Archive for Novembro, 2018

O Bálsamo da História
Novembro 21, 2018

A história que à noite embala, faz bem ao coração e desenvolve a imaginação.

As Medidas da Roupagem Alheia
Novembro 21, 2018

Quem se veste com a sábia roupagem do outro, vê-se ao espelho e sente-se muito bem parecido, mas…, na verdade, as calças ficam-lhe apertadas e curtas, e os vestidos largos e compridos, além de que os sapatos não lhe servem, nem há bonés, nem chapéus que lhe assentem na cabeça – porque será?

Que “coisa” feia!

Falta-lhe o despontar da sua primavera, ter rebentos, deixá-los crescer e… torna-se árvore ricamente vestida da sua própria folhagem!…

A Petrinha e o Pedrinho – Observadores
Novembro 21, 2018

– Petrinha! Petrinha!

– Diz, Pedrinho!

– Não digo nada, Petrinha! Tu é que me vais dizer se sabes estas super adivinhas, daquelas que não vêm nos livros.

– Ó Pedrinho, que sabichão!

– Podes dizer, Pretinha! Pedrinho sabichão-adivinhão!

– Ah! Ah! Só tu! Então qual é a tua adivinha?

– Adivinha, adivinha, Petrinha, como é que o modernismo das calças rotas, que tanto choca as pessoas de joelhos e pernas bem tapadinhos e sem buraquinhos, vai dar uma voltinha?!…

– Hum! Deixa-me pensar, Pedrinho! Talvez uma voltinha menos rotazinha, sobretudo no inverno, mas… isso é um caso…

– É um caso, sim, Petrinha, um caso sério para os estilistas. Mas… quem é que vai convencer aquelas boquinhas a abertas e as pernas com ventiladores a aceitarem tal mudança?

– Cogitando, Pedrinho…

– Cogita, Petrinha, mas responde certinho à minha adivinha.

– Já sei, Pedrinho! Com agulha, linha e dedal! E… muita imaginação! Costura criativa!

– Ah! Ah! Petrinha! Frio! Essa ideia é… muito de… menina! Vou ajudar-te com uma palavrinha…

– Ajuda-me, ajuda-me… menino-homenzinho

– Ajudo, pois, Petrinha! Para ser completo, e esta ideia da adivinha veio-me à cabeça depois de ouvir um comentário da avó sobre a modinha da calcinha rotazinha, que de lembrança dos mais pobrezinhos, pode também igualar com uns retalhinhos…

– Retalhinhos, Pedrinho?!… Já ouvi falar em mantas de retalhos, mas… pensando bem…

– Já sei a resposta da tua adivinha: remendos ou chapas.

– Que espertinha, Petrinha! Adivinhaste! Já imaginastes aqueles buraquinhos todos tapadinhos com outros tecidos, diferentes e coloridos?!…

– Muito à frente, Pedrinho! Ou melhor, um “à frente”, recuando no tempo.

– À frente, pois, Petrinha! Então a roupa remendada não surgiu depois de estar esburacada? Sou mesmo um génio! Vou fazer uns desenhos e pôr nas redes sociais!

– Ah! Ah! Pedrinho-geniozinho! Agora é a minha vez. Adivinha, adivinha, porque é mais fácil arrumar um carro num lugar apertadinho na cidade grande do que numa vila ou aldeiazinha?

– Ora, Petrinha! Essa é muito fácil! No campo e na vila a vida não é mais calma e tudo com mais largueza como diz o avô? Na cidade grande é por causa da pressa, para o pessoal ficar à frente nas filas; anda tudo atrás uns dos outros, e encolhidos ou apertadinhos, a desperdiçar a vida, coitados!

– Frio, Pedrinho! É por causa dos acidentes.

– Dos acidentes, Petrinha? Não alcancei – ” até já pareço o tio”

– Sim, Pedrinho! Como diria a tia alentejana: “Com a doidera de andarem a correr uns atrás dos outros, os carrinhos têm medo de serem levadoe e… aconchegam-se no primeiro buraquinho que encontram!”

– Ah! Ah! Que diria, Petrinha, que os carros da cidade grande eram tão medricas!

A Dança
Novembro 16, 2018

A dança é a memória do corpo sintonizado com o canto de amor no ritmo aveludado do ventre materno, em que a criança se reconhece no silêncio caloroso do perene alimento, esperança pura sem dor nem tormento, poema dos poemas de luz e alento!

O Sopro na Solidão
Novembro 16, 2018

Há longos arrepios de frio na geometria das janelas onde o mar ensonado se eleva na paisagem nua de boca entreaberta, soprando a solidão deitada na rua!

Sorriso do Dia – Perfumes de Luz
Novembro 16, 2018

Sorriso do dia é beijares a doce madrugada, e vestires-te de meio-dia de um verão de agosto na perfeita harmonia da alegria, sentindo a luz do sol no rosto, sem medo das sombras da saudade, conquistando os abraços perdidos na cintilante liberdade das estrelas bordando a baía de floridos poemas, contando fantásticas histórias de corajosas caravelas pintadas de trémulas e coloridas aguarelas com esparsos ecos de frescas gargalhadas no azul deitadas!

A Lentidão
Novembro 16, 2018

A lentidão ou é preguiça, ou doença puxando-te para o chão, ou falta de ânimo para accionares o teu coração sem passos perdidos, nem rumo à solidão!

Quando eu For Grande – Sexagésimo Oitavo Desejo
Novembro 16, 2018

Quando eu for grande, quero ser as pétalas de poesia deitadas ao luar a adivinhar a roda da justiça a brilhar!

Quando eu for grande, quero ser um ramo de alecrim para o teu nariz beijar e estares sempre ao pé de mim!

Quando eu for grande, quero ser uma árvores ressequida para me puderes regar e te encantar com os olhos da folhagem a rebentar!

Quando eu for grande, quero ser o silêncio, impedindo o ruído de te incomodar para escutares devagar a voz do mar dentro de ti a cantar!

Quando eu for grande, quero ser o mapa do tempo para te mostrar que um dia vais mudar de lugar e o jardim da memória vais abraçar!

Quando eu for grande, quero ser o arco-íris do sonho para te acordar e a cítara da alegria começares a tocar!

Quando eu for grande, quero ser o farol para dos perigosos rochedos te afastar, e da transparente beleza da pura verdade te aproximar!

As Raízes Humanas
Novembro 16, 2018

As raízes humanas são ondas do mar ora a dormitar, ora a cantar, ora a dançar, imagens mudas sempre a brilhar, que os outros nem podem imaginar, barcos de verdade às praias brancas a acenar!

O Barco da Educação
Novembro 16, 2018

O barco da educação só conduz a bom porto quem aprende: a remar, a içar as velas, a deitar e a recolher as redes, a seguir as estrelas, a fazer-se ao largo e a saber regressar!

E…

Para isso é preciso que haja mestria na arte de amar para ensinar a navegar: com a calmaria, com a brisa a gingar, com o vento a gritar, sendo senhor dos segredos das sereias e dos suspiros dos lobos do mar, brilhando no peito a luz da alegria sem medo de cantar, de chorar, de se espreguiçar à frente das ondas sempre a bailar!