Os Sábios e Inteligentes

Outubro 14, 2017 - Leave a Response

São crianças alegres, atentas e felizes os sábios com doce inteligência do coração, pegando num grão de areia do chão como se fosse um lampião, correndo na liberdade das ondas despenteadas como um colorido e sorridente avião, beijando a vida nos rostos queridos,  nos tristes e desconhecidos, lambuzando-os de inefáveis e luminosas carícias de (com)paixão!

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A Memória das Coisas

Outubro 14, 2017 - Leave a Response

A memória das coisas é, para os construtores da festa da vida, o canteiro habitado na casa do ser cujo jardineiro rega as flores a crescer nas janelas abertas à luz, e para os derrotados a tristeza das vidraças embaciadas na aridez da existência de hastes sem vida entregues ao vento!

Estórias de Meninos – “As Rendas de Casa”

Outubro 12, 2017 - Leave a Response

O Ruguel, um menino inteligente e perspicaz, tinha sempre respostas prontas na ponta da língua para tudo!

Apreciava a serenidade do pai, mas identificava-se mais com a dinâmica da mãe, por isso, quando se apercebia de que a progenitora estava mais cansada, temendo perdê-la, deliberava:

” – Se a mãe morrer, não quero nenhuma mulher cá em casa! Mas se o pai trouxer alguma, eu vou-me embora e levo tudo para a casa da tia: as coisas da mãe, as que ela fez, as que ela gosta mais e as “rendas de casa”!”

As “rendas de casa” era a expressão que o menino, desconhecedor do termo enxoval e das intenções maternais neste contexto, atribuía às toalhas, colchas e outras peça de renda que a mãe fazia, em dobro, referindo que uma peça seria para ele e a outra para o irmão: “quando o meu filho casar”.

O Teu Choro

Outubro 12, 2017 - Leave a Response

O luar por mim chamou, porque o teu perdido olhar chorou!

Chorou pela ausência da tua memória que o tempo apagou!

Chorou por um fantasma vestido de ti que o sorriso eliminou!

Chorou pela partilha do sonho que divertiu e só um abraçou!

O luar por mim chamou, porque o nosso triste mar por ti chorou!

A Precipitação da Decisão

Outubro 12, 2017 - Leave a Response

A decisão é opcional e… depois, certa ou errada, não adianta desculpar-se com : “Não fiz por mal!”

A Avó Belina e os Rebuçados Peitorais

Outubro 12, 2017 - Leave a Response

A avó Belina, quando a cansada idade avançava e ela mais vezes se sentava, vivia na casa da Didi onde recebia a visita dos outros três filhos: o Esu, a Dith e o Nelo.

Quando o Nelo vendia algum peixe que apanhara, gostava de comprar rebuçados peitorais a vulso, sempre da mesma marca, daqueles com nome de doutor, porque eram os melhores, assegurava.

Nas suas visitas à mãe, tirava orgulhosamente uma mão-cheia de rebuçados e oferecia-lhos.

A saudável avó Belina sorria, agradecia-lhe e guardava-os no bolso da bata, e lá ia juntando mais rebuçados peitorais num fraquinho, porque a tosse não era mal que a apoquentasses, nem à família com quem coabitava, e as crianças preferiam outros doces.

Todas as tardes, a avó Belina fazia a sua pausa nas rendas que artisticamente saiam das suas enrugadas e laboriosas mãos, apoiava os braços no parapeito da janela, ficava a contemplar a baía entregue às suas memórias, cumprimentava quem passava…

Mas…

O que a avó Belina mais apreciava àquela hora era observar a criançada a brincar no largo! Ela sorria para dentro e para fora, comentava com a sua Didi as saídas dos mocinhos, lamentava quando algum tropeçava na bola e caía…

Quando o cansaço ou o anoitecer ordenavam o contrariado regresso da pequenas às suas casas vizinhas, a avó Belina já tinha a mão no bolso da bata, aguardando impacientemente por um menino moreno e sorridente, que se posicionava sob a janela de bicos de pé e de mãos estendidas, à espera da chuva de rebuçados peitorais, que agradecia emocionado e vitorioso.

Encontro com frequência aquele menino, que se tornou um valente homem, nos circuitos da sua atividade profissional e pergunto-me, graciosamente, se a sua agilidade não terá algo a ver com os tais rebuçados…

Um dia, quando ele fizer uma entrega na minha casa, ainda o surpreendo, oferecendo-lhe um rebuçado peitoral daqueles com o nome do tal doutor, igual aos da avó Belina – será que ele ainda se lembra dela e da sua algibeira cheia?!…

A Marioneta

Outubro 8, 2017 - Leave a Response

A marioneta surpreende e diverte os espectadores, recebe vaidosos aplausos, mas não passa de uma solitária e inanimada boneca!

A Força das Palavras

Outubro 8, 2017 - Leave a Response

A ânfora da palavra é a água cristalina jorrando do puro coração como uma canção, saciando a sede de cada irmão.

A Espera da Escuta

Outubro 8, 2017 - Leave a Response

A espera da expectante escuta é a ansiosa resposta ilibando-nos de qualquer culpa!

Sorriso do Dia – A Seiva da Árvore da Vida

Outubro 8, 2017 - Leave a Response

A árvore da vida, habitando em cada um de nós, alimenta-se da seiva das suas raízes: o caldo do rio calmo, a mão cheia de espuma de enfurecido mar, a temerosa história da escura mina, as pedras do caminho sem poças de água, a esperança na unidade dos afetos, o suave beijo de seda e a força da cansada e calejada mão, renovando o sorriso de cada dia, despontando entre as nuvens, abraçando a dourada madrugada!

PLANTEMOS E COLHAMOS O SORRISO EM CADA INSTANTE, RECONHECENDO A GRANDISIDADE DAS PEQUENAS COISAS!