Archive for Janeiro, 2016

Brincando com a Pagizinha sobre os Veados
Janeiro 30, 2016

A Pagizinha

Querida Pagizinha,

Lembrei-me agora dos veados: como eles são brincalhões, como gostam de correr, de dar saltos e pinotes.

Já sabias que eles vivem em rebanhos, mas que os veados velhotes preferem andar sozinhos? Não acho isto uma boa ideia, porque assistir às brincadeiras dos veados-meninos devia ser muito bom, como acontece com os avós muito velhinhos e os netinhos ou bisnetinhos, mas é a natureza destes animais!

Ah! Mas as mães corças ficam juntas, a cuidar dos seus filhotes veadinhos; e os pais, para os defenderem dos homens-caçadores das águias, dos cães e das raposas sobrem até ao cimo das montanhas e ficam ali de vigia – é muito bonito, não é?

Minha Querida, já pensaste por que é que os veados são uns grandes trepadores? Claro, porque têm uns sapatos naturais especiais, pontiagudos e antiderrapantes: os cascos!
E…
Também não se enterram na neve, porque possuem uma membrana entre os dedos das patas.
Se não fosse assim, como é que os veados poderiam brincar?

Pagizinha, já reparaste que os veados mudam de roupa? É verdade! No verão, vestem-se de castanho claro com riscos pretos ao longo das costas, e no inverno de castanho escuro, e o “casaco” – pêlo”- é mais espesso para andarem agasalhados, por causa do frio.

Ainda não falámos sobre como se alimentam na estação do ano em que estamos. Pois é! No inverno, como a neve cobre todas as ervas dos prados, os veados esgaravatam o solo à procura de musgo e de raízes, e até chegam a trincar a casca das árvores e as agulhas dos abetos.

Gostaste desta minha brincadeira com a qual até poderíamos fazer um conto da imaginação?!…

Era uma vez uma família de veados, “Os Campeões dos Saltos”, mas… o melhor e mais ágil era o Saltitão…

E… se completasses a história para adormeceres as tuas filhas?!…

Beijinhos, Minha Querida!

Tua Madrinha do Coração

Fazer as Pazes com o Passado
Janeiro 28, 2016

Rebentação no Dia Cinzento, 2016

Fazer as pazes com o passado, é… harmonizar-se com o presente.

O Tico e o Quico na Praia – 2.ª Página
Janeiro 28, 2016

Meninos na Praia

– Tico, o buraco está a encher, mas… não é água! E tem um cheiro!…

– Deixa o mano ver, Quico!

– Humm… deve ser água férrea! – declarou o Tico.

– Mano, será água do Rio da Moura?!… Mas… ela não era doce?!… Desencantou-se numa “linha férrea”?!… E… ficou sem príncipe?!… “Tadinha”! – questionou o Quico.

Naquele momento, os meninos começaram a ouvir uma suave melodia, vinda do fundo da escavação:

– Meninos, meninos! Ajudem-me! Sou a fada do reino do capital como as minhas irmãs! Fomos encantadas e soterradas para sermos transformadas em “pitrol”, ” gasol” e “gasolinha”, a sua mulher, e outros!

– Ohhhh! – repetiam os meninos olhando um para o outro, estupefactos!

– As nossas origens vão ser camufladas, para alguns homens enriquecerem, enganando os outros! – continuava a voz misteriosa.

– Ó mano, mas… os fatos camuflados são do exército!… Vamos ter guerra?!… Lá tenho de ir para o colégio militar, mas… não tem caramujinhas, nem pesseguinhas, nem meninas de outra marca qualquer! Também não acho jeito, por causa do recolher e da alvorada! – retorquiu o Quico.

– Vamos, sim, mano! Mas… uma guerra da economia mundial! – afirmou o Tico.

– Ó Tico, como é que sabes?!… E… as meninas?!…

– Sei, sim Quico, porque vou ser um combatente! E… as meninas não são para aqui chamadas, embora também sejam arrastadas!

– Ó mano, coitadas das meninas! Parece-me que não gosto desse jogo! Eu sou mais entretimentos e descobrimentos com estórias para ficarem para a história! Pronto! Ouviste bem, Tico?

