Archive for Dezembro, 2013

Árvores com Rosto de Mulher
Dezembro 30, 2013

Árvore de Inverno

No caminho, há árvores com rosto de mulher, despertando o inverno com sorriso de esperança e beijos rubros, atravessando as tempestades, belas e vigorosas!

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O Mar Brincalhão
Dezembro 30, 2013

Mar Saltitante

O mar é muito brincalhão!

Nos dias muito frios, resolve dar saltos para se aquecer, por isso veste-se de noiva, e joga às quentinhas com as rochas e com a areia, e… como também gosta muito das pessoas que ficam de boca aberta a olhar para ele, pinta os lábios das senhoras e das meninas com gotinhas de sal, embacia as lentes dos óculos dos homens, e molha os narizes dos meninos.

Mas… ninguém se importa!

As crianças batem palmas às ondas, e os adultos ficam a ouvir a sua voz: uns recordando as histórias do mar; outros viajando na imaginação.

Alguns sentem medo, mas ficam caladinhos, e os mais idosos disfarçam, dizendo que o mar mete respeito!

E… os corações de todos ora batem acelerados, ora parecem parar suspensos pela espetacular e assustadora beleza!

A Minha Aldeia e os Sinais de Mau Tempo
Dezembro 30, 2013

Nuvens Anunciadoras 2013

Na minha aldeia, toda a gente percebe os sinais anunciadores de mau tempo:

– o pescador da boina preta franze o rosto desanimado para as desalvoradas gaivotas em terra, cantando roucas e repetidas melodias de vendavais;

– o gaiato do boné chora, porque o vento chuta-lhe a bola para fora da imaginária baliza sem lhe pedir licença;

– a jovem entendida em química declara com ar grave e convicto que ouviu o sino fora de horas, garantindo que ele – o mau tempo – está a levantar-se;

– o vendedor de castanhas diz que ele – o vento – está a soprar daquele lado, e que o melhor é recolher, antes que caia uma chuvada;

– a menina rabina bate o pé, porque a mãe não a deixa ir andar de bicicleta, porque ouviu o boletim meteorológico;

– a dona de casa, com o pesado saco das compras na mão, acelera o passo, pois não tarda as maganas das nuvens desatam a chorar, e fica com a roupa que deixou no estendal toda molhada;

– o Jacinto olha para o céu e sorri, dizendo à sua Maria que uma aguinha vem a calhar para regar a horta!

A Folha e o Homem
Dezembro 27, 2013

Folha Caída, 2013

Sou uma pálida folha caída da árvore, deitada no chão, sozinha como um sem-abrigo à margem da sociedade!

A Rota dos Aviões-Peixes
Dezembro 27, 2013

Árvore Outonal, 2013

Os aviões atravessam o terraço das árvores com caudas de peixes brancos e escamas de sonhos cor-de-rosa, estremecendo as nuvens com os seus roncos!

 

As Estórias da Tó – O Relógio Sempre Certo
Dezembro 27, 2013

Crianças - Estórias da Menina Tó by lusografias

A Tó não gosta de acertar o seu relógio, nem adiantando, nem atrasando a hora!

– Prefiro, assim! – afirma orgulhosamente!

E alega que efetua o cálculo mental, desafiando-se, pois nunca se engana!

E… para convencer a família salienta que o marido também não acertava o relógio, mas… por que precisava de estar sempre sintonizado com as marés!

E… acrescenta que o irmão, também pescador, segue a mesma regra!

Mas… os netinhos lá a convenceram a atualizar a hora!

Veremos se continua a ser pontual nos seus compromissos como tanto privilegia!

Estórias de Meninas – As Lágrimas da Menina do Casaco Branco e Fofo
Dezembro 27, 2013

Crianças by lusografias

Era véspera de Natal!

Cumprimentei a Menina do casaco branco, fofo e muito quentinho, que estava ao meu lado.

