Archive for Junho, 2015

Receita – Delícias da Vida
Junho 23, 2015

Flores da Vida, 2015

Delícias da Vida

Trata-se de uma apurada confeção da autoria do Mestre Letras, Secção Tesouros da Minha Lavra, adoçado com Prazer q.b. no momento do Apetece, com colheradas do Sabe de Tudo, cobertura Rápida do não custa nada!

Esta especialidade tem vindo a adicionar condimentos cada vez mais apurados, enriquecendo, deste modo, o seu fino paladar!…

Tempo de Preparação: o desejado, de preferência lento.

Tempo de Cozedura: condicionado à temperatura.

Ingredientes (número de pessoas limitado e previamente selecionado –
excecionalmente, e dependendo da mistura e do recheio, a “tiragem” poderá ser alargada):

– Memórias de todas as idades;

– Passinhos de todo o terreno;

– Viagens de muitas léguas;

– Aventuras tocadas a solo;

– Peripécias do dia-a-dia;

– Descobertas sem fim, nem fronteiras;

– Navegações em águas – frias, quentes, doces, salgadas;

– Calmaria e ventinhos a soprar;

– Frutos do mar, da terra e do ar;

– Cheirinhos a maresia;

– Especialidades e muitas especiarias;

– Sementes de girassol;

– Lápis de cor mágicos;

– Aguarelas;

– Frutos da imaginação;

– Sorrisos vidrados;

– Alegrias salteadas.

Preparação

Local indiferenciado, de pé ou sentado.

Separa as “chatices” dos prazeres, e fica à espreita do “apetite” ou deixa, simplesmente, que irrompa, senhor de si!…

Puxa do papel que esteja a jeito e dos lápis de cor ou põe os biquinhos dos dedos a saltar de letra em letra numas almofadinhas quadradinhas, que se divertem com o jogo das palavras.

Dispõe os ingredientes:

– Espreme as recordações;

– Mistura raspas da imaginação – facultativo;

– Bate levemente como quem chama por si;

– Adiciona as sementes de girassol – previamente derretidas em banhos-quentes-de-sentimentos;

– Rechei-o com mexidos de frutos colhidos na época apaladados com especiarias do coração e/ou da imaginação;

– Pincela com aguarelas cada cor seu paladar;

– Polvilha com mãos cheias de sorrisos e pitadas coloridas de alegria;

– Enrola tudo em papel vegetal e guarda ou dá a provar a alguém apreciador do seu ponto-pérola e… guloso!…

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A Menina do Sorriso
Junho 21, 2015

Mar Nublado, 2015

Era uma menina a fazer desenhos com os seus dedinhos na água transparente da praia, e a olhar para os pequenos cardumes assustados!…

Era uma menina a sorrir para os cintilantes grãozinhos de areia, que o sol queria apanhar!…

Era a voz do mar a dizer-lhe para sair da água, porque tinha o vestidinho todo molhado, e a menina a olhar para o horizonte, respondendo docemente:

– Ainda não posso! O meu amigo ainda não veio!…

Era a noite a cair, o dia a renascer, e a menina a desenhar sem parar!…

Era o calor da esperança que ainda tocava na água transparente, mas as notas soavam tão baixinho, que a menina já não ouvia a alegria das palmas do reencontro, já não dava saltinhos soantes de saudade, já não sorria!…

Era a janela fresca da madrugada a abrir-se, e a praia na companhia da menina paciente e muda a fazer beicinho para o pacotinho de pevides de abóboras regionais, para dar ao seu amiguinho!…

Era a garrafa com uma mensagem que finalmente o mar lhe trazia, mas a menina estava tão dormente, que não sabia o que lia!…
Ah! Mas percebia que o seu amigo estava bem!…
E… respirou fundo!…
E… sentiu o seu coração a bater novamente!…
E… serenou, pouco a pouco, mas ainda não sorria!…

Era uma menina a cogitar…

E… enquanto a menina cogitava, um fiozinho do manto azul dourado espreitava e sobre a sua mão brilhava, e ela sorria!…

O Barco de Papel – 22.ª Página
Junho 21, 2015

O Barco de Papel

V

O Regresso

As altas palmeiras agitavam as palmas, e assobiavam todos os sons ao Sol-Lusitano, que chorava de alegria, despedindo-se.

A companha permanecia silenciosa, cogitando, serena e feliz como sucede depois de uns dias de faina, de emoções e de grandes pescarias.

