Archive for Março, 2010

As Duas Comadres
Março 28, 2010

Vale Turquesa, 2010

Quando as comadres não se entendem, não respeitam as diferenças, nem reconhecem as analogias, não falam directamente uma com a outra, mas mandam recados por uma terceira pessoa, que fica muda, já que as verdades das comadres saem da boca de uma e entram no ouvido da outra. Desconfiadas, vigiam-se e, sempre que podem, fazem queixas:

“- Fulana ainda não fez nada hoje. Era melhor não ter vindo cá!”

E eis que, quase à hora do almoço, a outra comadre, compõe a gola do casaco e desabafa com satisfação:

” – Não vim ontem, mas já me fartei de trabalhar!” – e gesticula, para demonstrar a altura da tarefa que orgulhosamente desempenhou.

Uma comadre desafia a outra, tecendo comentários pouco abonatórios a seu respeito, de modo a que ela ouça, mas esta faz ouvidos de mercador, desesperando a atacante.

A vizinhança, que não se envolve, ainda se diverte com os contrastes, os avanços e os recuos, os desencontros provocados e provocadores – será que as duas comadres ainda vão chegar a vias de facto?

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A Capa do Ignorante
Março 26, 2010

Caminho à Beira-Mar, 2010

A pretensão arrogante do ignorante confunde os simples, induzindo-os a acreditarem que é chefe quando, na verdade, não chega a iniciado de aprendiz.

Brasil: A Igreja Sai à Rua
Março 26, 2010

Mar de Esperança em Terra, 2010

No Brasil, grupos de católicos previamente preparados saem à rua, batem às portas, convidam irmãos, dão testemunho, anunciam o Evangelho, seguindo Jesus – sinal de renovação da igreja?

Notícias Nocturnas
Março 26, 2010

Reflexo do Lago das Descobertas, 2010

A comunicação social ama as notícias de conteúdo nocturno: escurecido e negro, cingido de muito drama e desgraça!

Nada, ou quase, de boas-novas, de alegria, de divulgação de boas iniciativas sociais, de humor português, de céu azul ou de estrelas a brilharem no horizonte da ocidental praia lusitana.

Porquê tanto fado sem acompanhamento musical?

A Criança e o Animal Selvagem
Março 26, 2010

Rochas-Monstros, 2010

Todo aquele que molesta uma criança é um animal selvagem, e se o faz sob a pele de um cordeiro, sendo um leão enfurecido, mais contas terá de prestar a Deus, porque, em vez de pescador de homens, foi destruidor daqueles a quem pertence o reino dos céus, e quem o oculta é um cúmplice, que não amou o próximo como Jesus ensinou!

Raízes de Felicidade
Março 26, 2010

A Menina do país das maravilhas com o seu lindo sorriso, que os anos não apagaram, porque a vida abraçou-a com os laços da felicidade, atravessava esta rua diariamente, a correr, pela manhã, na direcção da padaria sobranceira à ribeira, antes de ir para a escola.

Comia apressadamente e, muitas vezes vinha trincando o canto de pão fresco, na companhia da amiguinha, mais nova do que ela, que primava pela pontualidade e que habitualmente a chamava cedo e a avisava que de estava pronta, que eram horas de irem para a escola e não esperaria por ela.

As casas velhas desta rua, acesso para o centro da vila, situada fora do bairro onde habitavam, encontravam-se em reconstrução.

Um adolescente trigueirinho, aprendiz do ofício sob a vigilância do pai, atraiu a atenção da menina mais velha, que o desafiava com: bons-dias, chamando-o pela alcunha da família no diminutivo, fazendo-lhe caretas, atirando pequenos pedaços de tijolo ou outros para dentro da casa, fugindo de seguida, puxando a amiga e deixando risadas no ar.

O adolescente, inibido pela presença do progenitor e interrompido, só conseguiu balbuciar, um dia: “digdalho”, ou, pelo menos, foi o que as meninas entenderam, vocábulo que o baptizou, e que a menina mais velha escreveu com o dedo na parede exterior da casa, no cimento molhado.

Mas um dia, o “digdalho” respondeu à menina do país das maravilhas e ela ficou envergonhada!

E, algum tempo depois, a menina do país das maravilhas e o “digdalho” começaram a encontrar-se, a sentirem reciprocamente um sentimento a despontar dentro deles, namoraram, casaram, foram pais, compadres, avós e continuam a desfrutar a sua jovial felicidade.

A Saia da Mãe e a Mão do Pai
Março 26, 2010

Mar de Verdura Florida, 2010

A saia da mãe e a mão do pai serão sempre fiéis e firmes, ao contrário da efémera e confortável cadeira do poder, porque encontra-se aberta, mas pode fechar-se inesperadamente.

O Voo e a Queda
Março 26, 2010

Rocha Partida, 2010

Quem voa muito alto e tem asas pequenas, pode cair a qualquer momento e em qualquer lado, ao mais leve soprar do vento.

O Alegrete
Março 26, 2010

Costa de Porto Côvo, 2010

O Sr. Alegrete nascido na freguesia do Alegrete, concelho de Portalegre, pobre e modesto no vestir, mas letrado e distinto na alegria, a quem todos perguntavam se era da linhagem do Sr. Conde ou do Sr. Marquês, tinha duas paixões: o mar da aldeia dos seus avós, e o colorido alegrete, que adornava o pátio da sua casa branca com barras amarelas onde cresciam: amores-perfeitos; bocas-de-lobo; campainhas-brancas; cravos-da-índia; cristas-de-galo; ervilhas-de-cheiro; lírios-dos-vales; malmequeres-da-praia; margaridas-dos-prados e mil-folhas, que a camélia, a hortelã e a erva-cidreira do alegrete da vizinha do lado, a D. Desalegre, que às vezes andava alegrota, cobiçavam, por não serem tratadas com igual carinho.

O alegrete do Sr. Alegrete atraía a criançada da vizinhança, que colhia alegremente flores “nos dias das mães”, o de todas elas e quando cada uma festejava o seu aniversário, para lhes oferecer com alegria, perante o olhar do amigo, que lhe sorria.

O Bando – 2.ª página
Março 26, 2010

Contavam à professora as aventuras do fim-de-semana, que os enchiam de felicidade e os aproximava cada vez mais: a ida à Cova do Gato num domingo, e o jogo de equilíbrio no cavalinho, em que o Banca e o Múmia ensinavam o Amaricano a equilibrar-se sobre as duas ruidosas patas da “andorinha” do Elexas.

A emoção dos momentâneos voos interrompidos pela irregularidade do terreno, as interjeições a dançarem mais alto no ar misturadas com gargalhadas que ecoavam na aldeia quando o sol fechava os olhos e a lua ainda dormia.

(continua)