Archive for Dezembro, 2015

SORRI!
Dezembro 31, 2015

Riquezas Naturais de Porto Côvo, 2013

Abre o coração à beleza de cada dia do ANO BOM com alegria, e SORRI!

Colhe as pérolas da chuva, rega a seara da vida de bem-te-queres, e SORRI!

Olha para o céu azul iluminado de estrelas a brilhar e a dançar só para ti, e SORRI!

Saboreia a delícia dos frutos da verdade no canto dos pássaros, e SORRI!

Sente o perfume das flores coloridas de favos de mel, e SORRI!

Noite de Natal à Beira-Mar!
Dezembro 31, 2015

Praia Revolta, 2015

Noite de Natal!

Percorri o silêncio da imensa e bela praia, entre as tuas pegadas e sonhos de criança-adolescente no eco do pueril riso, e nos caminhos desenhados e perseguidos pelos doces murmúrios de ondas preguiçosas e brincalhonas com o brilho madrepérola de conchinhas, que as estrelas beijavam…

Aproximei-me e vi…

– Rios, mares e… pedras sobre as quais os anjos saltavam, se equilibravam, aproximavam de margens e portos cheios de gente!

– Espuma alva, fofa e delicada repassada de beijos de luar e rostos estrelados de crianças, a brincar, a correr, a chamar umas pelas outras, de braços abertos,de lábios trémulos e corações cheios de marés vivas de amor e alegria!

– Ondas, formando regaços de mulher, amorosas e calorosas, de diferentes gerações, e abraços de vozes roucas de homem!

E…

– Barquinhos de papel, botes na baía, barcos a crescer no estaleiro perfumado, traineiras a navegar, canas de pesca a saltar, redes a levanta!

– Gaivotas vestidas de noiva a anunciar a festa da pescaria, e meninos a sorrir e a correr, pintando os rostos tristes das viúvas de esperança!…

– Papagaios de papel, e aviões a esvoaçar no pontal, pintando arcas, arcas e arcas de tesouros fechadas a sete chaves guardadas em jardins perdidos de maravilhas com flores a espreitarem o nascer do dia e o sol poente!

E…

– Ilhas de encantos e alguns passos sozinhos, e muitos, muitos alinhados, ritmados, sintonizados, transbordantes de delícias da terra até ao céu!

– Saudades, flores perfumadas de ausências, raízes de força perene a embalar a vida, flores da manhã, beijos de boa noite, sol esplendoroso de meio-dia!

– Festas, encontros, mesas postas com doçaria de afetos, calorosos banquetes de família, cálices erguidos à vida!

E…

– Palavras a sorrir, algumas nubladas, debruçadas à janela das memórias escondidas, emergindo da essência do ser, por vezes brincando com a imaginação com gestos espontâneos, saltitantes, ricos de encanto, despontando alegres sorrisos!

– Rostos, o rosto-querido, o rosto-amigo, o rosto-desconhecido, o azul do céu e do mar a olhar os jardins com danças de vento, e canto de rouxinóis, o rumor dos pinheiros na voz da noite, o brilho do coração saudoso em cada sorriso!

– Barquinhos, secreto esconderijos, impenetráveis no seu vogar!…

E…

A roupagem branca a cobrir os corpos frios e cansados, as bóinas e os chapéus desbotados de escamas prateadas, as pesadas botas de borracha e as gastas alparcatas!

A luz dourada do farol a brilhar nas mãos puras das crianças e rugosas dos idosos, iluminado os passos do dia-a-dia, segredos verdadeiros que a pressa, por mais que peça, não cessa!

A liberdade contida numa conchinha transparente, acordando o dia quando o Menino Jesus nascia e sorria, e a luz da paz e do amor difundia!

Sorriso do Dia – O Jogo do Dia-a-Dia
Dezembro 31, 2015

Festival Marinho, 2015

Nas lutas do dia-a-dia entra em campo vitorioso!

Sê: o treinador, o capitão de equipa , o guarda-redes, o defesa – central e lateral – o avançado, o árbitro!

Usa as estratégias do jogo, atira a bola, marca o primeiro golo, e se ela bater no poste, agarra-a, corre e vai sempre na direção da baliza, porque até o jogo acabar, podes sempre ganhar!…

Boas boleadas e muitas vitórias sempre e em todos os campos com grandes e felizes voos!

E… que todos os dias te equipes, te prepares, te enchas de coragem para venceres, e sorrias com alegria, saudando a vida com um confiante: Olá, Bom Dia!

O Amor no Coração
Dezembro 31, 2015

Mar Bordado de ESpuma e Rochas, 2013

O orgulho tolhe as relações, mas o puro, generoso, gratuito, verdadeiro e inefável amor permanece nas malhas do tempo, resiste firme e fielmente a todos os pontapés e trambolhões, viajando no coração de quem silenciosa, doce e invisivelmente nunca deixou a tua mão!

Na Sala de Aula com a Vitória e o Vivaço no Dia Internacional da Mulher, 3.ª Página
Dezembro 31, 2015

Contos de Criança

Professora – Vitória, consegues continuar, s.f.f?