– Muito bem, mano! Só quero que sejas feliz! E… estarei sempre ao teu lado! – afirmou o Tico.

– Obrigado, mano! És um fixe, o melhor irmão do mundo! “Bora” ouvir a pobre da moura, Tico?!…

– “Bora”, Quico, antes que ela parta para ir cumprindo o seu destino!

A voz continuou calma e determinada…

– Escutem, meninos! Vou transformar este buraco num poço onde permanecerá a minha irmã Nova Era, e deixo-a à vossa guarda!

– Boa, moura encantada! E… podemos ver a tua irmã?!… É gira e bem compostinha?!… – perguntou o Tico, curioso.

– Eu preferia que ela fosse ainda uma menina, e que gostasse de ver televisão, para ir com ela ao Lusitano, ao Centro ou à Esplanada! – manifestou o Quico.

– Ouçam, meninos! Não poderão ver a minha irmã como não me vêem a mim! Mas… tu, que és o mais velho, terás muitos privilégios com as mouras, apesar de abominares a sua ascendência, por causa dos bafo a sumo de uva na atmosfera nacional – alguém tem de pagar as cotas! Serás recompensado! – informou a Fada do Reino do Capital.

– E eu?!… Não ganho nada? – perguntou o Quico com um ar preocupado.

– Ganhas, sim! És um bom menino, por isso, ficarás com a chave da tampa do poço, e só a entregarás a uma menina da vossa descendência! – respondeu a fada

– Mas devia ser um menino a tirar a tampa à mourita Nova Era, não era, moura mana velha?!… – quis saber o Tico,

– Sim, menino, mas essa menina terá um primo junto dela e… não vos posso revelar o mistério!… – continuou a voz.

– Está bem, Fada do Reino do Capital! E onde guardará o meu irmão tal chave?!… – questionou o Tico.

A resposta surgiu clara, de imediato:

– Ele guardá-la-á num destes três sítios: no pesado cofre ou num canto da serração – cuidado, porque será abandonada, terá a porta aberta, os vidros partidos – ou no armazém, que terá ao seu lado de uma pequena igreja!

– E vou recebê-la já?!… – perguntou o Quico.

– Não podes, Quico! É demasiado grande para as tuas mãos! O teu irmão ajudar-te-á e encontrá-la quando já tiverem os cabelos brancos! Estará numa praia! E… uma gaivota irá conduzi-los!

– Ajudá-lo-ei com muito gosto! E… quanto à recompensa das mouras?!… Estou curioso e… ansioso!- perguntou o Tico um pouco corado.

– Eu sei, Tico! E… terás um grande papel profissional, muito trabalho, mas muito sucesso também, e noutros âmbitos! E… vais sentir bem-estar e divertires-te com a escrita! Tudo a seu tempo, menino apressadinho!
Vou retirar-me!
E… agora, molhem os pés, lavem a cara, atirem água um ao outro, mergulhem, nadem, nadem e… deixem que este dia e os vindouros vos sorriam com carícias docemente refrescante de alegria!

FIM

A Harmonia do Amor
Janeiro 28, 2016

Outono Alaranjado, 2015

Ama na plenitude quem vive reconciliado consigo próprio, em harmonia com o universo, distinguindo e valorizando o mistério da noite e a luz do dia, a ira devastadora da tempestade e a paz radiosa do dia, a fome do amor e a sede da alegria!

Ama na plenitude do ser quem não julga, quem confia, quem aceita e colhe as lições da vida como a chuva que refresca, que rega, que faz crescer!

A Caixinha de Música
Janeiro 27, 2016

Repuxo de Rochas, 2016

Ecoa no silêncio das palavras o trinar da tua caixinha de música, ora harmonioso, ora intenso, ora alegre, ora triste, ora muito afinado, ora distraído, ora sério, ora divertido, mas… sempre tocante, melodioso, intenso, expressando e despertando sentimentos de muitas cores!…

E tu?!… Já a ouviste hoje?!…

Ela está aí dentro de ti! Deixa que as mãos das suas notas te toquem, te acariciem, e que as suas letras te beijem!

