Archive for Janeiro, 2013

Uma Flor no Olhar da Criança
Janeiro 31, 2013

Flor de Esperança, 2013

Oferecer um sorriso a uma criança assustada é plantar uma flor de esperança no seu olhar!

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As Estórias do Esu – O Esconderijo na Armação
Janeiro 31, 2013

Criança - Mar by lusografias

Quando o Esu era muito pequeno, corria para a ribeira antes de o pai sair de casa, e escondia-se debaixo das redes das armações, umas embarcações longas e pretas com uma risca branca com a sua identificação, que muitos homens levavam para o largo, remando!

Os pescadores, quando se dispunham a ir para a faina e largar as redes, simulavam situações, obrigando o menino a manifestar a sua presença, ora a queixar-se, ora a aparecer, mas o Esu aceitava todas as brincadeiras, pois ganhava sempre o seu desejado prémio: ir ao mar com o pai!

Mas, se o mau tempo representava perigo, o pequeno pescador era obrigado a saltar da embarcação, ficando a chorar, enquanto esta se afastava no vaivém das ondas!

E, de aventura em aventura na armação, o Esu, um menino atento e inteligente foi aprendendo os segredos da arte de pesca.

A Pagizinha e a Escola
Janeiro 30, 2013

Criança com Bonecas by lusografias

A Pagizinha já anda na escola!

Disse-me que gostava, sacudindo os caracolitos dançantes que tem nas pontas dos seus sedosos cabelos!

Também repetiu, visivelmente satisfeita, o “Fungagá da Bicaharada”, uma cantiguinha que aprendeu.

A minha amiguinha ainda não sabe os nomes dos colegas, mas citou o de uma menina que tem o dobro da sua idade, acrescentando:

– Ela é minha amiga!

Fiquei a saber, sem perguntar-lhe, que um menino não lhe emprestou um brinquedo, e que ela arruma as coisas. Aguardou o reconhecimento do seu bom comportamento, e agradeceu com o seu lindo sorriso a aprovação por ser uma menina grande!

A Pagizinha, nesta fase de adaptação, ainda não dorme na sua escola, o que ela justificou com um franzir de sobrolhos:

– Eles fazem muito barulho e eu não consigo dormir!

Mas, o que a Pagizinha lamentou foi não poder desenvolver uma das suas atividades preferidas, e que desempenha muito bem:

– Não posso cortar! Não posso! Lá não se pode!

Os Matraquilhos e o “Tio” Jacinto
Janeiro 30, 2013

Matraquilhos by lusografias

Um dia, quando eu ainda era criança, e fui buscar vinho à taberna do Sr. José Caldeireiro, para a minha mãe temperar carne, vi pela primeira vez um campo de futebol minúsculo e com bonecos.

Uns homens fortes e apressados descarregavam-no cuidadosamente, e depositam-no numa zona mais discreta do espaço.

Olhava-os, atónita, e continuava com a garrafa vazia na mão, apesar de a D. Nanda insistir na pergunta:

– O que é que a menina quer?

Os pescadores esfregavam as mãos de contentamento e observavam o campo, trocando palavras entre si, que eu não percebia.

O meu primo António e o meu tio mais novo, que iam a passar, entraram, tocaram nos bonecos-jogadores, que deram uma cambalhota, e disseram um para o outro:

– Agora, já podemos jogar aos matraquilhos!

A Nita, uma jovem muito simpática e sorridente, e a Tina, conhecida pela “brincalhona”, entraram no estabelecimento, e esta retorquiu:

– Belos matrecos! Vamos perder os moços de vista, ou teremos de vir aqui!

O Sr. José sorriu, e apressou-se a perguntar-lhes se era o costume, ao que elas responderam afirmativamente!

Eu já entregara a garrafa à D. Nanda, e o Sr. José colocava no balcão uma gasosa com berlinde e um pacote com tremoços.

Quando saí, sem saber se os jogadores eram matraquilhos ou matrecos, reparei que o “tio” Jacinto se aproximara e puxava os bonecos para onde queria, e que os obrigava  a chutar uma bola para a baliza.

Desde aquele dia, a taberna do Sr. José Caldeireiro tornou-se mais movimentada e barulhenta, pois os homens que faziam de jogadores com aqueles bonecos: riam, gritavam, resmungavam, irritavam-se e chamavam nomes uns aos outros – por isto, o meu pai proibiu-me de ir comprar vinho ou pirolitos.

