Archive for Setembro, 2015

O Poema do Amor
Setembro 30, 2015

Girassol, Setembro de 2015

O Amor é um sublime poema escrito por quem sabe bem a lição das regras de sintaxe e dos sinais de pontuação do coração!

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Histórias de Fantoches – Um Dia com o João – 3.ª Página
Setembro 30, 2015

O Fantoche João

– Ai, filhinho, não estejas a imaginar coisas que não existem!

– É verdade, mãe! Mas, os manos e eu não fazemos nenhum mal, nem estragamos nada. A mãe e o pai não nos deixam ir brincar para o largo da igreja, por causa da escadas e também não podemos subir, nem descer aquelas da casa do chefe da estação, por isso, imaginamos que as madeiras da linha são degraus, e saltamos de uns para os outros como se fôssemos fazer uma corrida numa escadaria de verdadae – explicou o filho do meio, o Carlos.

– Ai, ai, o que vai nas vossas cabeças, meus filhos – disse a D. Luzia com um sorriso!

– Mas a cabeça da mãe é igualzinha à nossa. Um dia, quando a mãe estava zangada, porque os manos e eu comemos biscoitos antes do almoço, pôs muita sopa nos nossos pratos e não conseguimos comer as batatas fritas, nem as salsichas todas.

Ao jantar, a mãe cortou tudo, pôs ovos lá dentro e fez aquela coisa redonda, uma …, ai, não me lembro, uma amarelinha, e o João disse que não gostava, porque parecia um sol e, se comesse, podia ficar com a barriga a arder ou então encandeava tudo e não nos deixava dormir à noite, porque seria dia no quarto dos rapazes, e a mãe respondeu-lhe que ele tinha de comer tudo, e para imaginar que era um pudim sem açúcar com bocadinhos de maçã – defendeu o menino mais crescido, o António.

A mãe dos meninos, a D. Luzia, ficou muito atrapalhada com a resposta do filho mais velho, e quis mudar de conversa, mas o filho mais novo, o João, puxou-lhe pelo avental cor de laranja com desenhos de fruta: uvas, peras, bananas, ananás e ameixas, que faziam crescer água na boca, e pediu-lhe:

– Mas, mãe, já podemos ir? Estávamos a brincar tão bem! E depois íamos contar às manas, à Joaquina e à Juliana, que tínhamos encontrado um tesouro num baú de chocolate com muitas coisas boas: caramelos, bombons, tabletes, rebuçados.

– Ah sim?! … E de quem era o tesouro? Já sei! Há bocadinho vi um pirata de perna de pau com olho de vidro e cara de mau deitado na corda da roupa, e muitos animais a tomarem banho no tanque. E havia um papagaio detective que andava à procura de alguém e só dizia: ” Meninos traquinas!” – respondeu-lhe a D. Luzia, com um ar muito misterioso.

– Eu também quero ver. Posso ir ao quintal? – perguntou o João.

(continua)

Sorriso da Manhã com Sabor a Romã
Setembro 30, 2015

Romãs de Sant´Iago

De manhã, a Violeta ficou a olhar para uma romã que o avô Virgílio tinha trazido do pomar.

Fértil de imaginação, pegou numa folha de amoreira que o irmão Vicente apanhara para alimentar os bichos-da-seda, que guardava na caixa das botas que o pai comprara no Natal – “Para andarem à vontade”, dizia -, e colocou a romã sobre aquela ao centro da mesa, que a mãe deixava diligentemente posta na véspera. Depois pegou no bloco de cozinha e na esferográfica, e começou a escrever:

Este é o meu sorriso, o primeiro do dia para as pessoas mais fantásticas da minha vida!

Olhei para esta romã e…

– A sua cor vermelho vivo levou-me até à águia do tio Vasquinho.

– Os tons esbatidos à timidez corada da minha querida irmã mais nova, tu, Viviana, e à atrapalhação do meu lindo irmão mais velho, tu, Vítinho, quando a Vitalina se despediu de ti, e te deu um inesperado e apressado beijo.

– O tom rubro às vitórias da família, que a avó Vitória não se cansa de relatar, em tantos momentos e em tantas áreas, mesmo quando o sangue lhe sobe, contrariado, à cara e… a leva a tomada de decisões, por causa de alguns comentários e interrupções!

– A coroa… bem… lembrou-me dois seres majestosos, os meus pais, Valentim e Valentina, mas de cabelo ao sol, para iluminar as ideias, e ao vento, para refrescá-las quando é preciso, tal como afirmam graciosa e alegremente!

E… quando abria a janela, dei por mim a cogitar…

Porquê esta atração matinal pelo vermelho, se gosto de pintar quase tudo de azul?!…

E… o vento perfumado de brisa marinha entrou na nossa cozinha sem ser convidado, acariciou-me e segredou-me:

– O vermelho do diligente!

– O vermelho do resoluto!

– O vermelho do vigoroso!

Já viram o vento a querer entrar comigo?!… Estou a ficar vermelha, porque… acho graça!

