Archive for Fevereiro, 2017

A Ninita e os Voos Musicais na Escrita
Fevereiro 27, 2017

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A Ninita segue os sons do seu saxofone com os dedos da escrita, pintando coloridos balões de sonho nos verdejantes campos da vida, espelhando-se nas árvores floridos de borboletas da fantasia com asas de entoações musicais, assistindo a recitais onde se soltam as notas de sopro e os ritmos de pedais.

E…

Elevando-se na leveza dos movimentos das secretas chaves, a magia salgada da música chama as conchas adormecidas e as estrelas distraídas para a liberdade da dança das ondas, donde emerge a deusa do mar, orquestrando o concerto com a sua prateada cauda, acariciando a leveza dos pés enamorados e nus de uma calças curtas e de uma saia bordada de búzios, rodopiando presos por mãos de macio e doce veludo de amor, adormecendo a noite com a sua magia, despertando com voos de escritas a alegria do novo dia!…

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A Pagizinha e o Saquinho-Surpresa
Fevereiro 27, 2017

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A minha querida Pagizinha, como todos os grandes artistas, cria nas vicissitudes que para ela se resumem a situações de saúde próprias das crianças, todas elas circunstanciais e superáveis com a benção de quem ela pertence: “Eu sou de Jesus”!

Ontem encontrei-a triste e prostrada, deitadinha no sofá, depois de ter vomitado muito, mas estou certa de que, logo que se levante ou as foças lho permitam, põe em prática a sua imaginação.

Este saquinho-surpresa surgiu numa fase de debilidade física, em que a mãe fizera um doce e que ela mo veio trazer na sua companhia com este carinho onde estão guardadas nozes, que para mim são verdadeiros tesouros de amor genuíno e puro que brota do botão florido seu coração – muito, muito Obrigada, Querida Pagizinha!

Pena foi ela não ter escrito a receita da omeleta especial, a que eu chamaria uma tarte de fiambre e queijo, que aprendeu com o pai, e que a vi preparar sozinha como uma pequena mestra de cozinha!

Beijinhos do meu coração para o teu!

O Barulho da Consciência
Fevereiro 27, 2017

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O barulho estonteante é a tempestade da consciência, ensurdecendo os erros na fuga que o só o silêncio pode discernir, analisar, sublimar.

A Voz do Silêncio
Fevereiro 27, 2017

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A voz do silêncio é eco do ser, voando no dorso da paz, indicando caminhos com o bater das suas asas.

A Fidelidade na Amizade
Fevereiro 27, 2017

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Quem se diz amigo(a) e já deu provas da sua infidelidade revela a precariedade dos seus sentimentos por ti e que não merece a tua amizade.

A Menina Azul – O Jovem Professor e o Tempo
Fevereiro 27, 2017

A Menina Azul

O jovem professor era, claramente, mais novo do que ela, que ainda se sentia discreta e orgulhosamente mais velha por já ser mãe, e que, como quase todas as mães desejava ver um dia os seus meninos uns homens.

O jovem professor era muito alto, muito mais alto do que ela, lembrando-lhe o avô e os tios.

O jovem professor era moreno, de cabelos pretos lisos penteados para trás, e tinha uns enormes olhos de mel, pela forma como comunicavam e se estendiam sobre a turma.

O jovem professor era um sábio da maçuda Cultura Clássica, que fazia soar curiosa e melodiosamente com a sua serena, pausada e esclarecedora voz.

O jovem professor era uma referência contrastante entre a juventude e o clássico.

O jovem professor era quem ela tivera na sua frente quando prestou a prova oral, procurando instalar-se confortavelmente na dura cadeira, esforçando-se por não escorregar nos preceitos e nos saberes do cadeirão.
E fê-lo de forma tão viva e intensa como quem seguia o seu guia, que o jovem professor de olhos de mel lhe perguntou se já tinha visitado a Grécia.

O jovem professor era quem a aprovaria, e quem acabaria por deixar a cidade universitária e ser um docente conimbricence.

O jovem professor era quem a Menina Azul lembraria, no âmbito do seu precioso saber e dos seus ensinamentos, quando visitou Roma, imaginando o tempo que demoraria o deleite de cada aula prática dada por ele naquele contexto.

O jovem professor era o autor de livros que ela leria, e quem encontraria e acompanharia nas publicações literárias, destacando-se por distintas traduções na sua área.

O jovem professor era quem a surpreenderia numa foto publicada recentemente num jornal pelos seus cabelos e barbas brancas, como se os anos não deixassem marcas, e continuaria a alegrá-la pelo seu sucesso.

O jovem professor era, afinal, mais novo do que ela cerca de uma década, os olhos de mel pareciam ter perdido algum do seu brilho; talvez estivessem mais baços, não por ver televisão, sabia, que ele também se distingue por ser disciplinado e metódico, e não tinha tempo a perder, mas certamente por tanto ler, tanto escrever, tanto traduzir, tanto aprender e tanto ensinar, cogitou, desejando que as lágrimas não os tivessem inundado.