Mas, o “tio” Jacinto continuava a jogar, e eu via-o da rua, porque a janela grande estava sempre aberta.

Depois de a esposa ter falecido, e decidido ir para o Lar, pois achava a sua casa muito grande para estar sozinho, o “tio” Jacinto ainda vinha encontrar-se com os amigos na taberna e divertir-se com um joguinho, ganhando-lhes quase sempre.

Quando o Sr. José e a esposa se aposentaram, doaram os matraquilhos ao Lar.

No dia em que o “tio” Jacinto os viu sob o telheiro ficou muito emocionado, e rapidamente arranjou companheiros para jogarem umas partidas.

O tempo passou e o “tio” Jacinto e os matraquilhos foram envelhecendo, mas ele ainda se senta perto deles e conta histórias, que só ambos conhecem, às visitas.

As Estórias da Bia – As Migas Alentejanas
Janeiro 28, 2013

Contos de Crianças by lusografias

A Bia afirma que não gosta de “fazer comer” e acrescenta: “Aborrece-me!”, mas é uma exímia cozinheira!

Prepara tudo cuidadosamente, e tem dedo para o tempero, e o ponto certo para a doçaria, se bem que há dias tivesse dito com algum desagrado:

“- O bolo-rei ficou uma porcaria!”

Mas, consta que os restantes membros da família não partilharam a sua opinião, nem se queixaram da massa, nem acharam a fruta cristalizada amarga, nem encontraram cascas de nozes misturadas com o miolo, nem procuraram um presente, para além de umas boas fatias de bolo-rei confecionado pela rainha da casa, sem fava, para evitar riscos de engasgos!

Uma das especialidades da Bia é um bom tacho de migas com  o “panito”, o azeite e os alhos alentejanos muito bem ligados até ficarem em bola, feitas à moda da terra d´O Sem Pavor, “preceitos” que ela aprendeu quando era donzela e se preparava para ser uma grande mestra de escola!

Sobre a receita, nada poderei acrescentar, porque há segredos que não se revelam, tal como a Bia se tornou um verdadeiro exemplo de vida, daqueles que quanto mais alta é a montanha, mais força se tem para alcançar o seu cume!

Flores-Miragem de Espelhos Partidos
Janeiro 27, 2013

Flores de Piteira by lusografias

Nascem flores entre os picos aguçados da arrogância, mas são tão efémeras e desprovidas de essência perfumada de doçura, que nem as crianças reparam na sua existência, nem as borboletas são atraídas pela sua beleza!

Nascem papoilas entre o trigo, e na sua simplicidade alheia à diferença, as espigas dançam com as pétalas vermelhas, e beijam o sol que as amadurece, para mais tarde levarem a deliciosa alegria à mesa.

Nascem espinhos nos corações prepotentes, e escorrem palavras ácidas nos lábios roxos dos que não sabem soletrar os ensinamentos do livro da vida, coroando-se constantemente soberanos absolutos com as teias da sua  ignorância.

 

A Salgadeira Brincalhona
Janeiro 25, 2013

Rocha com salgadeira by lusografias

A rocha também tem coração e  por ele escorre água que, à luz do dia se transforma em salgadeira e cresce, cresce no terreno fértil da mãe-natureza!

E… menina salgadeira tem um sonho: brincar com as crianças que por ali passam! Mas, tal como os adultos, não a vêem, porque mora no último andar!

Só o jericó olha para cima, e zurra, e ela, que não gosta nada daquela brincadeira,  faz-lhe caretas com os seus tronquinhos, assustando-o, e também por que sabe muito bem que os asnos gostam muito de banquetear-se com as suas folhinhas, porque leu num conto que a avó salgadeira deixou desenhado numa rocha-quadro que só as pessoas da família sabem ler!

Um dia, quando uma nuvem branca ia a passar muito baixinho, a menina salgadeira pediu-lhe ajuda:

– Nuvem! Nuvem! Vem cá, se faz favor! Preciso de ti!

A nuvem travou o seu deslizar de pássaro, e respondeu-lhe:

– Tenho pressa, salgadeira, mas diz-me o que precisas!  Se é para tirar-te daí, não posso! Ainda sou muito pequenina para levar-te às costas!

– Obrigada, nuvem! Eu gosto muito desta minha casinha! Vejo o céu, o mar, os barcos, as pessoas, falo com as gaivotas e sou amiga do  vento, mas… preciso de uma gotas de chuva! – agradeceu a menina salgadeira, agitando os braços com muitas pulseiras verdes.