O Ursinho Pimpão acionou novamente o cata-vento do Barco de Papel!

Ao amanhecer, estavam todos na quinta desejosos de contar a sua venturosa aventura a todos os amigos!

E… agora pergunto eu:

– Os meus amiguinhos gostaram desta nossa viagem?

FIM

Perdido no Mar
Junho 21, 2015

A Mulher-Mãe do Pescador, 2015

Não era o mar que eu olhava, era o meu amor perdido nele, que eu procurava!

A Receita do Dia
Junho 21, 2015

Flor, Hortênsia Cercalense, 2015

A Receita do Dia com uma flor ao peito!

1. Ingredientes

– um jarro transparente cheio de água fresca e… ao lado um cocharrinho;

– uma concha forrada de folhas de amora com fruta variada, lavada, perfumadamente tentadora;

– um cesto de verga com um guardanapo de linho bordado por mãos alentejanitas com “panitos” de Santo António, fresquinhos, fofinhos, quentinhos;

– um pires com cericá, uma receita que D. Constantino de Bragança trouxe diretamente da Índia para o Alentejo;

– um copo alto com um galão alentejano;

– uma tigela com uma maçanita assada com pau de canela;

– uns biquinhos de passarinho, beijinhos com adoçante;

– um taleguinho cheio como um balão com: amêndoas; bombons; caramelos; chocolates e rebuçados, todos sem açúcar de cana, mas melosos, com sucos do coração, uns polvilhados, outros com cobertura, muitos recheados, todos confecionados com os ingredientes, o tempo de preparação e de cozedura inerentes a uma deliciosa amizade e a qualquer relação com afetos de verdade:

– ternura q.b.;

– partilha a gosto;

– doses de cumplicidade;

– mãos cheias de sementes de verdade;

– colheres de sopa de silêncio;

– chávenas de chá de compreensão;

– pitadas de gracinhas;

– punhados de respeito;

– litros de paz;

– caces “cheiazinhos” de letras com caladinho de palavras;

– quilogramas de alegria;

– medidas ilimitadas de sorrisos;

– colheradas de fermento de doçura partilhadas com som de gargalhadas… de manhã… ao meio dia… à tarde… à noite até de madrugada!

2. Preparação Instantânea

O cocharrinho a cantar, e… a água de cristal transparente a dançar!…

O guardanapo de linho bordado com paciente carinho a destapar os “panitos” de Santo António.

A concha de fruta colorida a brilhar a tirar: um moranguito, uma cerejita e um baguinho de uva, que para ela olhava!

O copo do galão alentejano a aquecer-se ao sol, enquanto alguém não o beberica!

A meia maçanita assada a suspirar, e lágrimas de canela a choramingar!

E… uma nova melodia soa no ar!…

Bom Apetite!

Saboreie, e sorria para o Novo Dia!

Voo do Coração
Junho 21, 2015

Voo do Coração, 2015

Voo no coração à velocidade do incansável e perene amor, cantando baixinho uma canção de embalar até a tempestade acalmar, e o sorriso aterrar no solo fértil da paz onde nascem árvores floridas de esperança e cresce e amadurece fruta feliz!

As Flores da Rosinha e da Hortênsinha
Junho 21, 2015

Flores às Cores, 2015

O dia amanhecia cedinho para a Rosinha e a Hortênsinha, duas gémeas muito amiguinhas!

– Hortensinha, já viste? As tuas mãos e as minhas estão cheias de florinhas pintadas pelas notas da nossa caixinha de música! – perguntou a Rosinha, a irmã mais faladora, de mãos estendidas.

– Vejo todos os dias, Rosinha! São muito bonitas! Têm as cores do arco-íris, desenhando o que sentimos, o que queremos fazer, e o que gostamos de partilhar! – respondeu a Hortênsinha pausadamente.

– Vou ler as cores das florinhas das tuas mãos e as das minhas, Hortensinha! As florinhas brancas mostram o brilho dos nossos sentimentos, as florinhas laranja aumentam a nossa autoconfiança, as florinhas vermelhas dão-nos a força vencedora, as florinhas amarelas enchem-nos de prontidão otimista,  as florinhas azuis elevam a nossa inteligência!… – descreveu a Rosinha muito senhora do seu nariz, aguardando a aprovação da irmã.

– Sim, maninha, mas… o pior é que a avó Camélia disse que com tantas flores, ainda iríamos ter frutos pendurados nas mãos. Já pensaste nisto, Rosinha? – lembrou a Hortênsinha.