A caixinha é tua, mas a música, todo o tipo de música que a tua caixinha recolheu, que lhe foi oferecida, que ela compôs, que ela de ti guardou, e que te dá e a todos nós oferece… é a voz do mar e a brisa soante da montanha, é o chilreio do céu e a dança do sol, é o vento agitado e o entardecer deitado, é o calor suado e o frio arrepiado, é a sinfonia do meio-dia e as notas soltas da alegria, é a escrita bonita e o verbo que grita, é dávida da vida, é campo cultivado inteligente e laboriosamente por ti, é jardim de flores cantadeiras: de janeiras, de romarias, de hinos de amor, de aventuras e venturas que te saúdam e te estendem as mãos todos os dias, é a tua essência matizada de luz branca da juventude, brilhando no teu ser a acordar, a espreguiçar-se, a erguer-se, a andar, a vencer!

E… escuta, escuta, es…cu…ta todas as sinfonias azuis-doiradas dos grandes músicos da tua orquestra, que te embalam, que te dão as mãos, e… que assistem orgulhos e compreensivos aos teus efusivos concertos e… desconcertos mergulhados na eterna saudade, abraçando-te na dança da manhã, esperando pelo teu sorriso!

Sorriso do Dia – A Luz do Tempo
Janeiro 27, 2016

Transparências de Janeiro com Luvas de Noiva, 2016

Todas as horas são badaladas para expressar sentimentos, para partilhar momentos, para oferecer sorrisos, para abraçar amigos, para pestanejar desejos de Bom Dia!…

Todo o tempo é (um) presente, é magia nas ondas a rolar, é mistério nas nuvens a deslizar, é dança nos cabelos a voar, é perfume no mar a florear, é canto da brisa a acariciar, é dádiva do teu olhar na praia a passear, é bola de cristal com histórias de encantar!…

Todas as manhãs são arco-íris silenciosos na abundância das cores da alegria, desabrochando sorrisos de flores do meio-dia a qualquer hora, e em qualquer dia à espera que o teu coração sorria!

A Pontuação e a Emoção
Janeiro 27, 2016

O Salto da Onda, 2016

Nos momentos de tristeza, de dor, de desilusão, sê cauteloso com o uso da pontuação!

Diz não ao ponto de interrogação!

Não fiques parado no ponto de admiração!

Guarda a vírgula para outra ocasião!

Não tragas o ponto e vírgula à mão!

Emprega os dois pontos com exatidão!

Põe um ponto final na situação!

O Tico e o Quico na Praia – 1.ª Página
Janeiro 24, 2016

Meninos na Praia

O Tico e o Quico, dois irmãos, estavam a brincar numa bela praia alentejana, de areia muito branquinha e fininha, de mar calmo e transparente, com uma linda e colorida baía à frente.

O mais pequenino, o Quico, tinha uma pá vermelha na mão, e escavava a areia, enchia o baldo vermelho, escavava, escavava, e ria-se para o irmão mais velho, o Tico, dizendo-lhe:

-Olha, mano, a minha mão e o meu braço já cabem no buraço!

– Já vi! Escava mais! Ouvi a avó dizer que havia uns caminhos secretos que iam dar à Ilha das Pesseguinhas! – respondeu o Tico.

– Mano, achas que chegamos lá?!… Essas pesseguinhas são meninas do nosso tamanho?!… – perguntou o Quico, curioso.

– Algumas hão de ser, Quico! Mas… já lá vi mais, das grandinhas, elegantes, enformadinhas, torneadinhas, cheias de curvinhas…

– Ó mano, como é que sabes isso?!.. Já lá foste, e não me levaste?!… Pensava que éramos amigos, Tico!

– Fui sozinho num bote, numa noite de luar, mas… não podes contar a ninguém! Ouviste, Quico?

– Está bem, grande descobridor de ilhas, mas levas-me lá, Tico!

– Ainda é cedo, miúdo! Há lá coisas que não podes ver, Quico, porque podes babar-te!

– Ó mano, não me digas que vendem lá doces e outras coisas daquelas que me fazem crescer água na boca?!… Agora é que não te largo, Tico, até que me leves à ilha dos doces.

