Archive for Novembro, 2012

A Nota da Sinfonia do Amor
Novembro 30, 2012

Transparência Cúmplice, 2012

A nota que ecoa mais alto na sinfonia do amor é a confiança-cúmplice!

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A Menina Azul – A Telefonia
Novembro 30, 2012

A Menina Azul

Era uma caixa retângular castanha clara com teclas grossas e lisas, cremes, e uma espécie de rede de malha miudinha do mesmo tom por onde saía o som!

Tinha uma espécie de régua transparente com muitos números e um ponteiro vermelho, que andava de um lado para outro, acionado por um dos botões laterais, que, por vezes, feria o ouvido com ruídos de estações mal sintonizdas – o outro botão controlava o volume do som!

A Menina Azul olhava fascinada para a grande caixa mágica, que namorara durante meses na monstra de uma loja da Rua Direita, do Sr. Joaquim, que anos mais tarde viria a ser meu amigo, bem como a sua esposa!

A telefonia enchia a casa de música, e a Menina Azul passou a ter acompanhamento nas suas cantorias.

Ouviam-se as notícias, sentiam-se  as emoções transmitidas pelos bem interpretados folhetins, ecoavam gargalhadas, para além das habituais, dos residentes, aquelas desencadeadas pelos Parodiantes de Lisboa!…

E… era necessário estar atenta ao consumo da energia, porque as pilhas também se gastavam!…

A Gaivota e os Sonhos – 3.ª Página
Novembro 30, 2012

Gaivota by lusografias

A gaivota-madrugadora-pensadora desceu do dorso do cavalo alado, e saltitou pelas vielas da ilha florida com vasos nas janelas.

Depois levantou as asas e poisou no canteiro em que a gralha rainha das avós esgravatava a terra à procura de rebentos para preparar xaropes e mezinhas, que deixaria na praia, e que os pescadores levariam, para tratarem os seus filhinhos no inverno.

– Minha amiga, que fazes por aqui tão cedo? – perguntou a gralha abrindo as asas de admiração!

– Venho despedir-me, avó gralha! Vou fazer a minha viagem de sonho! – respondeu a gaivota cantarolando de alegria!

– Que bom, minha filha! Fico muito contente! Mas vais sozinha para países tão distantes?!… Porque não convidas o gaivotão azul para te acompanhar?!…

– Não é preciso, obrigada! Tenho ali um novo amigo, muito forte e corajoso! Ele vai ajudar-me – afirmou a gaivota.

– E… quem é esse amigo, que não conheço? – questionou a gralha.

– É o cavalo alado! Está ali! – esclareceu a gaivota, apontando para o amigo.

O cavalo alado relinchou, cumprimentou a gralha rainha das avós, e baixou a cabeça em sinal de vénia, porque era muiro educado, e a senhora gralha uma idosa já com penas muito brancas.

– Que bonito! E muito simpático o teu amigo! Faz-me lembrar um namorado que eu tive! Coisas da minha juventude! Façam boa viagem! Como saberei notícias tuas?

A gaivota-madrugadora-pensadora informou a sua amiga, tal como o seu novo amigo lhe indicara, dirigiu-se ao salão da música onde as gralhas estavam a ensaiar, despediu-se com bicadas beijoqueiras, e partiu com acenos de asas, que secavam as lágrimas dos olhos da avó gralha!

(continua)

Flores nos Telhados
Novembro 29, 2012

Flores no Telhado, 2012

Precisamos de limpar bem os vidros embaciados das janelas das nossas almas, para conseguimos ver o mundo, e vislumbrarmos as flores nos telhados!

Camuflado Molhado
Novembro 29, 2012

Tons de Entardecer, 2012

Não há camuflado que não se desmascare, nem chuva que não molhe!

Estórias de Meninos – O Gaiato Interesseiro
Novembro 29, 2012

Meninos

O gaiato interesseiro não podia estar parado.

Corria na ribeira a pedinchar peixe a um e a outro, para vender e apresentar-se orgulhosamente em casa dos pais com: pão e vinho que trazia da mercearia da  “ti´” Silvina.

Saltava de banca em banca na praça ao ar livre, oferecendo os seus préstimos em troca de fruta madura e de batatas doces.

Andava nas pedras a apanhar erva da salema para vender aos pescadores, que a aproveitavam para isco depois de pisadas.

Mas, um dia, o gaiato interesseiro entrou numa igreja. Olhou à volta. Sentou-se e ficou a ouvir o silêncio. Viu uma bíblia aberta no banco da frente, aproximou-se e começou a ler.

A sua vida prosseguiu como era habitual, mas o gaiato interesseiro, à medida que ia crescendo,  passou a dividir os seus proveitos com os meninos do orfanato, com quem jogava à bola, e com a velhinha da esquina, que andava toda curvada e não tinha despensa!

Estórias de Meninas – O Poço de Amor
Novembro 29, 2012

Menina

“Poço do amor” era a alcunha da Maria da Felicidade, que se tornara uma senhora de seios altivos, muito terna no trato e generosa na mão aberta, e no olho ponto de pérola, que aprendia todas as receitas de culinária sem tomar notas, sobretudo de doçaria.

Na verdade, as especialidades da Felicidade Poço de Amor eram: os amores, os beijinhos, a marmelada e derivados!

Gente Boa da Minha Aldeia – Chegas a Boa Hora!
Novembro 29, 2012

Quilha de Barco-reflexos, 2012

– Ah! Chegas a boa hora! – replicou alegremente o dono da casa! Senta-te aqui! Come connosco!  És bem-vindo!

E… o ti´Ralheta sorriu timidamente, aceitou a cadeira que a D. Letinha lhe oferecia, enquanto colocava agilmente um prato, talheres e um guardanapo na mesa.

A refeição foi farta nas deliciosas iguarias, sobretudo para quem não comia nada desde o almoço do dia anterior, e na confraternização polvilhada de alegria de memórias de outros tempos!

Cantar ao Vento
Novembro 29, 2012

O Penedo, 2012

No alto do penedo, um menino olhava o mar e sonhava, sentia o vento e sorria, tocava com a mão na sua boca e ecoava o ahhhh dos seus desejos aos quatro ventos, que o chamavam para percorrer o mundo!

A Traição do Medroso “Poderoso”
Novembro 29, 2012

Os Picos Maldosos, 2012

O medroso “poderoso” não perde uma oportunidade de exclusão subtilmente descarada e desrespeitosa do simplesmente corajoso, diligente e honesto!