Natureza Nublada

Maio 27, 2018 - Leave a Response

Dormir acordado é barco navegando no porto atracado!

A Dança do Luar

Maio 27, 2018 - Leave a Response

O luar é a dança dourada da baía com os barcos a baloiçar!

Saber Tudo e Tudo Perder

Maio 20, 2018 - Leave a Response

Quem tudo quer saber só se está a perder, apagando a luz de uma suplicante vela que alguém lhe pede para ajudar a acender!

Lágrimas de Dor

Maio 20, 2018 - Leave a Response

Lágrimas de dor são pérolas de amor, balões voando do coração sem caírem, nem sentirem o calor da tua mão, fundindo-se sozinhas no azul de uma constelação!

A Petrinha e o Pedrinho – As Línguas Mortas

Maio 20, 2018 - Leave a Response

– Ó Petrinha, ouviste a D. Formosa?

– Não Pedrinho! Sucedeu alguma coisa?

– Oh! Se sucedeu, Petrinha! A D. Formosa estava a dizer, meio chorosa, que agora é que ela não percebia nada.

– Nada?!… Do que se tratava, Pedrinho?

– Não sei bem, falava sobre línguas, que já não tinha idade para essas coisas, “mais a mais” línguas mortas! Até pensei que tivesse ido ao restaurante fora de hora e só houve, por exemplo, língua de vaca.

– Ah! Ah! Pedrinho, talvez a D. Formosa não estivesse a falar sobre esse tipo de língua morta, mas das não faladas, que já não se usam verbalmente.

– Ahhhh! Deixa-me cogitar, Petrinha!

– Cogita, Pedrinho, enquanto eu vou ver o significado de uma palavra no dicionário de latim, que é uma língua morta!

– Boa! Já percebi! Obrigada pela ajuda, Petrinha. Mas… o grego também é… Hummm! Aquele professor que traduziu o Homero há pouco tempo, também disse numa entrevista, apoiava a tia Lia, que o grego devia ser ensinado no ensino secundário.

– Sim Pedrinho, mas seria para efeitos de tradução de documentos antigos, um grande contributo para a cultura.

– Olha, Petrinha, eu até percebo, mas acho que não gostaria de ficar grego com tanto grego. Que grande “greguice”! E a D. Formosa? Se nem se dá bem com a língua de vaca. Coitada da D. Formosa!

– Pedrinho, talvez o seu problema seja a tradução do latim usado nos cânticos e orações de algumas celebrações religiosas.

– Ohhh! Pior ainda, Petrinha! Se a D. Formosa não percebe, como sabe o que está a repetir ou a ouvir? Coitada da D. Formosa!

– Normas, Pedrinho!

– Ó Petrinha, mas eu também ouvi a D. Formosa dizer que isso tinha acabado há muitos anos! Achas que é do tempo do véu? Daqui a pouco os véus estão na moda outra vez!

– Faltam os textos traduzidos do latim, Pedrinho!

– Latim?!… Ah! Agora entendo por que é que a D. Formosa estava tão desgostosa. “Quem não sabe latim, fica assim!” Coitada da D. Formosa! Não achas que falta um gesto no “assim”, Petrinha?

– Ah! Ah! Lá estás tu a inventar, Pedrinho!

– Não estou nada, Petrinha! “Fica assim”, como? O gesto é tudo!

Sorriso do Dia – A Luz da Respiração

Maio 20, 2018 - Leave a Response

O sorriso abre as portas da bela aurora com a luz da respiração, atravessando as nuvens com a dança de palavras silenciosas nas veredas do sonho, despertando os valados com papel de seda das ondas, fazendo cócegas nos floridos pés do chorão!

Cascatas de Amor

Maio 20, 2018 - Leave a Response

Há cascatas de amor com corpos girando no mistério cristalino do seu canto, e pedras escorregadias nos biquinhos de pé das ervas sombrias no rosto do dia à espera que o sol seja amor de mãe, lhes sorria e as aqueça de alegria!

