Archive for Outubro, 2014

O Acrescento…
Outubro 27, 2014

Sombras, 2014

Há sempre um  acrescento para tudo!

Um acrescento na minissaia, que, por falta de tecido, até pode ser uma rendinha preta, que fica bem com tudo!

Um acrescento à boa noite com mais um beijinho, com mais um abracinho, com mais uma festinha ou… com uma simples palmadinha!

Um  acrescento a uma despedida: Anda cá! Fica! Fica! Não vás! Deixa-me ir contigo! – muitas súplicas capazes de constituir um perigo!

Um acrescento a um gesto ou palavra menos correta! Desculpa! Foi sem querer! Não era isso que queria dizer! Não leves a mal! Perdoa-me!

Um acrescento ao abrir a porta: Entre cá para dentro! Não faça cerimónia! Faça favor de entrar! Ou… Não precisamos de nada, passe bem!

Um acrescento à carteira com o parco troco, com uma gorjeta ou com um cupão de desconto do supermercado, valioso, por sinal!

Um acrescento à sopa ou ao guisado com um pouco de água ou mais uma batata, quando é preciso pôr mais um lugar à mesa!

Um acrescento a uma mão estendida com  um sorriso, ou com um beijo social, atirado ao vento ou que cai no chão sem fazer barulho, porque era oco!

E…

Um acrescento na dimensão física com dedos de sol, projetando gigantes!

Histórias de Fantoches – A História da Avozinha, 1.ª Página
Outubro 27, 2014

D. Joana

Caros Leitores,

Esta história, e outras, de fantoches, como A Gabriela,  A Margarida, e O Professor, que alguns de vós tiveram oportunidade de ler n´As Estórias da Carochinha, nasceu de um projeto de uma amiga, que construiu as personagens com papel, vestiu-as e adorno-as, deu-me dicas para o tipo de narrativa, interativa e didática, e objetivo temático pretendido.

Partilho convosco A História da Avozinha, atualizada, aumentada e mellhorada, adequada a este contexto!

Trata-se de uma história simples direcionada para crianças, que espero adoce o gosto de todas as idades!

Muito obrigada pela vossa visita!

Maria do Mar

 

Numa linda manhã de Primavera, nasceu uma menina gordinha e rosada na casa branca da falésia.

– Como é que se chama a minha neta? – perguntou a avó Joana, que tinha sido a parteira.

– A mãezinha não vai adivinhar! – respondeu o pai da menina com um grande sorriso.

– Alice? É um nome tão bonito! Alice, a que diz a verdade, a heroína daquela história de que todas as crianças gostam, Alice no País das Maravilhas – acrescentou a avó.

– Não, mãezinha! Alice é um nome muito bonito, mas não foi o que escolhemos para a nossa filha, não é verdade, Ana? – disse o pai da menina, dirigindo-se à esposa.

– Sim, João, a nossa filha vai ter um nome que pode parecer vulgar, mas que para nós tem um grande significado – respondeu a esposa, que não tirava os olhos da filhinha.

– Não me digam que é Helena, raio de sol? – insistiu a avó.

– A mãezinha ainda não acertou no nome da sua neta. A Ana e eu decidimos que a nossa filha vai ter o nome de ambos.

– De ambos? Ana João ou Maria Manuel? Tu chamas-te João Manuel e a minha norinha Ana Maria! – questionou a avó Joana, intrigada.

– Nada disso, mãezinha! Unimos os nossos nomes – respondeu o João, acariciando a cabeça da filha.

– Ai, filho, agora é que eu já não percebo nada! – lamentou a mãe do João.

– Mãezinha, é muito simples: a filha do Jo-ão e da Ana, vai chamar-se Joana, Jo mais Ana. É lindo! Não acha?

– Ah! Agora já percebi! Que bela ideia! Joana, “favorecida por Deus, com a graça de Deus” . Quando chamaram pela vossa filha, conversarem com e sobre a Joana, é como se estivessem a cantar uma canção de amor, do vosso! Parabéns, meus filhos!

A D. Joana saiu do quarto para disfarçar uma lagriminha de alegria, que rolava pelo seu rosto.

(continua)

Os Lábios Musicados
Outubro 27, 2014

Plumas na Praia, 2013

Os lábios musicados de amor são pétalas de néctar repassadas de sorrisos!

As Estórias da Bia – A Nova Pupila
Outubro 26, 2014

Contos de Criança

Os anos foram passando e a Bia, depois de uma longa, exausta e bem sucedida carreira de professora, aposentou-se!

Continua a surpreender todos com a sua iniciativa, dinâmica, discernimento, capacidades intelectuais, cultura sempre em crescimento!

A Bia tem uma nova pupila, uma menina expedita, morenita, bonita, natural do país vizinho, tal como a mãe,  tem nome inglês, e… não fala muito bem português!

Mas… a mestra não lhe dá tréguas!

Quere-a todas as tardes à sua beira, exceto ao fim de semana, porque ambas precisam de descansar uma da outra!

