Archive for Junho, 2016

Os Tronos do Tempo
Junho 29, 2016

O Trono do Tempo, 2015

Os tronos são árvores do tempo talhados pelo homem onde os reis do pó permanecem pouco tempo.

Anúncios

O Ondulado Chapéu Branco
Junho 29, 2016

Texturas Douradas, 2015

Brilhava na praia um ondulado chapéu branco com abas riscadas e muito bem pintadas por dentro.

O ondulado chapéu branco fazia de toldo ao jardim florido e multicolorido de relva banca, um biquini quase despido num corpo de mulher esguio e hirto de óculos escuros e nariz comprido!

Uma longa tolha de cor quente, rosada, estava estendida à espera de ser deitada!

Um saco branco florido, dormia, sozinho, esquecido, aborrecido!

Um telemóvel toca e as flores levantam-se do prazenteiro canteiro, abanando as pétalas, sacudindo as raízes, para trás e para a frente, aproximando-se das ondinhas-meninas, dando ordens de executiva que as punham os divertidos e inocentes cardumes em sentido!…

E…

O sol espreguiçava-se, e refrescava-se na água fria, brincando com os meninos e as meninas, acariciando-os com finos e dourados dedos de alegria, aquecendo a água para que ninguém se queixasse de que estava fria…

Palavras de Mel e de Fel
Junho 29, 2016

Escadas de Papel, 2014

Há palavras flores de mel, frutos de pétalas-pirilampos, espelhando o amor, e há palavras fantasmas de fel, fogos de bocas perversas, gemendo de dor.

A Minha Aldeia – O Transporte Urbano
Junho 29, 2016

A Minha Aldeia, 2014

A minha aldeia dispõe, imaginem, de um serviço de transporte urbano, mini-bus, da responsabilidade do Município, que já tem dez anos!

Funciona de segunda a sexta-feira das 7:00 às 20.00.

É muito utilizado, especialmente pelos idosos e pelos estudantes, se bem que, a certas horas possa parecer que os simpáticos e prestáveis motoristas têm pouca companhia, contudo, querem saber quantas pessoas já o utilizaram no ano em curso, até acerca de uma semana?!…

Prestem atenção:

– Já tinham sido vendidos mais de mil e duzentos bilhetes de tarifa normal;

– E mais de novecentos bilhetes de tarifa “reduzida” para estudantes e crianças – vulgo meio bilhete;

– Tinham sido adquiridas novecentas vinhetas de passe normal;

– E quatrocentas vinhetas de passe social – metade do preço normal.

Os utilizadores dispõem de vinte e sete paragens.

O circuito completo, de uma volta, demora quarenta e cinco minutos.

Dizem os habituais passageiros que o ambiente é bom, e que os encontros e os reencontros com os parceiros de viagem, mesmo  esporádicos, são muito agradáveis e propiciam momentos de alegre e saudável comunicação entre as gerações de todas as idades.

O Engano
Junho 28, 2016

Amarelas Verdejantes, 2014

Quem apregoa que ninguém o engana está a cometer um grave erro: a enganar-se a si próprio!

O Presente da Pagizinha
Junho 28, 2016

A Menina da Pagizinha

Anteontem, ao despontar da noite, quando transpus a porta dos meus amigos, um caloroso abraço envolveu-me nos longos e molhados cabelos da Pagizinha adornados por uma fina “coroa” cor-de-rosa, debruçando-se sobre as janelas de vidrinhos transparentes dos seus falantes e doces olhos!

No joelhinho, um penso e uma ligadura perfurada, protegendo-o!

Nos lábios as palavras inteligentes bordadas de sorrisos, a mesma precisão e o análogo sentido de oportunidade das que dias antes se antecipavam perante a impaciência do termo de uma reunião de condomínio, afirmando:

” – Vai demorar! Estas coisas demoram sempre!”

E naquele dia, o seu silêncio atento, ia recheando rigorosamente de cores diversas uma roda de corações, depois de ter ido a casa buscar um banquinho verde para instalar-se e aproveitar o tempo, prática que lhe é peculiar.

Na noite em que entrei apressada na sua casa para pedir um favor ao seu pai, e em que trouxe comigo o terno e suave perfume do longo cabelo da Pagizinha, no regresso fui presenteada com um quadro de duas faces: numa a da expressiva menina de olho vivo e boca de riso, graciosamente de cabeça inclinada, que partilho convosco, noutra um fundo de aguarela cor-de-rosa com quatro flores pintadas, recortadas, aplicadas – um mimo de delicadeza, de bom gosto, de arte sem idade!…

E…

O laço gigante do presente veio preso ao meu pescoço, esvoaçando corações do grande coração da minha querida Pagizinha…

Beijinhos, minha Linda, e muito obrigada!

