Archive for Julho, 2010

Responsabilidades e Silêncio
Julho 31, 2010

Mar Arborizado, 2010

Não fujas das responsabilidades, nem fales sobre o que não sabes!

Anúncios

A Minha Aldeia – Aplausos Distorcidos
Julho 31, 2010

Barco com trevo

A cidade plantada à beira-mar foi invadida por uma multidão, na maioria jovens: artesãos, músicos, meros espectadores à procura dos sons ensurdecedores das bandas, do convívio entre si.

Estão “na sua”, mas algumas mentalidades mesquinhas discriminam-nos com comentários sussurrantes – o que sabem deles? A aparência, mais ou menos cuidada, é o que pesa e mede as diferenças intrínsecas? Não são os jovens actualmente vítimas de solidão, de desemprego, de falta de perspectivas presentes e futuras?

Sobressai uma atitude social comum: o excesso de consumo de bebidas alcoólicas! São raros os jovens que circulam e assistem aos espectáculos sem um copo ou uma garrafa – de litro – na mão, em aplausos distorcidos!

Modestos no alojamento, acampam ou adormecem ao relento, tendo como colchão a frescura da areia da praia, e o privilégio do embalo preocupado do murmúrio das ondas.

Estórias de Meninas – A Noite Cai?
Julho 31, 2010

– Mãezinha, a noite cai?

– Sim, minha filhinha!

– Mãezinha, mas a noite é de pano?

– Não, Sofia, a noite é leve como o ar, azul como os olhos da avó e estrelada como a árvore de Natal ou escura e triste como aquele vestido que tu achas muito feio.

– Então eu não ouço a noite cair, porque ela é leve! E ela dorme durante o dia e depois vai-se aproximando devagarinho da Terra até ficar todinha da cor da roupa que ela traz vestida!

A Minha Aldeia – A Música de Pés de Alcatrão
Julho 31, 2010

Flores Sentadas no Degrau, 2010

Uma jovem sentada nas pedras da curva do muro da praia com as longas pernas estendidas. As solas dos pés de alcatrão, contrastam com a alvura das mãos esguias de dedos ágeis tacteando a flauta, que saboreia o aroma da cerveja da garrafa de litro abandonada junto aos chinelos de plástico. Um chapéu de palha escorregadia imita uma almofada onde a cabeça loira se apoia cambaleante.

O som da flauta ecoa compassado, e a jovem música faz companhia a si própria, indiferente ao mundo. Só o muro amarelo a ouve e a acolhe!

Ser Flor todos os Dias
Julho 31, 2010

Quero ser a flor da romãzeira todos os dias!

Quero desabrochar com o espreguiçar da aurora!

Quero saudar o sol e sentir as suas carícias!

Quero sorrir para as crianças ensonadas!

Quero piscar as pétalas aos jovens distraídos!

Quero dizer olá aos idosos lentos e atentos!

Quero curvar-me às mulheres apressadas!

Quero encorajar os homens cansados!

Quero transformar-me em fruto robusto ao meio-dia!

Quero abrir-me com a força da generosidade!

Quero oferecer os bagos rubros de amor a todos!

Quero ser a canela, o açúcar, o dia de Reis!

Quero festejar a saúde e a sorte do dia-a-dia!

Quero adormecer na casca vazia da alegria!

Quero descansar e renascer com o dia e recomeçar!

Pedras no Caminho
Julho 31, 2010

Deixa que as pedras que te atiram jazam no caminho. Contorna-as, lava ou limpa os pés quantos vezes forem necessárias, para eliminares o pó que desprenderam, e caminha indiferente ao seu arremesso.

E se te apetecer chorar, fá-lo, mas com compaixão pelo coração empedernido que, sem saber, caiu por terra como elas, perdido na solidão do seu amargurado sofrimento.

Um Lição Chamada Traição
Julho 31, 2010

Escadinhas da Praia, 2010

Fui traída a vida inteira em várias vertentes, mas prossigo o caminho na inocência dos meus sentimentos, dos meus propósitos e dos meus actos, com a serenidade que o perdão oferece ao meu coração.

Paraíso Matinal
Julho 11, 2010

Percorro o silêncio e sinto a paz envolventes do Parque pela manhã fresca, timidamente invadida pelo sol preguiçoso.

Caminho pé ante pé, de respiração contida e gestos delicados, para não acordar a natureza adormecida, redescobrindo-lhe novos traços, agradecendo-lhe os múltiplos presentes, retribuindo-lhe sorrisos discretos intercalados com calorosos beijos em imagens.

Ouço o tique-taque pausado do meu coração esvoaçando neste paraíso à procura dos sussurros das folhas altas das árvores, visto-me do verde mergulhado nas águas calmas do lago e despeço-me destas maravilhas fortalecida, disposta a colorir e a enfrentar o mundo triste e empobrecido.

Amar o Próprio Amor
Julho 11, 2010

O Amor é um “bem-me-quer”, que se desfolha em “bem-te (lhe)-quer” , que só é visto por quem o sente, que só é repartido por quem o tem, que só é acolhido por quem o reconhece.

Amar o próprio amor:

– é dar-se para além das fronteiras do preconceito;

– é sentir-se um ser do mundo na alegria e na tristeza do outro, do que está próximo, do que se encontra longe, do que nunca se viu, mas que se conhece;

– é entregar-se confiadamente na imensa serenidade do Amor Divino;

– é tornar-se em cada instante: pão, básamo, sorriso;

– é ser-se homem, mulher, criança, novo ou velho, saudável ou doente, um irmão, um ser do universo, tocar todas as flores e perfumar o caminho, festejando a maior e a mais bela dádiva da humanidade: o AMOR!

Estado Civil: “Complicado”
Julho 10, 2010

Coração de Amor-Perfeito

“Complicado” é um inovador estado civil, grafado por alguns “descomplicados”, em documentos não oficiais, mas muito divulgados, uma espécie de escusa da verdadeira condição ou uma intenção mal simulada do que lhe está subjacente, algo que não complica, mas que, pelo contrário, simplifica.