Mas… porque será que o povo junta doze bagos de romã aos dozes pinhões e às doze passas às doze badaladas na passagem de ano?!…

Diz ele na sua sábia simplicidade: “Dá sorte”!

E… por que os livros ensinam o mesmo, mas por outras palavras: é símbolo de prosperidade, que esta romã seja uma grinalda perfumada no sucesso de todos os vossos teus dias, especialmente dos complicados!…

E… que os seus e estes bagos sejam sorrisos multiplicados de alegria cantarolando aos vossos ouvidos hinos de: Bom Dia!

Bom pequeno almoço, família! “Voo”, porque o comboio não espera por mim, e hoje tenho teste ao primeiro tempo!

“Bêjos”

Sorriso de Mar
Setembro 29, 2015

Ondas de S. Torpes, 2015

Antes que a luz do dia escureça e a tua força esmoreça, escuta o sorriso do mar a cantar dentro de ti, e livre da vã tristeza, deixa que a dádiva da vida aconteça!

Quando Eu For Grande – Trigésimo Nono Desejo
Setembro 29, 2015

Menina Grande

Quando eu for grande quero ser uma barquinha à vela a vogar, lançar as artes de pesca nos mares propícios e atracar a portos seguros com boas pescarias!

Quero apanhar o brilho prateado do peixe a saltar na baía e oferecer esta carícia a quem esteja triste, para que sorria e festeje alegremente cada dia.

Quero regressar a casa e abrir a cesta de verga por mim tecida, para que todos os que têm fome se sirvam e se celebre a partilha da vida!

Dias de Luz
Setembro 29, 2015

Flor-Pétalas de Amor, Estrela, 2015

Dias de luz são todos aqueles em que o inefável amor nos conduz.

As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Estrelinha à Minha Janela
Setembro 29, 2015

A Janela da Muralha

O mês de Dezembro apresentava-se risonho e os dois amigos tinham encontro marcado no local habitual.

– Olá, Nito-Amigo! – saudou a menina com um grande sorriso, escondendo algo atrás das costas. Hoje vamos fazer um jogo do faz de conta, queres?

– Olá, Nita-Amiga! – respondeu o menino com uma graciosa vénia. Não gosto muito da ideia, mas hoje estou bem disposto. Podes começar.

– Menino, abre a tua mão! Abre! Toma esta estrelinha que o céu azul deixou na minha janela!

– Mas… ela é tua, menina! E… achas que não me queima?

– Não! Leva-a contigo junto à tua pedrinha branca, lembras-te?!… Ela vai chamar por ti, sorrir-te ao amanhecer e vai mimosear-te até ver-te adormecer!…

-Oh! Mas, menina… eu não posso sorrir o dia inteiro! Tenho de estudar!

– Podes, podes, menino! Estudas com um sorriso a florescer no teu peito!

– Hum! Gosto, menina! E… achas que não me encandeia?

– Não, menino! Leva-a contigo junto à tua pedrinha branca, e ao teu livro de História, na tua pasta!…

– Hum! Gosto, menina! E… achas que não me aquece?!… Não quero andar por aí corado como uma menina envergonhada.

– Não, menino! Não sejas parvo, Nito! Também ficas corado quando jogamos à bola.

– Hum! Gosto, menina! Gosto de jogar à bola, claro! E… achas que ela não me pesa muito na bagagem?!…

– Não, menino! Ela é leve como uma pétala de girassol.

– Hum! Gosto, menina! E… achas que ela não vai incomodar-me?!… É que eu tenho muito que fazer, muitos caminhos a percorrer, muitos mares para navegar!… Ainda sou tão novinho!

– Não, menino! Ela vai ritmar os teus passos e sua melodia só te vai incentivar!…

– Hum! Gosto, menina! E… achas que ela não me vai tirar o apetite quando estiver a almoçar, a lanchar a jantar?

– Não, menino! Leva-a contigo junto à tua pedrinha branca, ao teu livro de História, à tua caixa de aguarelas, aos teus cromos, na tua pasta, e senta-te à sombra da laranjeira.

– Hum! Gosto, menina! E… o que é que eu faço à sombra da laranjeira?!….

– Ó Nito, tiras o bloco de notas do bolso, e… escreves! Escreve como sentes e sabes!…

– Só isso, Nita? Não posso escrever tudo. E os meus segredos?

– Nito, guarda os teus segredos no esconderijo do teu jardim suspenso!…

– Boa, Nita-Amiga! Eu levo a estrela, mas olha que ela é gira para colocares na tua janela na noite de Natal!
E agora vamos dar uns chutos na bola?

– Vamos, Nito-Amigo! E obrigada por teres entrado neste jogo!