O Eterno Olhar do Coração
Junho 28, 2016

O Barco Contemplativo, 2016

Os olhos puros dos corações de criança brilham nos lábios maduros dos homens que continuam a vislumbrar a bondade, a beleza e a inteligência nos sorridentes rostos que embalaram os seus sonhos e que os repassaram de beijos na sua infância.

A Ninita e a Didita – O Estudo Conjunto de Línguas
Junho 28, 2016

Abraço Florido, 2015

As amigas Didita e Ninita gostavam muito de estudar juntas.

Divertiam-se com as rasteiras da Língua Portuguesa e brincavam com as invenções para aprenderem regras gramaticais, seguindo exemplos por associação, daqueles que só de pensar faziam rir, mas despertavam-lhes a atenção!

” – Não nos vamos esquecer!” – diziam, rindo-se e repetindo-os…

Nos dias em que decidiam dedicar-se à elaboração de textos, procuravam integrar-lhes diálogos, dando voz a todos os seres e objetos; depois levantavam-se e liam-nos em voz alta, alternadamente, como se estivessem apresentando um trabalho na sala de aula, diziam… – e quantas vezes faziam interrupções, divertidas com o desempenho do seu papel, as quais chegaram a ser pretexto para melhorar a escrita!…

Mas… a Ninita queria muito aprender francês! A Didita, mais entendida na matéria, porque já conhecia a língua, ensinava-a paciente e gostosamente, mas ria-se dela, porque soletrava todas as letras, ignorando a fonética.
A Ninita, espantada e meio ofendida pela risada da amiga e pela sua insistência na correção da pronúncia, respondia-lhe, determinada:

– É para veres que conheço todas as letras de cada palavra, que sei como se escreve!

E no meio destes divertidos e bem sucedidos ensaios, as amigas faziam pausas para os faustos lanches de: copos de leite com chocolate, torradas com manteiga, que a Ninita cobria com geleia de marmelo ou doce de abóbora, e queijo, acompanhados por bolinhos e /ou nozes e quadradinhos de chocolate preto…

Aconteceu, um dia, que um fiel amigo ligou para a Ninita, perguntando-lhe onde se encontrava, pois falava pouco para a aula de música, a qual lhe respondeu:

– Estou na explicação de Francês, a lanchar!

– Não sabes mentir, Ninita! Não se lancha na explicação! Diz lá aonde é que estás? – respondeu o amigo, pedindo-lhe para falar com a explicadora naquela língua.

As amigas, perdidas de riso, não podiam olhar uma para a outra, mas com um gesto da Didita, a Ninita pôs o telemóvel em alta voz. Então a amiga, usando os seus conhecimentos de posição de tons vocálicos nos textos que ambas escreviam e liam, quase declamando, colocou-se de costas para ela, e desempenhou o seu papel de competente explicadora, respondendo em francês ao colega, que continuava intrigado…

” – Eu já falo contigo! Não me demoro! Espera por mim à minha porta, sim?!” – pediu a Ninita ao terminar a chamada, disposta a esclarecer a brincadeira com o amigo, contando com a sua habitual compreensão.

Preconceito e Prepotência…
Junho 28, 2016

A Espuma sem Luz, 2014

O preconceito e a prepotência são porta-vozes da decadência!

A Bela Amiga e o Tempo
Junho 28, 2016

A Onda-Pirâmide, 2014

O doce sorriso e o calor dos afetos da bela amiga atravessam o tempo!

As sábias e compreensivas palavras são cordéis com laços unindo o tempo!

O despertar da verdade e da justiça deixam as pegadas no caminho do tempo!

As ações e a zelosa dedicação pela saúde e bem-estar de todos enchem o tempo!

O olhar saudoso abre livros e escreve páginas nos muros e nos blocos sem tempo!

Porque se perdem no tempo a bela e todas as boas e belas amigas, e os bons amigos?

Porque a memória das palavras escritas no coração são perenes e trazem o mundo num balão que seguram na sua colorida, calejada e carinhosa mão, dançando ao sabor do vento, soprando a unicidade de uma bela canção de: Sim e Não, Meu Irmão!