– Para quê?!… – perguntou a nuvem com os olhos de sol muito abertos.

– Para fazer bolinhas e brincar com as crianças. Elas hão de gostar!  – esclareceu a menina salgadeira muito entusiasmada.

– Oh! Hoje não vou regar a terra! Deixei as gotas de chuva no reino das nuvens! Vesti-me para passear. Mas… vou mandar uma mensagem à minha irmã Generosa e, em breve, sentirás as gotas a cair nas tuas folhas! – retorqui a nuvem com voz de algodão doce.

– Obrigada, nuvem amiga! Como te chamas?  – agradeceu a menina salgadeira, curiosa.

– Não tens de quê! Também gosto de ajudar! Eu sou a nuvem Branca de Neve! – declarou sacudindo o longo vestido.

– Oh! E… quem é o teu príncipe? – quis saber a menina salgadeira, surpreendida.

– É o vento norte! É ele quem transmitirá a mensagem à minha irmã! Adeus salgadeira! Boa brincadeira com as crianças! – respondeu a Branca de Neve, despedindo-se.

Pouco tempo depois, quando a menina salgadeira apanhava o seu banho de sol, sentiu uma gota, depois outra, e outra!… Eram tantas gostas, que ela até se encolhia.

Quando a nuvem Generosa se retirou, a menina salgadeira começou e enrolar as gotas nas suas folhinhas, uma a uma, e dizia-lhes, alternadamente:

– Gota, gotinha faz-te camarinha! Gota, gotinha, faz-te bolinha!

Desde aquele dia, a  menina salgadeira passou a ser conhecida pela salgadeira brincalhona, pois atirava bolinhas saltitonas para as crianças, enchia-lhes as bocas de camarinhas, e quando o seu amigo vento aparecia, insuflava as bolinhas, e ela podia oferecer balões aos meninos e às meninas mais pequeninos, e as gaivotas prendiam-nos aos seus pulsos, e… quando eles fugiam e as crianças ficavam tristes, a nuvem Branca de Neve trazia-lhos com sorrisos!

A Nudez Envergonhada
Janeiro 25, 2013

Escultura de Mulher by lusografias

Mãos sábias e sensíveis esculpem artisticamente um corpo de mulher, olhando envergonhada para a sua nudez como uma criança quando se descobre na imagem de um espelho, e teme tocá-la!

E… a folhagem canta a sua beleza com voz de interminável primavera ao som da flauta do vento!

A Menina Azul – A Demonstração do OMO e o Poder do TIDE
Janeiro 24, 2013

OMO by lusografias

Na minha infância, assisti a uma demonstração dos poderes do detergente OMO, inimigo do sabão Clarim, que já ganhava fama em relação sabão azul e branco, por causa da suavidade que deixava nas mãos – diziam as mães de família – e, sobretudo, pelo seu perfume – também comprovado pelas fadas do lar!

O revolucionário OMO apareceu na minha aldeia pelas mãos de uma senhora muito bem vestida, muito simpática e muito perfumada, que falava fino, e que fazia demonstrações.

Se bem me lembro, primeiro colocava o OMO num alguidar, depois a água. Mergulhava as suas delicadas mãos e massajava, massajava, até dissolver o detergente,  e… magicamente iam surgindo bolhinhas e bolhas de espuma, que quase transbordavam, o que me fascinava.

A Sr.ª de fala fininha também explicava o poder espumoso dos  grânulos do OMO, alérgico às esfregas impostas pelo sabão como sabemos, o qual gostava de ficar de molho com a roupinha, mergulhada peça a peça, talvez para um bom tratamento de acolhimento, e… imaginem… saía sem manchas de sujidade,  e… muito branquinha.

Esta inovação na lavagem de roupa seria alargada a outros produtos análogos – qual deles o melhor -, e eis que surge o famoso TIDE sem necessidade de demonstração de como obter espuma e grandes resultados, mas com este cartão de apresentação, ecoando na telefonia:

“- Tide a lavar e você a descansar!”

Este poderá ter sido o princípio de revolução das máquinas de lavar!

Rochas Sentadas à Beira-Mar
Janeiro 22, 2013

Rochedo, 2012 by lusografias

Sentadas à beira-mar, as rochas vestidas de verde, e calçadas de sapatos pretos de sola rija, brincam com as atrevidas ondas, que estendem as suas mãos, tentando sentir a macieza do tecido aveludado.