Sorriso do Dia – A Simetria do Tempo

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

O tempo é a simetria da juventude da vida com a seiva do pensamento, concretizando projetos com alento moldados com a alegria de quem arquiteta um divertido passatempo.

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Quando Eu For Grande – Sexagésimo Quarto Desejo

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

Quando eu for grande, quero ser o dicionário do amor e ensinar: a cantar hinos de beijos, a escrever cartas bordadas de desejos, a desenhar sorrisos e jogos conciliadores em bilhetinhos, e nos espelhos escondidos dos vizinhos e dos quintais, para que os casais não se aborreçam mais!

Quando eu for grande, quero ser o caderno de significados de conselhos amigos para os que tudo perguntam, tudo querem saber, tudo sugam sem perceber, apoderando-se de verdades e menosprezando as ajudas, buscando insistente e diversificadamente a sua confirmação, evidenciando ausência de memória de vivências, resvalando continuamente na ingratidão, sem aprendizagem, nem correção!

Quando eu for grande, quero ser o bloco de notas mágico, que se transforma em chapéu e cestinho saltitão, voando de mão em mão de cada petiz, apanhando flores aqui e ali para oferecer à mães, aos avós e a todos nós sem correrias, nem arranhões, nem partir o nariz no chafariz!

Quando eu for grande, quero ser a sílaba dos sentidos: rápida na visão, apurada na audição, com faro de canzarão, sensível à dor e ao vazio de cada mão, gosto farto de amor para repartir a fruta madura, o pão e todo o alimento e riqueza do coração.

Rugas

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

Rugas são projeções expressivas, sinais do tempo, sulcos de tristeza, trilhos de amor, dobras de lenços molhados de dor…

A Minha Aldeia – A Modinha da Miudagem

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

Quando o forte não tinha a entrada pavimentada, nem a porta fechada, nem chorava pela costa que lhe fora roubada, ainda se alegrava com o canto da água a saltar no regador de zinco do antigo faroleiro, e a encher as redondas barrigas das quartas de barro, que as mulheres transportavam nas bem desenhadas ancas ou coroavam distinta e habilmente as suas cabeças, caminhando num impressionante número de equilibrista circense, e havia festa dos santos populares no bairro devidamente engalanado, a miudagem apregoava, em jeito de convite, a quem avistava:

Lari,
Larilé
Larilolé

Toca a fugir.
Toca a rir.
Venha cá para o nosso bairro
Quem se quiser divertir.

E…

A modinha, despertando sorrisos, adoçava a curiosidade para aquele terraço virado para o mar com os seus arcos de palmeiras vestidos de coloridas flores e bandeirinhas de papel, respirando-se o ar de festa até ao recinto dos bailes mandados e das rodas, com o chão atapetado de fetos à volta do mastro, bailando no ar e com os pés no chão versos brincalhões, cantigas ancestrais, alguns à desgarrada, divertimento com direito: a espontânea gargalhada, a matar a sede com água fresca, a respeito aos bem-vindos, aos residentes e às famílias, a um ou outro biscoito distribuído à criançada, livre da mão dada, e que nunca estava cansada!

A Diferença e a Humanidade

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

A diferença não é superioridade, mas um ponto comum entre a humanidade, a harmonia na sua diversidade!

A Força e a Destreza

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

A fortaleza revela-se nas vicissitudes, na aceitação da dor sem rendição, no erguer-se e no recomeçar com firmeza, espantando o desafiante sofrimento com olhos abertos ao Céu azul, às pedras do caminho e à luz da razão, pés ligeiros na subida e no tropeção, e mãos ativas na reconstrução!…

O Perigo das Surpresas

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

As surpresas são relâmpagos que podem encandear a cor das paredes do ser, desenhar sombras em vez de pintar bosques na face rosada, afundar pés na fria água salgada, tropeçando na forma da concha escondida com bico de águia na voz sibilada da escrita inesperada…

Estórias de Meninas – A Costura e as Andanças da Didi

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

A Didi tinha o sonho de ser modista.

Iniciou-se nas manas Botelho, famosas na nossa aldeia, mas a sua especialidade era fato de homem e o objetivo da Didi era especializar-se em fato de senhora.

Um dia, as famosas e curiosas manas mandaram a Didi a casa do médico da terra, recém-casado, a fim de pedir o álbum das fotos do evento. Contrariada, a menina lá foi, convicta de que nada traria, mas enganou-se.

Insatisfeita com os pontos no fato de homem e com aquele e outros comportamentos metediços e indiscretos a que não estava habituada, a Didi falou com a mãe e mudou-se para a modista Carolina, que confeccionava fato de senhora e de homem.

Aos catorze anos, a Didi fez o primeiro vestido para a mãe, o qual mereceu elogios de todos pelo gosto e especialmente pela perfeição.

Iniciada com sucesso, dotada e muito persistente, aos quinze anos a Didi já costurava para fora.

Mais tarde, aprenderia a bordar à máquina, num curso promovido pela Singer, e também se distinguiria neste âmbito.

Ao que parece, os catorze anos marcavam os destinos das meninas desta família, se bem que houvesse uma diferença de nove anos entre a tia, a Didi, que concretiza o seu sonho, e a Menina Azul, a sua sobrinha mais velha, que também realizava o seu ideal de prosseguir os estudos para além dos ministrados na sua aldeia, tendo-se instalado na capital do distrito para o efeito.

A Emancipação

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

A emancipação é a luz do dia, abrindo as portas do ser, o princípio da auto-suficiência, a subida dos degraus da subsistência, ganhando o pão com o esforço da própria mão, o voo no eco da esperança, as pegadas na dança com as nuvens, a água soprando no canto do búzio na orla de cada madrugada!…

O Avô AA e a Armação

Dezembro 1, 2017 - Leave a Response

Quando o avô AA deixou o seu Algarve e se fixou na terra do Gama com os seus amados esposa e três filhos, o mais novo com apenas dois anos, trazia consigo uma vasta experiência não só das agruras vida, das quais colhera sempre frutos: de coragem, fortaleza e sabedoria, mas também de competências profissionais no âmbito das azáfamas piscatórias.

O avó AA, conta saudosamente o “Rei da Caldeiradas”, era pedreiro, não da construção civil, claro, mas responsável pelo cargo de descobridor de pedras de pesca, pesqueiros.

Paralelamente, desempenhava a função de: mestre de armação: embarcação longa, preta, apenas com uma risquinha branca, a remos, de companha numerosa, que pescava ao largo com redes, cerco, e que aí permanecia – seria levantado posteriormente, para recolha do pescado e as artes de pesca substituídas, visando a nova captura.

Não obstante a sua experiência, o avô AA, douto nos conhecimentos e mestre na comunicação, recordava saudosamente orgulhosa e avó Belina, alertava prudência perante a força marinha:

” – O mar quer apanhar os foitos, porque os medrosos tem ele certos.”