Palmas de Alegria

Junho 23, 2017 - Leave a Response

A poesia nascia, o catecismo sorria e a inocente criança corria à volta da árvore que floria, batendo palmas de alegria!

A Solitária Soberba

Junho 23, 2017 - Leave a Response

Não te empanturres de soberba, para não acabares sozinho à mesa!

A Pagizinha-Rainha

Junho 23, 2017 - Leave a Response

Vinha um dia a Pagizinha distinta e sisudazinha, o que não é habitual, como uma apreensiva rainha!

Passou por mim nas escadas matizada de lilases, toda ela muito direitinha, olhos baços, sem sorrisos nos lábios, nem melodias de silabas na sua linda boquinha, nem asinhas de afetos abertas, dando um daqueles intermináveis abracinhos à sua amiga-madrinha!

“Que distante a minha Pagizinha!” – cogitei, pasmadinha!

Fiquei muda de admiração, também por encontrá-la ali sozinha, dirigindo-se ao seu palacete, sem ter nenhuma chavezinha para abrir a portinha, pois, apesar de rainha, a Pagizinha é muito novinha!

Olhei para trás e lá seguia ela, pensativa, de olhos postos no chão, “certamente cuidando dos seus governos”, admiti, mas estranhando a forma como ignorava o seu amigo elevador, pondo os seus pezinhos de um degrau para o outro, destemida!

À noite, inquieta com o bem-estar da Pagizinha-Rainha, consultei o sábio do reino, e fiquei a saber que o final da tarde trouxera alguma turbulência e que, provavelmente, ela manifestava efeitos de alguma ventania que não lhe soprara favoravelmente!…

Mas…

Decorridos dois dias, quando atravessava o jardim e curiosamente ia revendo a vivência atrás citada, ouvi uma doce e alegre voz a chamar por mim!

Olhei para a frente e, de braços abertos, a Pagizinha voava na imensa vivacidade do seu coração, esboçando sorrisos de encantar, semeando alegria na dança dos seus longos cabelos, que culminaram naquele abraço que só ela sabe dar e receber! – estava de volta a minha LINDA-GRANDE-MENINA!

Despedida

Junho 23, 2017 - Leave a Response

Que ninguém desista de si, embriagando-se perdidamente na escuridão do beco da solidão, negando o seu direito à essência da vida, pondo um ferrolho no coração!

Que ninguém caia no chão sem apanhar um bago de areia, transformando-o ali num colorido balão, erguendo-se trémula e vitoriosamente pelos seus cansados pés do chão!

Que ninguém diga adeus à vida sem a ténue despedida, olhando para a barcaça da esperança acenando-lhe no vaivém da ondulação, sentindo o calor de uma mão na sua mão!

Até ao paraíso, Meu Amigo-Irmão!

O Borbulhar do Silêncio

Junho 23, 2017 - Leave a Response

Os gestos borbulham nas águas transparentes do silêncio com gemidos adormecidos nas noites esquecidas e nos dias sem vida!

A Menina Azul e o Segredo de um Senhor

Junho 9, 2017 - Leave a Response

A Menina Azul sabia um segredo de um senhor, que o havia deixado cair da boca como se fosse uma grande cereja com um grande caroço, que o estivesse a engasgar, mas por que fora num momento de aflição, cogitava para si, ele nunca mais se lembraria, nem ela falara, nem falaria sobre tal.

Mas…

Sempre que observava o tal senhor, que via ir envelhecendo, ficava cada vez com mais pena de não ter uma varinha mágica ou até de pedir um milagre, se ainda fosse a tempo, por causa da sua saúde e da idade, para que ele pudesse fazer o que mais gostava e melhor sabia, e que de maior felicidade o enchia!

Quando o tal senhor não sorria, ou não punha humor no que sabiamente dizia, a Menina Azul olhava para ele e com a voz do seu coração dirigia-lhe palavras de doce silêncio, desejando que magicamente fizessem eco, repassando-o de paz:

– Não fique triste! Não são de mármore as suas palavras, não vê o mundo do avesso, e ensina tanto e faz tão bem com o seu ar de menino travesso!

Amigo-Emergência

Junho 9, 2017 - Leave a Response

Não queiras ser apenas um caderno de significados, nem uma mera sebenta cheia de apontamentos para quem se diz teu amigo, mas só se lembra de ti quando se acha perdido no meio dos seus desconhecimentos, e vem ao teu encontro em busca dos teus ensinamentos.

Histórias de Fantoches – As Aguarelas do Júlio, 6.ª Página

Junho 9, 2017 - Leave a Response

Mas ainda faltavam os homens, por isso, pintaram-nos:

– os tristes de cinzento;

– os alegres de encarnado;

– os pais de azul marinho;

– as crianças de verde e vermelho;

– os irmãos de amarelo dourado;

– os amigos de lilás;

– os educadores e professores de azul turquesa;

– os vizinhos de cor de laranja;

– os idosos de verde e branco;

– os polícias de azul-escuro;

– os médicos de verde claro;

– os enfermeiros de amarelo claro;

– os cozinheiros de castanho;

– os chefes dos pais de preto e branco;

– os artistas de arco-íris.

Antes de voltarem para a caixa do Júlio, as aguarelas esconderam-se atrás das nuvens brancas e sorriram, porque a Terra estava mais bonita, e os homens, as mulheres, as crianças e os velhos mais felizes e, em cada cor, havia uma flor com um sorriso!

Quando chegaram a casa, as aguarelas puderam ver tudo o que tinham feito naqueles três dias reproduzido nas telas que estavam expostas por todo o lado.

Ficaram surpreendidas e começaram a bater palmas, a dar muitos pulinhos e gargalhadinhas de contentamento, mas os pincéis tiveram de tapar os ouvidos do Júlio, que tinha adormecido no sofá da sala, porque estava muito cansado.

[E tu, se fosses uma aguarela ou um pincel, ou uma aguarela com pincéis nos pés e nas mãos, o que gostarias de pintar / fazer?!…]

Terra do Mar dos Caracóis e das Meninas de Franjinha, Dia da Alegria, Mês da Fantasia, Ano do Sem Fim

Beijinhos da Maria do Mar

FIM

Mendigar

Junho 9, 2017 - Leave a Response

Mendiga-se o pão à espera de caridade, mendiga-se o trabalho em busca de igualdade e mendiga-se o amor na vã esperança da felicidade!

Sorriso do Dia – A Espera

Junho 9, 2017 - Leave a Response

Estou à tua espera, à chuva e ao vento da tua intempérie, à espera que a escuridão liberte a visão dos teus passos, e que a clara madrugada te mostre a estrada!

Estou aqui, à espera, gelada!

Clamando pela cansada madrugada!