– Fazem, pois, maninho! Oh! Se fazem! Nem queiras saber, Quico!

– Quero, pois! Conta lá, Tico! Já sou grande, não vês?!…

– Tens tempo para saber e aprender, Quico! Vá lá, continua a tua escavação, maninho!

– Ahhhh! Também têm lá escolas! Tico, mas… eu prefiro ser aluno das Sr.ªs professoras Estelanas, que são as melhores cá da terra! E… parece que na escola delas há caramujinhas fixes, todas de saias, mas… calhando na ilha faz mais vento, e…
Ó mano, e se essas pesseguinhas são tipo lapas e a gente nunca mais se vê livre delas?!…

– Mas.. isso é bom, Quico! Lapas não são “polvas”! Essas sim, são perigos!

– Pois são, Tico, por causa dos “tenta…óculos”, não é?

– Tenta, tenta, Quico! E…

– Olha para isto, Tico! A areia brilha tanto, que parece ouro!

– Sim, Quico! É o efeito do sol! E… o que é que te deu para fazeres essas construções na areia?!… Não disseste que ias construir um castelo de mouras encantadas?!… São pesseguinhas?!…

– Pesseguinhas, Tico?!… Não! Calhando são… sereias!

– Sereias, mano?!… E…. o rabo de peixe, Quico?!…. Essas têm as pernas à mostra.

– Pois, Tico! São sereias livres dos mistérios do mar! Deram à costa!

– Ahhhh! Muito bem, maninho! E… o castelo?!…

– Ora, já o faço, Tico! E… ponho lá as sereias!

– Fazes bem, Quico, são sereias encantadas em mouras!

– Olha, olha!…

(continua)

Sorriso do Dia – A Flor de Arco-Íris
Janeiro 24, 2016

Azedas-Doces de Inverno, 2016

De manhã, abre a flor de arco-íris que guardas no jardim do teu peito, pinta cada pétala com histórias desenhadas, verdadeiras, da imaginação e do coração, e deixa que da sua corola se soltem papel e lápis de cor, na cantante dança das cataratas, correndo ao encontro da alegria com ondinhas de sorrisos, acordando poemas de: BOM DIA!

A Dança da Chuva
Janeiro 24, 2016

Saudação de Janeiro, 2016

A chuva bate suavemente à porta do teu ser, percorrendo-o!

Deixas-te embalar pela seda deslizante das suas doces mãos.

Lentamente, vais abrindo os olhos e tentas tocar-lhe, mas ela brinca contigo às escondidas, desafiando-te!

Os teus lábios são flores orvalhadas entreabrindo as suas pétalas, saboreando longamente a refrescante doçura da dança da chuva!

Sentes as tuas mãos inundadas de torrentes possantes, transparentes, rápidas, traçando caminhos entre as montanhas, e sorris!

A chuva rega, gota a gota, o teu tronco coceguento, expandindo as essências da casa do teu ser!

A quietude das tuas pernas é atravessada pelo poder das mãos ternas e firmes da chuva, vigorosamente.

Dos teus cabelos pingam gotículas sobre os teus pés descalços, de gigante, acionando-os!

A chuva beija os teus olhos molhados de emoção de ser vivo, sensível e dinâmico, lutador e vencedor, alagando-te de inefáveis palavras, de histórias, de aventuras e de venturas, de ações grandes e pequenas.

E… o eco protetor, forte e corajoso da mãe chuva ergue-te com alentos no meio das tempestades, lava-te de amor e canta ao teu ouvido:

– Vem comigo! Recomeça! Semeia as tuas essências repassadas de saber no teu caminho, colhe as delícias das minhas mãos no teu dia-a-dia, delicia-te com os sorrisos que o teu irmão sol te oferece, nada e mergulha nas ondas do mar do amor turquesa, admira o arco-íris da vida, e luta, e conquista vestido de mantos persistentes de luminosa esperança!…

E… deixas que a carinhosa melodia da dança da chuva te refresque, te desperte sorrisos com intermináveis abraços, te repasse de alegria!…