Archive for Maio, 2018

As Estátuas Humanas
Maio 29, 2018

As estátuas humanas são pedras salgadas sem o baloiço das ondas brilhando nos olhos do coração!

O Menino da Avó Belina
Maio 29, 2018

O netinho preferido da avó Belina, poeta de coração e muito brincalhão, que não pôde chegar a escuteiro pelas partidas que pregava aos pássaros, gostava de conquistar os seus segredos e, um dia, perguntou-lhe baixinho:

– Avó, quem é o seu filho preferido?

– O Esu!- respondeu-lhe a avó Belina, ternamente, sorrindo, orgulhosa do seu menino!

Desafiando a mãe, que dizia ser mais bela do que a lua e todas as estrelas, o netinha preferido da avó Belina, a quem, ao contrário do mais velho, ela nunca precisara de ensinar: contas, nem letras, nem boas maneiras, apressava-se a divertir-se, dizendo:

– Mãe, mãe, sabes que é o filho preferido da avó?

– Sei, pois! – afirmava, segura de si, a Didi, abandonando a cozinha. Sou eu!

– Tu? Tu? Não és nada! O filho preferido da avó é o meu padrinho, o tio Esu! – replicava o menino.

Surpreendida e sentindo-se destronada, a Didi ia questionar a mãe, que ria, ria, ria, mesmo perante a justificação da sua muito amada filhinha, que ficara órfã de pai apenas com quatro anos, de terem vivido sempre uma com a outra e darem-se muito bem, e respondia-lhe:

– Pronto! Tu és a segunda! Mas o teu irmão…

– Já sei, mãe! Era o menino mais bonito que havia e toda a gente o queria ver. Mas eu não esperava isto de si, apesar de o Esu ser muito especial para mim, nosso amigo e ter-me dado a minha primeira sobrinha, a madrinha do seu netinho querido.

– É verdade, filha, o teu irmão era muito lindo, mas ainda mostrou sê-lo mais quando ficámos os três sozinhos e, mesmo depois de ter a sua casa, esteve sempre connosco. Ainda me lembro de quando ele te comprou os teus primeiros sapatos e… de tanta coisa boa ao longo dos anos! – retorquia a mãe, emocionada.

E… num inefável abraço, a avó Belina, a dedicada filha Didi e o netinho querido festejavam o amor que unia a família!

A Lealdade
Maio 29, 2018

A lealdade é a perene manhã clara da verdade!

A Pagizinha, uma Menina Crescida
Maio 29, 2018

A Pagizinha está cada vez mais eficiente, simpática, pensadora!

Sorri muito, a minha afilhadinha-amiguinha, mas também se detém nas narrativas do quotidiano, alongando os seus lindos e sábios olhos para o infinito como quem vê o que não se disse e não se apercebera, mas que ela analisa silenciosa, prudente e inteligentemente!

Sensível, deixa-se tocar pelos sentimentos dos colegas, abraçando com intermináveis sorrisos todas as suas boas ações, que parece emoldurar num quadro dourado de recordações, e envolve-se emocionalmente com o mau humor justificado dos adultos, compadecida e um tanto ao quanto preocupada com os mistérios dos mais crescidos, que a sua inexperiência ainda não descortina.

Distinguindo o bem do mal, o bom comportamento do incorreto, a boa-educação da sua ausência, a menina “Eu sou de Jesus” caminha acordada, chama a atenção e, como uma irmã mais velha ou uma mãe firme e encantada, procura andar com todos de mão dada!

Ah! E quando algo acontece, alguém escorrega ou uma amiga fica magoada, a Pagizinha emociona-se e enquanto não tem contacto, não fica descansada!

Sorriso do Dia – A Açucena 
Maio 28, 2018

O sorriso de açucena é doce beijo atirado com graça, milagre de amor que a todos abraça!

Natureza Nublada
Maio 27, 2018

Dormir acordado é barco navegando no porto atracado!

A Dança do Luar
Maio 27, 2018

O luar é a dança dourada da baía com os barcos a baloiçar!

Saber Tudo e Tudo Perder
Maio 20, 2018

Quem tudo quer saber só se está a perder, apagando a luz de uma suplicante vela que alguém lhe pede para ajudar a acender!

Lágrimas de Dor
Maio 20, 2018

Lágrimas de dor são pérolas de amor, balões voando do coração sem caírem, nem sentirem o calor da tua mão, fundindo-se sozinhas no azul de uma constelação!

A Petrinha e o Pedrinho – As Línguas Mortas
Maio 20, 2018

– Ó Petrinha, ouviste a D. Formosa?

– Não Pedrinho! Sucedeu alguma coisa?

– Oh! Se sucedeu, Petrinha! A D. Formosa estava a dizer, meio chorosa, que agora é que ela não percebia nada.

– Nada?!… Do que se tratava, Pedrinho?

– Não sei bem, falava sobre línguas, que já não tinha idade para essas coisas, “mais a mais” línguas mortas! Até pensei que tivesse ido ao restaurante fora de hora e só houve, por exemplo, língua de vaca.

– Ah! Ah! Pedrinho, talvez a D. Formosa não estivesse a falar sobre esse tipo de língua morta, mas das não faladas, que já não se usam verbalmente.

– Ahhhh! Deixa-me cogitar, Petrinha!

– Cogita, Pedrinho, enquanto eu vou ver o significado de uma palavra no dicionário de latim, que é uma língua morta!

– Boa! Já percebi! Obrigada pela ajuda, Petrinha. Mas… o grego também é… Hummm! Aquele professor que traduziu o Homero há pouco tempo, também disse numa entrevista, apoiava a tia Lia, que o grego devia ser ensinado no ensino secundário.

– Sim Pedrinho, mas seria para efeitos de tradução de documentos antigos, um grande contributo para a cultura.

– Olha, Petrinha, eu até percebo, mas acho que não gostaria de ficar grego com tanto grego. Que grande “greguice”! E a D. Formosa? Se nem se dá bem com a língua de vaca. Coitada da D. Formosa!

– Pedrinho, talvez o seu problema seja a tradução do latim usado nos cânticos e orações de algumas celebrações religiosas.

– Ohhh! Pior ainda, Petrinha! Se a D. Formosa não percebe, como sabe o que está a repetir ou a ouvir? Coitada da D. Formosa!

– Normas, Pedrinho!

– Ó Petrinha, mas eu também ouvi a D. Formosa dizer que isso tinha acabado há muitos anos! Achas que é do tempo do véu? Daqui a pouco os véus estão na moda outra vez!

– Faltam os textos traduzidos do latim, Pedrinho!

– Latim?!… Ah! Agora entendo por que é que a D. Formosa estava tão desgostosa. “Quem não sabe latim, fica assim!” Coitada da D. Formosa! Não achas que falta um gesto no “assim”, Petrinha?

– Ah! Ah! Lá estás tu a inventar, Pedrinho!

– Não estou nada, Petrinha! “Fica assim”, como? O gesto é tudo!