Vitória – Consigo, sim, Sr.ª Professora. Estive a consultar um livro do meu pai com os factos históricos nacionais por datas.

1777, 4 de Março: D. Maria defere o pedido de exoneração do Marquês de Pombal.

1781, 27 de Março: Pina Manique decreta a obrigatoriedade da inspeção sanitária das prostitutas.

1788, 29 de Março: dá-se a privatização das Fábricas e Manufaturas de Portalegre, Fundão e Covilhã.

1791, 28 de Março: álvará para a abertura das estradas do reino, incluindo Lisboa ao Porto!

1797, 7 de Março: Bocage sai do Limoeiro e vai contar anedotas e escrever poemas para os cárceres da Inquisição.

1800, 7 de Março: Novo empréstimo de 12 milhões de cruzados de 20 000 acções de 240 réis cada um.

Professora – Muito bem, Vitória!

Vivaço – Sr.ª Professora, até o Marquês se cansou… com o tamanho das avenidas e… outras obras! Não sabia que as prostituras iam à inspeção; pensava que era só para a recruta nas forças armadas. Coitado do Bocage!
Já tenho sede! Se fosse apanhar as flores, podia beber um copinho de água ali na D. Edite das frutas! Posso?
Mas… ainda gostaria de referir uma data, se me desse licença!

Professora – Podes referir o evento, Vivaço! Mas, ao falares sobre a D. Edite ocorreu-me uma ideia. Continua! – respondeu a professora tentando ocultar o riso!

Vivaço – Obrigado! Pois, Sr.ª Professora, na era de mil novecentos e cinquenta e tal, nasceriam alguns dos seus alunos, presentes nesta turma: uns que haveriam de gostar muito de ouvir e de contar histórias, outros sonhando ir para a marinha, uns certinhos, outros grandes malandrecos, mas todos boas pessoas, que sairiam desta escola muito bem instruídos para a vida!

Vitória – Posso, Sr.ª Professora?

Professora – Com certeza!

Vitória – Concordo com o Vivaço! Gostaria de voar no tempo e oferecer, daqui a uns quarenta anos, flores do meu coração a todos os meus colegas!

Professora – Muito bem, Vitória! E como concretizaríamos a tua proposta?

Vitória – Sr.ª Professora, podíamos redigir uma texto, imaginarmo-nos mais gordinhos, pois ouvi dizer que a partir de uma certa idade as pessoas ficam mais… “perfeitas”, pintarmos os cabelos de branco natural, que alguns, as meninas, poderiam engraxar de outra cor, e…

Vivaço – E… marcar um almoço para a malta toda e os professores! Seria do melhor! “Calhando, alguns não se reconheceriam à primeira vista!

Professora – Muito bem! Na próxima aula, cada um redigirá um texto sobre esse possível encontro, no qual retratarão fisicamente os colegas, os mais próximos de cada um, e perguntar-lhes-ão se concretizaram os sonhos que levam daqui, o que fazem, como se sentem com a vida!

Vitória – Sr.ª Professora, e seria bom que todos guardássemos nos nossos corações e nas nossas memórias este compromisso do tal encontro!

Professora – Muito bem! Estão todos de acordo?

– Simmm! – respondeu a turma em uníssono!

Professora – Obrigada! Lá estaremos cheios de saudades uns dos outros. Meus queridos alunos, amo-vos! Sejam sempre amigos uns dos outros, e encontrem-se pela vida fora!
Ah! A D. Edite!

Vitória – Sr.ª Professora, posso ir pedir fruta fresca e lavada à minha tia para todos? O Vivaço e a Bela podem vir comigo?

Professora – Boa ideia! Podem ir! Entretanto, cada um escreve uma mensagem sobre a mulher ou as mulheres da sua vida!

Vivaço – Eh, lá! Mulheres, Sr.ª Professora?!… Parece-me bem!

Professora – Vivaço, ai essa cabecinha! Mulheres, sim: a mãe, a avó, a irmã, a namorada!…

Vivaço – Percebido, Sr.ª Professora! Agora vou buscar a fruta com as meninas. Depois escrevo uma mensagem bué de gira e faço um avião com ela!

Vitória, já viste aquela gaivota tão gira?!… Anda sempre por aqui!

Vitória – Já vi! É a Abelhuda, a gaivota-amiga!

Fim

Sorriso do Dia – A Primavera do Ser
Dezembro 31, 2015

A Onda Tímida, 2013

Dançam os regatos, cantam os pássaros, sorriem as estrelas!…

E…o sol e a lua, o mar e o campo, o vento e a chuva, as nuvens e a neblina, as árvores e as flores dão as mãos às crianças e, numa roda viva de arco-íris, ecoam:

A tua primavera permanece em ti!

A tua primavera veste-se de esperança quando projetas, apostas, acreditas, lutas e conquistas!

A tua primavera cresce quando escreves, enriquece quando perdoas, e floresce quando sorris!

