Archive for Janeiro, 2014

As Corridas Felizes da Menina-Gazela
Janeiro 31, 2014

Vegetação da Costa

Os pés ligeiros da Menina-Gazela calçam-se nas conchas de areia entre  a rasteira, bela e perene vegetação costeira!

E… o mar enamorado, segue-a com olhares risonhos de espuma, rumorejando:

– Minha Rainha!

E… a Menina-Gazela, indiferente, livre e feliz percorre trilhos, e… corre, corre!

E… sobe os medos saudosos, escutando o canto dos búzios no peito, e… rebola, rebola!

E… salta de pedra em pedra de asas abertas, de bailarina, e… dança, dança!

E… o horizonte ecoa o seu grito silencioso, beijando o sol, chamando a lua, refletindo-a na poça da “ti´” Maria Claudina:

– Não sou rainha! Sou gazela!

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O Sorriso da Agenda
Janeiro 30, 2014

A agendajpg

Um toque insistente à campainha.

Um intercomunicador que se apresentou mudo momentaneamente.

Uma carteira simpática anunciando-se, e utilizando o elevador, ficando quase de imediato na minha frente, entregando-me um embrulho “Priority”!

Uma troca de sorrisos entre duas desconhecidas misturada com frases circunstancias, agradáveis.

Um olhar para o remetente onde brilha o nome de uma amiga residente numa capital europeia.

Um presente envolto em papel vermelho com um enorme laço branco, e um cartão, anunciador do seu conteúdo com beijinhos saudosos!

Obrigada, amiga, por este rasgado sorriso!

As Asas Brancas do Mar
Janeiro 30, 2014

Onda Urso-Polar, 2014
Apoio os cotovelos no parapeito da minha janela, e fico a vislumbrar o vaivém do mar vestido de calças de ganga escura esburaca com riscas turquesa, e adivinho-o saltando as rochas às cavalitas do vento com as majestosas asas brancas abertas metamorfoseadas de leques, de flores e de animais como este urso polar que há dias queria abraçar-me!

A Menina Azul e a Primeira Prova
Janeiro 30, 2014

Menina Azul by lusografias

No edifício grande da minha aldeia, legado para fins sociais por um estrangeiro enamorado por ela, havia duas salas de aula: a feminina e a masculina, ambas de frente para os canteiros do jardim sem árvores, para não roubarem a vista sobre a baía.

A primeira classe da Menina Azul decorria serena e rica de experiências entre meninas de outras idades, tamanhos e classes, e a Sr.ª Professora com estatura, ternura e voz de menina, mas cheia de saber do tamanho do céu, da cor dos seus olhos!

Naquele dia, a Sr.ª Professora anunciou que, dentro de poucos dias, iria ser feita a primeira prova, e que cada aluna tinha de trazer a respetiva folha, que a Menina Azul já vira: grande e bonita com espaçadas linhas azuis, à qual se fazia uma dobra lateral como se fosse um cartão de visita ou um nó de gravata para a sabedoria se apresentar bem bonita!

A Menina Azul ficou exuberante! Nem esperou pelas amigas para regressarem juntas para o bairro onde moravam, sobranceiro ao mar.

Despediu-se rapidamente e começou a correr.

Correu, correu na ágil leveza do seu corpo. Correu sem parar até chegar casa.

A mãe não estava! O pai também não!

Olhou à volta e não viu a alcofa da roupa.

Sorriu e tomou uma decisão: ir à procura da mãe à poça ou ao rio, que ficava mais longe, onde costumava lavar a roupa!

Ia apressada, olhando à volta, na sua pioneira aventura!

O seu coração batia acelerado, produzindo ecos expectantes: a mãe, tão rigorosa em gastos e em tudo, iria dar-lhe o dinheiro para comprar a folha para a prova?!… E quando a visse à sua frente sozinha e sem a sua autorização?!..
Mas… a ideia de fazer prova superou a sua medrosa incerteza.

Descalçou os sapatos, tirou as meias, e começou a correr, sentindo a brisa no rosto, escorregando nos seus lisos e brilhantes cabelos como uma carícia motivadora!

