Archive for Janeiro, 2017

Ser Feliz
Janeiro 30, 2017

abracos-de-mar-do-norte-2013

Ser feliz é o desabrochar da primavera dos sentidos ao som do alvorecer dourado da bela aurora, emergindo dos lilases nas margens do silêncio cintilantes de frutos de poesia, desvendando segredos no respirar do dia, bailando com as ondas, abraçando a alegria!

A Presença Ignorada
Janeiro 30, 2017

lago-da-estrela-2014

Num encontro de três pessoas, em que uma delas não é vista, nem para o diálogo convidada, restando-lhe o silêncio do prato para onde está voltada, a verdade sobre a sua presença é claramente revelada: ali não tem lugar, não é desejada, nem está a fazer nada!

A Cordialidade Social e o Amor
Janeiro 28, 2017

explosao-marinha-2016

Não confundas a cordialidade social com a expressão de sentimentos renovados de esperança, porque o Amor é uma intensa força da natureza na manifestação inequívoca da sua explosão naquilo que as palavras não dizem e no murmúrio perfumado que os sentidos respiram.

A Petrinha e o Pedrinho – Cogitações
Janeiro 28, 2017

Meninos no carrinho

– Obrigado, Petrinha, por teres feito este desvio na tua caminhada, mas… preciso de falar contigo!

– Não tens de quê, Pedrinho. Já começava a sentir-me cansada, e ainda vou terminar um trabalho com umas colegas.

– E eu vou ao treino daqui a pouco. Petrinha, tenho andado a cogitar sobre… aquela cara de zangado do avô quando desligou a televisão, dizendo que não suportava tanto desrespeito, má educação e falta de civismo dos políticos.

– Indignação, Pedrinho! Chama-se indignação.

– Oh! Petrinha, cogitei que era revolta, por me parecer uma palavra mais indicada para política; até fiquei preocupado.

– Não te preocupes, Pedrinho. “Modernices da democracia” como diz o Sr. Dr. Sabe Muito-Bem-Calado, também ele indignado!

– Preocupo-me, pois, Petrinha! Cogitei que… se respondermos mal aos pais, aos mais idosos, aos professores e a montes de gente conhecida ou desconhecida, e até aos agentes, podemos ser castigados, nalguns casos até ir à presença do juiz…

– Muito bem, Pedrinho! Temos responsabilidades pessoais, familiares, sociais.

– E aquelas pessoas não podem ser castigadas? Até cogitei numas palavras que ouvi há dias na televisão, depois de ter consultado o dicionário.

– Que espertinho, Pedrinho! E…cogitaste o quê?

– Olha, Petrinha, cogitei sobre: “imunidade democrática”. Calhando é por isto que eles podem dizer aquelas… coisas da indignação, não achas?

– Ah! Ah! Ah! Boa associação, Pedrinho! Mas…acho melhor não dizeres nada ao avô, por enquanto, por causa…

– … da irritação, Petrinha?!… Ai! Enganei-me! Indignação, não é?

– É, pois, Petrinho! Vamos aos nossos compromissos?

– Só mais uma coisinha, Petrinha, se faz favor.

– Diz, Pedrinho, mas sê rápido, por favor.

– Também andei a cogitar se não terias frio no pescoço, depois de a tesoura da tua cabeleireira ter andado a passear à vontadinha no teu cabelo. É… que ouvi a tua amiga a queixar-se do corte do seu cabeleireiro alfacinha por aquele motivo.

– Ah! Ah! Ah! Que grande cogitadeiro, Pedrinho! Não tenho frio, não! Mas… sinto a cabeça despida, principalmente quando ando à beira-mar; falta-me o cabelo a ser massajado pelas mãos do vento.

– Cogitação de menina, Petrinha, com todo o respeitando do Pedrinho!

