A Fúria do “Ovinho” Estrelado…

Agosto 6, 2017 - Leave a Response

A fúria do “ovinho” estrelado é um incontrolável momento em que nos apetece, instigados por instintos primários, atirar-mo-nos ao inimigo à dentada!

Ouvi, um dia, uma divertida adolescente, reagindo à iminência de recrutamento para o serviço militar, por recear o peso e o manejo das armas, declarando que atacaria o inimigo à dentada.

No mundo dos adultos, alguns, movidos pelo: dever, pelo respeito, pelo civismo, quer pela sua natureza e formação e/ou associados ao conhecimento de procedimentos disciplinares, combatem o cansaço, a intransponível injustiça, o que já não conseguem aturar, também com o recurso à dentada!

Tantas dentadas que a minha “hermanita” dava nos dois “ovinhos” estrelados e nas belas fatias de “panito” alentejanito frito e estaladiço, depois de prolongado jejum e longas horas mal pagas – quase, quase dadas – a trabalhar, prevenindo e curando doenças aos outros, como tão bem fazia e tanto gostava, sem se queixar, garantindo com as suas viciantes fartadelas, o mal-estar físico que lhe era inerente, bem como a envergonhada e meio sorridente expressão com que o seu comportamento me relatava, o qual muitas vezes “adivinhava”…

E…

Sem mezinhas para as suas maleitas, podia sempre oferecer-me para preparar-lhe um chá!…

Mas… cogitava…

Porque é que ela não cozinhava prazenteiramente pratos como tão bem sabia?!…

Ou…

Não dava à agulha e ao dedal e não confeccionava mais num lindo vestido de noite?!…

Hum! Fácil de perceber! Estas criativas atividades não se executam com… fúria de dentadas, com papilas gustativas regaladas, quase babadas, com dentes pintados de chocolate, nem com fatias de marmelada caseira e pouco dourada, porque o açúcar amarelo deixa-a… mais “bem-encarada”!

O pior é que… já ouvi dizer que a fúria do “ovinho” estrelado é contagiosa e ataca, surpreendentemente, qualquer boa pessoa, em qualquer momento e em qualquer lado!…

A Imperfeita-Perfeição

Agosto 6, 2017 - Leave a Response

A imperfeita-perfeição do ser humano é a sua dança na sombra, espreitando o sol, procurando os mistérios da lua, bebendo com alegria a água da fonte de vida, que é de todos e não apenas sua, observando a ostentação dos falsos deuses engasgados com o seu ego insuflado de escuridão, prisioneiro das teias da sua poeirenta imaginação!

A Perigosa Teimosia

Agosto 6, 2017 - Leave a Response

A cega teimosia rouba o discernimento ao inteligente, que pensa e age como um jumento!

O Silencioso Choro das Mochilas da Precariedade

Agosto 6, 2017 - Leave a Response

As mochilas da precariedade são impiedosos e injustos fardos carregados às costas de cansadas crianças filhas do recibo verde, proibidas de usufruir dos benefícios do negado direito ao gozo de férias com os pais, sujeitas penosa e permanentemente às regras e aos desafetos das instituições que as acolhem num regime temporariamente definitivo onde proliferam aflitivos ecos de gritos escondidos no silencioso trinar próprio da sua idade, que já não consegue pipiar!…

O Inseguro

Agosto 4, 2017 - Leave a Response

O inseguro, perseguidor da perfeição, sacia-se sugando o saber de cada irmão, ignorando-o, de seguida, sem jamais lhe estender a sua mão!

Sorriso do Dia – A Estrela da Manhã

Agosto 4, 2017 - Leave a Response

A estrela da manhã é a alegria iluminada pelo doce sorriso de alguém, reinventando o rosto do dia!

A Luz da Madrugada

Agosto 2, 2017 - Leave a Response

A luz da madrugada é o sol a brilhar no olhar da pessoa amada!

Estórias de Meninas – As Mal-Educadas Madeixas

Agosto 1, 2017 - Leave a Response

Resmungava a menina com fartos movimentos, contrastando com a sua idade e fraca constituição, reclamando as prometidas madeixas autorizadas pela mãe.

