Archive for Julho, 2015

Perdido na Cidade das Memórias
Julho 31, 2015

Mar da Maravilhosa, 2013

Percorre a cidade entre as casas brancas, respirando a seiva dos verdes anos, cumprimentando as recordações vivazes poisadas às portas entreabertas, sentindo o perfume doce das janelas floridas, ouvindo o eco do murmúrio das vozes amigas e os simpáticos bons-dias dos conhecidos, o “olá” colorido do papagaio saciado de aromas de delícias de panito mole…

Dá mais uns passos…

Começa a descer as escadinhas pintadas de maresia, tocando as flores vermelhas que se põem de pico de pé para saciarem saudades…

Para!

Fecha os olhos!

Escuta o tímido canto das ondinhas, beijando com sorrisos as saudosas pegadas de criança e de jovens sonhadores…

Aproxima-te, e deixa-te embriagar pela brisa vestida de mantos quentes bordado de tons laranjas, tecido de brincadeiras de meninos, pespontado de passos trémulos de adolescentes…

Colhe com o olhar as longínquas bananas da hortinha…

Sente o veludo do musgo da bica, oferecendo a sua água milagrosa para “a(s) vista(s)”, e estende a conchinha da tua mão que a caninha da Índia encherá sob o sorriso da Santa, que te lavava os teus pés cheios de areia…

Dá mais uns emocionantes passos!

Descalça-te!

Sente as carícias da areia agora rugosa e mais morena, contudo ainda lisa, branca e quente nos teus sentidos…

Despe-te da roupagem que os anos te vestiram, e vive a liberdade do prazer deste momento íntimo!

Revive as cenas das imagens reproduzidas nas águas transparentes!

Entra suavemente na roda que os escorregadios peixinhos fazem à tua volta!

Dança com a doçura atrevida das ondas, mergulha!…

E…

Saciado e revigorado, vai para além das boias, sobe aos barcos, sente o seu cheiro, adormece no seu vaivém à sombra da vela do que viveste, e… sonha com os os sonhos que sonhaste!…

Acorda com o voo da gaivota, refrescando-te da intensidade dos raios solares bafejada de madrugada…

Abre os teus olhos banhados de azul-dourado, e abraça tudo, faz desenhos ondulantes nas águas calmas com as tuas mãos empreendedoras, pega no pequeno colar de conchas e búzios que está ao teu lado, e descobrirás uma escada…

Regressa calmamente à cidade grande com passaporte para o mundo, e leva sempre contigo o luminoso e perene respirar do farol batendo no teu coração inflamado de amor e bondade, ecoando no silêncio!…

E…

Nesta viagem, quando a nuvem passar e o vento anunciar a chegada da sua amiguinha chuva, ou o relâmpago, ou o ribombar do trovão, caminha seguro, livre, forte, corajoso, vencedor, porque a nuvem escreve mensagens com imagens, a chuva refresca e renova a vida, o vento é mestre de danças, o relâmpago mostra paisagens adormecidas, o trovão é barulhento e brincalhão!…

E…

Ainda deslumbrado com o mar calmo, turquesa, ou a resmungar, com o seixo branco a rolar, com a criança a traquinar, com o idoso a ensinar, com mão a limpar uma lágrima oculta, com a escrita a espreitar, com a alegria a desafiar(-te)!…

Caminha com passos de bebé e com as tuas grandes passadas!
Para!
Pensa!
Recomeça!
SORRI!

A Hera da Tristeza
Julho 30, 2015

Árvores de Prata, 2011

Não alimentes a hera da tristeza com lágrimas, para que ela não cresça, não te entrelace e não te adormeça!

A Estrela Azul – 1.ª Página
Julho 30, 2015

Sombras, 2015

Era uma vez um menino gorduchinho com umas faces muito rosadinhas, o “Sonhador”, que gostava muito de olhar para o céu com “muitas luzinhas a brilhar” como dizia, às quais ia atribuindo nomes.

Numa das suas noites contemplativas, de repente, a estrela azul entrou pela janela do seu quarto e, de biqiuinhos de pé, num peculiar e gracioso gesto de bailarina, deslizou no tapete azul, e estendeu os seus dedos de cristal sobre o Fofinho, o cão do “Sonhador”, envolvendo-o num véu de tule dourado!…

O Menino, de olhos arregalados, quase deixou cair um chupa-chupa que tinha acabado de levar à boca e, denotando preocupação começou a
chamar, aflito, pelo seu grande amigo:

– Fofinho! Fofinho!

– Não te assustes, lindo menino, vais ter uma surpresa!… – disse-lhe uma doce voz!

– Quem és tu?!… – perguntou o “Sonhador”, girando a cabeça à procura de alguém.

– Sou a Estrela Azul! Olha para cima!