E… curiosamente…

O jovem professor era um atleta de manutenção da saúde e do bem-estar que no tempo dos cabelos e das barbas brancas não podia ir ao ginásio, e falava da saudade e de ter reduzido a sua atividade, que substituía diariamente por um percurso de caminhada até ao fundo da rua, a bem do seu coração, perdendo, dizia, cerca de oitenta calorias, nada comparáveis às oitocentos naquele âmbito…

Mas…

O que o jovem professor, sábio de Cultura Clássica, de olhos de mel e de cabelos e barbas brancas não sabe é que esta sua aluna o tem acompanhado à distância e regozijado com o seu sucesso, e que também saiu do ginásio, contudo o litoral alentejano é amplo, o fim da rua à beira-mar é imensurável, e… na sua aldeia, basta atravessar a rua para poder praticar exercício físico com um jovem professor, que podia ser o seu descendente do meio, e que fala orgulhosamente da sua filha…

A Nobreza
Fevereiro 26, 2017

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A nobreza não está no anel que se exibe no agitar da mão ou quando se bate fortemente sobre a mesa, mas no anelo do puro coração sintonizado com a beleza das essências do amor, num amplexo fecundo de inefável partilha repassada: de verdade, de cores e de perfumes das flores do secreto jardim azul-turquesa, dançando ao som suspenso das marés na simbiose dos momentos exatos da natureza, festejando a vida, celebrando a sua autêntica realeza!

Histórias de Fantoches – As Aguarelas do Júlio, 1.ª Página
Fevereiro 26, 2017

Version 2

Caros Leitores,

Esta história, e outras, de fantoches, como: A Gabriela, A Margarida, O Professor, A História da Avozinha, As Recordações do Sr. José, Um Dia com o João, A Ritinha , A Liliana e A Mariana, que alguns de vós tiveram oportunidade de ler nas Estórias da Carochinha, nasceu de um projeto de uma amiga, que construiu as personagens com papel, vestiu-as e adorno-as, deu-me dicas para o tipo de narrativa, interativa e didática, e objetivo temático pretendido.

Partilho convosco a história d´As Aguarelas do Júlio, atualizada, aumentada e mellhorada, adequada a este contexto!

Trata-se de uma história simples direcionada para crianças, que espero adoce o gosto de todas as idades!

Muito obrigada pela vossa visita! Voltem sempre!

Maria do Mar

O Júlio olhou para as cores que escorriam dos pincéis e pensou que elas estavam em todo o lado:

– no céu azul, sorridente no verão;

– no mar: turquesa; azul-esverdeado, parado, branquinho, ondulado;

– na cidade: de paredes, de carros e de roupas pintadas de arco-íris;

– no campo: arborizado e atapetado cor de esperança;

– nas flores dos jardins: vermelhas, amarelas, lilases, de pétalas lisas e recortadas;

– na fruta: rosada, verde, alaranjada, amarelada, matizada;

– na televisão, principalmente nos desenhos animados: de todas as cores muito bem conjugadas, cintilantes e falantes, com coroas douradas, varinhas mágicas cor-de-rosa, e espadas do poder grandes, pesadas com luzes azuladas;

– nos bibes das crianças aos quadradinhos: brancos e azuis-escuros, brancos e encarnadas, brancos e cor de laranja, brancos e cor-de-rosa;

– nas fardas dos homens: verdes, dos militares; azuis-escuras dos marinheiros, dos polícias e dos bombeiros; azuis-marinhos dos fatos de macaco sempre cansados; amarelas das senhoras da pastelaria onde comia bolinhos castanhos, dourados e muito docinhos;

– no dia e na noite: azuis e douradas ou cinzentas e pretas nubladas, ou com gotas de chuva, ou estrelas acordadas e rastos de aviões nas suas estradas;

– no sorriso e nas palavras a brilhar de alegria com ou sem dentes, branquinhos e lavadinhos, mas a pintar os lábios mais ou menos rosadinhos, e nas cores do que as pessoas dizem, diferentes se estão contentes ou zangadas, se são doces ou amargas, se ensinam muito ou se caladas ou abrindo a boca, não dizem nada.

(continua)

Tudo Querer
Fevereiro 26, 2017

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Tudo querer!

Tudo querer saber!

Tudo querer viver sem uma beliscadura!

Tudo querer conquistar e a todos vencer!

Tudo querer e poder e a todos e tudo recorrer!

É… o cansativo correr à deriva, às escondidas, na ilusão de miragens!

É… fugir de si, de tudo e do nada!

É… negar o abraço do milagre da sua existência sem supremas exigências de um ser que precisa de parar, de respirar, de amar, alegrando-se e alegrando, surpreendendo e deixando-se surpreender, no ondular da vida na praia onde o sol amanhece e adormece, e o inimaginável acontece!

As Estórias do Esu – “Não Infetar Casos”
Fevereiro 26, 2017

Menino do Mar

O Esu, um homem habituado à rudeza da vida do mar desde criança, um fomentador da generosidade e opositor da ganância, um semeador da paz, distinguindo o essencial do fútil e o bem do mal, quando se deparava com a iminência de uma discussão, ou o aflorar de um desentendimento, ou o desencadear de uma situação de conflito apelava com a sua serena e simples sabedoria ao bom senso e à harmonia.

E…

Pausadamente, entre o apertar um grosso nó de uma salgada corda, um desemalhar de um aparelho, um remendar ou entralhar de uma rede, dizia e redizia:

“- Não infetes casos!”

Haverá maior prudência perante uma dor, ferimento ou sofrimento, físico ou psicológico, do que não a/o agudizar/infetar?!…