A menina expedita, morenita e bonita tem: de ler, de escrever, de fazer fichas, de revelar os conhecimentos oralmente, de exercitar-se na matemática, e… sobretudo de aprender a estudar e… a pensar!

A Bia preserva todas as caraterísticas que lhe conheço desde o auge da sua profissão, que muito honrou, e que agora tem a oportunidade de reabraçar na sua dedicação e empenhamento com  a sua pupila!

Os Falsos Deuses
Outubro 26, 2014

Sulcos na Areia, 2012

Os falsos deuses vestem-se de mais-que-perfeitos e coroam-se de reis no trono da sua pobreza!

O Poder do Cinto e da Escova
Outubro 26, 2014

Entardecer de Esperança, 2014

O cinto do homem segura-lhe as calças, mas não a sua cobarde agressividade.

Tira-o orgulhosa e animalescamente para usar a sua força e infligir dor e sofrimento nos mais fracos, preferencialmente nas mulheres e nas filhas, até cansar-se.

A escova de fatos tem poder análogo, mas cabe nas mãos das progenitoras, e dizem as “feras” desnaturadas que tem a vantagem de  não ficarem com as mãos a arder!

Atos violentos não honram quem os pratica, não educam as vítimas, e ainda lhes traz gravíssimos traumas – porque será que  os descendentes têm, mais tarde ou mais cedo, de recorrer a consultas de especialidade para conseguirem conviver com estes problemas? Quem está / é doente?!..

Que se trate a insanidade mental e se dissipe a violência!

Que se trate a família com respeito e se cultive o amor!

Que se trate a criança e a mulher como pessoas e não como objetos!

Cristais de Sorrisos
Outubro 26, 2014

Flores em Botão, 2014

Abre a tua mão de papel perfumado, e deixa que dela despontem cristais de sorrisos, trepando pela hera da alegria, amarrotando a tristeza que perturba o dourado dia!

Gente Boa da Minha Aldeia – Os Magotes Domingueiros
Outubro 26, 2014

Quilha de Barco-reflexos, 2012

Ao domingo, há magotes de homens maduros, se bem que de gerações diferentes, em vários pontos da minha aldeia.

Estão de pé, alguns encostados à parede de um edifício comercial que no seu auge não os acoitava.

Conversam! Por vezes, um ou outro deixa escapar uma palavra que faz perceber aos transeuntes o tema; política, futebol, pesca, notícia de última hora!

Sorriem e riem entre sim sem grande ruído!

Fazem pausas para cumprimentar quem passa com afabilidade, muitos citando o nome, outros o grau de parentesco.

No Jardim dos Repuxos Adormecidos, os magotes domingueiros espalham-se pelos bancos com lugar marcado pela frequência, e pequenas rodas mal configuradas à sua volta. Aqui a comunicação é mais restrita e indiferente a quem passa, exceto se a iniciativa for externa ao grupo.

Observam-se mais domingueiros pelos muros debruçados sobre o mar, mas em menor número; os temas dão primazia: ao mar , à faina, à escassez de recursos, à mutilação da aldeia e do país.

Mas… o privilégio de instalação para os magotes pertence aos que usufruem de “bancos”! Digo bancos, porque um banco dispõe de um espaço coberto no exterior, ideal para estarem abrigados do sol e da chuva; usei a forma plural, porque existem bancos de madeira, análogos aos do jardim das árvores que brincam com as estrelas, vista de que desfrutam, onde os homens mais maduros da minha aldeia, encetam acesas conversas, talvez motivados pelas condições do espaço.

Podemos encontrar ainda um magote de duas gerações junto à muralha do castelo donde soa muita risada temperada com gargalhada, e onde se programam grandes petiscadas. O grupo distingue-se ainda dos demais por duas particularidades: assiduidade diária; ampla vista sobre a praia e a baía, proporcionando-lhes o prazer  de assistir à partida dos barcos para a pesca e à sua chegada, bem como a despedida envergonhada, dourada e rubra do sol num abraço imenso!

Magotes domingueiros espalhados pela minha aldeia são marcas do dia, manta de retalhos colorida, convidando a alegria para as animadas conversas!

A Falsa Modéstia
Outubro 26, 2014

Chaminés na Areia, 2012

A falsa modéstia é a expressão máxima da petulância!

O Sonho de Tule – A Unicidade de um “Olá!”
Outubro 26, 2014

O Sonho de Tule

A bailarina do sonho de tule lunar vinha vestida da cor deste laço!

Trazia nos lábios rubros a nobreza de um sorriso alvo!

E nos olhos de  pura esmeralda a imensidão da criatividade divina!

Olhou-me distinta nos seus sentimentos e grande na expressão da sua alegria!

E… saudou-me com a clareza da sua voz carregada de ternura:

– OLÁ, TIA!

E… depois de um caloroso abraço borbulhado de saudade, a breve conversa fluiu calorosa de afetos, bordada de perfumadas flores do dia, ecoando na intensidade de cada frase o canto da bela fonte:

– (…) TIA!