Questionava-a a interlocutora sobre os gritos e má educação, tentando que a menina de ouvidos moucos percebesses que não tivera uma negação, mas que aguardava, da progenitora, a pormenorizada autorização.

– Mas eu quero fazer as madeixas agora! E ela disse-me que não! – protestava a franzina menina, de ameaçador dedo espetado.

– Ela quem?!… – perguntava, educadamente, a indignada senhora.

– A avó! Tu disseste que logo se via, e eu já sei que quando dizes isso é não! – insistia a desesperada menina, gritando, gritando e quase choramingando.

E…

Entre a explicação da senhora-avó, bastante nova, por sinal, com quem a mãe da menina obcecada com as urgentes madeixas falaria mais tarde para dar-lhes todas as instruções, choviam à esquina da rua picaretas de inadmissível falta de respeito e má educação…

Julgar e Perdoar

Agosto 1, 2017 - Leave a Response

Julgar é ferro velho, vendido em primeira mão, e perdoar é pedra preciosa oferecida com o coração!

A Petrinha e o Pedrinho – O Canto das Caretas

Agosto 1, 2017 - Leave a Response

– Ó Petrinha, sabes porque é que a senhora do coro faz tantas caretas quando abre a boca?

– Ora, Pedrinho! A senhora dá expressão facial ao canto, simplesmente!

– Achas, Petrinha?!… Oh! “Calhando” não se ajusta com o órgão, ou não gosta do organista!

– Ah! Ah! Pedrinho, não me parece!

– Não te parece, Petrinha, porque não a ouves, nem vês tantas vezes como eu! Quando me apercebo, já me torço todinho como ela, que faz força, e… coitadinha! Vê-se mesmo que está a sofrer, e muito! Cá para mim, puxa demais pelas cordas vocais, e depois é o que se vê! Não se aguenta! Dá-me pena! E a Clarinha, que costuma ficar ao meu lado, não se queixa, mas as mãos dela até gemem quando ela aperta a barriga! Eu é que, porque sou discreto, não digo nada, mas… até me apetecia sair dali com ela! Somos amigos!

– Ó Pedrinho, não exageres, mas… talvez até tenhas razão!

– Tenho, pois, Petrinha! E quando ela engole as sílabas?!… Aquilo é muito perigoso! Há pessoas que morrem com engasgos! Porque é que ela não aprende a tocar um instrumento de cordas, e dá sossego às suas cordas vocais, com vogais, com consoantes, com agudos, com graves e comoutros mais? E…

– E… o quê, Pedrinho?

– E… há momentos de… de… Ai!

– Momentos de dor, Pedrinho? Então? Que cara é essa? Disseste: Ai!

– Ai! Ai! Petrinha, momentos de silêncio, mas… falta-me uma palavra… mais… profunda. Ou será uma nota para este (des)arranjo coral?

– Eu ajudo-te, Pedrinho! Momentos de interiorização?

– Isso mesmo, Petrinha! Obrigado! O melhor era haver só música para ninguém se distrair, nem pecar; só interiorizar. Até há quem se sinta elevar com as notas musicais, sem coro!

– Há, pois! Mas… não podemos mudar o sistema, Pedrinho!

– É pena, Petrinha! Nós até temos boas ideias, e voz!… O pior é que ninguém nos dá licença para falar, sem fazer caretas, nem provocar dores, nem nos quer ouvir. Acho mal!

– Pedrinho, e o que pretendes fazer?

– Vou… cogitar, Pedrinha! Mas… talvez mude de hora da cerimónia ou… até de local! Logo se vê! Não vou lá para sofrer! Cantar e ouvir, ou até acompanhar, serve para nos alegrar! Não achas, Petrinha?

– Acho, pois, Pedrinho! Tenho aqui um CD de uma orquestra sinfónica. Queres ouvir?

– Agradeço-te, Petrinha, mas… nada de coros, porque… ainda apanho alguma alergia, e… posso até ficar rouco, ou pior, afonicozinho “dum todo” como diz a “ti´” Vicência! Já pensaste?

– Nem quero pensar, Pedrinho!

– Fazes bem, Petrinha! Se não… ainda te dou música com canto, caretas, e… tudo!