Histórias de Fantoches – Folhinha de Hortelã, 7.ª Página

Maio 20, 2018 - Leave a Response

No último dia de aulas do 4.º ano, a Dulce foi despedir-se da D. Clementina e ofereceu-lhe um cesto de fruta, enfeitado com flores do campo que ela própria apanhara, e com um grande laço de tecido com uma dedicatória, em que ela lhe agradecia tudo o que lhe tinha ensinado com tanto carinho e paciência.

Abraçaram-se e a Folhinha de Hortelã prometeu que, apesar de ir mudar de escola, voltaria para visitá-la.

Decorreram alguns anos, e um dia havia um grande alvoroço na escola onde a Dulce andara quando era uma menina.

Depois entraram no pátio: uma jovem com um grande sorriso e um raminho de hortelã na gola do casaco, conhecida como a cozinheira mais famosa da região, também especialista em Higiene e Segurança no Trabalho, que trabalhava no maior jardim de infância da cidade, acompanhada por outro jovem, o Ramalhete, técnico de Saúde Ambiental e Mestre em Alimentação, e ainda por outra jovem grávida, que trazia uma escova de dentes de brincar pendurada num fio, a Ina, Higienista Oral, ambos funcionários do Centro de Saúde.

A D. Clementina, que já tinha alguns cabelos brancos, limpou uma lagriminha quando viu entrar a jovem cozinheira, de quem se tornara amiga desde o seu segundo dia de aulas naquela escola – era ela! A Dulce, a sua Folhinha de Hortelã!

Os jovens vinham dar uma acção de formação prática aos alunos, explicando a importância de uma alimentação saudável para o seu bem-estar e crescimento, bem como os cuidados a ter na higiene oral.

A Folhinha de Hortelã e o Ramalhete iam colocando grandes exemplares de alimentos, feitos em cartolina, sobre as mesas que estavam espalhadas pelo pátio e convidaram os alunos que já sabiam ler para os ajudar, entregando-lhes textos – os alunos tinham de pegar nas cartolinas, esconderem-se atrás delas e darem vida aos alimentos com a sua voz.

(continua)

A Perigosa Conjugação

Maio 20, 2018 - Leave a Response

“Querer é poder”, soletra sabiamente o povo para se convencer e as agruras e os obstáculos vencer!

Mas…

Tudo querer, privilegiando a própria vontade, não deixa ver a existência do outro ser, não proporciona o discernimento para escolher, nem faz crescer quem na confusão da perigosa conjugação do eu, tropeça na sua tirania, caindo no isolamento, não semeia o bem nos canteiros férteis e… cansado de si, sem saber e “sem querer” se deixa desfalecer e adormecer!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Garrafão de Cinquenta Cêntimos

Maio 20, 2018 - Leave a Response

Era um garrafão o que a senhora de casaco rubro e baço procurava.

“- Um garrafão de água dos de cinquenta cêntimos” – dizia, enquanto a sua vista cansada não o encontrava.

Mas…

Lá estava ele aconchegadinho a um cantinho com mais alguns dos seus rechonchudos irmãos ao lado, quase à saída do minimercado!

No momento em que a senhora de baço casaco rubro, outrora uma grande modista, vislumbrava o garrafão de cinquenta cêntimos, uma solta camisola azulada, escondendo torneadas linhas femininas, alegremente a cumprimentava!

E…

Pensando melhor, a senhora que instantes antes se regozijava com o encontro que lhe avivara a memória sobre um casaco rubro vivo que confecionara com medidas de infanta, lamentava-se por não poder com o garrafão, e principalmente pelo facto de o seu pobre marido, um antigo pescador com nome de imperador, estar doente e não poder contar com ele para coisa nenhuma, pois só lhe pregava sustos como sucedera numa madrugada em que não o sentiu na cama e acabara por descobri-lo, de calças de pijama e camiseta, junto à montra da loja da esquina…

Insistente e simpática, a solta camisola azulada apressou-se a pegar no garrafão e a fazer a entrega ao domicílio na companhia da destinatária, caminhando ao ritmo do seu passinho na irregular calçada de uma antiga rua designada “vila”(…), quiçá um condomínio fechado de outros tempos, de casinhas baixinhas com graciosas e típicas barrinhas, com tanques às portas e vasos e vasinhos com muitas florinhas e estendais colados aos das vizinhas!…