Sorriso do Dia – Abraço do Dia
Janeiro 28, 2017

dancas-de-tule-2012

Abraço do dia é o sorriso do coração repassando-te de um mar florido de pétalas estreladas de magia, voando na dança dourada do universo do amor, sussurrando-te melodias de inefável e vencedora alegria!

Contactos do Novo Tempo
Janeiro 26, 2017

pinceladas-laranja-2012

O telefone não toca!

A porta da rua está silenciosa!

O carteiro não chega!

A caneta não desliza silenciosa sobre o papel de carta ou o postal!…

Mas…

À minha frente vejo a ondulação de três gorduchos pontinhos, e paira discretamente no ar o seu bailar de biquinho de pé…

E…

Eu sei!

Eu sinto!

Eu sorrio, porque mesmo sem te ver, os teus dedos acariciam-me e em breve, sem pedires licença, entras silencioso, de mansinho, perfumando-me com as essências do teu ser, abraçando-me com tuas palavras…

Uma Menina Decidida
Janeiro 26, 2017

abraco-florido-2012

A certeza da vida incerta da menina vestida de branco, correndo, feliz, na imensidão de flores do campo, que a nossa vista não alcança, brincando com as borboletas, tocando o Céu, sorria com a inocência das palavras no jardim de infância:

” – Quando eu for grande, vou casar com o (…).”

“- Aturar homens?!…” – perguntou a solteira tia, desafiando-a.

” – Não! Ele atura-se a si e eu aturo-me a mim!” – respondeu a resoluta menina, chamando pelo seu inseparável amiguinho!

Sorriso do Dia – A Luz do Ser
Janeiro 26, 2017

bordados-de-cristal-2012

Acorda!

Sê farol, brilhando na escuridão com feixes de razão, desprendendo-se da mão que te conduz à solidão no desencanto de quem não tem olhos no coração, não dança com as ondas, não voa nas asas do vento, não desenha palavras de lábios de mel no teu ser, não escuta o burburinho perfumado da poesia, espreitando-te, não brinca com as crianças vestidas de medo, não se deixa lambuzar com os seus beijos, não as abraça, ao amor e à vida com a insaciável e intensa doçura de uma indelével canção bordada de cristais de sorrisos!

Bom dia, com um sorriso, Farol!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Elegante Casaco Pérola
Janeiro 26, 2017

mar-nosso-alentejo-2012

O elegante casaco pérola empurrara o seu irmão vermelho, igualmente elegante, para um canto do guarda-vestidos, declarando que o sol de inverno preferia-o pela sobriedade, e que era mais adequado para o desafio que o esperava.

O elegante casaco pérola acentuava bem as suas maduras formas, e caminhava pensativo, mas sorridente para quem passava, cumprimentando todos simpaticamente, dando ordens aos finos saltos do seus sapatos de princesa para pararem sempre que o perfume de alguém lhe agradava ou algum amigo se aproximava.

O elegante casaco pérola sentia o vento norte poisando na sua gola, refrescando-lhe as suas ideias para reparar o mal da falta de juízo do gorro de um dos seus afins, amante de velocidades, desrespeitando as impostas pelo “povo” lá para as bandas da vila morena!

O elegante casaco pérola tinha a garganta seca de tanto procurar as palavras certas para salvar a sua reputação e poder voltar à circulação sem pregas nem rugas alheias, nem pontas, nem pontos de boca aberta, porque agasalho que se preze apresenta-se orgulhosamente limpo, exibindo os seus belos e distintos pospontos!

O elegante casaco pérola deixava que o vento o abrisse e mostrasse a saia travada, acima do joelho descansada, enquanto desabafava com a sorridente e compreensiva jovialidade da capa bailarina, pedindo-lhe desculpa por ter soltado o maganito de um palavrão, que apanhara ao virar da esquina: “Que irritação!”

O Desencontro
Janeiro 26, 2017

DSCF0443.JPG

O desencontro é uma pétala de amor-perfeito caída no chão, beijando o aroma agridoce de um bago de romã fluindo do coração.