– Mas… eu nunca tinha visto uma estrela azul, vestida de azul, com olho azul, com um sorriso de menina e…- balbuciou pasmado.

– E?!… – indagou a Estrela Azul.

– E… com mãos de fonte dourada!… – concluiu o menino.

– É natural, lindo menino! Sou especial como tu! Sou discreta como tu! Gosto da noite como tu! Gosto de muitas coisas de que tu também gostas! E… gosto do carinho como tratas o teu amiguinho!
Mas… olho para ti todas as noites, e vejo tanta saudade no teu olhar, que esta noite decidi oferecer-te um presente, proporcionar-te uma grande alegria! Posso? – retorquiu a Estrela Azul.

– Podes! Quero! Agradeço-te, Estrela Azul! Obrigado! Oh!… Estás a encadear-me!… Onde estás?!… Já não te vejo!
Oh! Desapareceu como a moura da lenda, que ninguém desencantou! Mas… porque é que elas fazem isto?!… Não é racional! – expressou o menino.

– Ão, ão, ão! – chamou o vigoroso Fofinho agarrado à perna das calças do amigo!

– Fofinho, Fofinho! És tu, o meu grande Fofinho! – repetia o menino abraçando a custo o seu ágil amigo, ávido de brincadeira!

– Apanha-me! Vê se és capaz! – dizia o amiguinho numa linguagem que o Menino entendia como ninguém!

(continua)

Ser Livre
Julho 30, 2015

A Cor da Liberdade

Ser livre é reconhecer-se no pássaro que voa feliz, é admirar a água a brotar da nascente e escutar o seu canto, é sentir o cheiro fresco e doce da poesia na manhã fria, é tocar a pureza da criança na harpa da alegria, é encontrar-se com o sorriso espelhado na transparência luminosa do dia!

A Medida do Homem
Julho 17, 2015

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O Homem mede-se pelos seus atos, reflexos do seu ser!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – Os Infantes, 3.ª Página
Julho 17, 2015

A Janela da Muralha

– de… Saberás na altura! Não puxes por mim! Não vês que ainda sou uma menina?!…

Sem rodeios, a infanta agarrou a mão do infante, e… começou a iniciá-lo nos passos de dança do Paço!…

O infante, contrafeito, deixava-se conduzir momentaneamente…

– Se não fosse coisa de menina, agora dizia-te também: ” Já não gosto de ti!… “, mas não posso!- ameaçou o infante com um ar malandreco.

A infanta deixou de arrastar o infante.

– Não dizes, mas sabes porquê?!… Porque não é verdade! Somos amigos ou não somos?!… – adiantou a infanta, questionando o amigo.

– Somos, claro, que somos, infanta! – afirmou o infante!

– Então, os amigos gostam uns dos outros! – acrescentou a infanta com um sorriso!

– E… brincam uns com os outros como nós! – completou o infante erguendo a mão, que bateu na da infanta produzindo um alegre som de gargalhada!

– Vou soltar-te! Aliás, eu nunca te prendi! Preguei-te uma partidinha malandreca! Estava a brincar contigo! – declarou a infanta!

– Nem eu a ti! Também brincava contigo! Vamos dar uma corrida até às muralhas, e ver o mar?!… – convidou o infante.

– Vamos!… Quem chegar primeiro é… o campeão! Tu tens as pernas maiores! – salientou a infanta olhando com ternura para o seu amigo.

– Pois tenho e… tu…

– Eu?!… Nada!… Estamos a chegar!… Oh! Como o mar é lindo e imenso! – suspirou a infanta.

– E a praia?!… Sempre linda!… – constatou o infante, encantado!

– E a baía?!… Repara, infante, os barcos coloridos andam de baloiço, mas…

– Mas… permanecem unidos, e… quando vêm ondas maiores, tocam-se, mas não batem uns nos outros. Porque será?!…

– São amigos uns dos outros, infanta!

– Ah!… Então a baía é a amizade! – concluiu a amiga.

– Muito bem, infanta! – apoiou o amigo.

– Infante-amigo, achas que podemos ser como os barcos?!… Navegamos, navegamos e… encontramo-nos na baía?!…

– Podemos, pois, infanta-amiga!

– E… podemos sorrir um para o outro como o sol para a praia, e a praia para o sol?!…

– Podemos, sim, infanta-amiga!

– Infante-amigo, e … vamos cantar como as ondinhas e dizer muitas vezes…

– Olá, Bom Dia! – disseram em uníssono com sorrisos de infantes, que permaneceriam nos seus rostos!…

As Expressões do Verdadeiro Amor
Julho 17, 2015

Águas Transparentes, 2015

O verdadeiro amor desliza na suavidade transparente da entrega, bebe no cálice das estrelas, acaricia-se com os ventos, abraça-se nas tempestades, beija-se com a magia do dia sem hora marcada, voando nas danças de alegria!