Ela retribuiu com um sorriso apagado, e limpou as lágrimas da sua dor pela mãe hospitalizada, e muda!

Estava perdida!

Não me fazia perguntas como quando estávamos nas aulas, em que se distinguia discretamente pelos resultados, mas o seu olhar triste e cansado questionava-me à procura de respostas de esperança!

Confortei-a!

Falámos sobre o enriquecimento afetivo e alegre, tanto quanto possível, que precisava de imprimir à comunicação verbal unilateral!

Procurou outro lenço, e apanhou as lágrimas que rolavam no seu rosto, despedindo-se com um grato sorriso, e os pés colados ao chão!

As Estórias da Bia – O Grande e o Pequeno Presépio
Dezembro 27, 2013

Flores de Natal, 2013

A Bia recorda com saudade o grande presépio que ocupava quase a totalidade da cozinha da mãe!

Todos os anos, muito cedo, a irmã  mais velha começava a carregar pedras e musgo, e a construir o presépio onde não faltavam os regatos feitos de prata de algum chocolate dos furos da mercearia da´A Portugueza, nem as ovelhinhas a pastar,  e, claro, todas as figuras com destaque para: o Menino, Maria Sua Mãe, e S. José, todas de barro pintado –  pequenas e lindas, afirma!

Este ano, a Bia, cuja inteligência continua veloz como o vento, ao contrário dos seus passos, que se tornaram mais lentos com o peso dos anos e particularmente das desventuras  familiares: o marido e a irmã, ambos acamados, mas sempre dinâmica, dizia não sentir forças para montar o seu modesto presépio, mas colocou o estandarte do Menino Jesus na parede exterior da sua casa!

E… a sua dedicada empregada sugeriu decorar a árvore do pequeno jardim com fitas e bolas, propostas que aceitou com um sorriso pela originalidade!

Um dia, a Bia  acordou a pensar no Menino Jesus!

Levantou-se!

Foi buscá-lo!

Pô-lo nas palhinhas!

E… fez o seu pequeno presépio!

E… sorriu terna e grata para todos os grandes e pequenos presépios que fazem parte da história da sua vida construída com muita luta, muita força e muito amor!

Estórias de Meninas – A Cacá e o Embrulho da Garrafa
Dezembro 27, 2013

Crianças by lusografias

Estava um dia frio e chuvoso, daqueles em que apetece estar em casa e encostar o nariz ao vidro da janela, brincando à apanhada com as gotas que se atiram ao nosso rosto sem nos molhar, seguir as traquinices do vento a arrancar as folhas douradas das árvores, deixando-as nuas, empurrando as pessoas e tirando-lhes os chapéus, admirar a fúria do mar vestido de cinza assustadora, levantando os braços para agarrar as nuvens, abrindo a boca devoradora, espumando de raiva!

Mas… também era véspera de Natal!

Entrei num estabelecimento comercial de bairro situado logo ali, ao virar da esquina.

Uma jovem esbelta, simpática, e corada tentava embrulhar uma garrafa guardada numa caixa redonda, em substituição da mãe, especialista nesta e noutras matérias da sua área.

Entreolhamo-nos, sorrindo!

Continuei discreta e solidária a acompanhar os seus comentários e os seus gestos desajeitados e muito esforçados!

Os nossos sorrisos e as nossas observações pouco certeiras relativamente à arte do embrulho misturavam-se.

Não é um dente! – pensei, esboçando um discreto, mas divertido sorriso!

E… não era, de facto!

E… com vincos daqui e dobras dali nas circulares extremidades, e um laço dourado e fugidio, mas de pontas longas e bem encaracoladas na cabeça, a garrafa não rolou das mãos da jovem médica dentista, mas ficou vaidosamente vestida com um fato de Natal!

A Graça do Pão
Dezembro 27, 2013

A Patinha-Ceifeira

Não ter passado fome é uma graça, não um orgulho desprezível dirigido a quem nas agruras da vida não come um naco de pão todos os dias!