O Espelho que Era Gente – 1.ª Página
Setembro 29, 2015

Reflexo Estrelado, 2015

No planeta em que a lua se banhava nas águas calmas havia um espelho cintilante, o Aul, que todas as mouritas sabiam tratar-se de um príncipe encantado!…

Na província mourisca, nos dias de festa, o espelho Aul estava em todos os salões das alcáceres e nas alcáçovas, refletindo a sua diáfana luz, encandeando as tímidas mouritas, seduzindo todas as outras, que o embaciavam com o bafo dos seus atrevidos e embriagadores sorrisinhos!…

Encantado pelos fru-fru das saias dançantes das moiritas, principalmente quando elas se elevavam em certos passos de dança, e lhe mostravam as suas rendas brancas e engomadas, desenhando corações alaranjados, estrelas azuis e beijos rubros, o espelho aul suspirava, e… estendia os seus finos raios, belicando os alvos tecidos que encontrava, e… estralava, faiscando!…

E… cada vez mais, cada mourita sorria, dançava e saltava!…

E… o espelho Aul cogitava:

– Não me faltam afagos, fugazes, é certo, e para um espelho tão solicitado… Mas… eu sou um príncipe!
E… se não estivesse encantado, certamente dançaria com alguma pálida francesa, de lábios distantes, a quem estaria sempre a pedir desculpa pelas pisadelas!…

As mouritas continuavam a dançar, a desafiar e a deliciar-se com o espelho Aul.

De vez em quando, a luz de Aul era atravessadas por sombras de vários tons, alguns finos e longos filamentos ou flexíveis e encaracolados, azeviche, dourados, avermelhados, alaranjados, acastanhados bafejado-o com distintos e doces perfumes, alguns floridos, outros marinhos, ora doces, ora frescos, os sempre coceguentos e apetecíveis cabelos das mouritas, rodopiando as cabecinhas de ventos quentes e frescos!…

E… o espelho Aul relampejava!…

E todo o salão sorria e se alegrava com aquele fogo de artifíico, que os pintava de outras cores, e…. os alumiava!…

– Boa vida, volúvel espelho! – satirizou o círio amarelo do candelabro vermelho!

– Podes dizer, luz dançante, que um sopro ou uma gota de chuva apaga!… – respondeu o espelho trocista!

– E tu, pobre príncipe encantado escondido nesse espelho, que uma cabeçada de criança pode partir – replicou o círio amarelo.

Foram interrompidos pelo silêncio da orquestra!…

(continua)

Sorriso do Dia – Na Tua Viagem…
Setembro 29, 2015

Árvore-Mulher, Jardim da Estrela, 2015

Os teus passos atravessam horizontes, percorrem caminhos, admiram paisagens!…

As tuas mãos escorrem cansaço e carinho, e entre os teus dedos há flores orvalhados de amor, presentes da vida!…

O teu corpo é árvore, estendendo os seus ramos ao ritmo do teu coração com a dança inteligente da folhagem!…

Os teus sonhos soltam-se e prosseguem a sua viagem nas asas do vento ou contra ele como uma fogueira incessante!…

O teu ser abraça o mundo, e a tua luz baloiça nos galhos da fruta ainda não amadurecida com beijos!…

E…

As ondas salpicadas de flores azuis turquesa expandem-te sorrisos pintados de alegria com estrelas bordadas de magia!

A Menina Pequena e a Árvore Grande
Setembro 29, 2015

Árvore da Estrela, 2015

Era uma vez uma menina pequena pasmada a olhar para uma árvore grande.

– Como é que és tão grande? Nunca vou ser do teu tamanho – retorquiu, com a cabeça inclinada para trás!

A árvore grande sorriu-lhe com tanto carinho, mas sem que a menina pequena se apercebesse, deixando desprenderem-se dos seus vastos ramos gotas orvalhadas grandes e doces, deslizando por um escorrega da hera do vaivém, que caíram na mão da menina, transformando-se numa enorme pérola!…

A menina pequena viu o seu sereno rosto e os seus sedosos cabelos refletidos na pérola e… a pouco e pouco… começou a sorrir … a sorrir!…

Depois, os seus olhos sorriram para a árvore grande com o seu coração pululando de alegre emoção e de gratidão…

Então, lá do alto, a árvore grande acenou à menina pequena com tantas pérolas coloridas como sorrisos e beijos que a vida já lhe dera, alguns que ela nem sentira, nem se lembrava, todinhos a cintilar; até parecia uma árvore de Natal gigante!

A menina pequena, encandeado com os feixes a piscarem-lhe os olhos, fez uma pala com a mão direita e… começou a ler uma mensagem…

“Crescemos juntos, querida menina pequenina!… Caminhei sempre contigo: com o vento, com o sol, com o frio, com o calor, com as nuvens, com a chuva, com alegria e com a tristeza escondida, principalmente quando estavas sozinha!

E… sabia que um dia voltarias ao nosso jardim, que nos encontraríamos aqui!
Segue a tua viagem, menina pequena, e… leva-me sempre contigo!”

A menina pequena baixou a cabeça, esfregou os olhos, sentiu uma gota quente de orvalho no rosto, que o livro grande, que trazia na sacola, recolheu e guardou numa página dourada, e afastou-se com o seu andar determinado, de passadas largas e calcanhar firme, apertando a pérola na sua mão!…

E… sempre que a menina pequena podia, voltava ao jardim e olhava para a árvore grande e agradecia-lhe, estendendo-lhe as suas mãos coloridas de alegria num abraço de ternos e intermináveis sorrisos!…