Quando chegou perto da poça, a mãe, que estava ajoelhada, e debruçada sobre uma pedra, esfregando a camisa do pai, a de xadrez, “de levar para o mar”, levantou o rosto escondido num chapéu amarelo pálido, e olhou-a de rosto contraído, repreendendo-a silenciosa e surpreendida! – as duas vizinhas  lavadeiras pareciam solidárias.

A Menina Azul estava vermelha e aflita! Nem conseguia falar! Mas… antes que a mãe soltasse alguma palavra áspera, disse ofegante:

– Preciso de uns tostões para comprar o papel para a prova, que vamos fazer. A mãe dá o dinheiro?!…

A mãe largou a camisa, deu uma gargalhada, e respondeu-lhe que sim, claro! – as vizinhas sorriam, cúmplices.

A Menina Azul agradeceu-lhe com sorrisos doces, e palavras cor-de-rosa.

E… ficou a apanhar flores, e a sonhar com as suas letrinhas a percorrerem as linhas da prova, enquanto esperava pela mãe, mas… sabia que a conversa ainda não tinha acabado, por causa da sua iniciativa.

O Homem da Estação
Janeiro 29, 2014

Estação

O homem de branco, o único transeunte da estação do comboio adormecido naquela triste madrugada, caminhava sereno e sem pressa com passos do seu tamanho, perseguindo o  futuro incerto com olhos marejados de  esperança, abraçado à velha História!

 

A (Im)Perfeição do Ambicioso
Janeiro 28, 2014

Camarinhas, 2014

A (im) perfeição cega o ambicioso no seu caminho deserto de essências da vida, buscando falsas pérolas!

Um Sorriso do Dia para a Pagizinha
Janeiro 27, 2014

Sorriso(s) do Dia by lusografias

Para ti, querida Pagizinha, este terno sorriso, que permanece em mim desde aquele dia em que dentro do teu colete de pele, e com os teus lindos cabelos escondidos num gorro muito original, me convenceste de que estavas muito mal com o teu olhar triste e preocupado, e com o tom grave da tua voz, soando como um profundo lamento:

– Vou ao médico!

E… ias, de facto, mas… a uma consulta de rotina, explicação que parece ter-te serenado um pouco, mas… não convencido!

Na verdade, ir ao médico é uma coisa muito sério, e… um bocadinho aborrecida., mas… sem sempre!

Não voltámos a ver-nos, mas… todas as manhãs ouço a tua voz límpida,  fresca e alegre!

Beijinhos, amiguinha!

Quando Eu For Grande – Oitavo Desejo
Janeiro 27, 2014

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a brisa bailarina  da baía, e abraçar cada dia com sorrisos de água fresca nos segredos das palavras, borbulhando com as sílabas dos poemas, rimando com mar!

Há Dias e… Há Noites…
Janeiro 27, 2014

Manto Branco de Mar, 2014

Há dias em que a despedida inadiável de uma amiga nos chama antes de acordarmos!

Há dias em que a melancolia nos envolve, e procuramos mitigá-la, varrendo os olhares nas páginas dos jornais adormecidos!

Há dias em que a paz do Nome de Guerra do Almada: “Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo… Ele está sempre a contar aquela história por que se espera… aquela hora que existe p´ra além da sabedoria… e que tem a forma simplicíssima dum coração natural!” emerge!

E… há noites em que a esperança renasce, o sorrateiro sorriso aparece, e o dourado dia amanhece!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Sr. Abelha e o Frio
Janeiro 24, 2014

Quilha de Barco-reflexos, 2012

O Sr. Abelha  continua a dar os seus passeios, contudo limitou o percurso aos arredores da sua residência.

Está frio, muito frio! O vento norte sopra agreste! A chuva miudinha faz uns pequenos intervalos para respirar fundo e voltar graciosa, borrifando as crianças divertidas com as suas carícias, irritando as donas de casa por causa da roupa quase seca, embaciando as lentes idosas e gastas!

E… o Sr. Abelha dá passinhos miudinhos na calçada molhada e arrepiada, envergando o seu roupão de quadrados de chocalate branco e preto, cobrindo a  cabeça com o seu boné, protegendo os óculos com a pala, parando e respirando o ar húmido perfumado de inverno.