– Já pensei! E achei o máximo, Hortênsinha, sobretudo se fossem cerejas sempre a balançar! Ah! Ouviste um: truz, truz!? O melhor é irmos ver quem é! – adiantou a Rosinha.

– Também ouvi! Vamos, pois! – concordou a Hortênsia, fazendo um sinal de silêncio à medida que se levantava.

As gémeas dirigiram-se sorrateiramente para a porta.

– Oh! Mais flores, mas num cestinho entrelaçado de caninhas com uma asa donde despontam braços de buganvílias douradas, rubras, laranja, brancas, rosa forte! Quem o terá deixado aqui? Vou pegar cuidadosamente no cestinho com um abraço. Pode ser  que as buganvílias acariciem o meu rosto! – disse a Rosinha muito entusiasmada.

– Ai, ai, Rosinha! A tua imaginação! – comentou a Hortênsinha com um carinhoso sorriso.

– Falaste de imaginação, Hortênsinha? Até me fizeste lembrar daquela história de um menino que via despontaram gotas de orvalho que bordaram a toalha com tons matizados de primavera numa praia, e que corria sem sentir o vento no seu corpinho esguio, seguindo os voos do seu papagaio de papel desenhando sonhos no céu azul e dourado! Lembras-te? – adiantou a Rosinha.

– Lembro-me, sim, Rosinha! O avô Jacinto costumava contar-nos essa e outras histórias de encantar. E se fôssemos pôr a mesa para o pequeno almoço com este cestinho no lugar da mãe? – propôs a Hortênsinha.

– Boa ideia, Hortênsinha! Até aposto que foi o pai quem lhe quis fazer esta surpresa! Vamos preparar um pequeno almoço de aromas que fazem crescer água na boca. Só é pena as florinhas das tuas e das minhas mãos ainda não serem frutos. – concordou a Rosinha, apressando-se a colocar o certinho das buganvílias no lugar da mãe.

Sorriso do Dia – Hoje É o Dia!
Junho 20, 2015

As Amarras da Praia

Hoje… é o dia!

Hoje é o dia em que o brilho do teu sorriso vai espreitar à porta da aventura das palavras, e voar docemente para beijar os rostos adormecidos!

Hoje é o dia em que o jardim do teu peito estremece com o prazer de dar-se num interminável e amoroso abraço às lindas flores, crescendo com danças de brisa nos canteiros coloridos de arco-íris!

Hoje é o dia em que as sílabas tecidas de maresia bailam ao som das liras das sereias, do cante alentejano e do batuque africano!

Hoje é o dia em que os amores-perfeitos das imperfeições da vida se espraiam nos bailados de primavera onduladas de alegria!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Elegante Vestido Turquesa
Junho 7, 2015

Quilha de Barco-reflexos, 2012

O elegante vestido turquesa deslizou à minha frente sobre uns sapatos pretos de saltos muito finos e altos, combinando com um ligeiro casaquinho de linha do mesmo tom de mangas cruzadas sobre o peito, deixando brilhar um colar de pérolas um pouco acima, e com uma pequena mala de mão!

O elegante vestido turquesa sorriu, iluminando o seu bonito rosto, e o ar perfumado do seu domingueiro:

“-Bom Dia!”

Retribui o cumprimento!

O elegante vestido turquesa fez um incompleto movimento ao corpo, e desabafou, definindo as suas formas com a mão:

“- Estás a ver?!.. Estás a ver?!…”

Sorri contagiada com tamanha espontaneidade!

– Elegante como sempre! – respondi!

O elegante vestido turquesa dirigia-se como habitualmente para este, se bem que, ao domingo, o natural desfile não se prolongue pelos acidentados corredores do Centro de Saúde, mas, ainda chamou pelas modestas calças de ganga com sua túnica às riscas:

“- Olha! Olha! Estou indecente? Estou indecente?” – repetia, fazendo uns discretos movimentos.

“- Não! “- respondi-lhe!  Elegante! Elegante! Elegante como sempre!

” – Vai ser assim até aos cem! Até aos cem!” – afirmou, afastando-se sorridente e confiante, deixando atrás de si um perfume fresco de juventude preservado pelos anos!

A Escuridão do Palavrão
Junho 6, 2015

Sombras na Praia, 2015

O palavrão é a ignorante distinção para quem caminha na escuridão da boa educação!