Archive for Agosto, 2008

O Nenúfar ou Lírio-Amarelo-das-Lagoas
Agosto 28, 2008

Repouso serenamente como um nenúfar nas águas tranquilas e doces rodeada de largas folhas flutuantes, ornamentando e dando frutos à velha, escaldante e saudável planície!

O Silêncio
Agosto 27, 2008

Amor-Perfeito

O silêncio propaga-se no silêncio e converte-se em aridez e desencanto!

A Bolinha de Sabão
Agosto 27, 2008

Pés de Flores Branquinhas, 2009

Era uma vez uma bolinha de sabão multiplicando-se no ar, desenhando sonhos, escrevendo mensagens, eclipsando-se magicamente.

No parapeito da janela, a Anita olha para o céu estrelado em busca das bolinhas de sabão da sua infância, e vê os seus filhos soprando nos teclados, cavalgando em nuvens poluídas, passando recibos verdes, embriagando-se com festivais, deambulando perdidos numa sociedade que os ignora e que lhes cobra o que lhes nega, criticando-os injusta e impiedosamente!

A bolinha de sabão desperta, espreguiça-se e acena à Anita com palavras entrelaçadas em estrelas floridas:

– “Eu sou a rainha dos teus sonhos, o teu conselheiro é Deus, o teu séquito são os teus valores, as tuas lutas são o teu escudo, as tuas conquistas são as tuas obras, as tuas vitórias são os frutos que colhes das árvores que plantaste no teu pomar, palácio de amor, persistência, verdade, alegria, o teu reino é o mundo que vences cumprindo a tua missão de mãos dadas, unidos, fortes, corajosas e invencíveis com os teus filhos!
Boa viagem pela Terra! Tira as pedras do caminho e continua a fazer bolinhas de sabão!
Carícias perfumadas e doces! Até breve! Tua bolinha de sabão, amiga de e para sempre, EU!”

Estórias de Meninas – A Encantadora Alice
Agosto 26, 2008

Menina com Carrinho

A Alice é uma menina rolicinha, de três ou quatro anos, que gosta de escolher o seu lugar e o da mãe no autocarro, no qual entra com o desembaraço e a determinação de uma mulher rural, de olhinhos brilhantes e ávidos de descoberta, de boquinha cerrada, de caracolinhos a saudar os passageiros, de rabinho rebolando-se por baixo do vestidinho de riscas castanhas e cremes.

Tem terror do mano, mais velho do que ela, que lhe “rouba os brinquedos todos”, o que lhe dá o privilégio de sair mais vezes com a mãe, que ela adora!

Chora quando o jantar é carne, reclamando: “mas eu quero açorda d´alho!”

Ao fim do dia, traz outra roupa, já vem sentada no lugar da frente, dá abracinhos à paisagem com o olhar, cumprimenta e responde silenciosamente a todos e sai atrás da mãe, que a ajuda a dar um saltinho do último degrau para o solo, que beija os seus pezinhos redondinhos sobressaindo de umas sandálias.

A Fonte e o Amor
Agosto 26, 2008

Todas as fontes precisam de ser alimentadas, inclusivamente as do amor, apesar das suas reservas, por isso cantam, agradecidas, às chuvas que as enriquecem.

A Senha
Agosto 26, 2008

Dedo no Ar

A senha que tiraste não te dá o direito de seres atendida, porque é incolor e, apesar de a agitares desesperadamente no ar, não tem número, e tu não tens vez!

Paciência!

Dá uma volta e vai ver o mar, porque não precisas de tirar senha e deitá-la fora, és atendida a qualquer hora e beijada sem pedires!

Ecos da Mocidade Portuguesa
Agosto 24, 2008

A Mocidade Portuguesa era uma organização nacional da juventude, que os meus olhos curiosos e atónitos espreitavam ao longe, impressionados com os uniformes, principalmente, com as boinas, porque o mar só conhecia as dos pescadores, cor de noite escura de Inverno, o rigor dos passos, o autoritarismos dos “comandantes” e a soberda da mocidade, que nem reparava na simplicidade civil dos rapazes com remendos nos joelhos das calças coçadas, nem nas meninas da terra, onde montavam o acampamento e vinham a banhos, nem nos lindos bibes bordados pelas mãos douradas de amor da minha mãe, relatando as histórias, que líamos nos livros parcos de desenhos e ricos em vocabulário, que uma Sr.ª alta, forte e desembaraçada nos vendia como troféus!

Mocidade Portuguesa
Agosto 24, 2008

A Organização Nacional da Mocidade Portuguesa, abreviadamente Mocidade Portuguesa (M. P.) foi criada pelo Decreto-Lei n.º 27 084 de 19 de Maio de , em execução da Lei n.º 1941 de 11 de Abril 1936, e extinta em 1974, após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Era constituída por quatro escalões etários:
Lusitos, dos sete aos dez anos;
Infantes, dos dez aos catorze anos;
Vanguardistas, dos catorze aos dezassete;
Cadetes, dos dezassete aos vinte e cinco anos.

O Ministro da Educação nomeava um comissário nacional para a sua direcção.
A organização era paramilitar e compunha-se de:
Quinas, seis elementos;
Castelos, trinta elementos;
Bandeiras, cento e vinte elementos;
Falanges, duzentos e quarenta elementos.
Cada quina era dirigida por um chefe de quina; os dirigentes superiores eram comandantes.

Em 1951, a totalidade de centros de M.P. era de quinhentos e seis, distribuídos por: escolares; extra-escolares e especializados.

A sua acção limitou-se às actividades de acção social e ocupação de tempos livres da juventude não escolar, na sequência da aplicação do Decreto-Lei n.º 47 311 de 12 de Novembro de 1966.

Sorriso do Dia – Empréstimo
Agosto 13, 2008

Queria emprestar este sorriso a lábios finos e cerrados como portas, que apenas se abrem rangendo exibição: da piscina, do barco, da elegância vã e supérfula, e abrir-lhes janelas saudáveis e realmente arejadas para o mundo, a vida e as crianças.

A Democracia Saiu à Rua
Agosto 13, 2008

Sol

A mudez foi quebrada e a “democracia” manifestada num simples, baixo e social “Boa tarde!”, bem acolhido e correspondido pelo povo – benefícios das férias! Ainda bem!