A tua primavera descobre os encantos da vida, lavra os campos e planta os jardins!

A tua primavera colhe a chuva nos olhares tristes com pétalas de girassóis!

A tua primavera bebe os sorrisos dourados, repassados de ternura, fugindo das ondas!

A tua primavera é o delicioso fruto florido de alegria de cada dia!

A Ternura Florida da Criança
Dezembro 31, 2015

Canteiro de Chorões, 2015

– Tome, Sr.ª branquinha! São para si!

– O que é isto, menina tão magrinha?

– São flores! Não gosta, Sr.ª branquinha?

– Gosto! São tão pequeninas, coloridas e perfumadas! – respondeu a boca da triste cara enrugada.

– E aveludadas! Toque, toque, Sr.ª branquinha, para sentir! Sabe? As flores são meninas delicadas, menos as bocas de lobo, que podem dar-nos dentadas! Mas as outras, não! São amiguinhas das pessoas boas, e até gostam de fazar-lhes cócegas no nariz, para eles se rirem! Quer ver?

– Não é preciso, obrigada! Eu sei, menina boazinha! E… ainda gosto de cócegas! Fazem sorrir!

– Está bem, Sr.ª branquinha! Quer saber onde apanhei as flores?

– Hummm! Deixa-me adivinhar! No jardim da tua avó! Ou terá sido no caminho para a Costa do Norte? Ou perto do Rio da Moura?

– Frio, frio, Sr.ª branquinha!

– Então, menina lindinha?

– Não adivinha! Apanhei-as no canteiro do coração, porque foi ele que me disse para vir aqui, colhê-las ali nos valados, e depois olhei para a Sr.ª Branquinha e percebi que eram um presente para si! O coração é um grande sabichão, não acha?

– Acho, sim, menina boazinha! É como uma estrela que nos guia, mas, às vezes, também temos de ouvir a razão.

– Nunca tinha pensado nisso, mas vou pôr o meu ouvido à escuta, Sr.ª branquinha! Obrigada!

– Obrigada, digo-te eu, menina lindinha! Feliz Ano Ano!

– Obrigada, Sr.ª branquinha! Feliz Ano Novo!

O Pensamento-Tormento
Dezembro 31, 2015

Sulcos de Brisa Azulada, 2015

Não abras a porta do coração ao pesaroso pensamento, para que ele não se instale, não te inquiete e não se torne num tormento!

Histórias de Fantoches – A Ritinha, 2.ª Página
Dezembro 31, 2015

A Ritinha

Durante o percurso para a escola, a Ritinha não se calou; falava sobre: o galaró que a acordara antes do sol nascer; a paisagem verdejante com as ovelhas a pastar, o mar que se avistava ao longe, os carros apressados para entrarem na cidade, as pessoas a circularem pelas ruas movimentadas. E, de vez em quando, o avô vi-a erguer o braço para cumprimentar quem passava, principalmente as pessoas que atravessavam as passadeiras.

– Ó Ritinha, mas tu falas a tanta gente! Conheces as pessoas ou queres dar-lhes os bons-dias, só por que estás contente? – perguntou o avó com um olhar muito terno e com uns lindos dentes a brilhar debaixo do seu bigode farfalhudo.

– Ó avôzinho, claro que conheço! Olha: aquela Sr.ª do avental com uma alcofa à cabeça é a Tia Adelaide, que vende fruta na praça; o rapaz do boné é o irmão da minha colega Zezinha, o Gilberto, que trabalha na loja dos brinquedos; a Sr.ª apressada, que sorriu muito, é a empregada da papelaria, a Preciosa; o Sr. do cão vende castanhas à porta da escola, é o Eusébio; a rapariga do fato de treino é a professora da natação, a Dália; o Sr. do chapéu é o jardineiro dos Tempos Livres, o Sr. Jacinto…

– Já chega, Ritinha! Já percebi que conheces muita gente, querida!

– Mas avôzinho, também fiz adeus ao Sr. Zé do Talho, à D. Tina da cantina, à D. Helena, que é a empregda mais querida da escola, a mais amiga dos meninos todos e a mais boazinha e…

– Chegámos, Ritinha!

– Até logo, avôzinho! – despediu-se a Ritinha.

– Até logo, Ritinha! Porta-te bem e presta atenção a tudo o que a Sr.ª Professora ensinar, está bem?

– Sim, avôzinho! Podes ir descansado, que eu porto-me bem. Hoje vou divertir-me no recreio a jogar ao berlinde com o Gabriel e o José. Depois conto-te tudo! Diz à avó Maria Rapariga que gosto muito dela, e de ti também, avôzinho!

(continua)

Escravizar e Ser Escravo
Dezembro 29, 2015

A Rocha-Quilha, 2013

Infligir o medo para dominar, para manipular e para sobrevalorizar-se, não é amar, mas escravizar, tornando-se cobarde, mesquinha e simultaneamente senhor(a)-escravo(a) dos seus próprios instintos, das suas frustrações, do desrespeito por si e pelos outros!