, e o falso príncipe que to calçou, sem dar-te a mão, se afastou, e o chão que gentilmente te acolheu, recompensou-te com uma linda flor que te ofertou!

A Despedida
Maio 15, 2017

Na hora da despedida, a máquina fecha os olhos às imagens que eram só tuas, o rumor de poente adormece a vida, e a dança das sombras brinca com a lua nos clarões das ondas perdidas nas marés!

O Espelho Quebrado de Esperança
Maio 15, 2017

No espelho do tempo era a mocidade sem idade festejada que sorria, era a pausada e graciosa voz que repetidamente agradecia, era a saudosa memória que paciente estremecia e docemente gemia!…

Mas…

No outro lado da linha, um ruído gelado soprando ao ouvido surgia, quebrando a reciprocidade da breve e melodiosa alegria, levantando ondas na barcaça da legítima liberdade, desperdiçando o tempo, que a esperança de vida entorpecia, exilando um breve momento que não se repetiria!…

Mães de Braços Vazios
Maio 11, 2017

Era o Dia da Mãe!

Era o Dia da Mãe-Homenagem, festejando a vida!

Era o Dia da Mãe-Saudade, chorando a despedida!

Era o Dia da Mãe-Sonho, suspirando gerar a vida!

Era o Dia da Mãe-Coração, abraçando o filho-dádiva!

Era o Dia da Mãe-Soluço, embalando a memória vivida!

É para ti, Mãe-Sozinha, Mãe-Esquecida, Mãe-Desassossego, Mãe-Amiga, Mãe-Desconhecida que trago todos os dias estas flores no meu coração, bailando na transparência do teu mar de amor, sussurrando canções de embalar no silêncio que é só teu e que faz eco no Céu!

Abraço meu, secreto, plácido, transparente, mudo, instante de mar por ti desconhecido, aspirando a ser carícia de brisa, sentida!

A Semente da Solidão
Maio 11, 2017

Planta-se a primeira semente da solidão quando, perdido na liberdade do seu ser, em vez de se caminhar de mão dada com alguém, olhando na mesma direção, se agarra cegamente a uma frágil linha de alinhavar, imaginado-a um forte e perpétuo cordão, negando a dignidade da autonomia, confundindo os circuitos da razão, perdendo-se no vazio da desconhecida multidão com muros à volta sem memórias de rostos e sem olhos de musgo ao entardecer!