Poupar nas Palavras
Julho 17, 2015

Reflexos do Entardecer, 2015

Eu sou a Grama Tica!

Ouvi dizer que, para combater a crise, tínhamos de poupar nas palavras!…

” Nada de frases, nem de mensagens longas!” – impunha o decreto!

E ainda…

” Quem empregar frases de apenas três palavras tem direito a três entradas gratuitas na área da melhor livraria do país, eleita anualmente, onde poderá usufruir da abundância das palavras!”

Cogitei, cogitei, e reuni-me com o meus amigos: Alfa Beto, Diciona Rio, e… decidimos que iríamos pôr em prática o decreto, mas…
eis que num forte bater de asas, alguém abriu o bico.

– Eu decreto que sigamos o alfabeto! – declarou a andorinha Alvoraçada.

– Isso dizes tu, que andas sempre a voar! Mas, se te chamasses cambalhota, a tua conversa talvez fosse outra, pois seguirias o alfabeto de cabeça para baixo! – retorquiu, mostrando os meus dentes cheios de regras.

– Então, amiguinhas?!… – interveio o Alfa Beto com as letras aos saltinhos! Tenho de concordar com a andorinha! O seu ponto de vista tem lógica!

– Obrigada, Alfa Beto! Estava a ver que tinha de pôr a minha ideia a voar! Eu estou mais instruída! Poiso muito nos parapeitos de certas bibliotecas, mas ando oculta – foi uma técnica que aprendi no chat -, e resolvi observar, escutar, aprender! Até estou a pensar fundar a primeira escola andorinhal, mas … é uma ideia “muito à frente” e terei de usar muitas palavras! A Grama Tica tem de me ajudar!

– Muito bem, Alvoraçada! – aplaudiu o Diciona Rio! Terás uma preciosa ajuda, mas eu também posso colaborar.

– Eu também acho bem que as andorinhas vão à escola! Terás bons professores! – concordou o Alfa Beto.

– Obrigada pelo apoio, amigos! Eu sei que são os melhores mestres! Mas, vou contar-vos um segredo…

– Conta, conta! – insisti, curiosa.

– Então, eu conto. Na nossa escola é tudo na Base R, do respeitinho, por isso, não são admitidos jogos de asinhas entre os colegas, nem de bicadinhas, e ainda temos a Base A, de amigos!

– Apoiado! – exclamámos!

– Obrigada, mas ainda cogito sobre o decreto, e as frases com três palavras. Isto vai ser muito difícil para os seres humanos, mas podem sempre consultar o Diciona Rio e escolher as palavras mais económicas como se fossem ao supermercado, e deixar de usar palavras caras. Eu escolho uma palavra pequenina, simpática e doce: “Olá!” – continuou a Alvoraçada.

– Vamos fazer greve e fechar as nossas páginas – declarou o Diciona Rio! Mas, digo-vos que escolho a palavra: “Sorriso”.

– E eu elejo a palavra: “Amigo” – afirmei.

– Por mim, como manifestação de rejeição e para ajudar os falantes, proponho soltar as letras, que deixarão de andar de mão dada. Deste modo nem haverá uma palavra, pelo menos até que mudem o decreto – comunicou o Alfa Beto.

– Muito bem, amigos! – respondeu a Alvoraçada! Vou chamar as minhas irmãs e voaremos duas a duas com cartazes a dizer: “Greve das Palavras!” e poremos nas árvores outros com esta frase: “Olá, Sorriso Amigo!”

As Estrelas-Azuis-Douradas
Julho 17, 2015

Dia Azulado, 2015

Todos os dias, mesmo os que amanhecem carrancudos e nublados, são azuis-dourados-estrelados!

E…

Quando finalmente os cordões dourados despertam, as estrelas-azuis-douradas espreguiçam-se lentamente, vêem as horas solares, ouvem as palminhas espumosas do mar, cercando o dia ensonado, atravessam o vento, e sorriem, enquanto vão escrevendo mensagens com pegadas na areia!…

E…

Tímidas, as estrelas-azuis-douradas estendem o seu manto renascido de alegria no rosto vitorioso da criança com bochechas lambuzadas de pétalas luminosas de meio-dia!

Ama com os Laços do Coração
Julho 17, 2015

Açucena-Doce, 2015

Ama!

Ama com todas as forças do teu ser!

Ama sem que o amor te enfureça e entristeça!

Ama para que o amor cresça e não te desfaleça!

Ama o amor-sorriso e lágrima que te aqueça!

Ama com os verbos: dar, partilhar, florescer!

Porque… como diz o poeta:

” – O segredo é amar!”